Closer To Home (1970). Aquele típico disco que um velho rockeiro como eu adoro ouvir pra sair da ressaca do carnaval. Entenda isso como quiser. Dessa vez achei esse até melhor que o Red Album, que sempre foi meu predileto da banda. Aqui os timbres tão mais redondinhos, a lapidação na performance e canções melhor desenvolvidas. Um salto sem perder o vigor.
Gov’t Mule
The Deep End Vol.1 (2001). Nunca tinha me ligado nesse disco. Ele foi lançado após a morte do … Com isso, demonstrando até seu prestígio na cena, baixista de prestígio de juntaram pra gravar esse álbum. Nomes como …. O resultado é matador e divertido. Fora que, pra variar, o Warren Haynes tá tocando muito. Que timbre ele tira, né! Bonzão.
Minutemen
Fui assistir um documentário sobre a o Minutemen (We Jam Econo, de 2005), o que me levou a dar melhor atenção ao The Punch Line (1981), estreia deles. Impressionante como eles soavam entrosados. Todos tão tocando muito, mas tenho uma predileção pro Mike Watt. Ele é embaçado. Canções curtinhas, mas que nem por isso pecam em criatividade. E é nítido que o RHCP bebeu muito dessa fonte.
ZZ Top
Motivado por um vídeo do Nuno Mindelis, fui escutar alguns trabalhos “recentes” do ZZ Top que não tinha dado bola até então. Simplesmente adorei o XXX (1999). A banda tá soando poderosa, com todos tocando muito bem (normal) e extraindo timbres robustos que se comunicam tanto com a tradição blues rock quanto com o rock alternativo do período (dos que também bebiam da fonte do blues, como Beck e Jon Spencer). São “saturações analogicamente modernas”. Muito legal.
Cidadão Quem
Banda muito querida no Rio Grande do Sul, mas que nunca chegou por aqui. O Tavares tava falando o quão adora o Outras Caras (1993) e eu fui dar uma escutada. É bem bacana. Verdade seja dito, conceitualmente é nem tão diferente do que propunha o Engenheiros do Hawaii, mas aqui acho melhor resolvido. Bem tocado, com uma “polidez” de produção pra adentrar na indústria, cheio de ótimos solos de guitarra, com uma comunicação com os países vizinhos da América Latina, um certo apelo radiofônico do hard rock… é bacana.
Embora com enorme atraso, eis que chegamos a "tradicional" lista de melhores do ano do País do Baurets.
Reconheço que citar mais de 100 discos de um único ano é exagero, ainda mais atualmente, onde tudo parece ser tão descartável (não enquanto obra, mas enquanto hábito de ouvinte). Todavia, não deixaria de postar algo bacana só para me enquadrar num número pré-estabelecido.
Apesar da grande quantidade de álbuns, fiz descrições pessoais e curtinhas (não são críticas, muito menos resenhas, são DESCRIÇÕES), justamente por entender que, embora as pessoas tenham sede de conhecimento, nem todos têm tempo/interesse/prazer de ouvir tantos lançamentos, muito menos de ler a minha irrelevante opinião sobre tais obras.
Mas tá aí, o trabalho sujo está feito. Com direito a uma faixa destaque pra cada disco (exceto nos "MELHORES DISCOS DO ANO", ao menos esses escutem inteiro).
Mais que uma crítica, esse post é um apoio para quem quer caçar uma novidade (e um HD externo para eu mesmo catalogar minhas audições/preferências).
Obviamente, muitos prováveis grandes discos ficaram de fora simplesmente por eu não ter tido acesso e/ou tempo de ouvir. No passado isso me causava angústia, hoje deixo rolar, conformado com a impossibilidade de ouvir tudo. De qualquer modo, se tiverem alguma grande indicação para fazer, é só colocar nos comentários.
Separei tudo em ordem alfabética. Nacionais e internacionais, tudo misturado. Acho que assim fica mais fácil procurar algum lançamento específico. Todavia, como tem quem se interesse em saber as predileções nacionais, deixo aqui a menção honrosa aos discos do Antônio Neves, Antropoceno (o EP Terra do Fogo), BK, Budang, Bufo Borealis, Eliana Pittman, FBC, Gaby Amarantos, Renegades Of Punk, Stefanie, Thiago Amud e terraplana. Destrincho cada um deles mais abaixo. Vale ainda dizer que algumas descrições dos álbuns nacionais estão mais longas e detalhadas, visto que eram roteiros para vídeos que nunca saíram do papel.
