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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Rollins Band, Chucho Valdés, Aniceto & Campolino, Brincando de Deus e "Fábrica Ritmos"

Rollins Band
The End Of Silence (1992). Não sei qual foi a impressão que esse disco causou na época, visto que ele tem uma carinha de “surfada na onda do momento”, algo que, verdade seja dita, o Henry Rollins pode fazer, já que foi um dos que começou/inspirou muito do estava em voga no período. Isso posto, passado mais de três décadas, essa mistureba de Helmet com Faith No More soa bem legal. Vale dizer que a produção é do Andy Wallace. Que som de baixão!

Chucho Valdés
Live At The Village Vanguard (2000). Aqui está a magia do virtuoso pianista cubano Chucho Valdés de fazer com que toda a complexidade latina do jazz soe convidativa aos ouvidos. Ele não economiza notas. É uma rajada, uma quebradeira solar. Quem toca (principalmente) bateria deveria dar uma atenção extra. Jazz pra estudar, contemplar e, até mesmo, pra deixar rolando em segundo plano em encontro com amigos.

Aniceto & Campolino
O Partido Alto de Aniceto & Campolino (1977). Esse disco - que salvei sabe-se lá por qual motivo -, surpreendeu ao apresentar para mim uma nova ideia de partido alto. Não é o samba do morro, é o samba rural. Tem até viola caipira em alguns momentos. O garfo e prato também surge enquanto instrumento. Embora seja um registro documental, vale ouvir pela beleza e alegria das canções em si, que transcendem qualquer peculiaridade mistificada.

Brincando de Deus
Recentemente rolou uma “discussão de twitter” sobre “novas bandas de nomes estranhos” do cenário indie/alternativo. Uma bobeira, já que vários desses grupos são ótimos. Mas, ao menos serviu para eu lembrar do Brincando de Deus, que não faria feio atualmente nem pelo nome e muito menos pelo som, que envelheceu muito bem. É um dream pop/shoegaze que pode ser colocado ao lado dos contemporâneos internacionais. Fica a recordação para o ótimo disco Better When You Love (Me) (1994).

Fábrica Ritmos (1992)
Compilação muito legal do início do funk (carioca) brasileiro. O groove do miami bass ainda era a base do gênero, embora ele já apresente uma malemolência própria. Tem sample bem legais (Afrika Bambaataa, Prince?, Beastie Boys? o narrador Silvio Luiz?). É divertido, inventivo, engajado, preconceituoso… é uma bagunça. Acho maneiro!

sexta-feira, 31 de julho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Kid Koala, João Bosco, Strapping Young Lad, Jeff Dahl & Poison Idea e Pilot

Kid Koala 
Já ouvi muita coisa nessa vida, mas não foram muitas as performances de DJ registradas em disco que batem de frente com o álbum Carpal Tunnel Syndrome (2000) do Kid Koala. É daqueles registros pra jogar na cara de quem diz que “DJ não é músico”. Criativo, divertido, instigante, estranho e virtuoso. 

João Bosco
Tava escutando o clássico Galos de Briga (1976) - álbum que contém a canção “Gol Anulado” -, e me perguntando a quem interessa o cancelamento do João Bosco? Não que artista algum deva ser imune à crítica, mas sua fala e sua música é um ataque a o que exatamente? Vale perguntar isso ao lembrarmos a maneira melancólica que o Aldir Blanc morreu. Vale perguntar isso quando estamos falando de um dos maiores representantes da canção brasileira.

Strapping Young Lad 
The New Black (2006). Tava com esse disco salvo aqui e não fazia ideia do que se tratava. Fui ver quem era banda e me deparei com o Devin Townsend (guitarra e voz) e Gene Hoglan (bateria). Entendi tudo. Como tudo que tem o Devin, é pesado, técnico e estranho, mas não exatamente faz minha cabeça. Ele não é um bom compositor. Mas se sua praia for “metal moderno” na linha do Nevermore vale conferir. 

Jeff Dahl & Poison Idea 
Dead Boy (1992). Mais um disco que não sei o porquê de ter salvo, mas dado os nomes envolvidos e o período lançado, esperei por punk rock certeiro e já bem acabado. É isso mesmo. Na época nem deve ter recebido grande destaque, mas hoje soa como um álbum potente. Muito legal. 

Pilot 
From The Album Of The Same Name (1974). Esse é meu tipo de som escapista. É pop rock perfeito. Inclusive, algo a se lamentar é a ausência do power pop no centro da música pop contemporânea. Poxa, não faz mal pra ninguém.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Cólera, The Cramps, Ray Barretto e Jackson Browne

Cólera 
Após muitos anos fui escutar o Verde, Não Devaste! (1989) e fiquei com o sentimento de que esse é o melhor disco do Cólera. A disputa é acirrada. Aqui a energia parece lapidada e melhor captada no estúdio. Bandaça subestimada fora do circuito punk. 

The Cramps
Curiosamente, o mesmo que senti ouvindo o Cólera, veio à tona na audição do Psychedelic Jungle (1981). Que álbum maravilhoso! Ignore qualquer tecnicidade e aprecie algumas das melhores guitarras já gravadas no rock n’ roll. É cáustico, é eletrizante! 

Ray Barretto 
Acid (1968). Daqueles discos pra botar e suspender os amigos. Mas tem que ser em dia ensolarado e com muita bebida gelada. Aqui o percussionista traz toda a malemolência da salsa. Não bastasse ser muito divertido, é também ótimo pra quem quer pesquisar os ritmos afro-cubanos. 

Jackson Browne 
Daqueles compositores-cantores norte-americanos que não costumo dar muita bola, mas que vire e mexe acabo pegando pra escutar por adorar a sonoridade do período. Em termos composicionais e interpretativos, Running on Empty (1977) é realmente “americano demais”, o que pra gravação é um tremendo elogio, mesmo que estejamos falando de um registro ao vivo. Na ficha técnica estão David Lindley, Danny Kortchmar, Leland Sklar, Russ Kunkel e Craig Doerge. Vale conferir.

sábado, 18 de julho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: The Band, Madonna, Lobão, Allan Holdsworth e Possuídos Pelo Cão

The Band
The Last Waltz (1978). Após tantos anos de blog, ainda não havia deixado registrado o quão acho esse disco espetacular. Um documento verdadeiramente histórico, não somente pela situação e nomes envolvidos, mas também pelo resultado final. Ouvi sua versão completa quádrupla e fiquei maravilhado. Um show para se estar. É um clássico, todos sabem, mas vale relembrar. 

