PAÍS DO BAURETS
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
ACHADOS DA SEMANA: Mike Stern, Rainbow, Derek Bailey & Dave Holland e Alberta Hunter
Odds Or Evens (1991). Vi a Juvi falando sobre esse disco ser um de seus prediletos de guitarra fusion. Gosto muito do Mike Stern, mas não lembrava ter escutado, então assim fiz. Ele já tem uma produção bem mais polida/cristalina, o que pro gênero não é um problema.
Rainbow
Desde aquele encontro do Blackmore com o Deep Purple, voltei a ficar obcecado pelo guitarrista, o que fez com que eu chegasse a discos que nunca dei grande bola. E sendo franco, Down To Earth (1979) passa longe da atrocidade que muitos falam. Bem mais comercial e inferior aos anteriores (normal, 97% do rock é inferior ao Rising), mas com ótimos momentos.
Derek Bailey & Dave Holland
Improvisations For Cello and Guitar (1971). Registo ao vivo lançado pela ECM. Seu nome é descritivo. Agora, o resultado sou eu que aviso: não é nada convencional. É um trabalho de experimentação. Esqueça forma, harmonia e melodia. Tem momentos que até confunde o quê é o quê, com as cordas tensionando próximo do limite. Eu me interesso pela ideia do improviso, mas assumo que não é prato pra toda hora. Vá por sua conta em risco.
Albertão Hunter
Amtrak Blues (1980). Fui procurar algo de blues que fugisse da guitarra - uma recorrência auditiva minha - e caí nesse excelente disco. Que cantora! Grande voz e carisma. Fora que esse blues que flerta com o jazz tradicional é de charme único. Uma beleza! Prepare uma bebida e divirta-se.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
TEM QUE OUVIR: Marina - Fullgás (1984)
Quando o assunto é o rock brasileiro dos anos 1980, existem algumas verdades inquestionáveis. Uma é que há clássicos inegáveis do gênero - pra não dizer da música brasileira como um todo - vide Cabeça Dinossauro, Selvagem? e Dois, só para citar os mais óbvios. Todavia, mesmo esses, envelheceram mal aos olhos de um público que os vê como "rock de conservador de meia idade". Isso passa não somente pelos artistas, mas principalmente pelo público que formaram. Com isso, não espanta uma juventude, por ranço, virando as costas para esse período do rock brasileiro. Curiosamente, vejo o oposto ocorrendo com a Marina Lima.
Se na virada do milênio minha geração praticamente ignorou sua obra, agora ela voltou a ter o prestígio que merece, afinal, estamos falando de uma das interpretes mais elegantes do pop brasileiro. Nem mesmo suas limitações vocais atuais e lançamentos esquecíveis são capazes de tirarem Fullgás (1984) do centro da discussão do pop rock brasileiro.
Filha de economista e irmã do poeta Antônio Cícero, Marina passou parte da infância e juventude nos EUA. Juntando isso ao seu amor pela MPB, fermentou-se um caldo cultural diferenciado.
Embora com alguns bons discos e sucessos na bagagem, Fullgás, seu quinto álbum, escancarou a artistas aos olhos do público. Vale lembrar que ele foi lançado antes dos maiores clássico do tal BRock e do primeiro Rock In Rio. Sua produção é assinada pelo João Augusto.
O super hit "Fullgás" abre o disco já elevando os padrões do pop nacional. A letra do Antônio Cícero é poeticamente charmosa. Há um clima de suspense irresistível na construção harmônica e timbristica, sendo interessante perceber que seu arranjo é basicamente eletrônico, com bateria programa e sintetizadores (do Ricardo Cristaldi) em primeiro plano. Como elemento "humano" há a antológica linha de baixo do Liminha, com direito a fantástico solo no final. Clássico!
"Pé Na Tábua" não deixa o balanço cair. O baixo do Pedro Baldanza é um espetáculo. Faixa curtinha de leveza pop que muito lembra as rádios e novelas do período.
Ainda no campo da ficha técnica, vale notar Lobão e Sérgio Della Mônica em colaboração na construção rítmica de "Pra Sempre e Mais Um Dia", canção de caminho melódico elegante. Mesmo de voz "pequena", Marina dá a interpretação precisa para a canção.
Se a década de 1980 foi a década de synthpop, então podemos dizer que o gênero tem seu representante brasileiro de alta estatura através de faixas como "Ensaios de Amor" e "Nosso Estilo". Por sua vez, a new wave, que chegou como uma euforia de plástico que logo perdeu a graça, tem em "Mesmo Que Seja Eu" o astral pop na medida.
Lobão volta apareceu enquanto compositor e baterista no hit atemporal "Me Chama". Um canção enigmática, que na voz da Marina soa belíssima, noturna e sexy. Sua rouquidão frágil é irresistível.
Embora seja a mais datada do álbum, é interessante ouvir a construção sonora eletrônica do Lulu Santos em "Mais Uma Vez". Será que ele tava ouvindo Gary Numan?
Sofisticação e elegância prevalecem em baladas pop como "Mesmo Se o Vento Levou" e "Veneno". É o AOR/sophisti-pop brasileiro.