Sem mais delongas, vamos para a lista:
“MELHORES” (8-10)
- Agriculture: The Spiritual Sound Daqueles discos que bastou eu dar o play pra de imediato pensar “gostei disso!”. É um black metal na sua expansão mais atmosférica (no sentido da influência do shoegaze/post-rock) e estranhamente acessível, já que conta com riffs tão matadores (numa onda sludge) que é difícil não embarcar. E falando em riffs, vale dizer que os solos de guitarra também são um destaque (não somente no disco, mas no ano). As vocalizações são versáteis, embora nada tão facilmente convidativo. Adorei a produção, soando nem tão caótica como comumente acontece no gênero, mas também sem soar artificial. É abrasivo. Talvez o grande disco de blackgaze desde o Sunbather.
- Bad Bunny: DeBÍ TiRAR MáS FOToS No cenário do reggaeton atual, o Bad Bunny sempre me soou acima da média. Curiosamente, comercialmente também é o maior artista do gênero, chegando agora no Brasil com enorme força. Dito isso, com esse trabalho - que saiu na primeira semana do ano e foi por mim o primeiro lançamento escutado de 2025 -, ele me deixou ainda mais entusiasmado. Tudo que faz do reggaeton um gênero pop (os ganchos, as batidas eletrônicas/dançantes, a latinidade, o calor, a alegria) se somam a tradição da música porto-riquenha, trazendo o ritmo da salsa via sonoridades orgânicas, ricas e maravilhosas. O álbum tem uma evolução criativa, intercalando o passado, o futuro e o presente numa dinâmica imprevisível (e ainda muito acessível). Não posso dizer que adoro sua voz, mas ela funciona dentro da proposta. Fora que sua interpretação carrega um caráter emotivo em alguns momentos, tratando principalmente o sentimento de perda. Já em outros, há uma sensualidade comum ao gênero. Vale ainda dizer que a mixagem é pesada e cristalina. Um álbum do pop latino tão em voga, mas com qualidades muito superiores ao que tem sido produzido. Não por acaso tem sido tratado como um clássico do gênero e retrato de uma época, ainda mais diante da política hostil do Donald Trump contra os imigrantes, principalmente os latinos. Até a capa já é emblemática. Levou o Grammy de álbum do ano.
- Deerhoof: Noble And Godlike In Ruin O já veterano e produtivo grupo continua a trazer ambição e experimentalismo para o indie rock através de um disco tão complexo quanto maduro. É tudo muito intrincado, dos ritmos passando pelos arranjos e escolhas timbrísticas. Cobre essa amálgama com a voz confortável da Satomi Matsuzaki. Vale dizer que algumas faixas me remeteram ao King Crimson oitentista (ou ao que faria o Beat se decidisse trabalhar num material inédito). Ouça “Ha, Ha Ha Ha, Haaa” e me diga se estou delirando. Excelente trabalho de guitarras (de todo instrumental na realidade). É progressivo, alternativo e funky. Fora que há comentários sociais pertinentes, só que embalados por uma sonoridade que consegue ser inventiva sem ser pedante. É muito êxito estético. Talvez por eles lançaram muitos discos, sua qualidade passou quase despercebida (por mais latente que seja). Adorei.
- Dijon: Baby Meu contato com a obra do Dijon era distante. Mas quando o Justin Bieber lançou o SWAG, o nome do Dijon veio à tona e ele sabiamente colocou esse álbum pra jogo, decodificando assim uma redundantemente nova linguagem de neo-r&b/soul que há anos vem reverberando no cenário alternativo. Auxiliado pelo Mk.gee e o Pino Palladino (lendário baixista de impressionante interação com artistas contemporâneos), esse álbum traz um r&b expansivo, ora lo-fi, ora externamente pop. Adoro sua voz, assim como o colorido dos arranjos e da produção, que por vezes toma caminhos complexos de texturas e timbres. Ouso ao dizer que o Prince poderia assinar esse disco.
