sábado, 21 de fevereiro de 2026

RETROSPECTIVA 2025: Lançamentos (Incluindo os MELHORES DISCOS DO ANO)

Embora com enorme atraso, eis que chegamos a "tradicional" lista de melhores do ano do País do Baurets.

Reconheço que citar mais de 100 discos de um único ano é exagero, ainda mais atualmente, onde tudo parece ser tão descartável (não enquanto obra, mas enquanto hábito de ouvinte). Todavia, não deixaria de postar algo bacana só para me enquadrar num número pré-estabelecido.

Apesar da grande quantidade de álbuns, fiz descrições pessoais e curtinhas (não são críticas, muito menos resenhas, são DESCRIÇÕES), justamente por entender que, embora as pessoas tenham sede de conhecimento, nem todos têm tempo/interesse/prazer de ouvir tantos lançamentos, muito menos de ler a minha irrelevante opinião sobre tais obras.

Mas tá aí, o trabalho sujo está feito. Com direito a uma faixa destaque pra cada disco (exceto nos "MELHORES DISCOS DO ANO", ao menos esses escutem inteiro).

Mais que uma crítica, esse post é um apoio para quem quer caçar uma novidade (e um HD externo para eu mesmo catalogar minhas audições/preferências).

Obviamente, muitos prováveis grandes discos ficaram de fora simplesmente por eu não ter tido acesso e/ou tempo de ouvir. No passado isso me causava angústia, hoje deixo rolar, conformado com a impossibilidade de ouvir tudo. De qualquer modo, se tiverem alguma grande indicação para fazer, é só colocar nos comentários.

Separei tudo em ordem alfabética. Nacionais e internacionais, tudo misturado. Acho que assim fica mais fácil procurar algum lançamento específico. Todavia, como tem quem se interesse em saber as predileções nacionais, deixo aqui a menção honrosa aos discos do Antônio Neves, Antropoceno (o EP Terra do Fogo), BK, Budang, Bufo Borealis, Eliana Pittman, FBC, Gaby Amarantos, Renegades Of Punk, Stefanie, Thiago Amud e terraplana. Destrincho cada um deles mais abaixo. Vale ainda dizer que algumas descrições dos álbuns nacionais estão mais longas e detalhadas, visto que eram roteiros para vídeos que nunca saíram do papel.

Sem mais delongas, vamos para a lista:

- Agriculture: The Spiritual Sound
Daqueles discos que bastou eu dar o play pra de imediato pensar “gostei disso!”. É um black metal na sua expansão mais atmosférica (no sentido da influência do shoegaze/post-rock) e estranhamente acessível, já que conta com riffs tão matadores (numa onda sludge) que é difícil não embarcar. E falando em riffs, vale dizer que os solos de guitarra também são um destaque (não somente no disco, mas no ano). As vocalizações são versáteis, embora nada tão facilmente convidativo. Adorei a produção, soando nem tão caótica como comumente acontece no gênero, mas também sem soar artificial. É abrasivo. Talvez o grande disco de blackgaze desde o Sunbather.

- Bad Bunny: DeBÍ TiRAR MáS FOToS
No cenário do reggaeton atual, o Bad Bunny sempre me soou acima da média. Curiosamente, comercialmente também é o maior artista do gênero, chegando agora no Brasil com enorme força. Dito isso, com esse trabalho - que saiu na primeira semana do ano e foi por mim o primeiro lançamento escutado de 2025 -, ele me deixou ainda mais entusiasmado. Tudo que faz do reggaeton um gênero pop (os ganchos, as batidas eletrônicas/dançantes, a latinidade, o calor, a alegria) se somam a tradição da música porto-riquenha, trazendo o ritmo da salsa via sonoridades orgânicas, ricas e maravilhosas. O álbum tem uma evolução criativa, intercalando o passado, o futuro e o presente numa dinâmica imprevisível (e ainda muito acessível). Não posso dizer que adoro sua voz, mas ela funciona dentro da proposta. Fora que sua interpretação carrega um caráter emotivo em alguns momentos, tratando principalmente o sentimento de perda. Já em outros, há uma sensualidade comum ao gênero. Vale ainda dizer que a mixagem é pesada e cristalina. Um álbum do pop latino tão em voga, mas com qualidades muito superiores ao que tem sido produzido. Não por acaso tem sido tratado como um clássico do gênero e retrato de uma época, ainda mais diante da política hostil do Donald Trump contra os imigrantes, principalmente os latinos. Até a capa já é emblemática. Levou o Grammy de álbum do ano.

- Deerhoof: Noble And Godlike In Ruin
O já veterano e produtivo grupo continua a trazer ambição e experimentalismo para o indie rock através de um disco tão complexo quanto maduro. É tudo muito intrincado, dos ritmos passando pelos arranjos e escolhas timbrísticas. Cobre essa amálgama com a voz confortável da Satomi Matsuzaki. Vale dizer que algumas faixas me remeteram ao King Crimson oitentista (ou ao que faria o Beat se decidisse trabalhar num material inédito). Ouça “Ha, Ha Ha Ha, Haaa” e me diga se estou delirando. Excelente trabalho de guitarras (de todo instrumental na realidade). É progressivo, alternativo e funky. Fora que há comentários sociais pertinentes, só que embalados por uma sonoridade que consegue ser inventiva sem ser pedante. É muito êxito estético. Talvez por eles lançaram muitos discos, sua qualidade passou quase despercebida (por mais latente que seja). Adorei.

- Dijon: Baby
Meu contato com a obra do Dijon era distante. Mas quando o Justin Bieber lançou o SWAG, o nome do Dijon veio à tona e ele sabiamente colocou esse álbum pra jogo, decodificando assim uma redundantemente nova linguagem de neo-r&b/soul que há anos vem reverberando no cenário alternativo. Auxiliado pelo Mk.gee e o Pino Palladino (lendário baixista de impressionante interação com artistas contemporâneos), esse álbum traz um r&b expansivo, ora lo-fi, ora externamente pop. Adoro sua voz, assim como o colorido dos arranjos e da produção, que por vezes toma caminhos complexos de texturas e timbres. Ouso ao dizer que o Prince poderia assinar esse disco.

