sexta-feira, 31 de julho de 2026

Retrato superficial da cena alternativa contemporânea

 E NÃO SE FALA MAIS NISSO:



ACHADOS DA SEMANA: Kid Koala, João Bosco, Strapping Young Lad, Jeff Dahl & Poison Idea e Pilot

Kid Koala 
Já ouvi muita coisa nessa vida, mas não foram muitas as performances de DJ registradas em disco que batem de frente com o álbum Carpal Tunnel Syndrome (2000) do Kid Koala. É daqueles registros pra jogar na cara de quem diz que “DJ não é músico”. Criativo, divertido, instigante, estranho e virtuoso. 

João Bosco
Tava escutando o clássico Galos de Briga (1976) - álbum que contém a canção “Gol Anulado” -, e me perguntando a quem interessa o cancelamento do João Bosco? Não quer chamar de cancelamento, ok, então mesmo a crítica? Não que artista algum deva ser imune à crítica, mas sua fala e sua música é um ataque a o que exatamente? Vale perguntar isso ao lembrarmos a maneira melancólica que o Aldir Blanc morreu. Vale perguntar isso quando estamos falando de um dos maiores representantes da canção brasileira. 

Strapping Young Lad 
The New Black (2006). Tava com esse disco salvo aqui e não fazia ideia do que se tratava. Fui ver quem era banda e me deparei com o Devin Townsend (guitarra e voz) e Gene Hoglan (bateria). Entendi tudo. Como tudo que tem o Devin, é pesado, técnico e estranho, mas não exatamente faz minha cabeça. Ele não é um bom compositor. Mas se sua praia for “metal moderno” na linha do Nevermore vale conferir. 

Jeff Dahl & Poison Idea 
Dead Boy (1992). Mais um disco que não sei o porquê de ter salvo, mas dado os nomes envolvidos e o período lançado, esperei por punk rock certeiro e já bem acabado. É isso mesmo. Na época nem deve ter recebido grande destaque, mas hoje soa como um álbum potente. Muito legal. 

Pilot 
From The Album Of The Same Name (1974). Esse é meu tipo de som escapista. É pop rock perfeito. Inclusive, algo a se lamentar é a ausência do power pop no centro da música pop contemporânea. Poxa, não faz mal pra ninguém.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: Cólera, The Cramps, Ray Barretto e Jackson Browne

Cólera 
Após muitos anos fui escutar o Verde, Não Devaste! (1989) e fiquei com o sentimento de que esse é o melhor disco do Cólera. A disputa é acirrada. Aqui a energia parece lapidada e melhor captada no estúdio. Bandaça subestimada fora do circuito punk. 

The Cramps
Curiosamente, o mesmo que senti ouvindo o Cólera, veio à tona na audição do Psychedelic Jungle (1981). Que álbum maravilhoso! Ignore qualquer tecnicidade e aprecie algumas das melhores guitarras já gravadas no rock n’ roll. É cáustico, é eletrizante! 

Ray Barretto 
Acid (1968). Daqueles discos pra botar e suspender os amigos. Mas tem que ser em dia ensolarado e com muita bebida gelada. Aqui o percussionista traz toda a malemolência da salsa. Não bastasse ser muito divertido, é também ótimo pra quem quer pesquisar os ritmos afro-cubanos. 

Jackson Browne 
Daqueles compositores-cantores norte-americanos que não costumo dar muita bola, mas que vire e mexe acabo pegando pra escutar por adorar a sonoridade do período. Em termos composicionais e interpretativos, Running on Empty (1977) é realmente “americano demais”, o que pra gravação é um tremendo elogio, mesmo que estejamos falando de um registro ao vivo. Na ficha técnica estão David Lindley, Danny Kortchmar, Leland Sklar, Russ Kunkel e Craig Doerge. Vale conferir.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Bandas/Artistas da Espanha

Eu sei, eu já tinha finalizado o tema Copa do Mundo aqui no blog, mas a campeã Espanha me levou a ouvir alguns artistas que adoro e pouco comento, logo, por que não?

Sem pesquisa, apenas os “prediletos da casa”. Caso tenham recomendações de artistas espanhóis, deixem nos comentários.

ROSALÍA
A Espanha tem uma tradição de exportação de cantores pop, todos com aquela paixão calorosa que tão bem combina com o estilo. Mas convenhamos que Júlio Iglesias e Alejandro Sanz não são uma boa pedida de audição. Melhor é ouvir a estrela pop Rosalía, das mais talentosas do pop atual, não somente por seu canto afiado, mas também por trazer elementos da música erudita, folk e flamenco dentro de linguagens contemporâneas, vide o reggaeton. Seus discos são ótimos e ele é indiscutivelmente carismática.

