quarta-feira, 17 de junho de 2026

TEM QUE OUVIR: My Chemical Romance - The Black Parade (2006)

Eu lembro quando o emo 00's reinava. Não vou mentir: eu achava uma bosta! Nem tanto quanto outros, que usavam o gênero para externar toda sua homofobia e arrogância com fenômenos comportamentais de gerações mais novas. Eu era apenas um adolescente metaleiro, ouvindo Lamb Of God e Deftones no meu quarto, enquanto compartilhava os mesmos ambientes com os emos do grande ABC (região que moro e que ajudou na solidificação massiva do movimento). Eu achava musicalmente uma bobeira, mas até aí, desde minha infância o pop rock foi predestinado a derrotas estéticas, então lidava com normalidade. E vale dizer que, mesmo os expoentes do gênero no Brasil, não souberam defender a própria classe, sendo assim improvável que os tiozões à la Régis Tadeu o fizessem, e muito menos eu, um jovem incapaz de articular qualquer pensamento sólido.

Mas voltando ao emo em si, por mais que hoje o estilo seja reavaliado e compreendido em toda sua complexidade comportamental, estética e de transformações da indústria musical - com direito a bandas como Fresno e Paramore ascendendo musicalmente em novas direções, levantando a bandeira do emo com verdade, mas também ironia -, não podemos omitir que boa parte do que pintou no emocore dos anos 2000 era uma porcaria. Ou no mínimo um produto de baixo valor agregado. Não vamos agora por revisionismo grosseiro enfiar goela abaixo Good Charlotte, Simple Plan e Panic! At The Disco, né?

O estilo incomodou até por ser uma "deturpação" não intencional do emotional hardcore (a.k.a. real emo). Na linha cronológica havia Rites Of Spring, Sunny Day Real Estate, Jawbraker, American Football, dentre tantas outros grupos que acumulavam prestígio do cenário alternativo. Mas foi naquele misto de euforia pop punk (já com Jimmy Eat World e The Used), rebelião de classe média (diante da falência do "sonho americano", do governo Bush), carência familiar e apelo publicitário juvenil, que a coisa desandou na virada do século, bombando na MTV bandas desprovidas de urgência, atitude, talento composicional e genuinidade. O emo não somente fez muito sucesso, mas virou um padrão comercial repetido massivamente em série.

No meio deste reboliço estava o My Chemical Romance. Superficialmente eles não destoavam. O visual dramático, com franjas escorridas, palidez estereotipada e olhos pintados até acentuavam os símbolos do movimento. Mas um olhar mais atento logo revelava diferenças.

A começar que a dramaticidade tinha uma raiz mais profunda. Musicalmente chegava até a trazer ecos de Smashing Pumpkins. Já a dupla de guitarras era muito acima da média. Por sua vezes, os clipes traziam roteiros e direções mais apurados, fugindo da estereotipia colégio/skate/festa. Tudo isso fez do My Chemical Romance a mais ambiciosa e emotiva das bandas emos. E, por incrível que pareça, isso era ótimo.

A banda já havia chegado ao sucesso com o hit "Helena", presente no (apenas) bom Three Cheers For Sweet Revenge (2004), mas quando saiu The Black Parade (2006) o patamar subiu. Não dava pra ignorar.


Produzido por Rob Cavallo, o disco trouxe um acabamento técnico, conceitual e performático gritante. Gêneros como hard rock, glam, rock alternativo, rock de arena, gótico, post-hardcore e pop punk se misturam ao emo. Resumidamente: foi o que Green Day tentou com o American Idiot (2004) - e de certo modo conseguiu! -, mas aqui com mais profundidade, inspiração e frescor. 

The Black Parade é um álbum conceitual. Da até pra chamar de ópera rock. O tema central é a morte, sendo as etapas da vida (principalmente memórias da infância) o embrião narrativo. Para isso foi criado um personagem em conformidade diante de um câncer em estágio terminal. Poderia soar batido, apelativo, pueril, enfadonho ou dramático demais, mas sendo o Gerald Way um artista talentoso (inclusive roteirista e escritor prestigiado), há exuberância tanto no enredo quanto na interpretação.

