PAÍS DO BAURETS
sábado, 18 de julho de 2026
ACHADOS DA SEMANA: The Band, Madonna, Lobão, Allan Holdsworth e Possuídos Pelo Cão
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Bandas/Artistas de Cabo Verde
Como ocorre em toda Copa, há sempre algum time sensação, se não necessariamente por sua técnica, certamente pela garra, aprimoramento do seu futebol e superação diante de adversários com maior peso histórico.
Em 2026 a seleção de Cabo Verde foi, com razão, a queridinha. Embora tenha sido eliminada, o jogo contra a Argentina foi um exemplo de bravura, persistência e qualidade da equipe.
Pensando nisso, decidi dar uma escutada em alguns sons do país. Vamos a alguns achados.
Obs: encerro por aqui meu especial Copa 2026. Confesso que não empolguei fazer uma lista da Noruega (quem sabe em outro momento).
Cesária Évora
Obviamente foi a primeira que lembrei. Na verdade era a única que conhecia. Cantora emblemática, conhecida como a rainha da morna, gênero cabo-verdiano. Sua voz é esplêndida, soando tão grandiosa quanto contida. Tem que conhecer!
Tito Paris
Mais um representante da morna. A capa do Dança Ma Mi Criola (1994) já me conquistou de imediato. Sua voz e guitarra/violão são de grande profundidade interpretativa. Tem muito balanço, além de performances instrumentais acima da média. De grande encanto.
Bulimundo
Outro estilo muito difundido em Cabo Verde é o funaná, gênero que tem o grupo Bulimundo e seu líder, o Ildo Lobo, como grande representante. Vozes entusiasmadas, acordeon, guitarra e percussão metálica interagem num ritmo dançante, hipnótico e convidativo. Não fosse a língua, eu diria que é música brasileira do norte ou nordeste.
Gil Semedo
Um ícone pop do país. Representa uma modernização dos ritmos do arquipélago. Todavia, ao contrário de outros nomes que investem nessa sonoridade de forma nem tão exitosa - ao menos aos meus ouvidos -, aqui ainda há um calor particular e divertido. Vale escutar suas produções nos anos 90.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Bandas/Artistas do Japão
Yellow Magic Orchestra
Costumo afirmar - sem muito embasamento - que o YMO é tão fundamental pra guinada eletrônica da música pop oitentista quanto o Kraftwerk. Fato é que muito do frescor da sonoridade da new wave e synthpop já era explorado aqui. Solid State Survivor (1979) é um clássico peculiar e divertidíssimo.
Ryuichi Sakamoto
Além de ser fantástico por si só, o YMO ainda deu ao mundo o Sakamoto, um dos grandes músicos e pensadores da música do século XX. Durante sua carreira ele transitou pela música pop, erudita, eletrônica, ambient, trilha sonora, tradicional, dentre tantos outros subgêneros. Somente ele já é um mundo a se explorar.
Toshiko Akiyoshi
O jazz japonês, assim como o jazz brasileiro, é um segmento próprio. Impossível falar de todos os grandes nomes (e confesso que nem sou grande conhecedor). Lembro do Ed Motta mencionar a Toshiko Akiyoshi. O interessante é que ela é não somente uma grande pianista, mas também petrificada bandleader e compositora/arranjadora pra orquestra.
Loudness
Quem gosta de heavy metal tradicional/oitentista certamente adora o Loudness, banda do ótimo guitarrista Akira Takasaki.
Merzbow
O grande nome do harsh noise. Não dá pra ouvir muito tempo, mas como proposta e experiência de vanguarda é impressionante. Adoraria assisti-lo ao vivo.
Shonen Knife
Há uma tradição japonesa tanto na música pop quanto no punk. Melhor que ambos os gêneros, é a fusão deles via as Shonen Knife, grupo que influenciou até mesmo o rock alternativo americano. Até o Kurt Cobain era um dos entusiastas. Banda divertidíssima.
