sexta-feira, 15 de maio de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Ennio Morricone, Rita Lee & Tutti Frutti, Laraaji e Dead Boys

Ennio Morricone
Assisti o documento do Ennio Morricone e fiquei admirado com seus trabalhos iniciais enquanto arranjador. Nunca tinha pensado nele enquanto um arquiteto da música pop, que tensionou a canção popular inserindo cordas, contrapontos e sonoplastias em canções que, sem isso, perderiam muito do atrativo. Tem uma playlist no Spotify só com esse trabalhos para nomes como Rita Pavone, Paul Anka, Françoise Hardy Gino Paoli, Gianni Morandi, Jimmy Fontana e outro que sequer tinha ouvido falar. Muito legal. Verdadeiramente um gênio e revolucionário da música do século XX. 

Rita Lee & Tutti Frutti
Com a morte do Carlini foi inevitável não rever alguns discos que ele gravou, incluindo trabalhos com Guilherme Arantes, os subestimado discos com o Camisa de Vênus, mas principalmente o Entradas e Bandeiras (1976), disco espetacular, talvez até melhor que o clássico Fruto Proibido (1975). Tremendas canções e uma sensível lapidação nos arranjos, performances e produção. Foda. RIP Carlini. 

Laraaji 
Ambient 3: Day Of Radiance (1980). Não sou grande entusiasta dos trabalhos de música ambient do Brian Eno, de modo que esse tinha passado despercebido por mim. Mas vale escutar por ele ser uma parceria com o Laraaji, até então um artista de rua. Aqui o ambient é menos atmosférico e sintetizado e mais orgânico, minimalista e étnico, explorando instrumentos como o dulcimer e a cítara na criação de paisagens que parecem derreter numa cascata de notas. 

Dead Boys 
Young, Loud and Snotty (1977). Clássico do punk 77. Não é absurdo dizer que eram a banda mais perigosa daquela geração. Acho o Stiv Bators uma das grandes vozes do punk. Era um porra louca, mas sua atitude interpretativa faz valer a pena. E por mais maluco que fossem, eles tocam direito e até tem certo senso melódico. Esse debut envelheceu bem demais.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

TEM QUE OUVIR: Jeff Mills - Live at the Liquid Room, Tokyo (1996)

A música eletrônica teve um caminho gradual de evolução estética e comercial, vindo desde experimentações de vanguarda no início do século XX, chegando em seu apogeu na década de 1990, quando virou uma cultura consolidada.

Dentre tantas expressões neste segmento que trabalham diferente formas, BPM's, dinâmicas e climas, o techno explodiu como uma força de contracultura justamente num período onde a apropriação do emblema "música eletrônica" se difundia na música pop como uma saída para o futuro (feito isso de forma exitosa ou não). 

Oriundo de Detroit, berço do techno, Jeff Mills, um negro franzino de olhar singelo, se consagrou como um majestoso produtor e DJ, que fazia das suas performances uma amalgama de uma geração. 

A Tóquio de 1995 vivia o esplendor de uma economia acelerada e noites movimentadas. Neste cenário, o Liquid Room foi se consagrando como um centro do que havia de mais efervescente no período. E foi lá que Jeff Mills fez essa performance histórica, que passado mais de três décadas, continua circulando de mão em mão como exemplo de mixagem ao vivo, com imperfeições técnicas (de execução e gravação), mas transparecendo na captação (com microfone, pegando também a plateia) o clima quente de suor, cigarro, entusiasmo, paixão e liberdade.

A gravação tem pouco mais de 60 minutos (dizem, de uma performance de 3 horas) e 38 faixas, traçando um apanhado do trabalho do Jeff Mills enquanto produtor, mas também de seus contemporâneos que se consagrariam nesse circuito, vide Joey Beltram, Surgeon, The Advent, DJ Skull, Morgan, dentre outros, muitos do coletivo Underground Resistance, organização fundada por Mills em Detroit com o intuito de aglutinar um setor desfavorecido pelas politica do Reagan, dando a essa classe uma consciência social e identidade cultural.