"The End" abre o disco expondo referência latentes. Tem Pink Floyd (fase The Wall), David Bowie e Queen. Isso tudo numa canção épica de menos de 2 minutos. Impressionante! Seu desaguar na excelente "Dead!" impressiona. A produção densa/massiva colocam as guitarras no centro da canção, destacadas inclusive por ótimos solos (meio Ace Frehley) do subestimado Ray Toro. Backing vocals enormes trazem ainda mais grandiosidade para o arranjo.

Se muitas vezes o emocore foi lembrando por falta de vigor, "This Is How Disappear" desmente a tese apresentando sensibilidade através da energia. O mesmo vale para "The Sharpest Lives", dona de melodias pegajosa, ritmo quase dançante e ótimas guitarras.

Eis que surge "Welcome To The Black Parade", que devido se devido o sucesso tornou-se quase um hino geracional, mas que tem como verdadeiro triunfo servir de catarse emocional, vislumbrando a morte através de memórias. A interpretação vocal teatral, a bateria marcial, a melodia de guitarra (à la Brian May) e, no seu cume, a energia pop punk. Não vou julgar um adolescente que chegou as lágrimas em seu final. É uma tremenda canção!

De beleza pop, "I Don't Love You" tem uma melodia certeira. E aqui fica nítido que mesmo diante do comercialismo, o grupo não era rasteiro. É uma música verdadeiramente bonita. 

Tiozões rockeiros se descabelando por uma juventude ouvindo canções como "House Of Wolves" só revela o rancoroso choque geracional. A música obedece todos os critérios de uma ótima música de rock.

Com teor melancólico, melodia afiada, belo arranjo de cordas e inteligente progressão harmônica ao piano, "Cancer" é uma baladona que deixaria Paul McCartney e Freddie Mercury orgulhosos.

"Mama" é uma das música mais singulares do período, inclusive revelando o humor e a qualidade técnica do grupo. Isso se dá tanto pelo ritmo gypsy punk, quanto pela presença improvável da Liza Minnelli. Divertidíssimo.

A energia catártica de "Sleep" passa pelos grandiosos acordes de guitarra, pela consistência da cozinha e, obviamente, pela performance voraz do Gerald Way.

Por mais que "Teenagers" seja um pastiche descarado de rock n' roll, acho ela tão divertida e bem feita que não consigo ignora-la. Se o riff é bacana, o solo é mais ainda. Já o refrão é feito pra cantar junto. Não por acaso, com o beneficio da distância temporal - onde pouco importa se uma gravação tem 20 ou 50 anos -, uma nova geração abraçou a música como se ela fosse um clássico do rock. Talvez ela seja.

A tristeza volta a imperar em "Disenchanted", uma balada bem construída que muito remete ao período que foi lançada. Por sua vez, "Famous Last Words" é mais triunfante e traz um desfecho narrativo consistente (além de ótimas guitarras).

Após décadas de lançamento, The Black Parade se consolidou como um vestígio de excelência num cenário de muito mais erros que acertos. No fim, as canções e performances são mais fortes que tudo.

Ah, sabem quem é ama esse disco? Gary Holt (Exodus e Slayer). 

sábado, 13 de junho de 2026

Bandas/Artistas do Marrocos

Em toda Copa do Mundo, procuro trazer ao blog uma visão (sejamos francos, superficial) da música de diferentes países. Ir pelos adversários da seleção brasileira sempre pareceu um caminho interessante. Já fiz isso como forma de torcida contra a CBF, mas hoje não mais. Acho bobagem. Não vou embarcar em nenhum patriotismo besta, nem tão pouco num desejo arrogante de que o futebol brasileiro se desmantele. Sempre será melhor se o Brasil ganhar. Isso posto, hoje trago alguns artistas do Marrocos.