- Eliana Pittman: Nem Lágrima, Nem Dor Embora com pouca repercussão, esse trabalho tinha tudo pra hypar. Uma das maiores vozes da música brasileira, cantando um repertório do Jorge Aragão e auxiliada por arautos da música brasileira contemporânea, como o produtor Rodrigo Campos. E o resultado é impecável, combinando a tradição do samba com elementos que positivamente deturpam o gênero nos arranjos. Logo na abertura com “Lucidez” isso já fica claro, onde o ritmo eletrônico e a presença do Thiago França cria uma atmosfera cinzenta acalentada pela melodia e voz da Eliana. O sucesso tão maltratado de “Eu e Você Sempre” soou com um fresco que há décadas não tinha. Até foi possível lembrar como ela é bonita. Programação eletrônica, guitarra (em certo momento até ruidosa), além de um cavaquinho (ora dissonante, ora contrapontístico) formam a maravilhosa “Novo Endereço”. Impossível ainda não citar “Locuras de uma Paixão”, mais tradicional, além de brilhantemente tocada e interpretada, não fosse um subversivo baixo levemente saturado, provavelmente um hoffner tocado com palheta. E o que é aquele synth arpejado em “Tendência”? Há algo de lo-fi no instrumental de “Minta Meu Sonho” que traz uma dor desgastada pelo tempo. Vale dizer que toda essa concepção/estética moderna/eletrônica serve às composições e ao canto da Eliana. Não é um filtro falso e presunçoso, mas um direcionamento ousado e de resultado incrível. A derradeira e exuberante “Papel de Pão” exemplifica isso com brilhantismo. Aos 79 anos, Eliana Pittman lançou um dos melhores álbuns de 2025.
- Freddie Gibbs & The Alchemist: Alfredo 2 O “segundo ato gastronômico” do duo vem pra se igualar ao primeiro por suas canções irresistíveis. O flow do Freddie é um dos mais intoxicantes desta geração. Ele tem malícia, malemolência, maldade e graça. Por sua vez, as produções do Alchemist trazem aquele charme rústico dos samples de vinil, embutindo sobriedade ao clima gangsta. É uma perfeita dualidade em prol de grandes canções. Anderson .Paak e JID colaboram. Agora, com essa capa bem que o álbum poderia se chamar Lámen, né?.
- Honningbarna: Soft Spot Não conhecia essa banda norueguesa - que canta num dialeto local -, mas fui tomado de imediato pela energia post-hardcore deles. Aqui estão alguns dos timbres mais insanos do ano. Em alguns momentos parece um cruzamento do 100 gecs com o Refused. Adorei as linhas (e timbres) de baixo e a performance rasgante do vocalista. Uma pancada que traz vitalidade e originalidade pra um subgênero já preso a fórmulas. É pra socar, é pra dançar.
- Ichiko Aoba: Luminescent Creatures Eu já havia adorado seu aclamado álbum anterior, mas achei esse ainda melhor. É o aconchego em forma de música, mas sem ser complacente. Acho impressionante como através de detalhes é gerado texturas sonoras. O ruído da captação, o ar que se desloca no silêncio… tudo é musical. Seu canto terno em japonês - língua incompreensível para mim -, mais uma vez me remete ao Jonsi (Sigur Rós). A algo de new age e ambient, mas também de jazz e post-rock. Lindas harmonias e melodias (“tower” parece até ter influência da música brasileira). Perfeito para noites chuvosas e solitárias.
- Imperial Triumphant: Goldstar A banda vem se estabelecendo como uma das mais presentes entre os prediletos do ano (acho que é o terceiro álbum deles que coloco nessa posição). Inicialmente mais “direito”, o disco vai se revelando aventureiro e complexo na criação de temas brutais de metal extremo com nuances vindas sabe-se lá de onde (um pouco do erudito, um pouco do jazz, ora só estranhices vanguardistas mesmo). Não sei como eles conseguem soar tão pesados mantendo organicidade da produção. A performance da cozinha é sempre um destaque, embora seja importante reforçar as texturas e dissonâncias que as guitarras proporcionam. Vale dizer que em “Pleasuredome” temos a presença de dois dos meus bateristas prediletos: Dave Lombardo e Tomas Haake. Dá “samba”! Fora que há citação a Hendel e Beatles dentro do contexto do metal extremo. Uma loucura. Eu adorei.