- Eliana Pittman: Nem Lágrima, Nem Dor
Embora com pouca repercussão, esse trabalho tinha tudo pra hypar. Uma das maiores vozes da música brasileira, cantando um repertório do Jorge Aragão e auxiliada por arautos da música brasileira contemporânea, como o produtor Rodrigo Campos. E o resultado é impecável, combinando a tradição do samba com elementos que positivamente deturpam o gênero nos arranjos. Logo na abertura com “Lucidez” isso já fica claro, onde o ritmo eletrônico e a presença do Thiago França cria uma atmosfera cinzenta acalentada pela melodia e voz da Eliana. O sucesso tão maltratado de “Eu e Você Sempre” soou com um fresco que há décadas não tinha. Até foi possível lembrar como ela é bonita. Programação eletrônica, guitarra (em certo momento até ruidosa), além de um cavaquinho (ora dissonante, ora contrapontístico) formam a maravilhosa “Novo Endereço”. Impossível ainda não citar “Locuras de uma Paixão”, mais tradicional, além de brilhantemente tocada e interpretada, não fosse um subversivo baixo levemente saturado, provavelmente um hoffner tocado com palheta. E o que é aquele synth arpejado em “Tendência”? Há algo de lo-fi no instrumental de “Minta Meu Sonho” que traz uma dor desgastada pelo tempo. Vale dizer que toda essa concepção/estética moderna/eletrônica serve às composições e ao canto da Eliana. Não é um filtro falso e presunçoso, mas um direcionamento ousado e de resultado incrível. A derradeira e exuberante “Papel de Pão” exemplifica isso com brilhantismo. Aos 79 anos, Eliana Pittman lançou um dos melhores álbuns de 2025.

- Freddie Gibbs & The Alchemist: Alfredo 2
O “segundo ato gastronômico” do duo vem pra se igualar ao primeiro por suas canções irresistíveis. O flow do Freddie é um dos mais intoxicantes desta geração. Ele tem malícia, malemolência, maldade e graça. Por sua vez, as produções do Alchemist trazem aquele charme rústico dos samples de vinil, embutindo sobriedade ao clima gangsta. É uma perfeita dualidade em prol de grandes canções. Anderson .Paak e JID colaboram. Agora, com essa capa bem que o álbum poderia se chamar Lámen, né?.

- Joey Valence & Brae: HYPERYOUTH
Sequência ao excelente NO HANDS (2024), esse álbum mantém a energia em alta, trazendo beats arrasam quarteirão com aquela abordagem que fica entre o miami bass, Beastie Boys e o rap da virada do milênio. A vitalidade do duo é fantástica. Suas rimas afiadas são aliadas de composições ganchudas, donas de refrãos poderosos. É uma faixa entusiasmante depois da outra. Participam do disco Rebecca Black e JPEGMAFIA.

- Honningbarna: Soft Spot
Não conhecia essa banda norueguesa - que canta num dialeto local -, mas fui tomado de imediato pela energia post-hardcore deles. Aqui estão alguns dos timbres mais insanos do ano. Em alguns momentos parece um cruzamento do 100 gecs com o Refused. Adorei as linhas (e timbres) de baixo e a performance rasgante do vocalista. Uma pancada que traz vitalidade e originalidade pra um subgênero já preso a fórmulas. É pra socar, é pra dançar.

- Ichiko Aoba: Luminescent Creatures
Eu já havia adorado seu aclamado álbum anterior, mas achei esse ainda melhor. É o aconchego em forma de música, mas sem ser complacente. Acho impressionante como através de detalhes é gerado texturas sonoras. O ruído da captação, o ar que se desloca no silêncio… tudo é musical. Seu canto terno em japonês - língua incompreensível para mim -, mais uma vez me remete ao Jonsi (Sigur Rós). A algo de new age e ambient, mas também de jazz e post-rock. Lindas harmonias e melodias (“tower” parece até ter influência da música brasileira). Perfeito para noites chuvosas e solitárias.

- Imperial Triumphant: Goldstar
A banda vem se estabelecendo como uma das mais presentes entre os prediletos do ano (acho que é o terceiro álbum deles que coloco nessa posição). Inicialmente mais “direito”, o disco vai se revelando aventureiro e complexo na criação de temas brutais de metal extremo com nuances vindas sabe-se lá de onde (um pouco do erudito, um pouco do jazz, ora só estranhices vanguardistas mesmo). Não sei como eles conseguem soar tão pesados mantendo organicidade da produção. A performance da cozinha é sempre um destaque, embora seja importante reforçar as texturas e dissonâncias que as guitarras proporcionam. Vale dizer que em “Pleasuredome” temos a presença de dois dos meus bateristas prediletos: Dave Lombardo e Tomas Haake. Dá “samba”! Fora que há citação a Hendel e Beatles dentro do contexto do metal extremo. Uma loucura. Eu adorei.

- Lambrini Girls: Who Let The Dogs Out
Parece que estamos vivendo uma nova onda do riot grrrl, sendo a estreia desse duo uma amostra da urgência contagiante que esses grupos podem alcançar. É um punk rock criativo, que em muitos momentos me remeteu ao Idles (o que não é pouca coisa). A cantora berra com convicção letras de revolta. Não é exatamente panfletário, tá mais pra “emputecido”. Instrumentalmente o grupo corresponde com baixos gordurosos, guitarras guilhotinantes e levadas de bateria “dançantes” (dentro da estética punk). Contestador e divertido. Precisa de mais alguma coisa?

- Little Simz: Lotus
Disco feito em meio a turbulência. Ao que consta, a rapper rompeu com seu antigo parceiro musical, o Inflo, após ele pegar dinheiro emprestado com ela e não pagar. Sendo ela um dos principais nomes do rap da atualidade, a música serviu como desabafo. Aqui ela passeia por altos e baixos, sempre acompanhada de gente muito talentosa (Moses Sumney, Michael Kiwanuka, Yussef Dayes, Sampha, dentre outros), trazendo aquela riqueza jazzística/funk/orquestral já conhecida em seu trabalho. Muito bem produzido, sendo amplo em texturas e sentimentos sonoros. Tem groove, tem reflexão. Sua capacidade e pluralidade interpretativa é caso raro. Ela segurou a rédea e se manteve em salto.