Deixo claro que pouco conhecia a música marroquina. O que está aqui é a pesquisa e audição apressada feita nos últimos 5 dias. É o que meu tempo e amadorismo permitiu fazer. Mas vale ressaltar que é um dos países com a música mais instigante que já trouxe para Fora do Eixo desse blog. Vale a pesquisa e audição mais atenta.

Obs: uma das maravilhas da internet é permitir esse tipo de busca. Tudo bem, é tentador e bacana conhecer a “nova banda/artista indie britânica na crista da onda”, mas vale todos nós (me incluo nessa) aperfeiçoar nosso olhar para países pouco desfrutados em nossas audições. É uma viagem agradável e rica disponível na ponta dos nossos dedos. Sabemos aproveitar melhor nosso tempo.

Abdelaziz Stati
Um dos mais populares artistas de Chaabi, estilo de tradição folclórica, mas de difusão urbana. Sua música é altamente hipnótica, trazendo motivos/ganchos que se repetem em cima de batidas envolventes e, no caso do Abdelaziz, violinos sinuosos. Eu achei bem legal.

Najat Aatabou
Um ícone feminino do Chaabi. É muito interessante perceber que por trás de toda complexidade rítmica da música africana (e “peculiaridade”, termo horrível, mas real dentro do contexto de difusão musical no mundo), há um elemento pop crescente, que traz para as canções uma força possível de imagina-la sendo admirada e cantanda por uma multidão. Até as capas dos discos tem uma estética mais pop. Mas não se engane, é bastante “marroquino”. Fantástico.

Saïd Senhaji
Ao que consta, um dos artistas mais populares atualmente de Chaabi. Incrível se deparar com 112,5 mil ouvintes mensais no seu Spotify e se dar conta que nunca ouviu falar. Por trás de toda riqueza e tradicionalismo do musical (aqui até mais dançante), há um charme/energia mais comum ao pop em seu canto. Chutaria que ele é um galã local.

Hajib
Por sua vez, com todo respeito, Hajib não deve ser um galã. Mas sua voz é espetacular, combinando perfeitamente com os ritmos intrincados e alaúdes virtuosos. Hipnótico.

Mahmoud Guinia
Gnawa é um gênero que ouço muito falar, principalmente quando pesquiso sobre a psicodelia africana. Muitos guitarristas da África incorporam a sonoridade do guembri, instrumento de três cordas muito utilizado no gênero. Sendo assim, foi legal conhecer o Mahmoud Guinia, um dos principais nomes do estilo. Aqui há maior crueza, parecendo ser uma música mais “rural”. Curioso perceber rastros tanto do samba quanto do blues. Inclusive, de timbre opaco (provavelmente devido o uso de material orgânico na construção do instrumento.) chega a lembrar um berimbau.

Hamid El Kasri
Mais um grande nome do Gnawa. Como tem cantores especiais no Marrocos, não? Aqui mais uma vez se ouve ecos de música afro-brasileira. Tá tudo interligado.

Bab L’Bluz
Aqui chegamos numa proposta mais elétrica e contemporânea desses estilos tradicionais (Chaabi e Gnawa). Tem blues, psicodelia e distorções inseridas no guembri. Isso tudo sem parecer diluído, visto que é bastante fincado nas sonoridades marroquinas. Muito legal.

The Masters Musicians Of Joujouka
Pelo que percebi, esse coletivo de músicos tradicionais do Marrocos faz uma ponte com a cultura e artistas de outros países, criando fusões com rock, jazz e música eletrônica. Um produto de exportação com grande valor agregado.

Hassan Wargui
Aqui não temos o guembri, mas um banjo berbere. O álbum Algmad (2020) expõe a qualidade técnica do jovem artista.