Madonna 
Madonna lançou um elogiado disco novo, mas antes de adentrá-lo, preferi me ambientar reouvindo seu passado. Primeiro peguei o True Blue (1986) que está comemorando 40 anos do lançamento e envelheceu muitíssimo bem. Adoro a sua sonoridade fruto de grandes produtores, arranjadores, músicos e estúdio. Fora que tem tremendas (e memoráveis) composições. Clássico do pop! Na sequência ouvi o Confessions On A Dance Floor (2005), que na época não me pegou, mas achei que o problema está em mim, já que eu era apenas um metaleiro. Todavia, reouvindo agora, entendo que ele aponta uma nova direção pra Madonna e pro pop em si - Lady Gaga viria na sequência caso não tivesse saído esse disco? -, soando mais eletrônico, mais pista. Entretanto, não é a Madonna que salta aos meus ouvidos. 

Lobão
Não estranhem se eu passar a limpo a discografia do Lobão. Isso posto, reouvi sua estreia, Cena de Cinema (1982). Acho um tremendo álbum de pop rock brasileiro. Tem o espírito carioca, que tão bem se adequou a new wave. Boas composições e uma sabedoria discreta nos arranjos e performances. Mesmo a produção magrinha tem seu charme, soando datada, mas sem o terrível deslumbre tecnológico. Muito pelo contrário, chega a ser orgânico de tão precário. Bem legal.

Allan Holdsworth
I.O.U. (1982). Isso aqui não existe! Compor e tocar nesse nível é aberração. As harmonias e melodias evoluem sob encadeamentos improváveis. O tanto de convenções faz da performance algo completamente racional. Allan tá com aquele fraseado estupendo que já conheço e adoro, sendo que quem me chamou atenção então foi o baterista Gary Husband, que esmerilha por todo o disco. Assombroso.

Possuídos Pelo Cão
Possessed In The Circle Pit (2008). Pérola do crossover “old school” brasileiro. Perfeito pra ouvir na academia. As vinhetas são divertidíssimas. É sujeira.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Chico Buarque, La Máquina de Hacer Pájaros, Marshall Crenshaw e Wilson Simonal

Chico Buarque
Li uma declaração do Vitor Brauer dizendo que o álbum Vida (1979) foi fundamental para ele se permitir cantar. É o espírito DIY através de uma voz longe de ser unanimidade (eu adoro!). Foi aí que me toquei como o Chico Buarque, por trás de toda sua sofisticação composicional, nunca me soou intimidador. Ainda que superficialmente, fui gostar dele antes de Caetano e Gil. Isso provavelmente por ele ter o pé fincado na tradição, vide alguns sambas aqui presentes (“Deixe A Menina”) que não me surpreenderia se fosse de autoria do Noel Rosa. Curiosamente a sequência com “Já Passou” é praticamente uma bossa vanguardista. Lembrando que os pianos e arranjos são do Francis Hime. Álbum maravilhoso e por muitos negligenciado. 

La Máquina de Hacer Pájaros
Minha filhinha ganhou de um amigo meu o disco de estreia dessa ótima banda liderada pelo Charly Garcia. Acho que não escutava desde que conheci, há uns 15 anos. É bom pra caramba! Totalmente progressivo. De certo modo, me remeteu ao que seria o Tudo Foi Feito Pelo Sol (dós Mutantes) para os argentinos. 

Marshall Crenshaw 
Marshall Crenshaw (1982). Um disco de pop rock com a cara do período. Sua principal qualidade é o esmero nos arranjos, performance e timbragens (datada, mas sem soar mal, já que não é excessivamente polida). Tem algo de Police, mas também de AOR. Bem bacana. 

Wilson Simonal
A Copa do Mundo despertou em mim uma torcida que me levou a relembrar o trabalho do Wilson Simonal, artista que confesso conhecer mais por faixas isoladas que pelos discos. Peguei o sugestivo A Nova Dimensão do Samba (1964), gravado em seu esplendor vocal, com uma seleção de repertório preciosa, banda afiada (quem gravou as baterias?) e arranjos impecáveis (Eumir Deodato chega a assinar alguns). Tudo tão impecável que até deu vontade de avaliar seu momento de baixa. Li sobre o Ninguém Proibe o Amor (1975) ser muito apreciado (Ed Motta é um dos fãs confessos) e fui atrás. Há muita qualidade, mas também certa melancolia.

sábado, 6 de junho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: NIN, Paul McCartney, Superchunk, Phew e Redd Kross

Nine Inch Nails
Pensando nos álbuns de estúdio do NIN, talvez por estar entre discos tão significativos, eu acabo esquecendo como o The Fragile (1999) é excelente. Ele tem a energia e saturação que tanto adoramos na banda. Tudo certo. Discão. 

Paul McCartney
Paul lançou disco novo, mas decidi voltar ao Flaming Pie (1997) pra entrar no clima. Fui nele pelo raciocínio “o que ele tava fazendo no auge do britpop”. A resposta é seu melhor discos desde então. Além das ótimas composições (e quando ele acerta a mão todos sabemos que não é pouca coisa), há guitarras impressionantes tocadas pelo Steve Miller, Jeff Lynne e pelo próprio Paul, os três subestimados enquanto guitarristas. Vale muito relembrar. 

Superchunk
A banda tocou recentemente no Brasil, mas infelizmente não pude ir. Entretanto, nada me impediu de revisitar o Foolish (1994), clássico do indie rock noventista. Adoro o astral e a força das guitarras. Bem legal! 

