Calcinha Preta
Semana passada falei de Bach, essa semana de Calcinha Preta. A vida é assim. Fato é que um amigo gosta do grupo, eles já gravaram uma música do Angra (não que isso seja uma grande conquista) e o Vitor Brauer vive fazendo elogios. Questões que me fizeram querer me inteirar mais sobre o Calcinha. Cheguei no Ao Vivo Em Belém do Pará (2005), um show à frente do 80 mil fãs, marca difícil de ignorar. O fenômeno popular é indiscutível, ainda que sem contar com o melhor aparato técnico para isso. Musicalmente acho mais divertido/carismático que propriamente bom. Não vou falar que se comunica comigo pra eu parecer mais “do povo”. Mas é legal perceber como a estrutura das canções tem algo do hard rock oitentista (pode jogar Def Leppard, Bon Jovi e Whitesnake neste pacote) que muitos relutam em reconhecer. Os refrões ganchudos, as melodias altas, os solos de guitarra… nada causa estranhamento num ROCKEIRO (como eu).
Mick Taylor
O Nuno Mindelis fez um vídeo sobre esse espetacular e subestimado guitarrista. Ele mencionou um disco solo homônimo lançado por ele em 1979. Fui ouvir e ele superou em muito minhas expectativas. É verdadeiramente majestoso. Tá ali o guitarrista de blues, o domínio do slide, o bom compositor, ótimo cantor e seu fraseado rico que transcende o blues (algo jazzy à la Jeff Beck). Tem cada solo! A elegância dele é de um guitarrista que, ao se por em primeiro plano com seu instrumento, não se sobrepõe ao principal, que é a música.
Biluka y los Canibales
Left-Playing In Quito (1960-1965). Que raio é isso? E se eu te falar que é um álbum de um “tocador de folhas”. Biluka é Dilson de Souza, um carioca que foi pra Quito e montou um grupo com características jazzisticas, mas que vai muito além do gênero. Algumas melodias parecem até sonoplastia de sketch de humor antigo. Tem um lance meio trilha-sonora do Chaves. Mas não falo isso como demérito, mas pra exemplificar o quão humorada pode ser essa proposta “estranha”. Muito legal e, vale dizer, sampleavel.
Mr. Catra
O Fiel (1999). Se hoje o funk brasileiro está consolidado e o rap carioca mostra suas garras, é preciso voltar neste disco, inegavelmente cheio de limitações técnicas, mas com muita personalidade e carisma. Ele é o nosso Lil B (contém humor). Vale notar como nesse trabalho a voz do Catra tá ainda jovem e preservada, ao contrário daquele trovão que virou seu timbre. Interessante notar a ponte entre a religiosidade e a putaria, um retrato tão contraditório quanto comum na sociedade.
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