Assisti um documentário curtinho e muito legal sobre o XTC que me levou a ouvir alguns discos. A começar pelo White Music (1978), o debut, que apresenta o grupo reagindo ao punk rock à sua forma. O resultado é inventivo, com teclados dissonantes e o trio baixo, guitarra e bateria provendo um alicerce funky. Da pra comparar com a estreia do Police (não por acaso eles tinham o mesmo empresário). Da pra chamar de art punk. Da pra imaginar os caras do Minutemen ouvindo esse disco. Já o Drums And Wire (1979) é muito lembrado pela produção do Steve Lillywhite, que criou uma sonoridade de bateria naturalmente grandiosa. É bem bacana também, com direito a passagens de guitarra selvagens. Nonsuch (1991) já parece embarcar na onda britpop (que eles ajudaram a desenvolver sonoramente, então é legítimo). No mínimo um power pop dos bons. Mais um disco bem legal. Bandaça!
Aerosmith
Não sei se já comentei aqui no blog, mas sou um defensor das “fases ruins” do Aerosmith e Bon Jovi. Explico: é que por melhores que eles sejam em seus respectivos auges - Bon Jovi menos -, havia grupos melhores fazendo o que eles propunham. Agora, quando o assunto é power ballad noveleira, eles são os reis. Tava ouvindo o Nine Lives (1997), disco pelo qual conheci o Aerosmith, e constei novamente a maravilha da produção, arranjos e performances, inclusive na baladona “Hole In My Soul”. É cafona, mas eu adoro!
Pedro Luis e a Parede
Astronauta Tupy (1997). Daqueles discos querido por muitos, mas que ao longo dos anos passou indiferente por mim (normal, quando saiu eu era apenas uma criança). É um álbum bem carioca, que parece fazer com maior êxito aquilo que o Gabriel O Pensador e Fernanda Abreu tentaram - embora com ele provavelmente mirando em Jorge Ben, Raul Seixas e Caetano Veloso -, um rap funk pop brasileiro. Tem boas sacadas, humor, balanço, exotismo e força. Obviamente há ótimas percussões, sendo inclusive uma marca desse período da MPB. Lembrando que a produção é assinada pelo Tom Capone. É bacana mesmo. Obs: ouvi “Máquina de Escrever” certo que o baixo fretless era do Arthur Maia e me surpreendi ao ver que é o Liminha.
Tchaikovsky
Eu e minha filha fomos no fim de semana assistir um concerto pra piano de Tchaikovsky, mas chegamos em cima da hora e o teatro já estava lotado. Mas antes de dormir, busquei um CD contendo “The Nutcracker”, “Piano Concerto N.1” e “Romeo & Juliet” pra ouvir com ela. Nem me pergunte sobre as versões, sou leigo, apenas herdei esse disco. O legal dessa história foi no dia seguinte a minha filha escolher ouvir novamente o CD. E ouviu inteiro, se encantando com os movimentos, climas, melodias e dinâmicas. Realmente são obras expressivas e lúdicas, sendo compreensível seu gosto. Chega a parecer trilha sonora de desenho. Mas não deixa de ser muito bacana a disposição dela. Não subestimem seus filhos.
Bill Frisell
Sempre ele! Desta vez em trio, acompanhado de ninguém menos que Dave Holland e Elvis Jones. É um disco lançado em 2001. Incrível como ele consegue pegar dois veteranos do jazz, num formato tradicional do estilo, mas proporcionar uma linguagem mais contemporânea, desenvolvendo climas, harmonia e a interação sem necessariamente recorrer a solos mirabolantes. Chama atenção também o uso do violão. Agradável e perfeito pra ouvir antes de dormir.