- Maruja: Pain To Power
Essa banda inglesa vem construindo nos últimos 10 anos expectativa e reputação com sua meia dúzia de EPs lançados. Agora, finalmente com seu primeiro álbum, tudo se materializa de forma sólida. A energia angustiante dos temas se traduz sonoramente numa amálgama de King Crimson, Pere Ubu, Jesus Lizard e RATM. É pesado e furioso, mas também progressivo. Riffs levado pelo saxofone (no maior estilo “21st Century Schizoid Man”), a cozinha bruta, o repertório maduro, um vocalista que interage naturalmente com o rap, uma gravação que respeita a dinâmica… são muitas as qualidades que fazem desse trabalho algo impactante. Fudido. 

- McKinley Dixon: Magic, Alive!
Em pouco mais de 35 minutos, há uma sequência impressionante de faixas de jazz rap, aqui se apropriando da instrumentação/performance orgânica de talentosos músicos. As baterias são um estrondo (em timbre e groove), os metais são acachapantes (e quase fúnebres) e há ótimos caminhos harmônicos. Há um elemento funky e enorme/variado colorido timbristico, que se comunica com o complexo flow do rapper, que aborda em suas rimas temas envoltos a mortalidade. Não há marasmo, mas também não há excessos. Tudo funciona com técnica, graça, força e balanço.
  

- Model/Actriz: Departures
Segundo álbum do grupo e segundo a entrar entre meus prediletos do ano. E olha que eles não repetem a fórmula, visto que aqui eles dão mais enfoque às melodias e a batidas dançantes. Isso sem abandonar o peso e a soturnidade que trafega entre o Depeche Mode e NIN. Há um tom confessional, carnal e de reviver memórias (e cicatrizes) na temática das composições. As ótimas performances e produções (variadas e encorpadas) alimentam o conceito. Álbum abrasivo feito para noites intensas.

- SPELLLING: Portrait Of My Heart
Eu fico verdadeiramente admirado quando alguém consegue lançar um bom trabalho de pop rock em pleno 2025. Verdade seja dita, aqui não com “alcance pop”, mas com muitos trejeitos estéticos do gênero, assim como do rock alternativo noventista. Nas canções mais rockeiras/encorpadas há doses de sujeira nada covardes. Já nas baladas aparece a qualidade melódica que ela sempre demonstrou, ora ou outra com ecos interpretativos de r&b, Björk e, curiosamente, Michael Jackson. Uma tremenda voz que justifica e abastece os ganchos e refrãos. No final ainda sobra espaço pra uma versão de “Sometimes” (MBV). Adorei. 

- Squid: Cowards
O Squid já vinha ameaçando entrar nos melhores do ano, mas esse aqui bateu em cheio em mim. Oriundos sonoramente daquela mesma cena de BC,NR e black midi (só para citar os mais representativos), sua fusão espontânea de pós-punk com rock progressivo é tão natural que não dá pra saber quando uma referência começa e a outra termina. É uma perfeita simbiose estilística via canções bem estruturadas, tanto em termos de composição, quanto de arranjo e performance. Em alguns momentos a cozinha parece inserida num fluxo repetitivo à la krautrock, enquanto cordas e metais colorem as canções majestosamente. Forte.

- Thiago Amud: Enseada perdida
Dentro da sua geração, o Thiago Amud é uma sumidade, um talento um raro, comprovado neste seu sexto álbum. E já vou lançar a informação que o Caetano Veloso e o Chico Buarque participam deste disco. Uma espécie de carteirada, de selo de aprovação, tão importante para que, quem sabe, uma nova geração dê atenção a esse artista contemporâneo. O disco é um passeio maravilhoso por experimentações típicas de quem faz parte de uma tradição do que há de mais vanguardista na canção brasileira. As letras, melodias, harmonias, arranjos, a consciência musical, gravação, performances… tudo é de outro nível. O álbum começa num samba-enredo joãobosquiniano, deságua numa canção melódica e com traços de música erudita contemporânea, segue com uma faixa intensa/ruidosa/rockeira à la Walter Franco e Arrigo Barnabé, depois um frevo veloz ao lado do Chico. E isso são só as quatro primeiras faixas. Ouça tudo com atenção.

- Viagra Boys: viagr aboys
A banda já vinha lançando discos poderosos há tempos, mas aqui chegaram no seu álbum mais coeso. Alinhando uma energia oriunda do punk rock/art punk (meio Devo, meio Popol Vuh) com um acabamento tipicamente sueco, o carismático vocalista Sebastian Murphy se equilibra em canções bem estruturadas, donas de ganchos fixantes, sax carismáticos e alguns ruídos guitarristicos. A produção é abrasiva e polida na medida. O mesmo vale para a abordagem lírica, que politiza e expõe as desgraças do mundo (e de nossa saúde mental) sem perder a graça. Um álbum que nos faz correr em direção ao som.

- Weatherday: Hornest Disaster
Não vou omitir que esse disco tem algumas escorregadas composicionais (não de serem ruins, mas de não serem tão boas quanto outras). Algo típico de uma geração auto-produzida que lança tudo sem grande critério. E com isso temos 19 músicas em mais de 1h10. Dito isso, esse trabalho me pegou de jeito. Principalmente sua primeira metade, onde o artista se joga num indie/emo/lo-fi/noise/pop punk altamente ganchudo, com direito a performances abrasivas e emotivas, tanto por seu canto desesperado, quanto por sua guitarra imunda (e em alguns momentos complexa). Tem algo de Dinosaur Jr., mas com a cara de uma nova geração. Produção não somente crua, mas brilhantemente saturada, trazendo texturas que muito bem combinam com a angústia das composições. Nem todo mundo vai embarcar, mas preciso deixar registrado que eu adorei.

ABAIXO ESTÁ O BOJO DA LISTA. SÃO OS ÁLBUNS QUE OUVI PARA CHEGAR AOS MEUS PREDILETOS. CLIQUE NO MAIS INFORMAÇÕES CASO SE INTERESSAR.

TAMBÈM SEPAREI UMA BREVE SEÇÃO PARA FILMES DE MÚSICA.

SEPAREI ENTRE "BONS" (6-8), "MEDIANOS" (4-6) E "RUINS" (0-4)
DESTAQUES EM NEGRITO.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Suba, Paulo César Pinheiro, Rory Gallagher e Márcia


Suba
São Paulo Confessions (1999). Ouço falar desse disco há muito tempo, mas ele sempre fugia do meu radar e acabava não escutando. Mas fui numa loja de discos e encontrei ele baratinho. Comprei. Ouvindo não posso dizer que ele envelheceu bem. Acho que é um produto artístico de uma época, sendo que nesse sentido, como representante de uma nova música brasileira diante da virada do milênio, ele é perfeito. Uma simbiose da bossa nova com a música eletrônica que, contemporânea ao trip hop, caia muito bem. As mãos do João Parahyba nas percussões é o ponto forte. Independente de qualquer gosto pessoal, sem dúvida o Suba foi um cara muito talentoso, que colaborou de forma definitiva na carreira de muita gente (Bebel Gilberto o caso mais evidente) e que teve uma morte prematura tristíssima. 

