sexta-feira, 24 de julho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Cólera, The Cramps, Ray Barretto e Jackson Browne

Cólera 
Após muitos anos fui escutar o Verde, Não Devaste! (1989) e fiquei com o sentimento de que esse é o melhor disco do Cólera. A disputa é acirrada. Aqui a energia parece lapidada e melhor captada no estúdio. Bandaça subestimada fora do circuito punk. 

The Cramps
Curiosamente, o mesmo que senti ouvindo o Cólera, veio à tona na audição do Psychedelic Jungle (1981). Que álbum maravilhoso! Ignore qualquer tecnicidade e aprecie algumas das melhores guitarras já gravadas no rock n’ roll. É cáustico, é eletrizante! 

Ray Barretto 
Acid (1968). Daqueles discos pra botar e suspender os amigos. Mas tem que ser em dia ensolarado e com muita bebida gelada. Aqui o percussionista traz toda a malemolência da salsa. Não bastasse ser muito divertido, é também ótimo pra quem quer pesquisar os ritmos afro-cubanos. 

Jackson Browne 
Daqueles compositores-cantores norte-americanos que não costumo dar muita bola, mas que vire e mexe acabo pegando pra escutar por adorar a sonoridade do período. Em termos composicionais e interpretativos, Running on Empty (1977) é realmente “americano demais”, o que pra gravação é um tremendo elogio, mesmo que estejamos falando de um registro ao vivo. Na ficha técnica estão David Lindley, Danny Kortchmar, Leland Sklar, Russ Kunkel e Craig Doerge. Vale conferir.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Bandas/Artistas da Espanha

Eu sei, eu já tinha finalizado o tema Copa do Mundo aqui no blog, mas a campeã Espanha me levou a ouvir alguns artistas que adoro e pouco comento, logo, por que não?

Sem pesquisa, apenas os “prediletos da casa”. Caso tenham recomendações de artistas espanhóis, deixem nos comentários.

ROSALÍA
A Espanha tem uma tradição de exportação de cantores pop, todos com aquela paixão calorosa que tão bem combina com o estilo. Mas convenhamos que Júlio Iglesias e Alejandro Sanz não são uma boa pedida de audição. Melhor é ouvir a estrela pop Rosalía, das mais talentosas do pop atual, não somente por seu canto afiado, mas também por trazer elementos da música erudita, folk e flamenco dentro de linguagens contemporâneas, vide o reggaeton. Seus discos são ótimos e ele é indiscutivelmente carismática.

Andrés Segovia
Outra tradição espanhola é o violão erudito. Fernando Sor, Francisco Tárrega e Andrés Segovia são alguns dos maiores nomes não somente da Espanha, mas da história do violão. Impossível estudar o instrumento e passar batido por eles. Foram incontáveis as vezes que, nada dúvida do que ouvir antes dormir, escutei algum disco aleatório do Segovia. Seu violão vale por uma orquestra. Que técnica, que timbre, que performance!

Paco de Lucía
Falando em violão, eis o rei do flamenco, gênero propriamente espanhol. Inclusive poderia discorrer sobre inúmeros representantes do estilo, vide por exemplo o icônico Camarón de la Isla, mas é seu parceiro Paco de Lucía que mais fala ao meu coração. Apesar (e por conta) da monstruosidade técnica, sua música salta alto pelo lirismo, melodias, fraseado e paixão. Monstro!

Eskorbuto
Assim como tantos no Brasil, conheci essa banda por conta da regravação do Ratos de Porão pra “Mucha Policia”. O mais legal do grupo é ouvir a ferocidade punk conjunta do lirismo da língua espanhola. Bem legal!

Barón Rojo
Verdade seja dita, não conheço esse grupo tão bem, mas é dos primeiros que lembro quando o assunto é rock na Espanha. É um hard heavy bem do honesto .

sábado, 18 de julho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: The Band, Madonna, Lobão, Allan Holdsworth e Possuídos Pelo Cão

The Band
The Last Waltz (1978). Após tantos anos de blog, ainda não havia deixado registrado o quão acho esse disco espetacular. Um documento verdadeiramente histórico, não somente pela situação e nomes envolvidos, mas também pelo resultado final. Ouvi sua versão completa quádrupla e fiquei maravilhado. Um show para se estar. É um clássico, todos sabem, mas vale relembrar. 