Guedra Guedra
Pra finalizar, trago o som urbano, contemporâneo, dançante e complexo desse DJ. Ele parece incorporar todos os elementos centrais da música do país em produções de personalidade. Forte.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Chico Buarque, La Máquina de Hacer Pájaros, Marshall Crenshaw e Wilson Simonal

Chico Buarque
Li uma declaração do Vitor Brauer dizendo que o álbum Vida (1979) foi fundamental para ele se permitir cantar. É o espírito DIY através de uma voz longe de ser unanimidade (eu adoro!). Foi aí que me toquei como o Chico Buarque, por trás de toda sua sofisticação composicional, nunca me soou intimidador. Ainda que superficialmente, fui gostar dele antes de Caetano e Gil. Isso provavelmente por ele ter o pé fincado na tradição, vide alguns sambas aqui presentes (“Deixe A Menina”) que não me surpreenderia se fosse de autoria do Noel Rosa. Curiosamente a sequência com “Já Passou” é praticamente uma bossa vanguardista. Lembrando que os pianos e arranjos são do Francis Hime. Álbum maravilhoso e por muitos negligenciado. 

La Máquina de Hacer Pájaros
Minha filhinha ganhou de um amigo meu o disco de estreia dessa ótima banda liderada pelo Charly Garcia. Acho que não escutava desde que conheci, há uns 15 anos. É bom pra caramba! Totalmente progressivo. De certo modo, me remeteu ao que seria o Tudo Foi Feito Pelo Sol (dós Mutantes) para os argentinos. 

Marshall Crenshaw 
Marshall Crenshaw (1982). Um disco de pop rock com a cara do período. Sua principal qualidade é o esmero nos arranjos, performance e timbragens (datada, mas sem soar mal, já que não é excessivamente polida). Tem algo de Police, mas também de AOR. Bem bacana. 

Wilson Simonal
A Copa do Mundo despertou em mim uma torcida que me levou a relembrar o trabalho do Wilson Simonal, artista que confesso conhecer mais por faixas isoladas que pelos discos. Peguei o sugestivo A Nova Dimensão do Samba (1964), gravado em seu esplendor vocal, com uma seleção de repertório preciosa, banda afiada (quem gravou as baterias?) e arranjos impecáveis (Eumir Deodato chega a assinar alguns). Tudo tão impecável que até deu vontade de avaliar seu momento de baixa. Li sobre o Ninguém Proibe o Amor (1975) ser muito apreciado (Ed Motta é um dos fãs confessos) e fui atrás. Há muita qualidade, mas também certa melancolia.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Futebol

Começou a Copa do Mundo. Imediatamente me recorreu lembrar músicas com o tema futebol. Se tiverem disposição montem uma playlist. Sem mais conversa fiada vamos a ela.

Jorge Ben - Filho Maravilha / Cuidado Com O Bulldog / Zagueiro / Meus Filhos, Meu Tesouro / Camisa 10 da Gávea 
Ninguém cantou tanto e tão bem sobre futebol quanto o Jorge Ben. São tantas grandes canções que decide não escolher. Sendo ele o rei do pot-pourri, da até pra imaginar ele emendando todas.

Tim Maia - Flamengo
É a única música fraca do espetacular álbum de estreia do Tim Maia. Ainda assim merece a menção devido o tremendo groove.

Marcos Valle - Flamengo Até Morrer
Uma canção espetacular, de ironia brilhante ao tratar o futebol como um elemento alienante em meio a ditadura militar brasileira. Adoro seu balanço e melodia.

Wilson Simonal - Aqui É O País do Futebol
Em contraponto a canção do Marcos Valle, aqui o ufanismo fala alto. Vale lembrar do cancelamento que o Wilson Simonal enfrentou, cancelamento esse que uma “esquerda bem pensante” tenta imputar aos jogadores atuais. Vale lembrar também a presença que o Wilson Simonal teve com a equipe brasileira da Copa de 70. 

Chico Buarque - O Futebol
Grande peladeiro (quem não lembra das fotos dele com o Bob Marley!) e compositor acima de qualquer suspeita, essa música é de poética e melodia sinuosas dignas de um grande driblador. Todos solam, realçando a força do time de instrumentistas.

