sexta-feira, 18 de agosto de 2017

ACHADOS DA SEMANA: David Helfgott, Buzzov•en, Jorge Antunes e Daryl Hall

DAVID HELFGOTT
Assisti essa semana um documentário sobre esse brilhante pianista. Apesar de especialista em interpretações da Era Romântica, muito me chamou atenção o desprendimento que ele tem com as obras, chegando até mesmo a improvisar. Um profunda incursão da Música Erudita com o Jazz. Fora que ele parece ser uma pessoa adorável.

BUZZOV•EN
Sore (1994), clássico do Sludge. É chute na bunda!

JORGE ANTUNES
Li muitas matérias essa semana sobre o disco desse artista ser o primeiro de música eletrônica brasileira. Experimental até o osso, mas muito interessante.

DARYL HALL
Secred Songs (1980), disco do Daryl Hall com produção do Robert Fripp. Diante dessa informação não pude deixar de ouvir. É muito bom!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

TEM QUE OUVIR: Milton Nascimento - Minas (1975)

Quando se fala em Milton Nascimento, muitos lembram com adoração do clássico Clube da Esquina (1972), disco que envolveu uma série de músicos talentosos mineiros, mas que tem seus méritos em grande parte atribuídos ao Bituca. Todavia, sua discografia solo, mais especificamente na década de 1970, guarda outras pérolas preciosas envolvendo tais parcerias. A maior delas talvez seja Minas (1975).


De capa linda, o álbum é a primeira parte de um contexto que seria completado no ano seguinte com o também majestoso Geraes (1976).

Filho da escola sonora mineira, Milton se envolve tanto com a mais tradicional música brasileira - com direito a elementos do barroco mineiro -, até o genuíno Rock Progressivo brasileiro. Um dos melhores exemplos dessa combinação se dá na inacreditável "Gran Circo", com direito a bateria virtuosa de Paulinho Braga. 

Se "Minas" evidencia a fantástica tecitura vocal de Milton e adorável melodias, a progressiva "Fé Cega, Faca Molada" é um trabalho muito mais de conjunto, com destaque para o vocal tão adorável quanto de taquara rachada do Beto Guedes e o baixo imponente de Novelli.

A harmonia sofisticada de "Beijo Partido" tem as mãos do genial Toninho Horta. Seu clima bucólico é de introspecção poética delirante. Já a letra de Fernando Brant recebe a ambientação instrumental construída com refinamento em "Saudade Dos Aviões Da Panair". É um espetáculo de arranjo!

Entre outros destaques é preciso citar também "Ponto de Areia", um dos momentos mais elevados da melodia mundial. Injusto seria também não citar a produção do Ronaldo Bastos e o piano Wagner Tiso, que fala alto na épica/experimental "Trastevere". E atente-se também ao arranjo orquestrado/progressivo de "Idolatrada/Paula E Beto".

Clássico absoluto, que evidencia não só a profundeza estética da música brasileira, mas também traz uma invejável saudade das grandes gravadoras, que por mais sacanas que fossem, investiam seu dinheiro em trabalhos de brilhantismo sonoro sem o qual jamais poderiam existir.

MINHA NAMORADA E MEUS DISCOS MERDA: Pérola Negra, de Luiz Melodia

Com o recém falecimento do Luiz Melodia, foi inevitável não reouvir diversas vezes o maravilhoso Pérola Negra, disco de estreia do cantor/compositor carioca. Por ser um dos meus álbuns prediletos da Música Brasileira, achei que a Re também ia gostar (e tem como não?).

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por Rena Alves, do Maria D'escrita

Dias atrás o Ju pediu que eu analisasse um clássico que, por mais que eu já tivesse ouvido falar, nunca tinha escutado. Tratava-se de Pérola Negra, álbum do Luiz Melodia.

Admito que demorei alguns dias pelo medo de cometer gafes, pois sei da importância do artista e de sua obra. Lembrei das músicas que já escutado do Luiz Melodia e o medo passou.

Antes das músicas, queria dizer que a capa me chamou tremenda atenção. Achei linda!

O disco começa com “Estácio, Eu e Você”, que eu já conhecia. Sempre achei fofa, sempre cantarolei somente o refrão. Gostosinha.

“Vale Quanto Pesa” começa e me encanta mais, não sei dizer o porquê, mas o gingado é algo que eu ouviria por dias sem parar.