Como instrumento artístico, Jeff Mills utilizou não "somente" o mixer com dois toca-discos, mas também dois toca-fitas de rolo. Com isso em mãos, Mills proporcionou uma mixagem intensa e ambiciosa, onde não bastava a mera seleção e transição fluida das faixas, mas também trocas e pausas bruscas, scratches (ou mesmo "rebobinagens"), alteração do pitch, manipulação nas frequências... tudo pra causar furor na plateia ali presente; tudo com transpiração e técnica. 

Jeff Mills se apresenta com uma faixa de nome sugestivo: "The Extremist". Mas é com "Magneze" (Surgeon) e a porrada "The Start It Up" (Joey Beltram) que o caldo começa a entortar. Em "Step To Enchantment" (Millsart) a plateia (e os ouvintes do disco) já está completamente rendida e absorvida pelo som paranoico que sai dos falantes. Quando começa a melodia de "Untitled A" parece que estamos diante de um hit das pistas.

Com a consciência rítmica de um atleta, velocidade de raciocínio de um improvisador de jazz, sujeira e rebeldia punk, além de uma personalidade urbana oriunda do hip hop, Jeff Mills vai construindo uma apresentação inesquecível.

É curioso ouvir "Play With The Voice In USA" (Joe T. Vannelli) hoje e perceber uma certa aura/alegria presente naquilo que entendemos como o elemento eletrônico do funk brasileiro.

Nas sobreposições de "i9" e "Changes Of Life" se revela o frescor não lapidado das produções executadas naquela noite.

Sou completamente enlouquecido pelo pelos timbres de "Eternal Sun" (IO), faixa que parece borbulhar em ondas elétricas. Sua junção com "Gameform" (Joey Beltram) é pra levar o ouvinte ao frenesi.

O pulso grave "AX-009" parece martelar no cérebro em BPM elevado. Dá até um certo calafrio. Ainda mais seguida da soturna "Move" (Surgeon). 

A segunda seção do disco começa eletrizante com uma mixagem viva entre "Bad Boy" (The Advent) e "The 187 Skillz" (DJ Skull). Entre tentativas e "erros", se cria uma violência sônica pulsante e irresistível. Tudo isso para desaguar no clássico de Detroit, "Strings Of Life" (Rhythim Is Rhythim), uma faixa quase libidinosa, como o brilho da disco music.

O som bruto de "Avion" (Damon Wild) tem tanto um caráter repetitivo da música industrial quanto minimalista. Adoro sua construção. Sua resolução nas herméticas/ambient "X-102" e "Growth" é de grande valor estético.

Em "Casa", início da terceira seção, há o registro do Jeff Mills lidando com o improviso, com o erro. Em tempos onde a música eletrônica abusa de recursos digitais e quantizações, ouvir um DJ mixando na unha, de verdade, é um alívio para os ouvidos. Sua conclusão com a saturadíssima "Life Cycle" é digna de despertar a vontade de afastar os móveis de casa e abrir uma pista no meio da sala. 

Ao mesmo tempo que é papo de tiozinho apontar a saturação comercial presente na música eletrônica de massa, é nítida também a discrepante força estrondosa presente em registros como esse. É um documento de uma contracultura, um símbolo de resiliência. Pensada tecnicamente, é quase obsoleta, mas arte não é sobre isso. Se até mesmo o Jeff Mills as vezes é engolido pela demanda instantânea de um DJ histórico nos mais diversos festivais/casas ao redor do mundo, aqui se mantém registrado a essência de uma cultura que a cada soa mais imponente.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

TEM QUE OUVIR: Willie Colón & Rubén Blades - Siembra (1978)

Se é verdade que há uma demanda por "música latina", então um disco não pode passar batido diante dessa tendência. Me refiro ao histórico Siembra (1978), lançado pelo porto-riquenho Willie Cólon em parceria com o panamenho Rubén Blades. Ambos trazem o calor da salsa ao centro da música popular, principalmente na América Latina, mas também entre os imigrantes latinos nos Estados Unidos.

