Mais um ano de Rock In Rio, mais um ano que acompanho tudo de casa. Na verdade, nem de casa acompanhei muito. Não é nenhum absurdo dizer que foi a edição mais desinteressante do evento. Entretanto, o festival abre sempre a oportunidade pra gente rever alguns tópicos. Vamos a algumas impressões que tive:
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Detonautas + Biquíni é uma junção do inferno hein! Que tipo de pessoa achou que esse encontro seria bacana? Nem assisti, só a descrição já me causou calafrios. Obs: curiosamente, são dois grupos que fizeram amputação em seus respectivos nomes.
- Liguei a TV e tava o
Rise Against tocando. Eles são muito eficientes em fazer punk rock esquecível. Encorpado, bem executado e sem inspiração alguma. Obs: eles enchem um Cine Joia? Bizarro eles no palco principal.
- Falar que achei bom o show da
MC Taya seria um exagero, mas gosto de como ela é afrontosa. E acho legal existirem jovens metaleiros que se identificam com sua proposta, algo que não aconteceria na minha juventude. Nesse sentido, sou um defensor do “metal mandrake”. Engraçado o guitarrista emulando o John 5 (tava até com uma Telecaster).
- Não gosto de detonar bandas do cenário alternativo brasileiro, mas achei terrível as canções do
Malvada. Todas parecem tocar muito bem, mas as músicas são péssimas. Pior ainda foi a presença da
Day Limns, essa sim sem talento algum.
- O
Sepultura é realmente um capítulo à parte, né? Historicamente desfalcados, em tour de encerramento, abrindo mão do repertório clássico e ainda assim sendo um dos fortes candidatos a grande show da edição. Uma força da natureza. Sensacional!
- Vi somente uns cortes do
Avenged Sevenfold. A impressão é que os integrantes tem vergonha do próprio repertório. Deveriam ter também da performance atual, mas no fim o dinheiro sempre fala mais alto.
- Infelizmente não consegui ver
Poppy, Bad Omens e
Bring Me The Horizon. Tinha curiosidade (mais que apreço pelos artistas).
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BaianaSystem é uma bandaça e faz grandes shows, mas não consegui embarcar nessa apresentação. Talvez não seja algo pra ver pela TV.
- O show do
Jota Quest tocando Tim Maia até poderia ser uma boa sacada, mas a falta de vigor/sangue/coração na performance das canções só revelou a destreza técnica e fria da banda. Isso me refiro ao instrumental, claro, já que o quê o Flausino tem de simpático tem de péssimo cantor.
- Eu gostei do show do
Barão Vermelho. O setlist é meio confuso dentro da proposta (formação original, mas tocando repertório dos anos 90), mas não chegou a me desagradar. Sem susto.
- Em algum outro lugar do mundo o
Black Eyed Peas conservou tanto o público quanto aqui? Chega a ser impressionante como em 2026 alguém paga caro no ingresso e sai de casa num dia chuvoso pra assistir essa porcaria.
- Podem falar o que quiser, mas para mim o show do
Roupa Nova beirou o perfeito. Até mesmo no sentido de representar a cafonice que é o Rock In Rio. Hit atrás de hit, performance excelente e, de quebra, participação do
Guilherme Arantes pra trazer um peso extra. Eu adorei.
- O
Péricles cantar o repertório da Motown é uma tremenda ideia, ainda que ele não tenha a voz que muitos imaginam que ele tem. Ao menos ele tem carisma e uma tremenda banda de apoio. Pena que ele leu 50% do tempo, sendo que em tempos de playback descarado, dá pra dar um desconto. Show ok. Se fosse o Ed Motta seria mais legal.
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Jon Batiste começou o show com presepada e eu já mudei de canal. Sem paciência pra músico talentoso que de tanto inflarem o ego agora acha que é Stevie Wonder. Não fode!
- Melhor que assistir o Jon Batiste é lavar a louça ao som do show do
Belo.
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Gilberto Gil em show seguro e sem inspiração é melhor que 90% do que rolou nesse festival.
- Não deu pra ver a
Laufey. Foi na segunda no horário da minha novela.
- A transmissão do show do
Elton John começou as 23h30, então assisti três músicas e fui dormir. Foi o suficiente pra perceber que ele tá otimo (após enfrentar problemas de saúde), que comanda o palco como poucos (e sem pirotecnias), que tem uma banda muito bacana e que faria o grande show dessa edição do Rock In Rio. Levando em conta que ele já tocou em outras edições sem causar a mesma comoção, fica exposta a fraca escalação dessa edição. Elton John não tem nada com isso e fez sua parte.
- A escalação da segunda semana tava tão fraca que não me dediquei a assistir show algum. Espiei os esquecíveis shows do enfadonho Maroon 5, da Joelma, do Criolo/Amaro/Dino e acho que só. Jamiroquai até veria, mas perdi. É isso.