O disco começa com "Tom Sawyer", possivelmente a mais famosa música do grupo. Aqui fica evidente a importância dos teclados na sonoridade da banda neste período. Geddy Lee se desdobra ao tocar diversos sintetizadores, dentre eles Minimoog, Moog Taurus e Oberheim. O poderoso riff de Alex Lifeson e as inacreditáveis viradas de Neil Peart comprovam que virtuosismo pode ser radiofônico.
O timbre de guitarra carregado de chorus, os harmônicos bem aplicados na introdução e o peculiar solo do Alex Lifeson em "Red Barchetta" revelam um dos guitarristas mais subestimados do rock.
"YYZ" é a prova definitiva de que música instrumental pode ser cativante quando se tem ótimo riff, boas melodias e solos substanciosos. A cozinha formada por Geddy e Neil deixa os ouvintes incrédulos com passagens intrincadas num groove potente. Um fato curioso é que o ritmo da introdução representa o nome da música em código morse.
"Limelight" é a faixa mais tranquila em termos de virtuosismo, mas nem por isso deixa de ser cativante. O excelente riff é o prefácio de uma canção pegajosa e de ótimo refrão, além de conter um dos melhores solos do Alex Lifeson. Sua letra retrata a distância do grupo com relação as superficialidades do mundo da fama.
Como em todo bom disco de rock progressivo existe ao menos uma faixa longa, "The Camera Eye" vem para saciar essa sede por passagens épicas e convenções complexas. Os timbres dos sintetizadores são maravilhosos, assim como as frases de baixo. Umas das melhores atuações de Geddy Lee.
A obscura "Witch Hunt" tem exuberante performance do Neil Peart, em alguns momentos mais tribais, em outros extremamente modernos.
O disco termina com a influência nítida de Police na espetacular "Vital Signs", um "reggae" futurista e peculiar.
Tive o prazer de assistir esse disco sendo tocado na íntegra pelo Rush na última passagem da banda pelo Brasil, fato que só ajudou a acentuar em mim a excelência do trabalho. Uma obra-prima que resultou num disco de platina quadruplo. Nada mal para três geeks canadenses.

Moving pictures realmente é lindo! um dos melhores albuns que ja ouvi na vida.
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