- Joey Valence & Brae: HYPERYOUTH Sequência ao excelente NO HANDS (2024), esse álbum mantém a energia em alta, trazendo beats arrasam quarteirão com aquela abordagem que fica entre o miami bass, Beastie Boys e o rap da virada do milênio. A vitalidade do duo é fantástica. Suas rimas afiadas são aliadas de composições ganchudas, donas de refrãos poderosos. É uma faixa entusiasmante depois da outra. Participam do disco Rebecca Black e JPEGMAFIA.
- Lambrini Girls: Who Let The Dogs Out Parece que estamos vivendo uma nova onda do riot grrrl, sendo a estreia desse duo uma amostra da urgência contagiante que esses grupos podem alcançar. É um punk rock criativo, que em muitos momentos me remeteu ao Idles (o que não é pouca coisa). A cantora berra com convicção letras de revolta. Não é exatamente panfletário, tá mais pra “emputecido”. Instrumentalmente o grupo corresponde com baixos gordurosos, guitarras guilhotinantes e levadas de bateria “dançantes” (dentro da estética punk). Contestador e divertido. Precisa de mais alguma coisa?
- Little Simz: Lotus Disco feito em meio a turbulência. Ao que consta, a rapper rompeu com seu antigo parceiro musical, o Inflo, após ele pegar dinheiro emprestado com ela e não pagar. Sendo ela um dos principais nomes do rap da atualidade, a música serviu como desabafo. Aqui ela passeia por altos e baixos, sempre acompanhada de gente muito talentosa (Moses Sumney, Michael Kiwanuka, Yussef Dayes, Sampha, dentre outros), trazendo aquela riqueza jazzística/funk/orquestral já conhecida em seu trabalho. Muito bem produzido, sendo amplo em texturas e sentimentos sonoros. Tem groove, tem reflexão. Sua capacidade e pluralidade interpretativa é caso raro. Ela segurou a rédea e se manteve em salto.
- Maruja: Pain To Power Essa banda inglesa vem construindo nos últimos 10 anos expectativa e reputação com sua meia dúzia de EPs lançados. Agora, finalmente com seu primeiro álbum, tudo se materializa de forma sólida. A energia angustiante dos temas se traduz sonoramente numa amálgama de King Crimson, Pere Ubu, Jesus Lizard e RATM. É pesado e furioso, mas também progressivo. Riffs levado pelo saxofone (no maior estilo “21st Century Schizoid Man”), a cozinha bruta, o repertório maduro, um vocalista que interage naturalmente com o rap, uma gravação que respeita a dinâmica… são muitas as qualidades que fazem desse trabalho algo impactante. Fudido.
- McKinley Dixon: Magic, Alive! Em pouco mais de 35 minutos, há uma sequência impressionante de faixas de jazz rap, aqui se apropriando da instrumentação/performance orgânica de talentosos músicos. As baterias são um estrondo (em timbre e groove), os metais são acachapantes (e quase fúnebres) e há ótimos caminhos harmônicos. Há um elemento funky e enorme/variado colorido timbristico, que se comunica com o complexo flow do rapper, que aborda em suas rimas temas envoltos a mortalidade. Não há marasmo, mas também não há excessos. Tudo funciona com técnica, graça, força e balanço.
- Model/Actriz: Departures Segundo álbum do grupo e segundo a entrar entre meus prediletos do ano. E olha que eles não repetem a fórmula, visto que aqui eles dão mais enfoque às melodias e a batidas dançantes. Isso sem abandonar o peso e a soturnidade que trafega entre o Depeche Mode e NIN. Há um tom confessional, carnal e de reviver memórias (e cicatrizes) na temática das composições. As ótimas performances e produções (variadas e encorpadas) alimentam o conceito. Álbum abrasivo feito para noites intensas.
- SPELLLING: Portrait Of My Heart Eu fico verdadeiramente admirado quando alguém consegue lançar um bom trabalho de pop rock em pleno 2025. Verdade seja dita, aqui não com “alcance pop”, mas com muitos trejeitos estéticos do gênero, assim como do rock alternativo noventista. Nas canções mais rockeiras/encorpadas há doses de sujeira nada covardes. Já nas baladas aparece a qualidade melódica que ela sempre demonstrou, ora ou outra com ecos interpretativos de r&b, Björk e, curiosamente, Michael Jackson. Uma tremenda voz que justifica e abastece os ganchos e refrãos. No final ainda sobra espaço pra uma versão de “Sometimes” (MBV). Adorei.
