sexta-feira, 5 de agosto de 2022

ACHADOS DA SEMANA: Gabriel Muzak, Maria Muldaur, Simone e The Dandy Warhols

Gabriel Muzak
Bossa Nômade (2003). Acho a cara do Rio de Janeiro da virada do milênio. É um rap abrasileirado, que se apropria do funk, do rock, do ragga (Jimmy Luv dá as caras em algumas faixas), do Sol, do crime, da loucura, do centro. Merece audição atenta. Vale dizer que conheci via o ótimo podcast Contemporâneos.

Maria Muldaur
Maria Muldaur (1973), disco de estreia desta cantora que hoje não desfruta de nenhum grande prestígio. É uma pérola esquecida da música popular americana, que trafega pelo soft rock e country. Não bastasse ela ser uma cantora de enorme classe e o repertório ser apaixonante, os arranjos e a gravação são não menos que “aveludados”. A ficha técnica com nomes como Clarence White, Bill Keith, Ry Cooder, David Lindley, Andrew Gold, Dr. John, Chris Ethridge, Klaus Voormann, Ray Brown, Dave Holland, Jim Keltner e Jim Gordon.é um desaforo.

Simone
Sou de uma geração que foi atormentada pela gravação de “Então É Natal” da Simone, de modo que meu desgosto pela cantora era justificado. Entretanto, passei dos 30 anos, sou pai, chegou a hora de enfrentar com seriedade essa problemática e ouvir o álbum Face A Face (1977), um dos mais prestigiados da artistas. Também pudera, visto que o repertório é absurdo, com canções assinadas por Sueli Costa, Chico Buarque, Milton Nascimento, Toninho Horta, dentre outros. “Céu de Brasília" está numa versão impecável. O time que a acompanha é uma seleção (Robertinho Silva, Noveli, Danilo Caymmi, Nelson Angelo). É verdade que é tudo tão bem arranjado que soa cafona e parnasiano, mas aposto que há um lugar no seu coração de ouvinte para tamanho bom gosto.

The Dandy Warhols
Repassei os discos mais prestigiados dessa boa banda de rock alternativo. The Dandy Warhols Come Down (1997) continua soando uma maravilha. É uma proposta entusiasmante de rock, que pega a explosão britpop do período e insere elementos de space rock e psicodelia. Isso com criatividade e até mesmo certa experimentação. Já a sequência com o Thirteen Tales From Urban Bohemia (2000) é muito mais pé no chão, calcado em canções mais convencionais, levadas ao violão, mas com momentos que decolam para viagens sônicas. Bem bacana também. Finalizando essa breve maratona, Welcome To The Monkey House (2003) me soou mais comum em termos de composição, embora tenha um direcionamento mais pop e dançante que funciona, ainda mais alimentado pela ótima produção. Resumo: grande banda.

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