Cólon já era um trombonista e arranjador experiente quando saiu esse disco, tendo inclusive trabalhado com a grandiosa Célia Cruz. Mas foi com o Blades que sua música ganhou novo caráter, se revelando política em meio a alegria instrumental. 

O inicio funk de "Plástico" - com direito a baixo estrondoso, doce piano elétrico e tremendo arranjo de metais - logo é tomado por um ritmo irresistível. Citando Simón Bolívar e convocando a união entre os países da América do Sul e Central, Blades relembra o verdadeiro valor dos jovens enquanto indivíduos e enterra deslumbramentos superficiais. Um começo fortíssimo.

O ritmo de "Buscando Guayaba" é de balanço especifico. O piano de escola cubana e os acentos percussivos (em bongos, congas, maracas) criam uma atmosfera quase delirante. 

De resultado comercial gigantesco, "Pedro Navaja" traz uma narrativa urbana fixante. É o mambo à serviço de um roteiro cinematográfico. Uma canção trágica e humorada.

Em meio ao crescente (e constante) ataque a Venezuela, "Maria Lionza" é um resgate a memória. Adoro seu refrão sendo entoado em coro, dando o caráter de unidade.

"Ojos" é um convite para puxar a(o) amada(o) para a dança. Uma canção apaixonada, de melodia lindíssima, interpretada majestosamente pelo Blades, um cantor muito acima da média.

Na balada "Dime" abre-se espaço para maior atenção aos trombones. Tremendo arranjo.

O desfecho com "Siembra" é altamente exuberante. Há uma dramaticidade no arranjo de cordas que proporciona um contraponto para o ritmo frenético. É como se as trilhas de blaxploitation englobassem os latinos. Soberbo.

Vale dizer que a gravação desse disco foi em Nova Iorque, despondo do que de melhor havia tecnicamente, incluindo músicos, vide o requisitado baixista Sal Cuevas, que debulha por todo o álbum.

Se hoje o reggaeton e mesmo a salsa são fenômenos da música pop, muito se deve a esse disco, que chegou a alcançar 3 milhões de cópias vendidas, uma marca insuperável para o gênero. Diante de uma ofensiva reacionária (vide a atuação do ICE e o sequestro do Nicolás Maduro), os jovens latinos podem encontrar aqui muitos elementos de diversão e conscientização.

domingo, 10 de maio de 2026

ACHADOS DA SEMANA: In Flames, Rolling Stones, Ohio Players, Dead Kennedys e Ira!

In Flames

Clayman (2000). Tocaram recentemente no Brasil e eu quis relembrar, embora a banda nunca tenha sido minha onda (e olha que eu era um adolescente metaleiro com amigos que curtiam o grupo). Fato é que esse elemento melódico do death metal não faz minha cabeça, ainda que eu reconheça que esse disco sobreviveu até que bem ao teste do tempo (ao contrário de outros trabalhos de metal do mesmo período que hoje soam mais pasteurizados). Tem riffões e boas performances. Na academia desce redondo. 


The Rolling Stones 

Nos 50 anos de lançamento do Black And Blue (1976), tava pensando em como ele é uma guinada dos Stones pro futuro. Aqui não está mais a “simples” banda de rock n’ roll. Eles deram um salto pra novos tempos inserindo reggae e funk na paleta sonora. E fizeram isso com talento e espontaneidade. O trabalho de guitarra aqui é brilhante, muito pela chegada do Ron Wood, mas também pela colaboração de outros músicos (vide o Harvey Mandel), além da fluidez rítmica do Keith ao se deparar com novas influências. Muito legal! 


Ohio Players 

Pleasure (1972). Eu tenho muitos defeitos, mas ao menos conviver comigo é a garantia que num fim de semana ou feriado prolongado vou botar uma sonzeira dessas pra tocar logo no café da manhã. Daí pra frente não tem dia ruim. Que groove, que arranjos (principalmente de metais). 