Boris
Outro grupo que é a fusão de diversos segmentos. Tem noise rock, punk, stoner, sludge, drone… tudo em volume bárbaro. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo e foi espantoso. Pink (2006) é um álbum clássico do rock alternativo.
Kyary Pamyu Pamyu
Muito mais legal que o k-pop é o j-pop, onde melodias bubblegum e timbres sintéticos são entrelaçados em ritmos frenéticos. Kyary Pamyu Pamyu é dos grandes nomes do estilo, tendo inclusive crescido muito na internet. Ela é divertidíssima e tem um trabalho muito instigante quanto observada além da superficialidade.
Otoboke Beaver
Das bandas mais legais da atualidade. É aquele punk maluco tipicamente japonês tendo na formação quatro garotas xaropes. Os discos são ótimos e ao vivo é divertidíssimo.
Masayoshi Takanaka
Ah, não poderia deixar de mencionar o hypadissimo city pop, uma espécie de AOR japonês que cresceu muito nos últimos anos. Há inúmeros artistas e discos fantásticos do gênero, sendo o Masayoshi Takanaka um dos mais prestigiados. Acho ele fantástico, sendo inclusive um excelente guitarrista.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Bandas/Artistas da Escócia
Confesso que tive preguiça de pesquisar a música tradicional/folclórica escocesa, mesmo sabendo que encontraria muita coisa interessante. Simplesmente não tava “na onda da gaita de fole”, então poderia ser uma audição enviesada pro desgosto, se é que me entendem. Quem sabe outra hora.
Listar todas as grandes bandas da Escócia também me pareceu uma missão interminável. Fechei nos meus 12 artistas prediletos. Perdão pela falta de maior dedicação.
Boards Of Canada
O nome engana, mas a verdade é que o duo é da Escócia. Tenho escutado muito nas últimas semanas por conta do novo (e ótimo) disco que lançaram. Mas o debut continua sendo o predileto mesmo. Adoro como eles trazem memórias e sentimentos humanos pra um estilo comumente frio como a música eletrônica.
Cocteau Twins
Ícones do dream pop. A banda mais etérea do rock. Recentemente assisti a Elizabeth Fraser cantando com o Massive Attack e voltei a alucinar com sua voz. Que grupo especial!
The Exploited
Das bandas mais icônicas do punk rock. Somente visualmente, com seus coturnos e moicanos, já foi suficiente pra influenciar centenas de bandas. O som me lembra a adolescência (mais por amigos que gostavam do que por mim).
The Incredible String Band
Banda sessentista fundamental, justamente por ficar na linha tênue da psicodelia com o folk britânico do período. Vale a pesquisa atenta.
The Jesus And Mary Chain
A primeira que pensei. E talvez seja a minha predileta da Escócia mesmo. Reis do noise rock, dos timbres maravilhosamente podres de guitarra. E no meio de todo o ruído havia muita melodia. Gigantes do rock alternativo.
Mogwai
Confesso que nunca foi minha banda do coração quando o assunto é post-rock. Mas também é das mais regulares, deste modo tô sempre acompanhando. E são ótimos mesmo. Talvez eu só precise assistir ao vivo pra me converter de vez.
Nazareth
Bandaça subvalorizada do hard rock setentista (menos em Curitiba, onde são estranhamente endeusados). Esqueçam as baladas e vão direto nos petardos com bafo de uísque e cheiro de cigarro. Fã de dad rock também é gente.
Primal Scream
Daquelas bandas que tive fases: Adorei quando conheci, depois achei pastiche, agora voltei a amar. Aquela fase com o Mani no baixo é muito legal. Banda fundamental no cruzamento do rock alternativo com a música eletrônica (acid house).
Teenage Fanclub
Banda do coração, que vire e mexe volto nela. Das que melhor compreendeu o power pop. Sensacional.