Madonna 
Madonna lançou um elogiado disco novo, mas antes de adentrá-lo, preferi me ambientar reouvindo seu passado. Primeiro peguei o True Blue (1986) que está comemorando 40 anos do lançamento e envelheceu muitíssimo bem. Adoro a sua sonoridade fruto de grandes produtores, arranjadores, músicos e estúdio. Fora que tem tremendas (e memoráveis) composições. Clássico do pop! Na sequência ouvi o Confessions On A Dance Floor (2005), que na época não me pegou, mas achei que o problema está em mim, já que eu era apenas um metaleiro. Todavia, reouvindo agora, entendo que ele aponta uma nova direção pra Madonna e pro pop em si - Lady Gaga viria na sequência caso não tivesse saído esse disco? -, soando mais eletrônico, mais pista. Entretanto, não é a Madonna que salta aos meus ouvidos. 

Lobão
Não estranhem se eu passar a limpo a discografia do Lobão. Isso posto, reouvi sua estreia, Cena de Cinema (1982). Acho um tremendo álbum de pop rock brasileiro. Tem o espírito carioca, que tão bem se adequou a new wave. Boas composições e uma sabedoria discreta nos arranjos e performances. Mesmo a produção magrinha tem seu charme, soando datada, mas sem o terrível deslumbre tecnológico. Muito pelo contrário, chega a ser orgânico de tão precário. Bem legal.

Allan Holdsworth
I.O.U. (1982). Isso aqui não existe! Compor e tocar nesse nível é aberração. As harmonias e melodias evoluem sob encadeamentos improváveis. O tanto de convenções faz da performance algo completamente racional. Allan tá com aquele fraseado estupendo que já conheço e adoro, sendo que quem me chamou atenção então foi o baterista Gary Husband, que esmerilha por todo o disco. Assombroso.

Possuídos Pelo Cão
Possessed In The Circle Pit (2008). Pérola do crossover “old school” brasileiro. Perfeito pra ouvir na academia. As vinhetas são divertidíssimas. É sujeira.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Bandas/Artistas de Cabo Verde

Como ocorre em toda Copa, há sempre algum time sensação, se não necessariamente por sua técnica, certamente pela garra, aprimoramento do seu futebol e superação diante de adversários com maior peso histórico. 

Em 2026 a seleção de Cabo Verde foi, com razão, a queridinha. Embora tenha sido eliminada, o jogo contra a Argentina foi um exemplo de bravura, persistência e qualidade da equipe.


Pensando nisso, decidi dar uma escutada em alguns sons do país. Vamos a alguns achados. 


Obs: encerro por aqui meu especial Copa 2026. Confesso que não empolguei fazer uma lista da Noruega (quem sabe em outro momento). 


Cesária Évora 

Obviamente foi a primeira que lembrei. Na verdade era a única que conhecia. Cantora emblemática, conhecida como a rainha da morna, gênero cabo-verdiano. Sua voz é esplêndida, soando tão grandiosa quanto contida. Tem que conhecer!


Tito Paris

Mais um representante da morna. A capa do Dança Ma Mi Criola (1994) já me conquistou de imediato. Sua voz e guitarra/violão são de grande profundidade interpretativa. Tem muito balanço, além de performances instrumentais acima da média. De grande encanto. 


Bulimundo 

Outro estilo muito difundido em Cabo Verde é o funaná, gênero que tem o grupo Bulimundo e seu líder, o Ildo Lobo, como grande representante. Vozes entusiasmadas, acordeon, guitarra e percussão metálica interagem num ritmo dançante, hipnótico e convidativo. Não fosse a língua, eu diria que é música brasileira do norte ou nordeste. 


Gil Semedo

Um ícone pop do país. Representa uma modernização dos ritmos do arquipélago. Todavia, ao contrário de outros nomes que investem nessa sonoridade de forma nem tão exitosa - ao menos aos meus ouvidos -, aqui ainda há um calor particular e divertido. Vale escutar suas produções nos anos 90.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bandas/Artistas do Japão

Tá aí um país empolgante de se conhecer e falar, mas impossível de abordar tudo. Tanto que nem vou me atrever a tratar da música folclórica/tradicional, já que é um país com enorme registro de sua cultura milenar. Melhor ficar no campo da música pop (e ainda assim vou omitir muito trabalho legal).

Yellow Magic Orchestra
Costumo afirmar - sem muito embasamento - que o YMO é tão fundamental pra guinada eletrônica da música pop oitentista quanto o Kraftwerk. Fato é que muito do frescor da sonoridade da new wave e synthpop já era explorado aqui. Solid State Survivor (1979) é um clássico peculiar e divertidíssimo.