Paulo César Pinheiro 
Esse brilhante compositor brasileiro foi homenageado no Carnaval de São Paulo pela escola Estrela do Terceiro Milênio. Pensando nisso, fui ouvir seus discos, sempre negligenciados por mim (por todos). Começando pelo Paulo César Pinheiro (1974), um álbum de samba rústico e escuro (“samba gótico”). Adoro como sua voz tem ranhura. Talvez seja um samba mais pra quem não gosta do estilo que pra quem gosta. Sua parceria com Baden Powell está forte aqui. Já no também homônimo álbum lançado em 1980 há um exército de músicos talentosos, sustentados pela poesia do compositor. Estão aqui Dori Caymmi, Baden, Maestro Gaya, Maurício Tapajós, Radamés Gnattali, Wilson das Neves, Hélio Delmiro, Sivuca, Guinga e vou parar por aqui. Aqui já um maior esmero na produção (questão de tempo de estúdio mesmo, não necessariamente uma polidez técnica). O Brasil que os brasileiros do “imagina não ser brasileiro” não conhecem.

Rory Gallagher 
Irish Tour ‘74 (1974). Tava “tocando” guitarra e queria algo inspirador, tanto pra extrair timbre de strato, quanto em performance mesmo. Esse clássico registro ao vivo do Rory Gallagher caiu como uma luva. Referência total em tudo que envolve a arte de tocar guitarra.

Márcia
Ronda (1977). Meu disco para quarta-feira de cinzas. Espero mais por sua audição que pela chegada do Carnaval. É que meu lance é samba triste. Acompanha uma bebida forte. Obs: eu tatuaria essa capa do Elifas Andreato.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Dream Theater, Gary Moore, Meat Puppets, Aerosmith e John Surman


Dream Theater
Acho um pouco intrigante como o Dream Theater não consegue mais soar como no Awake (1994). Aqui tá o peso, a modernidade, o virtuosismo, dentre outras características que ainda permeiam o conceito do grupo, mas a capacidade de criar composições memoráveis, a fluidez das performances e o calor da produção é disparadamente superior. Sonzão. 

Gary Moore 
Blues Alive (1993). Não sei se já comentei aqui, mas eu adorava esse disco na adolescência. É aquele blues pesado o suficiente pra fazer a cabeça de um moleque metaleiro entusiasta da guitarra shred. Imaginei que escutando agora - após décadas sem ouvir, após me familiarizar melhor com a “rusticidade” do blues “tradicional” - acharia menos interessante, mas eu adorei. Ele não é tão polido quando um Bonamassa. Há ainda um vigor alimentado por um timbre encorpado que poderia tá nas mãos do Zakk Wylde. Seus bends e vibratos podem até serem exagerados, mas me soam muito bem. Muito bom. 

Meat Puppets
Costumo recorrer ao clássico II (1984) quando quero ouvir o grupo, mas fui pegar o Up On The Sun (1985) e dá pra dizer que ele é tão bom quanto. É impressionante o quão ele é influente. Dá pra sentir ecos do que viriam a fazer Nirvana, Dinosaur Jr., Pavement e, curiosamente, o Geese. Os vocais “mortões” entregam. Aqui também há um excelente trabalho de guitarras (clean, com influência country). Adorei redescobrir.

Aerosmith
As vezes fico tão centrado em pesquisas musicais que esqueço como são bons alguns clássicos batidos do rock. Fui reouvir o Rocks (1976) inspirado pela famosa lista com os discos prediletos do Kurt Cobain e fiquei maravilhado com o groove funky em meio ao hard rock do grupo e com as performances do Joe Perry. Muito legal. 

John Surman 
Upon Reflection (1979). Daquelas pérolas lançadas pela ECM. É um jazz abstrato que, se jogarem no campo da música erudita, eu aceito. Tudo arquitetado por um único homem, aparado de clarinete, sax e sintetizadores, que formam a cama para seus solos livres. Há respiro em meio ao formato inusitado. É belo, mas também estranho. Obs: “Caithness To Kerry” parece um forró. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Gong, Black Uhuru, Steve Hackett e Kevin Ayers

Gong
Fiquei tanto tempo sem ouvir essa lendária banda progressiva/psicodélica que até esqueci o quão eram pesados. Ao menos é isso que saltou aos meus ouvidos escutando o Camembert Electrique (1971). Tem cada riffão! De certo modo lembra até o Hawkwind. Muito bacana.

Black Uhuru
A morte do Sly Dunbar me levou a de imediato botar algum dos inúmeros álbuns que ele gravou pra ouvir. Peguei o Tear It Up (1982), registro ao vivo do Black Uhuru. A audição terminou com eu e minha filhinha fazendo “passos de reggae”. Isso diz muito sobre os ritmos envolventes do Sly em perfeita simbiose com o baixo estrondoso do Robbie Shakespeare. 

Steve Hackett 
Nunca tinha escutado nada solo do Steve Hackett. Até por conta do show que ele vai fazer no Brasil, achei que valeria dar uma atenção. O Spectral Mornings (1979) representa muito os desafios do rock progressivo no período, visto que embora seja muito bem acabado, parece regurgitar formas do gênero. É bacana, mas nada tão inspirado. 

Kevin Ayers 
Whatevershebringswesing (1972). Curioso ouvir esse após a audição do álbum do Steve Hackett porque aqui fica explícito o invencionismo do rock progressivo em seu apogeu. As canções são complexas e ricas em forma e arranjos, mas sem pedantismo. Elas tem frescor e até um certo “humor zappiano”. Tudo muito bem tocado, claro. Inclusive, vale dizer que tem o Mike Oldfield em alguns baixos e guitarras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Twittes sobre o Grammy 2026

Como faço todo ano, trouxe alguns relatos que tive ao assistir o Grammy. Nada muito desenvolvido, só demarcando o evento pelo calor do momento.