São muitas as artistas brasileiras atuais que atingiram sucesso comercial (financeiro), mas sem conquistar prestígio artístico. Marina conseguiu ambas as coisas naturalmente. Além disso, tem servido de influência direta para nomes como Mahmundi e Júlia Mestre.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
ACHADOS DA SEMANA: Leo Peracchi e Sua Orquestra, Scissor Sisters, I Shot Curis e The Durutti Column
Leo Peracchi e Sua Orquestra
Exaltação Ao Baião (1956). Como bem explicita a capa do disco, aqui há uma interpretação das composições do Humberto Teixeira. É uma visão orquestrada/“erudita” (ou universal) do baião. Deste modo, é não somente um álbum lindo, mas também um documento cultural. Quem se interessa por arranjo vale dar uma atenção extra.
Scissor Sisters
Scissor Sisters (2004). Lembram quando isso era tido como uma novidade? E lá se vão mais de 20 anos. Que fim levou hein? É um pop rock bacana, principalmente por seu toque glam e balanço disco. A estética gay diante do padrão heteronormativo do new metal também revelava frescor.
I Shot Cyrus
Tiranus (2003). A banda andou fazendo show recentemente e empolguei a relembrar esse clássico do hardcore brasileiro. Um atropelo barulhento e descontrolado. É disso que gostamos. Perfeito pra ouvir na academia.
The Durutti Column
Esse mitológico grupo liderado pelo guitarrista Vini Reilly lançou álbum novo. Fui então dar uma atenção especial para alguns de seus discos antigos. A começar pela clássica estreia The Return Of The Durutti Column (1980), que nem considero dos mais instigantes, mas que surpreende ao não parecer com nada que havia no período. São peças de guitarras em cima de pequenos movimentos eletrônicos. Se for pra colocar em algum gênero, acho que seria o chill-out. Há um fluxo de consciência que se assemelha ao que aconteceria se o Robert Fripp e o Bill Frisell se encontrassem. Ultra recomendado para fanáticos por diferentes linguagens na guitarra. A sequência com o LC (1981) parte do mesmo princípio, mas aqui já criando temas mais fixos e timbres mais “etéreos”. Interessante perceber que o que aqui soa como invenção, virou uma escola de guitarra na década de 1980. Dá pra visualizar Johnny Marr, John Frusciante, Thurston Moore, Edgard Scandurra, dentre outros, bebendo dessa fonte. Fora as inúmeras bandas de dream pop. Curioso. Já no Without Mercy (1984) percebo uma evolução composicional, aproximando as guitarras da música minimalista e erudita contemporânea, por vezes até as tirando do primeiro plano. Dá pra dizer que rola um experimentalismo eletrônico abstrato (na falta de uma definição melhor). Álbum delicioso, soturno e delirante. Impossível para mim ignorar um disco chamado The Guitar And Other Machines (1987), onde, como só poderia chegar, a guitarra do Vini se soma a elementos eletrônicos. Há neste momento suas primeiras grandes distorções, bem com aquela timbragem oitentista, embora com uma linguagem e fraseado próprio. Ótimo exemplo da aproximação da música minimalista com a eletrônica. Muito legal. Pra finalizar (ao menos por enquanto), ouvi ainda o Vini Reilly (1989), talvez seu auge, onde ele tá ainda mais técnico, dramático e criativo. Aqui surge mais o violão, além de canto lírico. Álbum lindíssimo! Tá confirmado, eis um dos grandes
grupos da década de 1980 e um dos guitarristas mais subestimados da história.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
TEM QUE OUVIR: Dolly Parton - Jolene (1974)
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
ACHADOS DA SEMANA: The Who, Quito Ribeiro, Facção Central e Acid
The Who
Preciso assumir algo que só vai me desabonar: não sou grande fã do The Who Sell Out (1967). Nunca fui. Entendo suas inovações formais e conceituais, mas acho seu desenvolver confuso (não por complexidade, mas por “não decolar”). Claro, tem grandes faixas, mas me refiro a experiência como um todo. Sinto também que os arranjos “não cabem” na produção. Isso posto, The Who é maravilhoso e foi bom reouvir o álbum, nem que seja pra reafirmar que ele não está entre meus prediletos da banda.
Quito Ribeiro
Uma Coisa Só (2007). Embora tenha quase 20 anos, esse álbum soa dentro da contemporaneidade da música brasileira. Quito é um compositor de prestígio, o que levou a contar com a colaboração de muita gente talentosa nessa sua estreia. Tem Domenico, Kassin, Davi Moraes, Pedro Sá, Moreno Veloso, Daniel Jobim… resumidamente, aquela alta casta já conhecida por todos. Atente-se às texturas da produção (por vezes oriunda do dub), arranjos (principalmente das percussões) e composições em si. É bem bacana.
Facção Central
Por conta de um vídeo de humor que me deparei no Instagram, fui instigado e revisitar esse grupo histórico do rap nacional que, confesso, não escutava há muito tempo. Lembro que quando criança ouvia muito na casa de um amigo, assim como as coletâneas da Espaço Rap, que também tô querendo revisitar. Voltando ao Facçao Central, impressiona como as canções não perderam a força. É uma poética dura, melancólica, feroz. Muito mais que quaisquer “limitações técnicas”, fica a energia e dramaticidade das composições e interpretações.
Acid
Maniac (1983). Discão do segundo (ou terceiro?) escalão da NWOBHM. Vire e mexe pego algum desses “clássicos” do heavy metal pra revisitar. Bom pra ouvir no banho, tomando uma cerveja, antes de ir pra um show (cada um com sua alegria, não julgue). Interessante como a banda soa como um Motörhead com menos peso e com um vocalista que lembra o Geddy Lee no início. Se essa descrição te empolga, vá em frente!

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