The Waterboys
Das mais escocesas. Tanto pelos violinos quanto pela interferência da música folk local. Na década de 1980 lançaram muita coisa boa, depois confesso que não acompanhei.
Donovan
Compositor e cantor ícone dos anos 60. Fez muito bem a ponte do folk pra psicodelia. Infelizmente é pouco lembrado no Brasil.
Mark Knopfler
Não lembrava que ele era escocês, mas assim que me atentei não tive como ignorar. Um dos grandes guitarristas da história do rock, de carreira solo ainda hoje sólida. Sobre o Dire Straits nem preciso falar né.
quarta-feira, 24 de junho de 2026
Bandas/Artistas do Haiti
Vale pontuar novamente que minha visão aqui é muito superficial. Até porquê, de Haiti só lembrava da música do Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ignorância minha, claro.
Nemours Jean-Baptiste
Saxofonista, compositor e líder de banda. Ao que consta ele é o inventor do Konpa (ou kompa, compas), um estilo rico, com aquela solaridade tipicamente caribenha, tendo inclusive influenciado o zouk, ou seja, é bem dançante, música de salão mesmo. Há influência do jazz norte-americano, principalmente das big bands.
Webert Sicot
Aqui o jazz se mostra ainda mais presente, até por ele ser um saxofonista de mão cheia. Seu estilo é extremamente melódico. Poderia até soar cafona, não fosse o tremendo bom gosto. Adorei o álbum D’hier a Aujourd’hui (1980). Uma maravilha!
Orchestre Tropicana d’Haiti
Essa orquestra tem décadas de serviços prestados, tendo inúmeros instrumentistas passados pela sua formação. Seu som é calcado no merengue, estilo envolvente, convidativo para a dança.
Boukman Eksperyans
Aqui temos uma sonoridade que une o pop à tradição. De algum modo, me remeteu até mesmo ao início do axé, muito por conta das células rítmicas, não somente dos instrumentos de percussão, mas também das linhas vocais. Talvez também por alguns timbres de guitarra. Ao que consta há elementos extraídos das cerimônias de vodu. O aclamado Vodoo Adjae (1991) é muito bom, com direito a arranjos inteligentes. Será que o Caetano Veloso ouviu? Achei a cara dele.
RAM
Aqui mais uma vez o pop haitiano traz proximidade com a música brasileira, principalmente da região norte. No fim é tudo África! É um som que localmente deve soar banal em termos de nuances, mas que pra gente (ou ao menos pra mim) soa muito rico e divertido. Adorei as percussões (mais uma vez com a raiz vodu). Escutei o bom álbum Aibobo (1995).
Moonlight Benjamin
De imediato li que ela era “a Patti Smith do Caribe”, o que já desperta atenção. E faz muito sentido. Ela é uma voz de personalidade, (ao que consta) é bastante politizada em suas composições e manifesta uma atitude punk. Embora cantando em crioulo e com alguns elementos sonoros locais - o que é ótimo! -, dá pra colocá-la no centro do rock alternativo contemporâneo. O álbum Siltane (2018) é muito bom. Atenção também para as guitarras (meio blues, meio pós-punk).
Wyclef Jean
Não sei se vale, já que ele não teve uma trajetória artística no país. Mas fato é que o rapper e produtor do Fugees é haitiano. Fica ao menos como menção.
Death In Haiti (2018)
Lembro desse disco ter me impressionado muito quando saiu. Ele é uma compilação que registra a autêntico música dos velórios haitianos, misturando bandas marciais, jazz caribenho, choro (inclusive de choradeiras profissionais) e cantos de lamento. É curioso, mas pesado também. Oba: em certo encontro com amigos, cada um tava escolhendo uma música pra tocar. Coisa corriqueira. Fui ousado e botei esse disco. Praticamente acabei com o rolê.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
TEM QUE OUVIR: My Chemical Romance - The Black Parade (2006)
sábado, 13 de junho de 2026
Bandas/Artistas do Marrocos
Deixo claro que pouco conhecia a música marroquina. O que está aqui é a pesquisa e audição apressada feita nos últimos 5 dias. É o que meu tempo e amadorismo permitiu fazer. Mas vale ressaltar que é um dos países com a música mais instigante que já trouxe para Fora do Eixo desse blog. Vale a pesquisa e audição mais atenta.