- Pensava que "APT." era só uma musiquinha que minha filhinha gosta, não algo pra abrir um Grammy.

- Clipse e Tyler serem destaques dentro da indústria na apresentação do Grammy mostra a excelência do rap contemporâneo.

- Esse Grammy é praticamente o line-up do Lollapalooza.

- Sabrina Carpenter é a Luísa Sonza que deu certo.

- Então esse The Marías é um dream popzão maneiro e eu tô moscando?

- Addison Rae me deixa genuinamente puto. Charli tem culpa nisso.

- Se eu fosse um pouquinho mais otário teria adorado a performance das Katseye.

- Esse Leon Thomas me parece meio genérico, mas mostrou tanta destreza na guitarra que vou dar o braço a torcer

- "Ordinary" desse Alex Warren é tipo aqueles apostas gospel financeiramente bem-sucedidas da Som Livre. Horrível.

- Olivia Dean no playback é pra desmentir qualquer organicidade e talento que atribuem a ela. Constrangedor.

- Esse Sombr é do Stranger Things?

- Não comentei sobre a Lola Young pra evitar ser um completo otário.

- Não fosse o Turnstile o Justin Bieber estaria usando esse modelo/estética de guitarra?

- Não seria mais honroso trazer o Dijon e o Mk.gee pro palco e fazer as coisas direito? [sobre a apresentação do Justin Bieber]

- Slash ali como se fosse NADA.

- Tyler Childers perto desses outros é o Willie Nelson. [sobre os indicados de country music]

- Tava demorando pro Andrew Watt aparecer com a Lady Gaga. Aí é o lugar dele. Boa apresentação.

- Melhor Álbum Pop #GrammyTNT [e postei a capa do "De Mysteriis Dom Sathanas" do Mayhem]

- Bruno Mars de tão revival já parece ser revival dele mesmo.

- O Grammy não merece receber a Joni Mitchell.

- Charli com seu astral Mortícia é muito pro meu coração.

- Eu gostei dessa gracinha com o Bad Bunny. [sobre o apresentador implorando pro Bad Bunny dar uma palhinha]

- Chamaram a Carole King e eu ouvi KERRY KING. Pensei “tá porra!”. Não que a Carole não seja gigante, tá!

- Tyler é tão talentoso que dá até medo dele entrar em parafuso e virar um Ye.

- Pharrell, apesar de todas as homenagens, ainda acho que é maior do que muitos imaginam

- Deve ser muito legal pro Chad Smith finalmente tocar ao lado de um baixista e guitarrista de verdade. [sobre se apresentar numa homenagem ao Ozzy ao lado do Slash e Duff. Brincadeirinha, gente]

- Tudo bem, a Lauryn Hill é demais, mas Eric Gales, Marcus Miller e Pino Palladino monopolizaram minha atenção até quando não estavam tocando. D’Angelo e Roberta Flack merecem. 

- Sobre a Cher só tenho uma dúvida: como ter essa pele com 79 ANOS?

- Kkkkkkkk isso foi real? [sobre a Cher subindo no palco pra apresentar um prêmio, discursando sobre ela, esquecendo de falar os indicados e depois se confundido ao ler o premiado]

- Plano fechado em Cher, Kendrick Lamar e Kamasi Washington é o que faz o Grammy valer.

- O fato dessa volta do Clipse ter ficado restrita no Brasil só a “galerinha que gosta de música” - me incluo entre esses tontos - é uma pena.

- Uma obviedade que me impressionou nesse instante: como o Harry Styles é bonito.

- Tava na cara que o Bad Bunny ia levar. Tá certo.

- Vale ainda destacar que FKA Twigs, Turnstile e Caetano Veloso & Maria Bethânia ganharam prêmios.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ACHADOS DA SEMANA: “Extratone”, Leo Brouwer, The Smiths, Acadêmicos do Salgueiro e The Fixx

“Extratone”
Vi um vídeo no TikTok falando sobre esse subgênero. Achei curioso  e fui ouvir. É um eletrônico que prima pela velocidade (eles aumentam a velocidade do BPM das produções até virar uma massaroca ruidosa e frenética). Nem me atentei aos artistas, me rendi a playlists apenas pela curiosidade. Não dá pra ouvir muito tempo. 

Leo Brouwer 
Antes de dormir, com vontade de ouvir um violão solo, fui no Spotify e joguei o nome do cubano Lew Brouwer. que confesso conhecer mais por citações que por audição. O álbum Brouwer: Guitar Pieces (1975) pareceu uma ótima pedida. Não de total espanto me deparei com peças complexas em suas estruturas, externamente técnicas e, principalmente, com dissonâncias provocativas, que tiram o violão erudito da sobriedade que leigamente relaciono e, curiosamente, buscava ouvir. Em certos momentos parecem ter mais de dois violões em contraste. Não posso afirmar nem que sim nem que não. Sequer posso dizer quem toca, visto que pretendia ouvir o próprio o Brouwer, mas aqui me deparei com o nome do Óscar Cáceres enquanto intérprete. Seja como for, desviando do intuito e abraçando a oportunidade, cai num tremendo álbum. 

The Smiths
Hatful Of Hollow (1984). Todo mundo sabe, mas vale reforçar: que banda né! Não “somente” no sentido composicional e estético, mas no tocar mesmo. Todos ali são muito bons. Tem cada linha de baixo do Andy Rourke. Fora que o Johnny Marr é um mestre dos riffs e da condução harmônica. E o Morrissey? Não somente um gigante do texto, mas também de “flow” e timbre único. Foda! 

Acadêmicos do Salgueiro
Existe a possibilidade de eu vir a tocar num bloco carnavalesco esse ano. Logo eu, um doente do pé. A ideia é eu tocar surdo de terceira. Tentando me ambientalizar, busquei algum disco de escola de samba só pra afiar o vocabulário, procurar ouvir o instrumento dentro de um arranjo. Cai no Histórias das Escolas de Samba - Salgueiro 1975. Diga-se de passagem: sempre a Salgueiro! Não é a primeira vez que a escola revela ter alguns excelentes discos do seu catálogo no Spotify. Voltando à proposta, independente do disco ter aflorado ou não algum senso rítmico em mim, é uma grande experiência sônica ouvi-lo. Tem grandes canções e a força braçal da performance. Foda.

