domingo, 12 de junho de 2022

TEM QUE OUVIR: Steve Reich - Music For 18 Musicians (1978)

Quando o assunto é música erudita contemporânea, Steve Reich é dos principais nomes a ser analisado. Não que sua obra seja facilmente assimilável - neste território, a arte de ninguém é -, mas ela alcançou notável projeção, com desataque para a peça Music For 18 Musicians (1978), lançada pela ECM e posteriormente citada como referência para bandas/artistas variados como David Bowie, King Crimson, Radiohead, Brian Eno, GY!BE, dentre outros.

Honestamente tenho dificuldade de descrever a forma da composição. Ao que consta ela explora um ciclo de 11 acordes, retornando ao ponto inicial a cada final. Esses ciclos são construídos gradativamente por diferentes combinações de instrumentos, gerando novos timbres, tessituras, ritmos e harmonias dependendo do ponto que cada um se encontra. Confuso.

Embora essa forma metódica de composição seja elemento central da obra, sua apreciação pode se dar de maneira muito mais espontânea. Ao invés de tentar entender o calculo por trás do trabalho, é recomendável perceber o valor hipnótico que ele causa.

Os instrumentos que servem de degraus nesta escada rolante circular são violino, violoncelo, piano, marimba, maraca, xilofone, metalofone, clarinete, clarinete baixo e vozes femininas. Não necessariamente nesta ordem ou combinação. Essa emaranhado gera complexas harmonias e texturas que tem um enorme e perceptível valor psicoacústico. Tal efeito repetitivo fez desta obra um marco da música minimalista.

Um dos momentos mais desafiadores da música do século XX.

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