Phew 
Essa artista japonesa não tem um trabalho fácil, mas vem ganhando projeção por conta das décadas de serviços prestados a um tipo de canção vanguardista. Com elementos eletrônicos, canto particular, atitude punk e formas não convencionais, suas composições soam essencialmente experimentais. Tava ouvindo tanto o Phew (1981) quanto o Our Likeness (1992), dois de seus álbuns mais prestigiados, muito por terem sido gravados no estúdio do Conny Plank com colaboração de nomes como o Jaki Liebezeit e Holger Czukay (ambos do Can). São estranhos, claro, mas também instigantes. Vale conferir.

Redd Kross
Outra banda que vai passar pelo Brasil. Maratonei alguns discos, a começar pelo Born Innocent (1982), nada mais que a perfeita amostra de que o punk rock é um salto temporal do garage rock (e isso é um elogio). Tremendo disco de rock n’ roll! O Neurotica (1987) também tem essa raiz, mas se comunica mais com o power pop (linha Replacements) e até mesmo com o hard rock do período (vide alguns solos de guitarra, o timbre reverberoso de bateria e até mesmo o visual na capa). Bem legal também, mas me empolga menos. Third Eye (1990) é um álbum convidativo que os coloca no centro do rock alternativo do período, gênero que eles ajudaram a desenvolver. Aqui o power pop é o grande enfoque. Soa datado, mas é bacana. Melhor é o Phaseshifter (1992), com o cenário do rock já transformado, permitindo uma produção mais abrasiva. Grandes canções de power pop. Um disco de guitarras e melodias. Foda.!

quinta-feira, 28 de maio de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Anthrax, Youth Of Today, "Perú Selvático 1972-1986" e Sonny Rollins

Anthrax
Sound Of White Noise (1993). O disco grunge do Anthrax. Adoro esse álbum, vire e mexe volto nele. Acho curioso como os timbres de guitarra tão mais próximos do Pearl Jam que do Pantera. Além disso, aqui eles atingiram uma acessibilidade em termos de melodia que o Metallica sempre sonhou (tem provocação, tem verdade). E fica mais uma questão: até hoje não sei qual vocalista do Anthrax gosto mais. Na dúvida ouço ambos.

Youth Of Today
Break Down The Walls (1986). Sinto que poucos vocalistas deram tanto de si quanto o Ray Cappo nesse disco. Ele tá verdadeiramente emputecido. A banda o acompanha em fúria e precisão. Clássico do hardcore, clássico da Youth Crew. Adoro a capa!

"Perú Selvático 1972-1986"
Compilação muito legal de algo que pode ser entendido como “cúmbia lisérgica”. Se aqui no Brasil nós temos a guitarrada, no Peru surgiu essa música de herança caribenha calcada em guitarra, teclados e ritmos calorosos. Há algumas distorções horripilantes (isso é um elogio), provavelmente de gravação em linha. Divertidamente solar e psicodélico.

Sonny Rollins
Sonny Rollins morreu. Dentre tantas homenagens, curiosamente chamou atenção um post descompromissado do Guilherme Guedes citando o álbum The Bridge (1962), visto que ele mencionou que havia uma interação brilhante do saxofonista com o guitarrista Jim Hall (um dos prediletos da casa). E não há do que duvidar, é excelente mesmo. Os improvisos, a condução harmônica do guitarrista, as performances, a maciez dos timbres… Tá tudo certo! RIP Sonny.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Zé Vicente da Paraíba / Aristo José dos Santos, Red Hot Chili Peppers, Big Pun e John Williams

Zé Vicente da Paraíba / Aristo José dos Santos
Violeiros (1964). Não sei de onde tirei esse disco, mas só pela capa já entendo o porquê de tê-lo salvo. É o repente na essência. Pensei no rap, nos mouros, no Bo Diddley. Daqueles discos/documentos que sequer o Tinhorão ousaria falar mal.

Red Hot Chili Peppers
Stadium Arcadium (2006). Sendo justo, gostei desse disco quando ele saiu. Mas ele é longo, o tempo é curto e nunca mais voltei nele. Reouvindo agora achei ótimo (embora com gordurinhas). Aos poucos tô percebendo que, mesmo aqueles discos do RHCP que a gente adora bater (talvez pela prepotência de menosprezar as bandas que gostamos quando chegam no mainstream) também são bem legais. Mais pop, mas com composições bacanas e ótimas performances (principalmente do Frusciante, o único solista do rock mainstream do período).

Big Pun
Eu adoro e estou sempre atento à produção do rap contemporâneo, mas tem algo na sonoridade noventista do gênero que habita na minha memória afetiva. É isso que passou pela minha mente ao ouvir o Capital Punishment (1998), um dos últimos grandes suspiros do gênero naquela década. Tem o apelo pop, o estilo mafioso, o boom bap, a latinidade e o flow trabalhado. É bem legal.

John Williams
Ao dormir costumo recorrer a orquestrações ou álbuns de guitarra para ouvir. Me conforta e me leva a uma análise critica/perceptiva que só a calmaria da noite possibilita. Como costumo cair no sono (perdão, sou falho) um único disco fica a semana toda nessa toada. Entre o erudito e a guitarra, o violão do John Williams (não confundir com o compositor de trilha-sonora) foi um caminho conciliador. Sou incapaz de fazer grandes análises técnicas, mas Spanish Guitar Music (1990) é daqueles momentos em que a ranhura do popular parece se aproximar do virtuosismo erudito. Tremendo fraseado, timbre, interpretação. Lembro que quando criança quis aprender a tocar "Asturias" (acho que ouvi num disco do Doors), mas mal conseguia "Roadhouse Blues". Talvez chegara a hora. E de que filme é "Tango"? Que lirismo! Escutem o disco todo.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Ennio Morricone, Rita Lee & Tutti Frutti, Laraaji e Dead Boys

Ennio Morricone
Assisti o documentário sobre o Ennio Morricone e fiquei admirado com seus trabalhos iniciais enquanto arranjador. Nunca tinha pensado nele enquanto um arquiteto da música pop, que tensionou a canção popular inserindo cordas, contrapontos e sonoplastias em canções que, sem isso, perderiam muito do atrativo. Isso tudo muito antes dos Beatles ou Beach Boys. Tem uma playlist no Spotify só com esse trabalhos para nomes como Rita Pavone, Paul Anka, Françoise Hardy, Gino Paoli, Gianni Morandi, Jimmy Fontana e tantos outros cantores que sequer tinha ouvido falar. Muito legal. Verdadeiramente um gênio e revolucionário da música do século XX. 