The Fixx
Reach The Beach (1983). Anos 80 sendo anos 80. Ouvi pelo timbre de chorus na guitarra e seus ótimos grooves. Adoro a cristalinidade dos timbres oitentista extraídos em estúdio nesse período. Os synths aqui tbm são bem legais, não soando sequer datados. O fato da bateria ser mais orgânica ajuda no todo da produção. Sobre as canções, de algum modo é tudo que o INXS queria ser. Pop grooveado e bem resolvido .

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

RETROSPECTIVA 2025: Não pode passar despercebido

Inicialmente esse era aquele espaço para postar uma música/single que não pode passar despercebida numa retrospectiva, seja por ter tocado muito (é agora que lembrarei os hits de qualidade duvidosa), por apontar novos horizontes, por ter um clipe interessante, por ser curiosa ou simplesmente muito legal. Elas ainda estão aqui, mas pós-pandemia, a quantidade de programas musicais tornou-se tão proficiente no YouTube que acabou se sobressaindo na minha "curadoria".

Vamos a elas:

Air: Tiny Desk Concert
Infelizmente não consegui assistir o show que eles fizeram no Brasil, então tive que me contatar com essa boa apresentação.

Back To Beginning
A tal despedida do Ozzy Osbourne. Era pra ser somente dos palcos, foi da vida. Não consegui assistir tudo, mas conferi um Mastodon menos vibrante (Brent Hinds vai fazer falta), Anthrax quebrando tudo em “Into The Void”, um Lamb Of God prejudicado pelo som, o Slayer mandando bem como sempre (com direito a uma tremenda versão de “Wicked World”), o Guns N’ Roses surpreendendo (Slash tocando muito, Axl cada vez mais carismático e tremenda escolha de versões do Sabbath), além dos supergrupos montados pelo Tom Morello, onde brilharam Jake E. Lee (bom ver ele em forma), Steven Tyler (ele não tinha perdido a voz? Tá cantando pra caralho), mas principalmente o Nuno Bettencourt, que segurou a onda com performances perfeitas. Tremendo guitarrista e profissional. Agora, quando chegou a vez do Ozzy, foi de chorar. Em “Mama, I’m Coming Home” a platéia desabou. O encontro com o Black Sabbath foi mágico. Geezer Butler segurou a bronca enquanto Iommi, Bill Ward e Ozzy brilhavam apenas com suas presenças. Histórico. Lindo.

Beth Gibbons: Tiny Desk Concert
Lindo. Pra por numa noite solitária de sexta.

Bring Me The Horizon - Wonderwall
Sim, é uma versão pra música do Oasis. E é daquelas pra não levar muito a sério. Achei divertido. Meio emozão nervoso.

Budang - Magia / Budangól
Quando saiu esse clipe fiquei viciado. Achei muito bem dirigido. Boas imagens que retratam a vibração da banda. Difícil não compará-los com o Turnstile.

Boogarins on Audiotree Live (Full Session)
É nítida a evolução da banda. Nesta performance eles tão soando brilhantemente redondos e sintonizados. Isso acompanhado do ótimo repertório do último disco faz deste vídeo uma agradável apresentação.

Brandão85 - Espinafre
Isso aqui deu um bafafa. Praticamente uma diss endereçado a todo o funk. Agora, muito além da polêmica, o que precisa ser dito é uma coisa só: a faixa nem é boa.

Charli XCX & John Cale - House
Um preparativo para o que vem por aí. Um drone ruidoso, maldoso e sinistro, mais próximo da Lingua Ignota que do BRAT. John Cale vem pra deixar tudo ainda mais poético. Isso vir do centro da música pop contemporânea é um absurdo.

clipping. Tiny Desk Concert
Um típico Tiny Desk improvável. Não sabia o que esperar, visto que o grupo explora muito ruídos e sons eletrônicos em sua produção. Talentosamente se jogaram em sons acústicos, expandindo as texturas, mostrando uma capacidade musical impressionante. Espetacular.

Clipse: Tiny Desk Concert
Simplesmente muito legal ver Pusha T e Malice numa interação orgânica. Fornecendo beat tá o grande Daru Jones. As músicas novas soaram ótimas.

Converge - Audiotree From Nothing
Que banda não! Os caras tão tiozinhos, mas são referência máxima do metalcore. Grandes canções e performances. Muito bem captado.

Deafheaven - Full Performance (Live On KEXP)
Fiquei impressionado como a banda aparenta ter melhorado muito suas performances ao vivo. Tá uma pauleira. As músicas novas soando muito bem. O baterista melhorou muito e a dupla de guitarras está muito precisa. Já o vocalista é aquele velho carisma de galã do inferno. Muito legal.

Deftones - Private Music SHOW (LIVE)
Vídeo promocional com uma performance ao vivo em estúdio muito bem construída. Tão transmitindo uma imagem mais séria, densa e profunda. Muito pesado, mas sem perder as texturas. Inclusive, muito bem legal como as guitarras e teclados se somam. Percebi aqui uma estética meio NIN. Bem legal.

Die Spitz - Full Performance (Live On KEXP)

Quem vê cara não vê fúria. Essas meninas (são muito jovens) arrebentaram. É um stoner/sludge/punk irresistível.

Divide and Dissolve - Full Performance (Live on KEXP)
Esse duo vem expandindo os limites do metal há alguns anos, mas confesso que só agora vi algo do grupo “em movimento”. Verdadeiramente muito bom. Sludge estranho e poderoso, com direito a interferências jazzisticas.

DJ Japa NK - Posso Até Não Te Dar Flores

Esse funk chegou ao Top 9 Global do Spotify, uma marca rara pra produção brasileira, até então só atingida por nomes como Anitta e Pabllo Vittar. Sobre a música? Nada que importe (honestamente). Mistura genérica de piserio, funk e trap.

Febre 90s / SonoTWS / pumapjl - Cartier Santos Dumont
Clipe esteticamente bacana, boa canção, guitarra chorosa… É tiozão, vai ignorando!

Fito Paez: Tiny Desk Concert

Esse não precisa sequer de um Tiny Desk Argentino, vai logo no original mesmo. Cada dia gosto mais do trabalho dele. Bonito e divertido.

Fontaines D.C. - “Can You Feel My Heart”
Uma impressionante e surpreedente versão para a música do BMTH com direito a citação de Nirvana. Muito bonito.