- Squid: Cowards O Squid já vinha ameaçando entrar nos melhores do ano, mas esse aqui bateu em cheio em mim. Oriundos sonoramente daquela mesma cena de BC,NR e black midi (só para citar os mais representativos), sua fusão espontânea de pós-punk com rock progressivo é tão natural que não dá pra saber quando uma referência começa e a outra termina. É uma perfeita simbiose estilística via canções bem estruturadas, tanto em termos de composição, quanto de arranjo e performance. Em alguns momentos a cozinha parece inserida num fluxo repetitivo à la krautrock, enquanto cordas e metais colorem as canções majestosamente. Forte.
- Thiago Amud: Enseada perdida Dentro da sua geração, o Thiago Amud é uma sumidade, um talento um raro, comprovado neste seu sexto álbum. E já vou lançar a informação que o Caetano Veloso e o Chico Buarque participam deste disco. Uma espécie de carteirada, de selo de aprovação, tão importante para que, quem sabe, uma nova geração dê atenção a esse artista contemporâneo. O disco é um passeio maravilhoso por experimentações típicas de quem faz parte de uma tradição do que há de mais vanguardista na canção brasileira. As letras, melodias, harmonias, arranjos, a consciência musical, gravação, performances… tudo é de outro nível. O álbum começa num samba-enredo joãobosquiniano, deságua numa canção melódica e com traços de música erudita contemporânea, segue com uma faixa intensa/ruidosa/rockeira à la Walter Franco e Arrigo Barnabé, depois um frevo veloz ao lado do Chico. E isso são só as quatro primeiras faixas. Ouça tudo com atenção.
- Viagra Boys: viagr aboys A banda já vinha lançando discos poderosos há tempos, mas aqui chegaram no seu álbum mais coeso. Alinhando uma energia oriunda do punk rock/art punk (meio Devo, meio Popol Vuh) com um acabamento tipicamente sueco, o carismático vocalista Sebastian Murphy se equilibra em canções bem estruturadas, donas de ganchos fixantes, sax carismáticos e alguns ruídos guitarristicos. A produção é abrasiva e polida na medida. O mesmo vale para a abordagem lírica, que politiza e expõe as desgraças do mundo (e de nossa saúde mental) sem perder a graça. Um álbum que nos faz correr em direção ao som.
- Weatherday: Hornest Disaster Não vou omitir que esse disco tem algumas escorregadas composicionais (não de serem ruins, mas de não serem tão boas quanto outras). Algo típico de uma geração auto-produzida que lança tudo sem grande critério. E com isso temos 19 músicas em mais de 1h10. Dito isso, esse trabalho me pegou de jeito. Principalmente sua primeira metade, onde o artista se joga num indie/emo/lo-fi/noise/pop punk altamente ganchudo, com direito a performances abrasivas e emotivas, tanto por seu canto desesperado, quanto por sua guitarra imunda (e em alguns momentos complexa). Tem algo de Dinosaur Jr., mas com a cara de uma nova geração. Produção não somente crua, mas brilhantemente saturada, trazendo texturas que muito bem combinam com a angústia das composições. Nem todo mundo vai embarcar, mas preciso deixar registrado que eu adorei.
ABAIXO ESTÁ O BOJO DA LISTA.
SÃO OS ÁLBUNS QUE OUVI PARA CHEGAR AOS MEUS PREDILETOS.
CLIQUE NO MAIS INFORMAÇÕES CASO SE INTERESSAR.
TAMBÉM SEPAREI UMA BREVE SEÇÃO PARA FILMES DE MÚSICA.
