Não fui no festival. Mas vi alguns shows pela TV, de forma que quero deixar registrado aqui algumas impressões que tive.
SEXTA
- Só vi a Olivia Rodrigo. Queria ter assistido o Caribou e o Dead Fish, mas acho que nem transmitiram. Adorei o show da Olivia. É jovem, rockeiro, divertido, despojado, tem boas canções (dentro do que ela se propõe), a banda (só de mulheres) é ótima (e representativa)... Falaram que faltou fôlego pra Olivia, mas acho que ela soa espontânea e energética na performance, sem grande compromisso em ser impecável (e, com isso, abrindo mão do playback). Adoraria ter assistido com minha filhinha.
SABÁDO
- Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo fez um showzão, mesmo quando tocando mal, mesmo quando aparentando certa tosquisse. É o "ruim" que dá certo. As canções são boas, a performance é espontânea e o carisma transbordante. Bem legal.
- Dá tristeza ver a Marina Lima. Mas não vou ficar batendo não, vocês já sabem os problemas.
- Todo ano surge um Benson Boone da vida né. Esse tem bom alcance vocal, braços malhados e curte dar uns mortais. As canções são qualquer coisa.
- Eu até ensaie gostar da Alanis Morissete, mas não dá. E olha que a banda dela é ótima hein. Mas a performance vocal (meio Eddie Vedder de saias), a presença de palco (pra onde ela vai que não para quieta?) e, principalmente, as canções não me pegam. Acontece.
- Shawn Mendes tem algo de John Mayer encontra o Bruce Springsteen. Isso tirando todas as coisas boas que poderia sair desse cruzamento. Ao menos ele é bonitão mesmo.
DOMINGO
- Gosto muito do Terno Rei, mas eles parecem sempre no piloto automático.
- Tinha uma imagem mais "glamorosa" do que seria a apresentação do Michael Kiwanuka. Não sei se é sempre assim, mas os arranjos soaram bem mais enxutos ao vivo, obviamente por não conter as orquestrações ali presentes (sequer em teclados ou VST). Ao menos soou organicamente competente. Fora que as canções são boas, sua voz é maravilhosa, a banda redondinha. Foi um bom show, que seria melhor ainda num espaço menor.
- Eu sei, eles são divertidos, são jovens, são latinos, a apresentação no Tiny Desk é divertida... mas acho as canções do Ca7riel & Paco Amoroso ultra genéricas.
- Um amigo veio de BH pra São Paulo pra conferir o shows do Parcels. Não conhecia, então fui conferir. Achei um porre. Groove de plástico, quase que como um Chic esbranquiçado. Performance insossa e canções sem brilho. Pela impressão que essa apresentação me deixou, não devo gostar nada dos discos.
- Não dá pra assistir Foster The People. Um dia já foram bons? Eles revezam com Cage The Elephant presença no Lolla, não? Acho mais ralo que café de orfanato.
- Tirei do Foster The People e botei no Bush, banda que nunca gostei, mas a troca foi da água pro vinho. Que bons timbres eles tiram no palco hein. Adorei os sons de guitarra e a performance segura do baterista. Vale dizer que fui fazer uma breve pesquisa sobre eles e vi que o segundo disco é produzido pelo Steve Albini. Acho que vou ter que ouvi-lo.
- O Bush gerou o Creed e o Nickelback. Mas lembrem-se, o verdadeiro culpado é o Pearl Jam (mais uma vez).
- Teve uma música ali do Bush (acho que "Swallowed") que o rapaz cantou a cappella que conseguiu deixar pior do que é. Por que fazer isso, ainda mais num festival?
- A apresentação do Tool foi COISA SÉRIA. Melhor do que eu esperava. Mesmo com aquela transmissão aberta, sem focar nos instrumentistas, ainda assim fiquei preso na apresentação. A ótima qualidade do som da transmissão ajudou. Que performances estupenda. A cozinha é perfeita, mas quem saltou aos meus ouvidos foi o Adam Jones. Timbrões, performance segura, texturas criativas... tremendo guitarrista. O Maynard também não decepcionou. Por um instante invejei quem foi (depois pensei no valor, na distância, em ficar de pé... fui dormir em paz).
- Esse batera novo do Sepultura o que tem de bom tem de sem sal né? Mas tudo bem, foi contratado no susto, foi uma bola na fogueira. É um jovem talento mesmo. De resto, apresentação mais do mesmo. Sempre foram ótimos em cima do palco. Só poderiam ter separado um tempo maior pra eles, não?
- Essa Charlotte de Witte parece ser uma ótima DJ. Não conhecia, mas adorei o que ouvi. Um techno encorpado. Vou procurar. Obrigado Justin Timberlake por não autorizar a transmissão e me permitir conhece-la.