Fresno - Se Eu For, Eu Vou Com Você
Clipe legal, emulando a estética do Programa Livre. Uma ideia simples e eficaz, principalmente se você tem o contato do Serginho Groisman. Infelizmente essa música com o NX Zero é das mais fracas do projeto (embora de sax bacana).

Gaby Amarantos - Rock Doido (O Filme)
Adorei o disco e fui ver esse clipe/curta empolgado, mas confesso não ter gostado. Muita afetação e pouca excelência. Mas escutebem o disco!

Geese - From The Basement
Simplesmente um registro ao vivo em estúdio da banda queridinha do ano. Tem que conferir. E tá bem legal mesmo.

Helmet - Full Performance (Live On KEXP)
O Helmet tocou no Brasil e eu infelizmente não pude ir. Pouco tempo depois saiu essa live. Ao vivo deve ser bem legal, mas virou um Page Hamilton solo né. Vale assistir ainda assim. Eles tem canções que são a base do metal alternativo.

J. Eskine - Resenha do Arrocha

O cara se intitula o “gangster do arrocha”, se isso não é suficiente pra você querer ouvir a música, pode passar reto. Ritmo delicioso enquanto ele canta absurdos, fazendo uma colagem de funk, arrocha, pagodão baiano. Clipe divertido e muito bem feito. Um dos hits do carnaval.

Jeff Parker ERA IVtet: Tiny Desk
Uma apresentação classuda, contemplativa e atmosférica de jazz por aquele que é um dos grandes guitarristas das últimas três décadas, embora poucos tenham percebido isso.

Living Colour: Tiny Desk Concert
Achei mais curiosa que propriamente boa a participação deles no Tiny Desk. Acho que eles precisam de mais volume. Soou estranhamente contido. Mas vale conferir.

Luiza Brina: Tiny Desk Concert
Havia adorado o disco que ela lançou em 2024, mas ela simplesmente saiu do meu radar. Até que apareceu essa apresentação no “Tiny Desk original” e eu comprovei que ela é muito acima da média. Mais pelos arranjos e direcionamento estético que pela voz em si (que também é boa). Uma cantora brasileira para olharmos com mais atenção.

MC IG - 3 Milhões No Meu Pulso

Uma denúncia do racismo que o artista sofreu em São Paulo. Fez da sua frase espontânea o mote da composição. O resultado serve mais pela crítica que pelo conteúdo musical em si. Tá valendo.

MC Taya, spxxkxr, AIMISS, isotopxs - METAL MANDRAKE
O título da música já aponta do que se trata. Pesadão, grave e maluco. Acho maneiro. O single é melhor que o disco que ela lançou.

Nícolas Netto - Peguei No Vácuo
Aqui vale pela curiosidade e pela reflexão. Pós-música, outsider music, “brain rot”... termos que tentam explicar esse estranho fenômeno. Melhor não negar a existência. Um pouco preocupante.

Orcutt Shelley Miller - Full Performance (Live On KEXP)
Bill Orcutt, Steve Shelley e Ethan Miller. Que triozão da porra! Música instrumental rockeira viajante intensa.

Papangu - Dharma Sessions
O Gastão Moreira tá com esse excelente projeto de trazer bandas do cenário alternativo brasileiro para performances em estúdio muito bem captadas em áudio e som. O programa com o Papangu, banda que infelizmente não tive a oportunidade de assistir de corpo presente (bati na trave), foi meu destaque até o momento.

Paz Lenchantin - Hang Tough
A boa baixista com passagem pelo Pixies, A Perfect Circle e Zwag vai lançar material novo e como prévia lançou uma música que é um completo plágio de “Cálice” (Gilberto Gil e Chico Buarque). Pegou muito mal.

Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs - Full Performance (Live On KEXP)
Gente, não rola trazê-los pro Brasil não. Que banda, que performance! Obs: o visual do vocalista é um charme à parte.

Portishead - “Roads” 2025 - Together For Palestine
“Together For Palestine” diz tudo. E honestamente, é o que importa. Nem vou tecer maiores comentários.

ROSALÍA - Berghain (Official Video) feat Björk & Yves Tumor
Se for pra lançar um videoclipe hoje em dia, que seja uma caceta dessas. Uma tremenda prévia, que criou expectativa para o disco que seria lançado. Isso não somente pela ótima e impactante música, mas também pela simbiose visual.

“Secos & Molhados” - Ouvindo o Silêncio
Os membros vivos do Secos & Molhados (menos o João Ricardo, claro) se reuniram num documentário sobre o grupo. Como estava também a banda de apoio, aproveitaram pra gravar uma faixa inédita. A ideia era ótima, mas o resultado não. A frase de guitarra à la “Sinônimos” repetida constantemente chega a me tirar do sério. Produção/performance/arranjo/composição nada inspirados. Uma pena.

Stanley Clarke: Tiny Desk Concert
Incrível como ele continua tocando excelentemente. Que tremenda apresentação! E sejamos justos, não só dele né. É por essas e outras que gosto do Tiny Desk, visto que honestamente não sei se viria uma performance atual do Stanley Clarke em outro lugar com menos projeção.

Terraplana on Audiotree Live (Full Session)
Melhor registro em vídeo que já vi da banda. Tão evoluindo, soando mais coesos em sua densidade shoegaze. Legal que isso tem sido reconhecido internacionalmente.

The Armed - Full Performance (Live on KEXP)
Uma apresentação muito cavala. Transitando entre o rock alternativo, o hardcore, sludge e o estranho, a banda chega em momentos de catarse impressionante. As frases de sax, o timbre monolítico do baixo, a ruides eletrônica, a vosciferidade vocal… é embaçado!

Tim Bernardes - Prudência
Aquela produção de clipe com uma ideia simples e muito legal: uma simulação estética daquele programa Ensaio da TV Cultura, no molde dos anos 70, tipo o da Elis Regina. Como ninguém pensou nisso antes?

"Trap do Trepa Trepa"

Um corte de “humor” que virou o hit do carnaval. Honestamente não achei graça alguma. Dois twittes que li na semana do lançamento resumem muito bem o hype: Gui Guedes comentou: “(a música) não ser um trap é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar”. Já o Chico Barney foi ainda mais preciso: “Tem umas coisas que todo mundo ri que acho impossível que seja um comportamento genuíno. Tem riso que não passa de carência”. Além disso me levantou uma questão do “pós-música”, onde não foi necessário compor, tocar ou produzir uma canção pra ela existir. Na verdade esse debate acho até interessante.