Ryuichi Sakamoto
Além de ser fantástico por si só, o YMO ainda deu ao mundo o Sakamoto, um dos grandes músicos e pensadores da música do século XX. Durante sua carreira ele transitou pela música pop, erudita, eletrônica, ambient, trilha sonora, tradicional, dentre tantos outros subgêneros. Somente ele já é um mundo a se explorar.

Toshiko Akiyoshi
O jazz japonês, assim como o jazz brasileiro, é um segmento próprio. Impossível falar de todos os grandes nomes (e confesso que nem sou grande conhecedor). Lembro do Ed Motta mencionar a Toshiko Akiyoshi. O interessante é que ela é não somente uma grande pianista, mas também petrificada bandleader e compositora/arranjadora pra orquestra.

Loudness
Quem gosta de heavy metal tradicional/oitentista certamente adora o Loudness, banda do ótimo guitarrista Akira Takasaki.

Merzbow
O grande nome do harsh noise. Não dá pra ouvir muito tempo, mas como proposta e experiência de vanguarda é impressionante. Adoraria assisti-lo ao vivo.

Shonen Knife
Há uma tradição japonesa tanto na música pop quanto no punk. Melhor que ambos os gêneros, é a fusão deles via as Shonen Knife, grupo que influenciou até mesmo o rock alternativo americano. Até o Kurt Cobain era um dos entusiastas. Banda divertidíssima.

Boris
Outro grupo que é a fusão de diversos segmentos. Tem noise rock, punk, stoner, sludge, drone… tudo em volume bárbaro. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo e foi espantoso. Pink (2006) é um álbum clássico do rock alternativo.

Kyary Pamyu Pamyu
Muito mais legal que o k-pop é o j-pop, onde melodias bubblegum e timbres sintéticos são entrelaçados em ritmos frenéticos. Kyary Pamyu Pamyu é dos grandes nomes do estilo, tendo inclusive crescido muito na internet. Ela é divertidíssima e tem um trabalho muito instigante quanto observada além da superficialidade.

Otoboke Beaver
Das bandas mais legais da atualidade. É aquele punk maluco tipicamente japonês tendo na formação quatro garotas xaropes. Os discos são ótimos e ao vivo é divertidíssimo.

Masayoshi Takanaka
Ah, não poderia deixar de mencionar o hypadissimo city pop, uma espécie de AOR japonês que cresceu muito nos últimos anos. Há inúmeros artistas e discos fantásticos do gênero, sendo o Masayoshi Takanaka um dos mais prestigiados. Acho ele fantástico, sendo inclusive um excelente guitarrista.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Bandas/Artistas da Escócia

Sequência a essa viagem sonora por países que a seleção brasileira tem enfrentado na Copa.

Confesso que tive preguiça de pesquisar a música tradicional/folclórica escocesa, mesmo sabendo que encontraria muita coisa interessante. Simplesmente não tava “na onda da gaita de fole”, então poderia ser uma audição enviesada pro desgosto, se é que me entendem. Quem sabe outra hora. 

Listar todas as grandes bandas da Escócia também me pareceu uma missão interminável. Fechei nos meus 12 artistas prediletos. Perdão pela falta de maior dedicação.

Boards Of Canada
O nome engana, mas a verdade é que o duo é da Escócia. Tenho escutado muito nas últimas semanas por conta do novo (e ótimo) disco que lançaram. Mas o debut continua sendo o predileto mesmo. Adoro como eles trazem memórias e sentimentos humanos pra um estilo comumente frio como a música eletrônica.

Cocteau Twins
Ícones do dream pop. A banda mais etérea do rock. Recentemente assisti a Elizabeth Fraser cantando com o Massive Attack e voltei a alucinar com sua voz. Que grupo especial!

The Exploited
Das bandas mais icônicas do punk rock. Somente visualmente, com seus coturnos e moicanos, já foi suficiente pra influenciar centenas de bandas. O som me lembra a adolescência (mais por amigos que gostavam do que por mim). 

The Incredible String Band
Banda sessentista fundamental, justamente por ficar na linha tênue da psicodelia com o folk britânico do período. Vale a pesquisa atenta. 

The Jesus And Mary Chain
A primeira que pensei. E talvez seja a minha predileta da Escócia mesmo. Reis do noise rock, dos timbres maravilhosamente podres de guitarra. E no meio de todo o ruído havia muita melodia. Gigantes do rock alternativo.

Mogwai
Confesso que nunca foi minha banda do coração quando o assunto é post-rock. Mas também é das mais regulares, deste modo tô sempre acompanhando. E são ótimos mesmo. Talvez eu só precise assistir ao vivo pra me converter de vez.

