sexta-feira, 22 de julho de 2022

ACHADOS DA SEMANA: Taeko Ohnuki, Hideo Shiraki, Ernest Ranglin, Joe Henderson e Linda Tillery

Lembram quando o Ed Motta fez uma live de mil horas enchendo a cara de vinho e falando abobrinha? Pois é, no meio disso tudo (que eu confesso não ter visto ⅓), ele recomendou discos que fui anotando e só agora consegui ouvir. Seguem minhas impressões. Um “Achados da Semana” especial “prediletos do Ed Motta”.

Taeko Ohnuki
Sunshower (1977). Álbum de city pop preferido do Ed Motta. E é uma maravilha mesmo. Captação e execução cristalina em canções não menos que carismáticas. Vale dizer que os soberbos arranjos e teclados ficaram a cargo do genial Ryuichi Sakamoto. Solar, colorido, pop, arrojado… não por acaso esse gênero teve um hype recentemente.
Obs: Atenção para o impressionante solo de guitarra em “Nani Mo Irani”.

Hideo Shiraki
In Fiesta (1961). Falando em Japão, eis um clássico cult do jazz japonês, gênero que no país se desenvolveu com características particulares. Além da utilização de alguns instrumentos e melodias típicas do país, é possível reparar uma forma mais “quadrada”, mais metódica, tanto nas composições e arranjos, quanto na interação dos instrumentistas. Compreendido isso, não chega a ser um problema, visto que a qualidade musical é gritante, com destaque para a performance do bandleader, o baterista Hideo Shiraki.

Ernest Ranglin
Guitar In Ernest (1965). Sequer conhecia esse guitarrista jamaicano, mas fiquei surpreso com sua versatilidade. Ele é capaz de swingar e soltar frases velozes num único compasso. A banda que o acompanha, formado por músicos que também nunca tinha ouvido falar, é de uma destreza técnica impressionante. Todos transparecem interação faiscante neste magnífico disco de jazz.

Joe Henderson
Para muitos Joe Henderson é um dos maiores nomes do sax tenor. Escutando o disco Inner Urge (1966) fica impossível ir contra essa opinião. Seu estilo é fluido, provocativo e obscuro. Atenção para as presenças do Elvin Jones (bateria) e McCoy Tyner (piano). Com todos esses fatores, comparações com o John Coltrane podem parecer historicamente injustas, mas musicalmente não é tão discrepante assim. Tem que conhecer!

Linda Tillery
Linda Tillery (1977). Disco predileto do Ed que saiu pela Olivia Records, selo que continha apenas mulheres envolvidas na produção (os identitários tinham que esquecer a Luísa Sonza e prestar atenção nisso). Linda Tillery demonstra neste álbum ser uma espetacular compositora, cantora e baterista. Uma pérola perdida no tempo.

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