Tropical Fuck Storm - Full Performance (Live On KEXP)

Além do sonzão que já apreciava dos discos, aqui a banda se revelou muito “estilosa” ao vivo. Eles parecem divertidos. Tremenda performance. Confirmando “You Let My Tyres Down” como uma das minhas canções prediletas do ano. Tem cada guitarra!

Tropical Nada: Quem É Meu Pai?
Grupo do Daniel Furlan. Mais legal que a música em si (que é bacaninha) é o clipe, onde o artista habita programas de TV do passado. Divertido.

Turnstile - BIRDS
A música é ótima, mas aqui quero destacar o videoclipe. Um conceito simples: a banda tocando, num visual que lembra o show do Hendrix Live In Maui. Cores, edição e performances muito legais.

¥ØU$UK€ ¥UK1MAT$U | Boiler Room: Tokyo
Essa apresentação do Yousuke Yukimatso quebrou recordes de audiência. O DJ japonês virou uma estrela depois disso. Vai vir até tocar no Lollapalooza. Realmente há momentos de euforia coletiva impulsionada por produções intensas de techno. Eu entendo a graça.

Yussef Dayes In Japan (Film)
Como é bonito os vídeos que o Yussef Dayes lança, não? Como se não bastasse o som jazzisticamente imersivo e cósmico, em sobreposição às imagens temos um resultado cinematográfico. Nada tão tecnicamente não engenhoso, é só o bom gosto da locação, filmagem, cores e edição mesmo. Lindo. E puta batera!

Ah, tivemos também a “febre” BLOW RECORDS, que consiste em versões com aura pop/r&b/soul setentista e oitentista para músicas de funk. Tudo sintético, se não me engano produzido com IA. Seria apenas uma bobagem se não fosse sem graça e não revelasse a carência de um público classe média e branco de querer enquadrar o funk em seus padrões de consumo. Se for numa festa e começar tocar “Predador de Perereca”, “Popotão Grandão (1982)” e “Chupa Xoxota (1980)” é hora de reavaliar a rota da sua vida.


Agora, se teve algo que bombou aqui foi o Tiny Desk Brasil, inclusive furando bolhas. Os números mostram o sucesso. Deste modo, farei breves comentários sobre cada um deles. Mais sobre as escolhas que pelo conteúdo em si. Provavelmente ano que vem, se o projeto continuar, serei mais seletivo, me restringindo ao vídeos em si.


- João Gomes (O receio imediato era esse projeto ser um “Cultura Livre 2”, expectativa quebrada com a escolha de um artista verdadeiramente popular pra estrear o programa. Gostei do formato semelhante ao internacional, do visual (caricato e escuro, mas funciona), da sonoridade. Sobre a performance em si, foi legal ver o Pipoquinha ali no baixo, me remetendo ao que seria a versão nacional pra “Thundercat com Mac Miller no Tiny Desk”. Boa canções (eu gosto!), carisma e voz poderosa transbordando numa ótima apresentação, que não por acaso dominou as redes sociais naquela semana).
 
- Metá Metá & Negro Leo (Se o receio inicial era ser um “Cultura Livre 2”, com João Gomes estreando o receio foi ser um “Multishow no YouTube”. Logo, grande saca na sequência eles emendarem um Metá Metá & Negro Leo, dois grandes nomes do cenário alternativo brasileiro. Quase sumidades, não dando brecha para critica de desavisados. Apresentação legal).
 
- Péricles (O samba/pagode, tão popular quanto ignorado em curadorias artísticas brasileiras, encontrou no Péricles uma saída óbvia para seus preconceitos na figura do Péricles, artista de carisma inegável, que faz ser aceito por todos. Aqui ele entregou um repertório, classe e alegria comum a sua pessoa. Foi ótimo. Quero ver agora quais outros artistas de samba ele vão conseguir colocar no projeto).
 
- Céu (Confesso ter um certo bode com os rumos da carreira da Céu e seu canto fanho, mas não sei se por estar comemorando os 20 anos da sua estreia discografica ela me pareceu “iluminada” nessa apresentação. Adorei sua voz, sua presença e banda. Foi ótimo).

- Ney Matogrosso (Chover no molhado elogiar né. Ele é foda (voz e carisma) e a banda é ótima (que luxo uma cozinha com Dunga e Marcos Suzano). Um guardião do pop brasileiro).

- Tássia Reis (Tinha gostado bastante do disco dela, sendo que essa apresentação serviu pra ver que o domínio do seu repertório ao vivo também funciona. A ponte de MPB com rap é genuina).
 
- Sandra Sá (Se hoje se fala tanto em groove, brasilidade, feminismo e negritude, Sandra Sá tem que ser colocada num pedestal. Sua voz ainda tá ótima. Bacana).
 
- Arnaldo Antunes (As faixas estranhas muito me agradam, principalmente pelas presenças do Kiko Dinucci e Vitor Araújo trazendo acidez para as performances/arranjos. Na curtinha “Nome” que abre a apresentação isso fala alto. Agora, quando ele entra em “Não Sei Namorar” não me interessa em nada).
 
- Tim Bernardes (Tudo bem, ele tá em alta e é talentoso. Entendo sua presença. Mas aqui é o tipica produção “descolada” que nada me agrada. Canções tacanhas em seus melodramas. Arranjos simplórios escondidos por orquestrações vazias em densidade. E ai tem o bigodinho, o cabelo, a camisa do Flamengo… tudo pra trazer aquele ar classe média besta. Achei genuinamente chato. Pior Tiny Desk até o momento, tanto em escolha quanto em resultado).
 
- Liniker (Ela já tinha dado as caras no original, mas entendo ela participar aqui também. O Caju foi um marco no cenário nacional. Isso posto, não posso omitir que ela canta muito mal né (em timbre, escolhas melódicas, melismas e afinação). Essa música nova dela, “Charme”, é liricamente fraquíssima. Na real, de toda a apresentação, o que salvei mesmo foi a presença do Mackson Kennedy e da Ana Karina Sebastião).
 
- Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro (Aqui a alegria falou alto. Apresentação virtuosa, ensolarada, genuinamente brasileira e popular. A guitarrada é um patrimônio que precisa ser mais valorizado. Se tem um desses Tiny Desk que deveria ser assistido pelos gringos é esse. Adorei).