Andrés Segovia
Outra tradição espanhola é o violão erudito. Fernando Sor, Francisco Tárrega e Andrés Segovia são alguns dos maiores nomes não somente da Espanha, mas da história do violão. Impossível estudar o instrumento e passar batido por eles. Foram incontáveis as vezes que, nada dúvida do que ouvir antes dormir, escutei algum disco aleatório do Segovia. Seu violão vale por uma orquestra. Que técnica, que timbre, que performances!

Paco de Lucía
Falando em violão, eis o rei do flamenco, gênero propriamente espanhol. Inclusive poderia discorrer sobre inúmeros representantes do estilo, vide por exemplo o icônico Camarón de la Isla, mas é seu parceiro Paco de Lucía que mais fala ao meu coração. Apesar (e por conta) da monstruosidade técnica, sua música salta alto pelo lirismo, melodias, fraseado e paixão. Monstro!

Eskorbuto
Assim como tantos no Brasil, conheci essa banda por conta da regravação do Ratos de Porão pra “Mucha Policia”. O mais legal do grupo é ouvir a ferocidade punk conjunta do lirismo da língua espanhola. Bem legal!

Barón Rojo
Verdade seja dita, não conheço esse grupo tão bem, mas é dos primeiros que lembro quando o assunto é rock na Espanha. É um hard heavy bem do honesto .

sábado, 18 de julho de 2026

ACHADOS DA SEMANA: The Band, Madonna, Lobão, Allan Holdsworth e Possuídos Pelo Cão

The Band
The Last Waltz (1978). Após tantos anos de blog, ainda não havia deixado registrado o quão acho esse disco espetacular. Um documento verdadeiramente histórico, não somente pela situação e nomes envolvidos, mas também pelo resultado final. Ouvi sua versão completa quádrupla e fiquei maravilhado. Um show para se estar. É um clássico, todos sabem, mas vale relembrar. 

Madonna 
Madonna lançou um elogiado disco novo, mas antes de adentrá-lo, preferi me ambientar reouvindo seu passado. Primeiro peguei o True Blue (1986) que está comemorando 40 anos do lançamento e envelheceu muitíssimo bem. Adoro a sua sonoridade fruto de grandes produtores, arranjadores, músicos e estúdio. Fora que tem tremendas (e memoráveis) composições. Clássico do pop! Na sequência ouvi o Confessions On A Dance Floor (2005), que na época não me pegou, mas achei que o problema está em mim, já que eu era apenas um metaleiro. Todavia, reouvindo agora, entendo que ele aponta uma nova direção pra Madonna e pro pop em si - Lady Gaga viria na sequência caso não tivesse saído esse disco? -, soando mais eletrônico, mais pista. Entretanto, não é a Madonna que salta aos meus ouvidos. 

Lobão
Não estranhem se eu passar a limpo a discografia do Lobão. Isso posto, reouvi sua estreia, Cena de Cinema (1982). Acho um tremendo álbum de pop rock brasileiro. Tem o espírito carioca, que tão bem se adequou a new wave. Boas composições e uma sabedoria discreta nos arranjos e performances. Mesmo a produção magrinha tem seu charme, soando datada, mas sem o terrível deslumbre tecnológico. Muito pelo contrário, chega a ser orgânico de tão precário. Bem legal.

Allan Holdsworth
I.O.U. (1982). Isso aqui não existe! Compor e tocar nesse nível é aberração. As harmonias e melodias evoluem sob encadeamentos improváveis. O tanto de convenções faz da performance algo completamente racional. Allan tá com aquele fraseado estupendo que já conheço e adoro, sendo que quem me chamou atenção então foi o baterista Gary Husband, que esmerilha por todo o disco. Assombroso.

Possuídos Pelo Cão
Possessed In The Circle Pit (2008). Pérola do crossover “old school” brasileiro. Perfeito pra ouvir na academia. As vinhetas são divertidíssimas. É sujeira.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Bandas/Artistas de Cabo Verde

Como ocorre em toda Copa, há sempre algum time sensação, se não necessariamente por sua técnica, certamente pela garra, aprimoramento do seu futebol e superação diante de adversários com maior peso histórico. 

Em 2026 a seleção de Cabo Verde foi, com razão, a queridinha. Embora tenha sido eliminada, o jogo contra a Argentina foi um exemplo de bravura, persistência e qualidade da equipe.


Pensando nisso, decidi dar uma escutada em alguns sons do país. Vamos a alguns achados. 