Rita Lee & Tutti Frutti
Com a morte do Carlini foi inevitável não reouvir alguns discos que ele gravou, incluindo trabalhos com Guilherme Arantes, os subestimado discos com o Camisa de Vênus, mas principalmente o Entradas e Bandeiras (1976), disco espetacular, talvez até melhor que o clássico Fruto Proibido (1975). Tremendas canções e uma sensível lapidação nos arranjos, performances e produção. Foda. RIP Carlini. 

Laraaji 
Ambient 3: Day Of Radiance (1980). Não sou grande entusiasta dos trabalhos de música ambient do Brian Eno, de modo que esse tinha passado despercebido por mim. Mas vale escutar por ele ser uma parceria com o Laraaji, até então um artista de rua. Aqui o ambient é menos atmosférico/sintetizado e mais orgânico/minimalista/étnico, explorando instrumentos como o dulcimer e a cítara na criação de paisagens que parecem derreter numa cascata de notas. 

Dead Boys 
Young, Loud and Snotty (1977). Clássico do punk 77. Não é absurdo dizer que eram a banda mais perigosa daquela geração. Acho o Stiv Bators uma das grandes vozes do punk. Era um porra louca, mas sua atitude interpretativa faz valer a pena. E por mais maluco que fossem, eles tocam direito e, até mesmo, chegam a apresentar certo senso melódico. Esse debut envelheceu bem demais. 

domingo, 10 de maio de 2026

ACHADOS DA SEMANA: In Flames, Rolling Stones, Ohio Players, Dead Kennedys e Ira!

In Flames

Clayman (2000). Tocaram recentemente no Brasil e eu quis relembrar, embora a banda nunca tenha sido minha onda (e olha que eu era um adolescente metaleiro com amigos que curtiam o grupo). Fato é que esse elemento melódico do death metal não faz minha cabeça, ainda que eu reconheça que esse disco sobreviveu até que bem ao teste do tempo (ao contrário de outros trabalhos de metal do mesmo período que hoje soam mais pasteurizados). Tem riffões e boas performances. Na academia desce redondo. 


The Rolling Stones 

Nos 50 anos de lançamento do Black And Blue (1976), tava pensando em como ele é uma guinada dos Stones pro futuro. Aqui não está mais a “simples” banda de rock n’ roll. Eles deram um salto pra novos tempos inserindo reggae e funk na paleta sonora. E fizeram isso com talento e espontaneidade. O trabalho de guitarra aqui é brilhante, muito pela chegada do Ron Wood, mas também pela colaboração de outros músicos (vide o Harvey Mandel), além da fluidez rítmica do Keith ao se deparar com novas influências. Muito legal! 


Ohio Players 

Pleasure (1972). Eu tenho muitos defeitos, mas ao menos conviver comigo é a garantia que num fim de semana ou feriado prolongado vou botar uma sonzeira dessas pra tocar logo no café da manhã. Daí pra frente não tem dia ruim. Que groove, que arranjos (principalmente de metais). 


Dead Kennedys 

O documentário dos Raimundos foi tão forte para mim que me levou a procurar entrevistas antigas dos integrantes. Lembrei de uma Guitar Player com a banda na capa. Lá o Digão diz que o Bedtime For Democracy (1986) é uma escola de riff. Melhor então que reouvir Raimundos - que até tentei, mas não passava de três músicas -, é reouvir Dead Kennedys. Interessante como a guitarra soa estridente e ardida, sendo a cara do hardcore antes do gênero se “metalizar”. Um tremendo disco, embora nem sempre lembrado.


Ira!

Adoro o Ira!. Afirmo isso ao pensar em discos como Clandestino (1990), um retrato da crise criativa do grupo, mas ainda assim bem legal (não por conta do Nasi, muito pelo Scandurra). Vale relembrar. 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Art Farmer, Dave Mason, Booker T. & The M.G.’s, João Gilberto e Donny Hathaway

Art Farmer
Crawl Space (1977). Caí nesse disco por acaso após ver alguém (não lembro quem) comentado que aqui tem algumas das melhores performances do Steve Gadd, baterista que confesso ainda não ouvi nada a ponto de venerá-lo (como tantos fazem). Isso posto, é um tremendo disco de jazz, de uma época nem tão florescente do gênero. Se o artista que assina o disco detona com seu flugelhorn, é de se destacar também a presença do Eric Gale (guitarra) e Will Lee (baixo). 

Dave Mason
Morreu o Dave Mason e achei oportuno escutar o Dave Mason Is Alive! (1973). “Humor” involuntário a parte, fato é que só o conhecia basicamente por ter feito parte do Traffic, sendo que ele saiu logo após o primeiro disco. Li muito sobre sua carreira solo e conclui que esse ao vivo seria uma boa porta de entrada, ainda mais depois que Warren Haynes falou bem do álbum. Não por acaso, já que tem ótimas guitarras. Seu estilo de solar livre/viajante mais parece uma fotografia de um tempo. Muito recomendado pra quem gosta de classic rock setentista. RIP

Booker T. & The M.G.’s
Melting Pot (1971). Basicamente uma banda foda tocando. Groove, calor, técnica, paixão… tá tudo aqui. Um dos melhores registros do Steve Cropper. 

João Gilberto
Quando soube da morte do Moogie Canazio, lembrei do disco João Voz e Violão (1999), último trabalho de estúdio do João Gilberto, com “produção” do Caetano e engenharia de áudio do Moogie. É o João no meu formato predileto: solitário. Nada de orquestra ou arranjos pomposos. Voz e violão são suficientes. Diz a lenda que é um trabalho sequer com mixagem. Do jeito que foi captado ficou (o que não quer dizer que não teve embrolho neste processo). Confesso que não acho todas as canções estão em suas melhores versões, mas basta a abertura com “Desde Que O Samba É Samba” pra valer a feitura do disco. Ainda me esperanto com o senso e liberdade rítmica do João. Suas divisões são de outro mundo. Foda. RIP João e Moogie. 