Obs: uma das maravilhas da internet é permitir esse tipo de busca. Tudo bem, é tentador e bacana conhecer a “nova banda/artista indie britânica na crista da onda”, mas vale todos nós (me incluo nessa) aperfeiçoar nosso olhar para países pouco desfrutados em nossas audições. É uma viagem agradável e rica disponível na ponta dos nossos dedos. Sabemos aproveitar melhor nosso tempo.
Abdelaziz Stati
Um dos mais populares artistas de Chaabi, estilo de tradição folclórica, mas de difusão urbana. Sua música é altamente hipnótica, trazendo motivos/ganchos que se repetem em cima de batidas envolventes e, no caso do Abdelaziz, violinos sinuosos. Eu achei bem legal.
Najat Aatabou
Um ícone feminino do Chaabi. É muito interessante perceber que por trás de toda complexidade rítmica da música africana (e “peculiaridade”, termo horrível, mas real dentro do contexto de difusão musical no mundo), há um elemento pop crescente, que traz para as canções uma força possível de imagina-la sendo admirada e cantanda por uma multidão. Até as capas dos discos tem uma estética mais pop. Mas não se engane, é bastante “marroquino”. Fantástico.
Saïd Senhaji
Ao que consta, um dos artistas mais populares atualmente de Chaabi. Incrível se deparar com 112,5 mil ouvintes mensais no seu Spotify e se dar conta que nunca ouviu falar. Por trás de toda riqueza e tradicionalismo do musical (aqui até mais dançante), há um charme/energia mais comum ao pop em seu canto. Chutaria que ele é um galã local.
Hajib
Por sua vez, com todo respeito, Hajib não deve ser um galã. Mas sua voz é espetacular, combinando perfeitamente com os ritmos intrincados e alaúdes virtuosos. Hipnótico.
Mahmoud Guinia
Gnawa é um gênero que ouço muito falar, principalmente quando pesquiso sobre a psicodelia africana. Muitos guitarristas da África incorporam a sonoridade do guembri, instrumento de três cordas muito utilizado no gênero. Sendo assim, foi legal conhecer o Mahmoud Guinia, um dos principais nomes do estilo. Aqui há maior crueza, parecendo ser uma música mais “rural”. Curioso perceber rastros tanto do samba quanto do blues. Inclusive, de timbre opaco (provavelmente devido o uso de material orgânico na construção do instrumento.) chega a lembrar um berimbau.
Hamid El Kasri
Mais um grande nome do Gnawa. Como tem cantores especiais no Marrocos, não? Aqui mais uma vez se ouve ecos de música afro-brasileira. Tá tudo interligado.
Bab L’Bluz
Aqui chegamos numa proposta mais elétrica e contemporânea desses estilos tradicionais (Chaabi e Gnawa). Tem blues, psicodelia e distorções inseridas no guembri. Isso tudo sem parecer diluído, visto que é bastante fincado nas sonoridades marroquinas. Muito legal.
The Masters Musicians Of Joujouka
Pelo que percebi, esse coletivo de músicos tradicionais do Marrocos faz uma ponte com a cultura e artistas de outros países, criando fusões com rock, jazz e música eletrônica. Um produto de exportação com grande valor agregado.
Hassan Wargui
Aqui não temos o guembri, mas um banjo berbere. O álbum Algmad (2020) expõe a qualidade técnica do jovem artista.
Guedra Guedra
Pra finalizar, trago o som urbano, contemporâneo, dançante e complexo desse DJ. Ele parece incorporar todos os elementos centrais da música do país em produções de personalidade. Forte.