Nazareth
Bandaça subvalorizada do hard rock setentista (menos em Curitiba, onde são estranhamente endeusados). Esqueçam as baladas e vão direto nos petardos com bafo de uísque e cheiro de cigarro. Fã de dad rock também é gente. 

Primal Scream
Daquelas bandas que tive fases: Adorei quando conheci, depois achei pastiche, agora voltei a amar. Aquela fase com o Mani no baixo é muito legal. Banda fundamental no cruzamento do rock alternativo com a música eletrônica (acid house).

Teenage Fanclub
Banda do coração, que vire e mexe volto nela. Das que melhor compreendeu o power pop. Sensacional.

The Waterboys
Das mais escocesas. Tanto pelos violinos quanto pela interferência da música folk local. Na década de 1980 lançaram muita coisa boa, depois confesso que não acompanhei.

Donovan
Compositor e cantor ícone dos anos 60. Fez muito bem a ponte do folk pra psicodelia. Infelizmente é pouco lembrado no Brasil.

Mark Knopfler
Não lembrava que ele era escocês, mas assim que me atentei não tive como ignorar. Um dos grandes guitarristas da história do rock, de carreira solo ainda hoje sólida. Sobre o Dire Straits nem preciso falar né.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Bandas/Artistas do Haiti

Ok, o jogo contra o Haiti já foi há dias, mas nem por isso devemos omitir o país em nossas audições.

Vale pontuar novamente que minha visão aqui é muito superficial. Até porquê, de Haiti só lembrava da música do Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ignorância minha, claro.

Nemours Jean-Baptiste
Saxofonista, compositor e líder de banda. Ao que consta ele é o inventor do Konpa (ou kompa, compas), um estilo rico, com aquela solaridade tipicamente caribenha, tendo inclusive influenciado o zouk, ou seja, é bem dançante, música de salão mesmo. Há influência do jazz norte-americano, principalmente das big bands.

Webert Sicot
Aqui o jazz se mostra ainda mais presente, até por ele ser um saxofonista de mão cheia. Seu estilo é extremamente melódico. Poderia até soar cafona, não fosse o tremendo bom gosto. Adorei o álbum D’hier a Aujourd’hui (1980). Uma maravilha!

Orchestre Tropicana d’Haiti
Essa orquestra tem décadas de serviços prestados, tendo inúmeros instrumentistas passados pela sua formação. Seu som é calcado no merengue, estilo envolvente, convidativo para a dança.

Boukman Eksperyans
Aqui temos uma sonoridade que une o pop à tradição. De algum modo, me remeteu até mesmo ao início do axé, muito por conta das células rítmicas, não somente dos instrumentos de percussão, mas também das linhas vocais. Talvez também por alguns timbres de guitarra. Ao que consta há elementos extraídos das cerimônias de vodu. O aclamado Vodoo Adjae (1991) é muito bom, com direito a arranjos inteligentes. Será que o Caetano Veloso ouviu? Achei a cara dele.

RAM
Aqui mais uma vez o pop haitiano traz proximidade com a música brasileira, principalmente da região norte. No fim é tudo África! É um som que localmente deve soar banal em termos de nuances, mas que pra gente (ou ao menos pra mim) soa muito rico e divertido. Adorei as percussões (mais uma vez com a raiz vodu). Escutei o bom álbum Aibobo (1995).

Moonlight Benjamin
De imediato li que ela era “a Patti Smith do Caribe”, o que já desperta atenção. E faz muito sentido. Ela é uma voz de personalidade, (ao que consta) é bastante politizada em suas composições e manifesta uma atitude punk. Embora cantando em crioulo e com alguns elementos sonoros locais - o que é ótimo! -, dá pra colocá-la no centro do rock alternativo contemporâneo. O álbum Siltane (2018) é muito bom. Atenção também para as guitarras (meio blues, meio pós-punk). 

Wyclef Jean
Não sei se vale, já que ele não teve uma trajetória artística no país. Mas fato é que o rapper e produtor do Fugees é haitiano. Fica ao menos como menção.

Death In Haiti (2018)
Lembro desse disco ter me impressionado muito quando saiu. Ele é uma compilação que registra a autêntico música dos velórios haitianos, misturando bandas marciais, jazz caribenho, choro (inclusive de choradeiras profissionais) e cantos de lamento. É curioso, mas pesado também. Oba: em certo encontro com amigos, cada um tava escolhendo uma música pra tocar. Coisa corriqueira. Fui ousado e botei esse disco. Praticamente acabei com o rolê.