SEPAREI OS DISCOS ENTRE "BONS" (6-8), "MEDIANOS" (4-6) E "RUINS" (0-4)
São Paulo Confessions (1999). Ouço falar desse disco há muito tempo, mas ele sempre fugia do meu radar e acabava não escutando. Mas fui numa loja de discos e encontrei ele baratinho. Comprei. Ouvindo não posso dizer que ele envelheceu bem. Acho que é um produto artístico de uma época, sendo que nesse sentido, como representante de uma nova música brasileira diante da virada do milênio, ele é perfeito. Uma simbiose da bossa nova com a música eletrônica que, contemporânea ao trip hop, caia muito bem. As mãos do João Parahyba nas percussões é o ponto forte. Independente de qualquer gosto pessoal, sem dúvida o Suba foi um cara muito talentoso, que colaborou de forma definitiva na carreira de muita gente (Bebel Gilberto o caso mais evidente) e que teve uma morte prematura tristíssima.
Paulo César Pinheiro
Esse brilhante compositor brasileiro foi homenageado no Carnaval de São Paulo pela escola Estrela do Terceiro Milênio. Pensando nisso, fui ouvir seus discos, sempre negligenciados por mim (por todos). Começando pelo Paulo César Pinheiro (1974), um álbum de samba rústico e escuro (“samba gótico”). Adoro como sua voz tem ranhura. Talvez seja um samba mais pra quem não gosta do estilo que pra quem gosta. Sua parceria com Baden Powell está forte aqui. Já no também homônimo álbum lançado em 1980 há um exército de músicos talentosos, sustentados pela poesia do compositor. Estão aqui Dori Caymmi, Baden, Maestro Gaya, Maurício Tapajós, Radamés Gnattali, Wilson das Neves, Hélio Delmiro, Sivuca, Guinga e vou parar por aqui. Aqui já um maior esmero na produção (questão de tempo de estúdio mesmo, não necessariamente uma polidez técnica). O Brasil que os brasileiros do “imagina não ser brasileiro” não conhecem.
Rory Gallagher
Irish Tour ‘74 (1974). Tava “tocando” guitarra e queria algo inspirador, tanto pra extrair timbre de strato, quanto em performance mesmo. Esse clássico registro ao vivo do Rory Gallagher caiu como uma luva. Referência total em tudo que envolve a arte de tocar guitarra.
Márcia
Ronda (1977). Meu disco para quarta-feira de cinzas. Espero mais por sua audição que pela chegada do Carnaval. É que meu lance é samba triste. Acompanha uma bebida forte. Obs: eu tatuaria essa capa do Elifas Andreato.
Acho um pouco intrigante como o Dream Theater não consegue mais soar como no Awake (1994). Aqui tá o peso, a modernidade, o virtuosismo, dentre outras características que ainda permeiam o conceito do grupo, mas a capacidade de criar composições memoráveis, a fluidez das performances e o calor da produção é disparadamente superior. Sonzão.
Gary Moore
Blues Alive (1993). Não sei se já comentei aqui, mas eu adorava esse disco na adolescência. É aquele blues pesado o suficiente pra fazer a cabeça de um moleque metaleiro entusiasta da guitarra shred. Imaginei que escutando agora - após décadas sem ouvir, após me familiarizar melhor com a “rusticidade” do blues “tradicional” - acharia menos interessante, mas eu adorei. Ele não é tão polido quando um Bonamassa. Há ainda um vigor alimentado por um timbre encorpado que poderia tá nas mãos do Zakk Wylde. Seus bends e vibratos podem até serem exagerados, mas me soam muito bem. Muito bom.
Meat Puppets
Costumo recorrer ao clássico II (1984) quando quero ouvir o grupo, mas fui pegar o Up On The Sun (1985) e dá pra dizer que ele é tão bom quanto. É impressionante o quão ele é influente. Dá pra sentir ecos do que viriam a fazer Nirvana, Dinosaur Jr., Pavement e, curiosamente, o Geese. Os vocais “mortões” entregam. Aqui também há um excelente trabalho de guitarras (clean, com influência country). Adorei redescobrir.
Aerosmith
As vezes fico tão centrado em pesquisas musicais que esqueço como são bons alguns clássicos batidos do rock. Fui reouvir o Rocks (1976) inspirado pela famosa lista com os discos prediletos do Kurt Cobain e fiquei maravilhado com o groove funky em meio ao hard rock do grupo e com as performances do Joe Perry. Muito legal.
John Surman
Upon Reflection (1979). Daquelas pérolas lançadas pela ECM. É um jazz abstrato que, se jogarem no campo da música erudita, eu aceito. Tudo arquitetado por um único homem, aparado de clarinete, sax e sintetizadores, que formam a cama para seus solos livres. Há respiro em meio ao formato inusitado. É belo, mas também estranho. Obs: “Caithness To Kerry” parece um forró.