Novos Baianos - Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora / Reis da Bola
Na real deveria valer o disco Novos Baianos F.C. (1973) todo. A banda mais boleira da história. É conhecida a história de que eles intercalavam gravações com partidas de futebol no sítio que eles moravam em comunidade. Diz a lenda que o Pepeu Gomes desmontou uma TV pra fazer um pedal de efeito de guitarra e banda ficou sem conseguir assistir a Copa de 70. 

João Bosco - Gol Anulado
João Bosco e Aldir Blanc, a grande dupla de ataque da música brasileira. Aqui o futebol é mostrado diante da violência doméstica. Trágico. 

Elis Regina - Meio de Campo
Canção do Gilberto Gil, melhor ainda na versão da Elis Regina. Apesar da injustiça com o grande Tostão, é das músicas mais divertidas do repertório da Elis. 

Gilberto Gil - Balé da Bola
Falando nele, tem também essa música que sequer lembrava. É bacana demais. Tremendo “samba enredo”. 

MPB4 - Se Meu Time Não Fosse o Campeão 
Mais um timaço da música brasileira. O balanço da canção, assim como o futebol arte do passado, são retratos da cultura popular nacional. 

Rita Lee - Amor Branco e Preto
Rita canta seu amor pelo Corinthians. Ninguém é perfeito. Pelo menos a música é ótima.

Júnior - Povo Feliz (Voa Canarinho)
Maestro Júnior numa canção histórica. Nenhum outro jogador brasileiro se deu tão bem na música. É um tremendo samba! Tem quem não conheça?

Sérgio Mendes / Pelé - Meu Mundo É Uma Bola
A música nem é grande coisa, mas adoro a capa desse disco. 

Gonzaguinha - E Por Falar No Rei Pelé?!
Uma das interpretações mais “raivosas” do Gonzaguinha. Meio progressiva até. Vale ainda lembrar da estranha “Geraldinos e Arquibaldos”.

Naná Vasconcelos - Futebol
Nao somente o futebol é produto de alto valor artístico agregado de exportação nacional, mas também a percussão brasileira. Deste modo essa música do Naná é um pacote completo. 

Siba - Meu Time
Canção divertidíssima. Adoro a letra, o sotaque e o arranjo. É aquele astral de ciranda e maracatu levado ao contexto contemporâneo. 

Anelis Assumpção - Bola Com Os Amigos
Um reggae de balanço vagaroso e letra tão simples quanto reconhecível. Bem legal.

Fagner & Zeca Baleiro - Canhoteiro
Uma homenagem mais que justa a um dos mais brilhantes pontas do futebol mundial. Ídolo do São Paulo, meu time. 

Moacyr Franco - Balada N7 (Mané Garrincha)
Joguei o nome do Garrincha no Spotify e cheguei nesse baladão/bolerão de arranjo exuberante e melancolia adorava. Que voz do Moacyr também hein! Sensacional. 

Rogério Skylab - Hino do Fluminense
Acho essa interpretação verdadeiramente emocionante. Todo time merece uma versão dessas para momentos de fracasso. Vale lembrar que o Lamartine Babo foi o compositor dos hinos dos times cariocas. 

Rappin Hood - Gol
Rap e futebol de várzea, é a fotografia da periferia de São Paulo.

Skank - É Uma Partida de Futebol 
Nunca gostei muito (apesar do ótimo riff). Fora que ter tocado demasiadamente só piorou minha relação com a música. Mas vale deixar aqui somente para lembrarmos o craque que o Samuel Rosa foi no Rock Gol da MTV. 

Merda - Maradona / Nem Todo Brasileiro Que Gosta de Futebol Gosta do Neymar 
Mancada kkkkkk 

Manu Chao - La Vida Tombola 
Uma homenagem mais justa. 

White Stripes - Seven Nation Army 
Um hino involuntário do futebol. Virou canto de torcidas ao redor do mundo. Deve ter quem conheça a música só pelos estádios. 

Gerry & The Pacemakers - You’ll Never Walk Alone 
Falando em hino de torcida, já viram a torcida do Liverpool cantando essa musica? É lindíssimo. Fora que eles poderiam ter pegado alguma música dos Beatles, mas foram mais sábios. De chorar!

