O Humble Pie foi formado pelo majestoso Steve Marriott após dissolução do Small Faces. Para isso ele contou com a presença do jovem baterista Jerry Shirley, do baixista Greg Ridley (ex-Spooky Tooth) e de um tal de Peter Frampton nas guitarras, que anos depois viria a fazer enorme sucesso em carreira solo. Eis um dos quartetos mais imponentes do rock.
Esse álbum foi gravado logo após o lançamento do Rock On (1971), o quarto disco do grupo e possivelmente o mais prestigiado de estúdio, sendo que ao vivo a coisa crescia vertiginosamente. Basta conferir aqui.
O começo do espetáculo com "Four Day Creep" é uma patada na cara. É possível perceber o quão volumosa era a banda em cima do palco. Uma aula de como tocar rock n' roll, principalmente no que diz respeito as guitarras.
Dá pra sentir o calor da plateia do lendário Fillmore East sendo emanado para o palco em "I'm Ready", extraindo do Marriott uma performance cheia de sussurro, berros e suor. Adoro como a captação soa orgânica.
Em "Stone Cold Fever" fica nítida não somente a força braçal da banda, mas também sua eficiência técnica. Todos parecem voar em seus respectivos instrumentos. Tem peso, groove, bluesy, espontaneidade e criatividade. É tudo que o Black Crowes quis ser um dia.
Se esse inicio arrebatador não deixa pedra sob pedra, o desenrolar do show alcança tom épico. A começar pela longuíssima "I Walk On Guilded Splinters" (Dr. John), que parece juntar numa banda só o que havia de mais colossal no Led Zeppelin e na Allman Brothers Band. Acomode-se na poltrona, abra uma bebida e se deixe levar pelos solos, alternância de dinâmica, conduções... É uma maravilha.
Se por todo o disco a influência da música negra transparece, em "Rollin' Stone" (Muddy Waters) a referência blues é óbvia. Impressiona o gogó do Steve Marriott, não por acaso lembrado como um dos brancos com a voz mais negra. Exagero? Não lutarei contra a fama. Obs: Peter Frampton manda um "Brasileirinho" no começo do seu solo?
No final disso tudo ainda há tempo para a divertida (baita riff legal!) "Hallelujah (I Love Her So)" e "I Don't Need No Doctor", composição que ganhou nova vida via as oito mãos do Humble Pie.
Artistas e público presos neste tipo de som estão fadados a perderem o que de melhor é produzido na atualidade. Dito isso, não seja você o "jovem atento" que ignora os acertos do passado, tratando tudo como "dad rock", caso contrário, corre-se o risco de você afundar na areia movediça da contemporaneidade. Seja como o Humble Pie, encontre o balanço.

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