Donny Hathaway 
Extension Of A Man (1973). Esse é o nível de beleza que ouço com minha filhinha antes de dormir. Nada pode ser melhor que isso. Arranjos cinematográficos e uma das grandes vozes da canção popular. Músicas que vão direto pro coração.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Calcinha Preta, Mick Taylor, Biluka y los Canibale e Mr. Catra

Calcinha Preta
Semana passada falei de Bach, essa semana de Calcinha Preta. Isso é a vida real e suas dinâmicas. Fato é que um amigo gosta do grupo, eles já gravaram uma música do Angra (não que isso seja uma grande conquista) e o Vitor Brauer vive fazendo elogios. Questões que me fizeram querer me inteirar mais sobre o Calcinha. Cheguei no Ao Vivo Em Belém do Pará (2005), um show à frente do 80 mil fãs, marca difícil de ignorar. O fenômeno popular é indiscutível, ainda que sem contar com o melhor aparato técnico para isso. Musicalmente acho mais divertido/carismático que propriamente bom. Não vou falar que se comunica comigo pra eu parecer mais “do povo”. Mas é legal perceber como a estrutura das canções tem algo do hard rock oitentista (pode jogar Scorpions, Def Leppard, Bon Jovi e Whitesnake neste pacote) que muitos relutam em reconhecer. Os refrões ganchudos, as melodias altas, os (bons) solos de guitarra… nada causa estranhamento num ROCKEIRO (como eu). De certo modo, eis a consolidação do forró eletrônico, gênero ainda hoje altamente popular.

Mick Taylor
O Nuno Mindelis fez um vídeo sobre esse espetacular e subestimado guitarrista. Ele mencionou um disco solo homônimo lançado por ele em 1979. Fui ouvir e ele superou em muito minhas expectativas. É verdadeiramente majestoso. Tá ali o guitarrista de blues, o domínio do slide, o bom compositor, ótimo cantor e seu fraseado rico que transcende o blues (algo jazzy à la Jeff Beck). Tem cada solo! A elegância dele é de um guitarrista que, ao se por em primeiro plano com seu instrumento, não se sobrepõe ao principal, que é a música.

Biluka y los Canibales
Left-Playing In Quito (1960-1965). Que raio é isso? E se eu te falar que é um álbum de um “tocador de folhas”. Biluka é Dilson de Souza, um carioca que foi pra Quito e montou um grupo com características jazzisticas, mas que vai muito além do gênero. Algumas melodias parecem até sonoplastia de sketch de humor antigo. Tem um lance meio trilha-sonora do Chaves. Mas não falo isso como demérito, mas pra exemplificar o quão humorada pode ser essa proposta “estranha”. Muito legal e, vale dizer, sampleavel.

Mr. Catra
O Fiel (1999). Se hoje o funk brasileiro está consolidado e o rap carioca mostra suas garras, é preciso voltar neste disco, inegavelmente cheio de limitações técnicas, mas com muita personalidade e carisma. Ele é o nosso Lil B (contém humor). Vale notar como nesse trabalho a voz do Catra tá jovial e preservada, ao contrário daquele trovão que virou seu timbre. Interessante notar a ponte entre a religiosidade e a putaria, um retrato tão contraditório quanto comum na periferia brasileira (pra não dizer da sociedade como um todo). Vale conferir.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Bach, Street Bulldogs, Rush, The Cure e RHCP

Bach
O que vocês escutam na Páscoa? Na tentativa de não ser um bostão, botei a Paixão Segundo São Matheus do Bach pra escutar com minha filha. Ambos dormimos. Insisti no outro dia. Capotamos novamente. Mas é lindo, claro. Mas é um oratório, então repousamos, ué. Quem sabe na próxima Páscoa não traga análises mais formais. 

Street Bulldogs
Vi uma galera verdadeiramente emocionada com os shows que o Street Bulldogs andou fazendo. Quis compartilhar do mesmo sentimento botando o Question Your Truth (2001) pra ouvir, mas confesso que por mais bacana que eu ache, não se comunica comigo. Tudo bem, é mais uma questão geracional que propriamente sonora. Ainda é um dos grandes discos do hardcore melódico brasileiro.

Rush 
Grace Under Pressure (1984). Tava escutando esse que talvez seja o último grande suspiro do Rush na década 1980. Boas faixas, todos brilhando, com atenção para as guitarras do ainda hoje subestimado Alex Lifeson.

The Cure
O Aquiles Priester fez uma lista com 50 álbuns que o influenciaram. Dentre nomes esperados, achei curioso ele ter colocado o Kiss Me Kiss Me Kiss Me (1987), que por erro meu, nunca tinha dado a devida atenção. Que discão! E embora tenha grandes baterias, foram as guitarras que saltaram aos meus ouvidos. Uma verdadeira parede atmosférica de distorções, prevendo inclusive muito da sonoridade do shoegaze. São texturas incríveis. Tudo muito bem tocado e arranjado. Fora a excelente mão do Robert Smith pra composição, né. Discaço!

RHCP
Assisti o ótimo documentário sobre a primeira fase do RHCP, que com justiça enaltece o Hillel Slovak. Com isso, tive que voltar para o The Uplift Mofo Party Plan (1987), possivelmente o primeiro grande disco da banda, embora confesse que desta vez soou aquém do que lembrava. É que passada a empolgação do documentário, fica a verdade de que a entrada do Frusciante e Chad Smith elevaram a qualidade das composições do grupo. Mas para os fãs pós-Californication, voltar na origem é ultra recomendado.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Creedence Clearwater Revival, Gato Barbieri, Elis Regina e Judas Priest

Creedence Clearwater Revival
Cosmo’s Factory (1970. Um clássico que vale lembrar pra que, quem sabe, a galera “anti-rock de tiozão” dê a devida atenção. Que guitarras, que performances vocais, que hits! Achei baratinho numa loja de discos (verdade seja dita, não nas melhores condições, mas tocando razoavelmente bem e com marcas de que rodou muito). Sensacional.