The Wedding Present - George Best
Não resisti não mencionar esse disco, ótimo por si só (diria até mesmo um clássico do rock alternativo oitentista), mas que chamou minha atenção inicialmente pela capa e nome em homenagem a um dos grandes personagens do futebol do Reino Unido. 

Queen - We Are The Champions
Grande canção, mais o único motivo que me daria querer ouvir essa música novamente é se eu estivesse levantando uma taça. 

sábado, 6 de junho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: NIN, Paul McCartney, Superchunk, Phew e Redd Kross

Nine Inch Nails
Pensando nos álbuns de estúdio do NIN, talvez por estar entre discos tão significativos, eu acabo esquecendo como o The Fragile (1999) é excelente. Ele tem a energia e saturação que tanto adoramos na banda. Tudo certo. Discão. 

Paul McCartney
Paul lançou disco novo, mas decidi voltar ao Flaming Pie (1997) pra entrar no clima. Fui nele pelo raciocínio “o que ele tava fazendo no auge do britpop”. A resposta é seu melhor discos desde então. Além das ótimas composições (e quando ele acerta a mão todos sabemos que não é pouca coisa), há guitarras impressionantes tocadas pelo Steve Miller, Jeff Lynne e pelo próprio Paul, os três subestimados enquanto guitarristas. Vale muito relembrar. 

Superchunk
A banda tocou recentemente no Brasil, mas infelizmente não pude ir. Entretanto, nada me impediu de revisitar o Foolish (1994), clássico do indie rock noventista. Adoro o astral e a força das guitarras. Bem legal! 

Phew 
Essa artista japonesa não tem um trabalho fácil, mas vem ganhando projeção por conta das décadas de serviços prestados a um tipo de canção vanguardista. Com elementos eletrônicos, canto particular, atitude punk e formas não convencionais, suas composições soam essencialmente experimentais. Tava ouvindo tanto o Phew (1981) quanto o Our Likeness (1992), dois de seus álbuns mais prestigiados, muito por terem sido gravados no estúdio do Conny Plank com colaboração de nomes como o Jaki Liebezeit e Holger Czukay (ambos do Can). São estranhos, claro, mas também instigantes. Vale conferir.

Redd Kross
Outra banda que vai passar pelo Brasil. Maratonei alguns discos, a começar pelo Born Innocent (1982), nada mais que a perfeita amostra de que o punk rock é um salto temporal do garage rock. Tremendo disco de rock n’ roll. O Neurotica (1987) também tem essa raiz, mas se comunica mais com o power pop (linha Replacements) e até mesmo com o hard rock do período (vide alguns solos de guitarra, o timbre reverberoso de bateria e até mesmo o visual na capa). Bem legal também. Por fim peguei o Third Eye (1990) , álbum convidativo que coloca eles no centro do rock alternativo do período, gênero que eles ajudaram a desenvolver. Aqui o power pop é o grande enfoque. Soa datado, mas é bacana.

sábado, 30 de maio de 2026

TEM QUE OUVIR: Sonny Rollins - Saxophone Colossus (1957)

Sonny Rollins é o típico herói do jazz que, por mais prestígio que teve, não furou a bolha. Por não ter promovido transformações estéticas como as de Miles Davis e John Coltrane, ficou restrito aos apreciadores dos bons sons. Nada que pareceu tirar seu sono. Mas se Kind Of Blue e A Love Supreme já é assunto superado para você, talvez seja hora de dar o próximo passo em direção ao Saxophone Colossus (1957).

Esse foi o sexto álbum solo de estúdio lançado pelo Sonny Rollins. Oriundo do quinteto do Max Roach, o saxofonista chamou pela primeira vez o lendário baterista para participar do seu disco, assim como o pianista Tommy Flanagan e o baixista Doug Watkins, todos nominalmente apresentados na capa do disco, que traz uma imagem mitológica da silhueta de Sonny num fundo azul. Para fechar a escalação, contamos com a captação do mitológico Rudy Van Gelder. O trabalho saiu pela Prestige.