Dead Kennedys 

O documentário dos Raimundos foi tão forte para mim que me levou a procurar entrevistas antigas dos integrantes. Lembrei de uma Guitar Player com a banda na capa. Lá o Digão diz que o Bedtime For Democracy (1986) é uma escola de riff. Melhor então que reouvir Raimundos - que até tentei, mas não passava de três músicas -, é reouvir Dead Kennedys. Interessante como a guitarra soa estridente e ardida, sendo a cara do hardcore antes do gênero se “metalizar”. Um tremendo disco, embora nem sempre lembrado.


Ira!

Adoro o Ira!. Afirmo isso ao pensar em discos como Clandestino (1990), um retrato da crise criativa do grupo, mas ainda assim bem legal (não por conta do Nasi, muito pelo Scandurra). Vale relembrar. 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Art Farmer, Dave Mason, Booker T. & The M.G.’s, João Gilberto e Donny Hathaway

Art Farmer
Crawl Space (1977). Caí nesse disco por acaso após ver alguém (não lembro quem) comentado que aqui tem algumas das melhores performances do Steve Gadd, baterista que confesso ainda não ouvi nada a ponto de venerá-lo (como tantos fazem). Isso posto, é um tremendo disco de jazz, de uma época nem tão florescente do gênero. Se o artista que assina o disco detona com seu flugelhorn, é de se destacar também a presença do Eric Gale (guitarra) e Will Lee (baixo). 

Dave Mason
Morreu o Dave Mason e achei oportuno escutar o Dave Mason Is Alive! (1973). “Humor” involuntário a parte, fato é que só o conhecia basicamente por ter feito parte do Traffic, sendo que ele saiu logo após o primeiro disco. Li muito sobre sua carreira solo e conclui que esse ao vivo seria uma boa porta de entrada, ainda mais depois que Warren Haynes falou bem do álbum. Não por acaso, já que tem ótimas guitarras. Seu estilo de solar livre/viajante mais parece uma fotografia de um tempo. Muito recomendado pra quem gosta de classic rock setentista. RIP

Booker T. & The M.G.’s
Melting Pot (1971). Basicamente uma banda foda tocando. Groove, calor, técnica, paixão… tá tudo aqui. Um dos melhores registros do Steve Cropper. 

João Gilberto
Quando soube da morte do Moogie Canazio, lembrei do disco João Voz e Violão (1999), último trabalho de estúdio do João Gilberto, com “produção” do Caetano e engenharia de áudio do Moogie. É o João no meu formato predileto: solitário. Nada de orquestra ou arranjos pomposos. Voz e violão são suficientes. Diz a lenda que é um trabalho sequer com mixagem. Do jeito que foi captado ficou (o que não quer dizer que não teve embrolho neste processo). Confesso que não acho todas as canções estão em suas melhores versões, mas basta a abertura com “Desde Que O Samba É Samba” pra valer a feitura do disco. Ainda me esperanto com o senso e liberdade rítmica do João. Suas divisões são de outro mundo. Foda. RIP João e Moogie. 

Donny Hathaway 
Extension Of A Man (1973). Esse é o nível de beleza que ouço com minha filhinha antes de dormir. Nada pode ser melhor que isso. Arranjos cinematográficos e uma das grandes vozes da canção popular. Músicas que vão direto pro coração.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Calcinha Preta, Mick Taylor, Biluka y los Canibale e Mr. Catra

Calcinha Preta
Semana passada falei de Bach, essa semana de Calcinha Preta. A vida é assim. Fato é que um amigo gosta do grupo, eles já gravaram uma música do Angra (não que isso seja uma grande conquista) e o Vitor Brauer vive fazendo elogios. Questões que me fizeram querer me inteirar mais sobre o Calcinha. Cheguei no Ao Vivo Em Belém do Pará (2005), um show à frente do 80 mil fãs, marca difícil de ignorar. O fenômeno popular é indiscutível, ainda que sem contar com o melhor aparato técnico para isso. Musicalmente acho mais divertido/carismático que propriamente bom. Não vou falar que se comunica comigo pra eu parecer mais “do povo”. Mas é legal perceber como a estrutura das canções tem algo do hard rock oitentista (pode jogar Def Leppard, Bon Jovi e Whitesnake neste pacote) que muitos relutam em reconhecer. Os refrões ganchudos, as melodias altas, os solos de guitarra… nada causa estranhamento num ROCKEIRO (como eu).