Gato Barbieri 
Last Tango In Paris (1972). Nunca tinha escutado essa emblemática trilha sonora. Viver e aprender, mesmo que com atraso. Fato é que o compositor argentino soube equilibrar beleza e certa “cafonagem” numa trilha grandiloquente, quase dramática. O cinema por vezes pede que pese a mão, então funciona. Adoro a energia do acordeon. Exagerado e lindo. 

Elis Regina
Muito se falou sobre a nova mixagem do álbum Elis (1973) que gerou reclamações do César Camargo Mariano e defesa dos filhos da Elis. A mim me restou reouvir a versão original. É dos meus prediletos da Elis, muito pela seleção do repertório - tem muito Gilberto Gil (“Oriente”, “Meio de Campo”, “Ladeira da Preguiça”), além do João/Aldir - mas também pelos arranjos e performances. Tem canções que são aulas de guitarra (vide “Doente, Morena”, gravada pelo Ari). Há também aquele elemento “rock progressivo” tão presente da mpb do período (vide “Agnus Sei”). Inclusive, num hipotético Rock N Roll Hall Of Fame brasileiro, eu defenderia a inclusão da Elis por isso (também pela atitude, claro). Ela é muito rock. Por sua vez, não é “muito samba” (CALMA! Brincadeira) visto que, mesmo tendo uma voz esplendorosa, não conseguiu superar Nelson Cavaquinho em “Folhas Secas”. Ah, vale lembrar que além dos teclados do César, tem a cozinha Luizão Maia (baixo) e Paulinho Braga (bateria), a maior da música brasileira. Sobre a reedição: não ouvi. 

Judas Priest
Sad Wings Of Destiny (1976). O disco tá fazendo 50 anos. Regis Tadeu fez um vídeo tão apaixonado sobre o álbum que fui reouvir (depois de uns 15 anos). É muito bom mesmo. É aqui que o heavy metal toma a forma que conhecemos. Que banda! Cada vez gosto mais.

sexta-feira, 27 de março de 2026

ACHADOS DA SEMANA: "VA Urgh! A Music War", Bad Brains, Iron Maiden, Esther Phillips e Pepê Castro Neves

"VA Urgh! A Music War" (1980)
Não conhecia esse filme-show, mas o Barcinski fez um ótimo vídeo sobre ele e fui procurar pra assistir. Nem vale eu ficar falando da sua importância, melhor ver o vídeo do Barça. Ou então procura logo o show. Tem inteiro e com boa qualidade no YouTube. Já vou adiantar as performances que mais gostei: Police (como tocavam!), Oingo Boingo (aqui numa fase mais bem-vindamente “crua”), XTC, Klaus Nomi (registro clássico dele, que já tinha visto sem saber que pertencia a esse filme), Dead Kennedys, Steel Pulse, Cramps, Pere Ubu (que eu acho que nunca tinha visto em vídeo), Devo, John Otway, Skafish e Wall Of Voodoo, sendo que esses três últimos sequer conhecia. Tudo muito bem captado. Imperdível.

Bad Brains
Tudo bem, a estreia deles mora em nossos corações e é verdadeiramente um dos discos mais urgentes já gravados, mas o I Agains I (1986) também é um clássico. Mais irregular, com produção nem tão quente, mas ainda com pontos muito altos. As performances de todos são excelentes. Muita banda bebeu dessa fonte.

Iron Maiden
A Dunlop lançou um wah-wah homenageando o álbum Killers (1981) e foi motivo suficiente para eu reouvir o disco após anos. Os cinco primeiros da banda sempre revezam entre meus prediletos, mas dessa vez arrisco dizer que o Killers tá no topo. Tem a espontaneidade do debut, só que mais lapidado, tanto nas composições, performances e produção. Muito legal. E ah, tem boas passagens de wah-wah que, honestamente, nunca tinha associado ao Iron.

Esther Phillips
Meu pai adora a Beth Hart e não serei eu que irei censurá-lo. Mas botei o From A Whisper To A Scream (1971) da Esther Phillips na sua presença como forma de dar um toque de “não é isso que você tá procurando, não?”. Que voz naturalmente esplêndida! A performance da banda (que conta com Bernard Purdie, Cornell Dupree, Eric Gale, Gordon Edwards, dentre outros) também é majestosa. Fora a produção e arranjos (inclusive orquestrados) típicos do período. Uma maravilha! Não deixem de escutar.

Pepê Castro Neves
Coração Vulgar (1979). Não conhecia nem artista nem disco, mas tava salvo aqui então fui ouvir. Ao encontrá-lo no canal do YouTube do Tônico Manoel já esperei pelo fino da canção brasileira. No repertório há canções de Paulo César Pinheiro, Sá & Guarabyra, Nelson Cavaquinho, Toninho Horta, Cacaso, Sueli Costa, Guinga, Aldir Blanc, Egberto Gismonti, dentre outros. Impressionante, não? E o piano e a voz daquele que assina o álbum não decepciona. Muito pelo contrário, seu canto é sólido e o piano com certo grau de virtuosismo. Por terem “sambas discretos” ao piano, cheguei a lembrar do Benito di Paula, embora aqui exista um refinamento maior (sem demérito ao Benito), inclusive ao trazer arranjos espaçados, sem grande fuzuê. Excelente álbum.

sexta-feira, 13 de março de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Polara, Santana, Paulinho Moska, Earth Wind & Fire e Fuck Buttons

Polara 
A banda vai tocar aqui na minha cidade e eu tirei a poeira do Tempestade Bipolar (2005) e Inacabado (2008), dois álbuns seminais do indie rock brasileiro. Adoro como a banda dentro de um contexto do cenário alternativo contemporâneo nunca se rebaixou composicionalmente e nem ficou blasé. Tem complexidade, jovialidade e energia. Inclusive é um grupo que soube se apropriar do melhor do emo numa época complicada pro gênero. Envelheceu bem, inclusive servindo de influência para novos grupos. 

