Embora exista um inconsciente coletivo de que o jazz se restrinja a uma sonoridade especifica produzida no passado - principalmente do final dos anos 40 até meados da década de 1960, indiscutivelmente o auge do gênero, independente de suas subdivisões -, o estilo vive em constante mutação. Mesmo quando não está na crista da onda em termos de popularidade, ele trilha caminhos que saltam aos ouvidos por conta da proficiência dos instrumentistas. É o caso da estreia do Chick Corea com sua influente Elektric Band.
Lançado em 1986, o álbum involuntariamente remete ao Return To Forever, grupo que o Chick Corea encabeçou na década de 1970 no auge do jazz-rock. Só que aqui o jazz-rock vira fusion, capturando nuances estilísticas e timbrísticas ainda mais diversas e “modernas”. Se comparado ao grupo do passado perde-se espontaneidade, ganha-se meticulosidade técnica. Por contar com músicos ainda jovens na cena jazzistica (embora indiscutivelmente brilhantes), há uma carga de inquietude na execução das faixas.
"Rumble" chega com timbres sintetizados tão comuns à época elevados ao limite da tecnologia. Não somente o Chick Corea explora os sintetizadores com muita sabedoria, mas também o baterista Dave Weckl, que preenche todos os espaços possíveis com frases percussivas arrojadas.
Enquanto "Side Walk" é guiada por um riff rockeiro, "Cool Weasel Boogie" é muito mais hermética em sua roupagem/groove/cafonísse AOR, sem nunca abrir mão de passagens inspiradas e virtuosas de todos os instrumentistas.
Falando neles, não há como deixar de mencionar o estupendo John Patitucci, que dilacera seu contrabaixo de seis cordas no walking bass pesado de "Got A Match?", com direito a um solo de fluxo impressionante. Isso tudo enquanto o Weckl distribui um groove arrebator em dinâmica levíssima.
Já o guitarrista Scott Henderson passeia pelo seu fraseado rebuscado em "King Cockroach", enquanto "Silver Temple" é muito mais inclusiva ao proporcionar igualdade de brilhantismo a todos os envolvidos.
Há ainda no disco a latinidade de "Elektric City" e as experiências étnicas-eletrônicas de "No Zone" e "India Town".
Embora muitos considerem a sonoridade do álbum pasteurizada e/ou virtuosa demais, não se deixe enganar pela mediocridade. Aqui está algumas das mais impressionantes e influentes performances instrumentais da música moderna.

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