Mick Taylor
O Nuno Mindelis fez um vídeo sobre esse espetacular e subestimado guitarrista. Ele mencionou um disco solo homônimo lançado por ele em 1979. Fui ouvir e ele superou em muito minhas expectativas. É verdadeiramente majestoso. Tá ali o guitarrista de blues, o domínio do slide, o bom compositor, ótimo cantor e seu fraseado rico que transcende o blues (algo jazzy à la Jeff Beck). Tem cada solo! A elegância dele é de um guitarrista que, ao se por em primeiro plano com seu instrumento, não se sobrepõe ao principal, que é a música.

Biluka y los Canibales
Left-Playing In Quito (1960-1965). Que raio é isso? E se eu te falar que é um álbum de um “tocador de folhas”. Biluka é Dilson de Souza, um carioca que foi pra Quito e montou um grupo com características jazzisticas, mas que vai muito além do gênero. Algumas melodias parecem até sonoplastia de sketch de humor antigo. Tem um lance meio trilha-sonora do Chaves. Mas não falo isso como demérito, mas pra exemplificar o quão humorada pode ser essa proposta “estranha”. Muito legal e, vale dizer, sampleavel.

Mr. Catra
O Fiel (1999). Se hoje o funk brasileiro está consolidado e o rap carioca mostra suas garras, é preciso voltar neste disco, inegavelmente cheio de limitações técnicas, mas com muita personalidade e carisma. Ele é o nosso Lil B (contém humor). Vale notar como nesse trabalho a voz do Catra tá ainda jovem e preservada, ao contrário daquele trovão que virou seu timbre. Interessante notar a ponte entre a religiosidade e a putaria, um retrato tão contraditório quanto comum na sociedade.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Bach, Street Bulldogs, Rush, The Cure e RHCP

Bach
O que vocês escutam na Páscoa? Na tentativa de não ser um bostão, botei a Paixão Segundo São Matheus do Bach pra escutar com minha filha. Ambos dormimos. Insisti no outro dia. Capotamos novamente. Mas é lindo, claro. Mas é um oratório, então repousamos, ué. Quem sabe na próxima Páscoa não traga análises mais formais. 

Street Bulldogs
Vi uma galera verdadeiramente emocionada com os shows que o Street Bulldogs andou fazendo. Quis compartilhar do mesmo sentimento botando o Question Your Truth (2001) pra ouvir, mas confesso que por mais bacana que eu ache, não se comunica comigo. Tudo bem, é mais uma questão geracional que propriamente sonora. Ainda é um dos grandes discos do hardcore melódico brasileiro.

Rush 
Grace Under Pressure (1984). Tava escutando esse que talvez seja o último grande suspiro do Rush na década 1980. Boas faixas, todos brilhando, com atenção para as guitarras do ainda hoje subestimado Alex Lifeson.

The Cure
O Aquiles Priester fez uma lista com 50 álbuns que o influenciaram. Dentre nomes esperados, achei curioso ele ter colocado o Kiss Me Kiss Me Kiss Me (1987), que por erro meu, nunca tinha dado a devida atenção. Que discão! E embora tenha grandes baterias, foram as guitarras que saltaram aos meus ouvidos. Uma verdadeira parede atmosférica de distorções, prevendo inclusive muito da sonoridade do shoegaze. São texturas incríveis. Tudo muito bem tocado e arranjado. Fora a excelente mão do Robert Smith pra composição, né. Discaço!

RHCP
Assisti o ótimo documentário sobre a primeira fase do RHCP, que com justiça enaltece o Hillel Slovak. Com isso, tive que voltar para o The Uplift Mofo Party Plan (1987), possivelmente o primeiro grande disco da banda, embora confesse que desta vez soou aquém do que lembrava. É que passada a empolgação do documentário, fica a verdade de que a entrada do Frusciante e Chad Smith elevaram a qualidade das composições do grupo. Mas para os fãs pós-Californication, voltar na origem é ultra recomendado.