Obs: encerro por aqui meu especial Copa 2026. Confesso que não empolguei fazer uma lista da Noruega (quem sabe em outro momento). 


Cesária Évora 

Obviamente foi a primeira que lembrei. Na verdade era a única que conhecia. Cantora emblemática, conhecida como a rainha da morna, gênero cabo-verdiano. Sua voz é esplêndida, soando tão grandiosa quanto contida. Tem que conhecer!


Tito Paris

Mais um representante da morna. A capa do Dança Ma Mi Criola (1994) já me conquistou de imediato. Sua voz e guitarra/violão são de grande profundidade interpretativa. Tem muito balanço, além de performances instrumentais acima da média. De grande encanto. 


Bulimundo 

Outro estilo muito difundido em Cabo Verde é o funaná, gênero que tem o grupo Bulimundo e seu líder, o Ildo Lobo, como grande representante. Vozes entusiasmadas, acordeon, guitarra e percussão metálica interagem num ritmo dançante, hipnótico e convidativo. Não fosse a língua, eu diria que é música brasileira do norte ou nordeste. 


Gil Semedo

Um ícone pop do país. Representa uma modernização dos ritmos do arquipélago. Todavia, ao contrário de outros nomes que investem nessa sonoridade de forma nem tão exitosa - ao menos aos meus ouvidos -, aqui ainda há um calor particular e divertido. Vale escutar suas produções nos anos 90.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bandas/Artistas do Japão

Tá aí um país empolgante de se conhecer e falar, mas impossível de abordar tudo. Tanto que nem vou me atrever a tratar da música folclórica/tradicional, já que é um país com enorme registro de sua cultura milenar. Melhor ficar no campo da música pop (e ainda assim vou omitir muito trabalho legal).

Yellow Magic Orchestra
Costumo afirmar - sem muito embasamento - que o YMO é tão fundamental pra guinada eletrônica da música pop oitentista quanto o Kraftwerk. Fato é que muito do frescor da sonoridade da new wave e synthpop já era explorado aqui. Solid State Survivor (1979) é um clássico peculiar e divertidíssimo.

Ryuichi Sakamoto
Além de ser fantástico por si só, o YMO ainda deu ao mundo o Sakamoto, um dos grandes músicos e pensadores da música do século XX. Durante sua carreira ele transitou pela música pop, erudita, eletrônica, ambient, trilha sonora, tradicional, dentre tantos outros subgêneros. Somente ele já é um mundo a se explorar.

Toshiko Akiyoshi
O jazz japonês, assim como o jazz brasileiro, é um segmento próprio. Impossível falar de todos os grandes nomes (e confesso que nem sou grande conhecedor). Lembro do Ed Motta mencionar a Toshiko Akiyoshi. O interessante é que ela é não somente uma grande pianista, mas também petrificada bandleader e compositora/arranjadora pra orquestra.

Loudness
Quem gosta de heavy metal tradicional/oitentista certamente adora o Loudness, banda do ótimo guitarrista Akira Takasaki.

Merzbow
O grande nome do harsh noise. Não dá pra ouvir muito tempo, mas como proposta e experiência de vanguarda é impressionante. Adoraria assisti-lo ao vivo.

Shonen Knife
Há uma tradição japonesa tanto na música pop quanto no punk. Melhor que ambos os gêneros, é a fusão deles via as Shonen Knife, grupo que influenciou até mesmo o rock alternativo americano. Até o Kurt Cobain era um dos entusiastas. Banda divertidíssima.

Boris
Outro grupo que é a fusão de diversos segmentos. Tem noise rock, punk, stoner, sludge, drone… tudo em volume bárbaro. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo e foi espantoso. Pink (2006) é um álbum clássico do rock alternativo.

Kyary Pamyu Pamyu
Muito mais legal que o k-pop é o j-pop, onde melodias bubblegum e timbres sintéticos são entrelaçados em ritmos frenéticos. Kyary Pamyu Pamyu é dos grandes nomes do estilo, tendo inclusive crescido muito na internet. Ela é divertidíssima e tem um trabalho muito instigante quanto observada além da superficialidade.

Otoboke Beaver
Das bandas mais legais da atualidade. É aquele punk maluco tipicamente japonês tendo na formação quatro garotas xaropes. Os discos são ótimos e ao vivo é divertidíssimo.

Masayoshi Takanaka
Ah, não poderia deixar de mencionar o hypadissimo city pop, uma espécie de AOR japonês que cresceu muito nos últimos anos. Há inúmeros artistas e discos fantásticos do gênero, sendo o Masayoshi Takanaka um dos mais prestigiados. Acho ele fantástico, sendo inclusive um excelente guitarrista.