Fiquei tanto tempo sem ouvir essa lendária banda progressiva/psicodélica que até esqueci o quão eram pesados. Ao menos é isso que saltou aos meus ouvidos escutando o Camembert Electrique (1971). Tem cada riffão! De certo modo lembra até o Hawkwind. Muito bacana.
Black Uhuru
A morte do Sly Dunbar me levou a de imediato botar algum dos inúmeros álbuns que ele gravou pra ouvir. Peguei o Tear It Up (1982), registro ao vivo do Black Uhuru. A audição terminou com eu e minha filhinha fazendo “passos de reggae”. Isso diz muito sobre os ritmos envolventes do Sly em perfeita simbiose com o baixo estrondoso do Robbie Shakespeare.
Steve Hackett
Nunca tinha escutado nada solo do Steve Hackett. Até por conta do show que ele vai fazer no Brasil, achei que valeria dar uma atenção. O Spectral Mornings (1979) representa muito os desafios do rock progressivo no período, visto que embora seja muito bem acabado, parece regurgitar formas do gênero. É bacana, mas nada tão inspirado.
Kevin Ayers
Whatevershebringswesing (1972). Curioso ouvir esse após a audição do álbum do Steve Hackett porque aqui fica explícito o invencionismo do rock progressivo em seu apogeu. As canções são complexas e ricas em forma e arranjos, mas sem pedantismo. Elas tem frescor e até um certo “humor zappiano”. Tudo muito bem tocado, claro. Inclusive, vale dizer que tem o Mike Oldfield em alguns baixos e guitarras.
Como faço todo ano, trouxe alguns relatos que tive ao assistir o Grammy. Nada muito desenvolvido, só demarcando o evento pelo calor do momento.
- Pensava que "APT." era só uma musiquinha que minha filhinha gosta, não algo pra abrir um Grammy.
- Clipse e Tyler serem destaques dentro da indústria na apresentação do Grammy mostra a excelência do rap contemporâneo.
- Esse Grammy é praticamente o line-up do Lollapalooza.
- Sabrina Carpenter é a Luísa Sonza que deu certo.
- Então esse The Marías é um dream popzão maneiro e eu tô moscando?
- Addison Rae me deixa genuinamente puto. Charli tem culpa nisso.
- Se eu fosse um pouquinho mais otário teria adorado a performance das Katseye.
- Esse Leon Thomas me parece meio genérico, mas mostrou tanta destreza na guitarra que vou dar o braço a torcer
- "Ordinary" desse Alex Warren é tipo aqueles apostas gospel financeiramente bem-sucedidas da Som Livre. Horrível.
- Olivia Dean no playback é pra desmentir qualquer organicidade e talento que atribuem a ela. Constrangedor.
- Esse Sombr é do Stranger Things?
- Não comentei sobre a Lola Young pra evitar ser um completo otário.
- Não fosse o Turnstile o Justin Bieber estaria usando esse modelo/estética de guitarra?
- Não seria mais honroso trazer o Dijon e o Mk.gee pro palco e fazer as coisas direito? [sobre a apresentação do Justin Bieber]
- Slash ali como se fosse NADA.
- Tyler Childers perto desses outros é o Willie Nelson. [sobre os indicados de country music]
- Tava demorando pro Andrew Watt aparecer com a Lady Gaga. Aí é o lugar dele. Boa apresentação.
- Melhor Álbum Pop #GrammyTNT [e postei a capa do "De Mysteriis Dom Sathanas" do Mayhem]
- Bruno Mars de tão revival já parece ser revival dele mesmo.
- O Grammy não merece receber a Joni Mitchell.
- Charli com seu astral Mortícia é muito pro meu coração.
- Eu gostei dessa gracinha com o Bad Bunny. [sobre o apresentador implorando pro Bad Bunny dar uma palhinha]
- Chamaram a Carole King e eu ouvi KERRY KING. Pensei “tá porra!”. Não que a Carole não seja gigante, tá!
- Tyler é tão talentoso que dá até medo dele entrar em parafuso e virar um Ye.