Santana
Trafegando pelo YouTube no domingo a noite cai num show ao vivo do Santana de 1970. Live At Tanglewood, em HD, qualidade ótima. Melhor ainda a performance do guitarrista. A banda é ótima, mas ele rouba a cena. Seu controle do feedback, a maneira que parece estar sempre tentando domar a guitarra (isso enquanto transcende materialmente), o fraseado soberbo… coisa de gênio. Lembrei do Hendrix, do Jeff Beck e cheguei a conclusão que naquela época era difícil bater de frente com o Santana. 

Paulinho Moska 
Vontade (1993). Não lembro o porquê de ter salvo esse disco pra escutar, mas aqui estava e decidi ouvir. Eu nunca tinha escutado nada do Moska, mesmo achando ele um cara bacana (ao menos em entrevistas). Esse trabalho tem a cara do cenário alternativo brasileiro rockeiro “bem pensante” da época, que aparenta tratar o rock nacional e a mpb com a mesma paixão. Algo completamente pós-Cazuza. Um tanto datado, mas bacana. As canções são boas, há uma energia rockeira bem vinda e o Billy Brandão arrebentando nas guitarras. Talvez o problema seja ser correto demais, inclusive nos momentos “atrevidos”.

Earth, Wind & Fire
All ‘N All (1977). Assisti o documentário do Paulinho da Costa e corri pra reouvir esse disco. Earth, Wind & Fire no auge. É funk e pop, tudo com um acabamento perfeito da indústria musical norte-americana. Que discão!

Fuck Buttons 
Tarot Sport (2009). Relembrei essa pérola da música eletrônica. Um álbum imersivo em sua proposta de “acid techno noise”. Gosto de como as produções progridem através da repetição rítmica e dos timbres estragados. Lembrando que a produção é do Andrew Weatherall.

sexta-feira, 6 de março de 2026

ACHADOS DA SEMANA: RHCP, 50 Cent, Os Diagonais e Roberto Carlos

Red Hot Chili Peppers
A Juvi fez uma Tier List da discografia do RHCP e mencionou que o By The Way (2002) é seu disco predileto da banda. Normal, envolve questão geracional e gosto pessoal, então tudo bem. Fui ouvi-lo, coisa que não fazia desde quando foi lançado. Era uma banda importante pra mim na época, de modo que recebi o álbum muito mal. Escutando agora até gostei. É um trabalho de pop rock, com boas melodias e performance redondinha de todos. Nada extravagante, apenas boas canções. Preferível ignorar os singles que fizeram enorme sucesso e se concentrar nas outras canções. Vale ouvir sem a birra que nós mais velhos temos.

50 Cent 
Get Rich Or Die Tryin (2003). Mais um disco que odiava na época. E como fez sucesso, hein! Hoje soa mais encorpada do que parecia no passado. Mais pela compressão que pela força dos beats. Inclusive ainda não engulo esse clap cafajeste no lugar da caixa. O flow do 50 Cent também não é grande coisa (na faixa com o Eminem fica discrepante). Ao menos tem uns ganchos memoráveis, provavelmente escolhidos a dedo pelo Dr. Dre. Não é o inferno que achava, mas também não empolga.

Os Diagonais 
Cada Um Na Sua (1971). Daqueles grupos e álbuns que ouço falar há tanto tempo que até tinha impressão que já conhecia. Talvez até já tivesse escutado mesmo, mas não lembrava de nada. Ele é cultuado por conter um Cassiano em sua formação, mas o álbum revela ainda guitarras do Hyldon e Luis Wagner, a bateria do Paulinho Braga, baixos espetaculares do Luizão (ou seja, a grande cozinha da Elis Regina), teclados do Osmar Milito e uns tremendos arranjos (de vozes e metais). Tem aquele groove esperto que os DJs gringos tanto amam. Justificado, já que é um dos grandes álbuns do soul brasileiro.

Roberto Carlos 
Tudo bem, Roberto Carlos é até 1977, mas o de 1981 não é de se jogar fora. É das suas melhores capas, sua voz ainda tá ótima, tem arranjos exuberantes mesmo nas canções chatas, linhas de baixo lindas (deve ser o PCB), abre com a boa “Ele Está Para Chegar”, tem sua última grande canção (“As Baleias”), a clássica “Emoções”. Tudo isso pra dizer que encontrei por 5 reais e tive que trazer pra minha coleção. Sensacional.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Grand Funk Railroad, Gov’t Mule, Minutemen, ZZ Top e Cidadão Quem

Grand Funk Railroad
Closer To Home (1970). Aquele típico disco que um velho rockeiro (como eu) adora ouvir pra sair da ressaca do carnaval. Entenda isso como quiser. Nessa audição achei esse até melhor que o Red Album, que sempre foi meu predileto da banda. Aqui os timbres tão mais redondinhos, há lapidação na performance e canções melhores desenvolvidas. Um salto sem perder o vigor. 

Gov’t Mule
The Deep End Vol.1 (2001). Não tinha me ligado nesse disco. Ele foi lançado após a morte do Allen Woody. Com isso, demonstrando até seu prestígio na cena, baixista icônicos se juntaram pra gravar esse álbum. Nomes como Jack Bruce, Bootsy Collins, John Entwistle, Larry Graham, Flea, Mike Watt, Roger Glover, dentre outros. Lista impressionante! O resultado é matador e divertido. Fora que, pra variar, o Warren Haynes tá tocando muito. Que timbre ele tira, né! Bonzão. 

Minutemen
Fui assistir um documentário sobre a o Minutemen (We Jam Econo, de 2005), o que me levou a dar melhor atenção ao The Punch Line (1981), estreia deles. Impressionante como eles já soavam entrosados. Todos tão tocando muito, mas tenho uma predileção pelo Mike Watt. Ele é embaçado! Canções curtinhas, mas que nem por isso pecam em criatividade. E é nítido que o RHCP bebeu muito dessa fonte. 