Sem qualquer tipo de afobação, o álbum tem um começo agradabilíssimo com o divertido tema de "St. Thomas", composição de melodia memorável de tradição folclórica. É interessante notar no início do solo de Sonny a insistência nas mesmas notas, como se não tivesse pressa de ganhar o ouvinte. Max Roach também já tira as manguinhas de fora, como se dissesse "esse disco não é meu, mas eu também vou bilhar!". A célula rítmica demarcada desde o início, a esteira da caixa fechada em seu solo, a condução no ride no segundo solo do Sonny... Tá tudo no lugar certo!

A profundidade do som do saxofone do Sonny Rollins encontra a luz na balada "You Don't Know Waht Love Is". Os saltos melódicos, o som grave, a projeção sonora com força não vulgar, o lirismo... que músico! Além de beleza e sofisticação harmônica, a condução do piano traz o charme esfumaçado e noturno pra gravação.

Adoro a pausa brusca da energia hard bop de "Strode Rode" logo no primeiro minuto, deixando o sax no centro da gravação num improviso descritivo em forma e conteúdo. A levada do Max Roach por toda a faixa é uma escola de bateria jazz. Interação brilhante com Sonny na metade final da música.

No Lado B do vinil estão as duas faixas mais longas do disco, a começar por "Moritat", que na companhia da(o) amada(o) e de uma bebida amadeirada, faz a vida valer a pena. Aqui fica nítido como a arte da improvisação pode alcançar resultados tão complexos quanto agradáveis. Tem ritmo, melodia, fluidez, inquietude e história. Seu final é emocionante.

Com um walking bass irresistível, "Blue 7" é um desfecho saboroso. O quarteto preenche os espaços com sutiliza, levando a música por caminhos de graça. A raiz blues do jazz fica nítida no solo de piano. A condução (e solo) do Max Roach é aula fundamental pra qualquer baterista. 

Esse álbum foi um sucesso de crítica e serviu de apelido para o estilo de tocar do Sonny Rollins. Não dá pra deixar escapar do radar algo tão belo quanto o encontrado aqui.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Anthrax, Youth Of Today, "Perú Selvático 1972-1986" e Sonny Rollins

Anthrax
Sound Of White Noise (1993). O disco grunge do Anthrax. Adoro esse álbum, vire e mexe volto nele. Acho curioso como os timbres de guitarra tão mais próximos do Pearl Jam que do Pantera. Além disso, aqui eles atingiram uma acessibilidade em termos de melodia que o Metallica sempre sonhou (tem provocação, tem verdade). E fica mais uma questão: até hoje não sei qual vocalista do Anthrax gosto mais. Na dúvida ouço ambos.

Youth Of Today
Break Down The Walls (1986). Sinto que poucos vocalistas deram tanto de si quanto o Ray Cappo nesse disco. Ele tá verdadeiramente emputecido. A banda o acompanha em fúria e precisão. Clássico do hardcore, clássico da Youth Crew. Adoro a capa!

"Perú Selvático 1972-1986"
Compilação muito legal de algo que pode ser entendido como “cúmbia lisérgica”. Se aqui no Brasil nós temos a guitarrada, no Peru surgiu essa música de herança caribenha calcada em guitarra, teclados e ritmos calorosos. Há algumas distorções horripilantes (isso é um elogio), provavelmente de gravação em linha. Divertidamente solar e psicodélico.

Sonny Rollins
Sonny Rollins morreu. Dentre tantas homenagens, curiosamente chamou atenção um post descompromissado do Guilherme Guedes citando o álbum The Bridge (1962), visto que ele mencionou que havia uma interação brilhante do saxofonista com o guitarrista Jim Hall (um dos prediletos da casa). E não há do que duvidar, é excelente mesmo. Os improvisos, a condução harmônica do guitarrista, as performances, a maciez dos timbres… Tá tudo certo! RIP Sonny.