- Pharrell, apesar de todas as homenagens, ainda acho que é maior do que muitos imaginam
- Deve ser muito legal pro Chad Smith finalmente tocar ao lado de um baixista e guitarrista de verdade. [sobre se apresentar numa homenagem ao Ozzy ao lado do Slash e Duff. Brincadeirinha, gente]
- Tudo bem, a Lauryn Hill é demais, mas Eric Gales, Marcus Miller e Pino Palladino monopolizaram minha atenção até quando não estavam tocando. D’Angelo e Roberta Flack merecem.
- Sobre a Cher só tenho uma dúvida: como ter essa pele com 79 ANOS?
- Kkkkkkkk isso foi real? [sobre a Cher subindo no palco pra apresentar um prêmio, discursando sobre ela, esquecendo de falar os indicados e depois se confundido ao ler o premiado]
- Plano fechado em Cher, Kendrick Lamar e Kamasi Washington é o que faz o Grammy valer.
- O fato dessa volta do Clipse ter ficado restrita no Brasil só a “galerinha que gosta de música” - me incluo entre esses tontos - é uma pena.
- Uma obviedade que me impressionou nesse instante: como o Harry Styles é bonito.
- Tava na cara que o Bad Bunny ia levar. Tá certo.
- Vale ainda destacar que FKA Twigs, Turnstile e Caetano Veloso & Maria Bethânia ganharam prêmios.
Vi um vídeo no TikTok falando sobre esse subgênero. Achei curioso e fui ouvir. É um eletrônico que prima pela velocidade (eles aumentam a velocidade do BPM das produções até virar uma massaroca ruidosa e frenética). Nem me atentei aos artistas, me rendi a playlists apenas pela curiosidade. Não dá pra ouvir muito tempo.
Leo Brouwer
Antes de dormir, com vontade de ouvir um violão solo, fui no Spotify e joguei o nome do cubano Lew Brouwer. que confesso conhecer mais por citações que por audição. O álbum Brouwer: Guitar Pieces (1975) pareceu uma ótima pedida. Não de total espanto me deparei com peças complexas em suas estruturas, externamente técnicas e, principalmente, com dissonâncias provocativas, que tiram o violão erudito da sobriedade que leigamente relaciono e, curiosamente, buscava ouvir. Em certos momentos parecem ter mais de dois violões em contraste. Não posso afirmar nem que sim nem que não. Sequer posso dizer quem toca, visto que pretendia ouvir o próprio o Brouwer, mas aqui me deparei com o nome do Óscar Cáceres enquanto intérprete. Seja como for, desviando do intuito e abraçando a oportunidade, cai num tremendo álbum.
The Smiths
Hatful Of Hollow (1984). Todo mundo sabe, mas vale reforçar: que banda né! Não “somente” no sentido composicional e estético, mas no tocar mesmo. Todos ali são muito bons. Tem cada linha de baixo do Andy Rourke. Fora que o Johnny Marr é um mestre dos riffs e da condução harmônica. E o Morrissey? Não somente um gigante do texto, mas também de “flow” e timbre único. Foda!
Acadêmicos do Salgueiro
Existe a possibilidade de eu vir a tocar num bloco carnavalesco esse ano. Logo eu, um doente do pé. A ideia é eu tocar surdo de terceira. Tentando me ambientalizar, busquei algum disco de escola de samba só pra afiar o vocabulário, procurar ouvir o instrumento dentro de um arranjo. Cai no Histórias das Escolas de Samba - Salgueiro 1975. Diga-se de passagem: sempre a Salgueiro! Não é a primeira vez que a escola revela ter alguns excelentes discos do seu catálogo no Spotify. Voltando à proposta, independente do disco ter aflorado ou não algum senso rítmico em mim, é uma grande experiência sônica ouvi-lo. Tem grandes canções e a força braçal da performance. Foda.
The Fixx
Reach The Beach (1983). Anos 80 sendo anos 80. Ouvi pelo timbre de chorus na guitarra e seus ótimos grooves. Adoro a cristalinidade dos timbres oitentista extraídos em estúdio nesse período. Os synths aqui tbm são bem legais, não soando sequer datados. O fato da bateria ser mais orgânica ajuda no todo da produção. Sobre as canções, de algum modo é tudo que o INXS queria ser. Pop grooveado e bem resolvido .