ZZ Top
Motivado por um vídeo do Nuno Mindelis, fui escutar alguns trabalhos “recentes” do ZZ Top que não tinha dado bola até então. Simplesmente adorei o XXX (1999). A banda tá soando poderosa, com todos tocando muito bem (normal) e extraindo timbres robustos que se comunicam tanto com a tradição blues rock quanto com o rock alternativo do período (dos que também bebiam da fonte do blues, como Beck e Jon Spencer). São “saturações analogicamente modernas”. Muito legal.

Cidadão Quem
Banda muito querida no Rio Grande do Sul, mas que nunca chegou aqui pelo sudeste. O Tavares tava falando o quão adora o Outras Caras (1993) e eu fui dar uma escutada. É bem bacana. Verdade seja dito, conceitualmente nem tão diferente do que propunha o Engenheiros do Hawaii, mas aqui acho melhor resolvido. Bem tocado, com uma “polidez” de produção pra adentrar na indústria, cheio de ótimos solos de guitarra, com uma comunicação com os países vizinhos da América Latina, um certo elemento radiofônico do hard rock… é bacana.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Suba, Paulo César Pinheiro, Rory Gallagher e Márcia


Suba
São Paulo Confessions (1999). Ouço falar desse disco há muito tempo, mas ele sempre fugia do meu radar e acabava não escutando. Mas fui numa loja de discos e encontrei ele baratinho. Comprei. Ouvindo não posso dizer que ele envelheceu bem. Acho que é um produto artístico de uma época, sendo que nesse sentido, como representante de uma nova música brasileira diante da virada do milênio, ele é perfeito. Uma simbiose da bossa nova com a música eletrônica que, contemporânea ao trip hop, caia muito bem. As mãos do João Parahyba nas percussões é o ponto forte. Independente de qualquer gosto pessoal, sem dúvida o Suba foi um cara muito talentoso, que colaborou de forma definitiva na carreira de muita gente (Bebel Gilberto o caso mais evidente) e que teve uma morte prematura tristíssima. 

Paulo César Pinheiro 
Esse brilhante compositor brasileiro foi homenageado no Carnaval de São Paulo pela escola Estrela do Terceiro Milênio. Pensando nisso, fui ouvir seus discos, sempre negligenciados por mim (por todos). Começando pelo Paulo César Pinheiro (1974), um álbum de samba rústico e escuro (“samba gótico”). Adoro como sua voz tem ranhura. Talvez seja um samba mais pra quem não gosta do estilo que pra quem gosta. Sua parceria com Baden Powell está forte aqui. Já no também homônimo álbum lançado em 1980 há um exército de músicos talentosos, sustentados pela poesia do compositor. Estão aqui Dori Caymmi, Baden, Maestro Gaya, Maurício Tapajós, Radamés Gnattali, Wilson das Neves, Hélio Delmiro, Sivuca, Guinga e vou parar por aqui. Aqui já um maior esmero na produção (questão de tempo de estúdio mesmo, não necessariamente uma polidez técnica). O Brasil que os brasileiros do “imagina não ser brasileiro” não conhecem.

Rory Gallagher 
Irish Tour ‘74 (1974). Tava “tocando” guitarra e queria algo inspirador, tanto pra extrair timbre de strato, quanto em performance mesmo. Esse clássico registro ao vivo do Rory Gallagher caiu como uma luva. Referência total em tudo que envolve a arte de tocar guitarra.

Márcia
Ronda (1977). Meu disco para quarta-feira de cinzas. Espero mais por sua audição que pela chegada do Carnaval. É que meu lance é samba triste. Acompanha uma bebida forte. Obs: eu tatuaria essa capa do Elifas Andreato.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Dream Theater, Gary Moore, Meat Puppets, Aerosmith e John Surman


Dream Theater
Acho um pouco intrigante como o Dream Theater não consegue mais soar como no Awake (1994). Aqui tá o peso, a modernidade, o virtuosismo, dentre outras características que ainda permeiam o conceito do grupo, mas a capacidade de criar composições memoráveis, a fluidez das performances e o calor da produção é disparadamente superior. Sonzão. 

Gary Moore 
Blues Alive (1993). Não sei se já comentei aqui, mas eu adorava esse disco na adolescência. É aquele blues pesado o suficiente pra fazer a cabeça de um moleque metaleiro entusiasta da guitarra shred. Imaginei que escutando agora - após décadas sem ouvir, após me familiarizar melhor com a “rusticidade” do blues “tradicional” - acharia menos interessante, mas eu adorei. Ele não é tão polido quando um Bonamassa. Há ainda um vigor alimentado por um timbre encorpado que poderia tá nas mãos do Zakk Wylde. Seus bends e vibratos podem até serem exagerados, mas me soam muito bem. Muito bom. 

Meat Puppets
Costumo recorrer ao clássico II (1984) quando quero ouvir o grupo, mas fui pegar o Up On The Sun (1985) e dá pra dizer que ele é tão bom quanto. É impressionante o quão ele é influente. Dá pra sentir ecos do que viriam a fazer Nirvana, Dinosaur Jr., Pavement e, curiosamente, o Geese. Os vocais “mortões” entregam. Aqui também há um excelente trabalho de guitarras (clean, com influência country). Adorei redescobrir.

Aerosmith
As vezes fico tão centrado em pesquisas musicais que esqueço como são bons alguns clássicos batidos do rock. Fui reouvir o Rocks (1976) inspirado pela famosa lista com os discos prediletos do Kurt Cobain e fiquei maravilhado com o groove funky em meio ao hard rock do grupo e com as performances do Joe Perry. Muito legal. 

John Surman 
Upon Reflection (1979). Daquelas pérolas lançadas pela ECM. É um jazz abstrato que, se jogarem no campo da música erudita, eu aceito. Tudo arquitetado por um único homem, aparado de clarinete, sax e sintetizadores, que formam a cama para seus solos livres. Há respiro em meio ao formato inusitado. É belo, mas também estranho. Obs: “Caithness To Kerry” parece um forró.