“Estácio, Holly Estácio” é triste, do tipo de música que acho bonita, mas dificilmente me apego. Infelizmente com ela não foi diferente. Com certeza o problema não está na música, que tem uma letra linda, e nem no Estácio, lugar que não conheço, mas que despertou curiosidade durante a música. O problema está nos meus gostos mesmo.

“Pra Aquietar” confirma algo que já pensava há alguns minutos. Luiz Melodia pode ter muitas influências, as quais desconheço, mas já ouvi muito por aí que se espelha nesse ritmo dele. É um rockinho anos 70, né?

De maneira estranha, “Abundantemente Morte” ganha minha atenção e eu me encanto com o canto falado sobre a morte que chamamos de vida.

Ahhh, essa música eu conheço! Linda, incrível. “Pérola Negra” deve ser a mais famosa música do Luiz Melodia. Me abstenho dos comentários.

Quando li “Magrelinha” não tinha ideia de que música se tratava, acontece que na primeira frase eu já me senti familiarizada. Já sentiram algo bom ao ouvir uma música? Claro que já! Essa sou eu escutando “Magrelinha” e sabendo que ela é ela.

“Farrapo Humano” é maneira, animadinha, mas não se destacou, para mim.

Adorei “Objeto H”, que música gostosa de se ouvir. E amei a frase “um dia volto e digo você não foi comigo porque não leu o meu signo”. Engraçadinha.

Para finalizar o disco “Forró de Janeiro” chega trazendo alegria. Parece que já ouvi a música antes, mas não tenho certeza. Um belo forró para um belo disco. Não acho que haveria melhor maneira de terminar.

Falando em terminar, me despeço com alegria. Luiz Melodia salvou minha quarta e talvez muito mais.

Nota: 10

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

ACHADOS DA SEMANA: Darkthrone, The Golden Palominos, Rio 65 Trio e Glen Campbell

DARKTHRONE
Devo confessar que nunca tinha escutado o cultuado A Blaze In The Northen Sky (1992), que muitos dizem ser o primeiro autentico disco de Black Metal norueguês. 10 anos atrás eu teria achada engraçado, 5 anos atrás piada e hoje acho um bom e influente disco dentro da proposta.


THE GOLDEN PALOMINOS
Segue a ficha técnica de quem participa do disco de estreia desse grupo: Fred Frith, Bill Laswell, Arto Lindsay, John Zorn, dentre outros. Impossível não despertar a curiosidade.

RIO 65 TRIO
Um ambiente pouco explorado por mim é o do Samba Jazz. Aqui foi mais uma tentativa. Gostei muito. Aos poucos eu chego lá.

GLEN CAMPBELL
Com sua recém morte, é inevitável não ir trás de seus videos debulhando na guitarra.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

TEM QUE OUVIR: Aphrodite's Child - 666 (1972)

Eleger a melhor Ópera Rock é sempre pauta entre os que gostam de Rock. Ainda que o resultado fique sempre entre clássicos do The Who e Pink Floyd, uma banda grega conseguiu com seu derradeiro trabalho um culto entre nomes como Julian Cope, integrantes do Yes e até mesmo o Salvador Dali. Me refiro ao espetacular 666 (1971) do Aphrodite's Child.


Liderado pelo vocalista Demis Roussos e com trabalho celestial do multi-instrumentista Vangelis Papathanassiou, o grupo faz uma adaptação para o Apocalipse de João. Tal empreitada durou mais de 18 meses em estúdio e rendeu esse álbum duplo.

Se o começo com "Babylon" é empolgante (ótima linha de baixo!), a coisa só se agrava na espetacular "The Four Horsemen", dona de vocais singulares e a grandiosa bateria de Loukas Sideras.

A instrumental "The Lamb" é um ode progressivo sem comparativo. O mesmo vale para a linda "Aegian Sea", de profundidade sonora enlouquecedora, além de belíssimo solo com doses de psicodelia .

No segundo disco, o delírio de "Altamont" é condizente com a época. Já a paranoica "The Wedding Of The Lamb" é o que aconteceria se a cena Krautrock fosse grega. 

Não da pra passar indiferente pelo orgasmo da atriz Irene Papas em "", de deixa Jane Birkin assustada. Tudo para desaguar no épico cacofônico "All The Seats Were Occupied". Para finalizar solenemente, a balada "Break".

O sui generis disco é hoje um clássico, sendo considerado pela revista Record Collector o melhor do selo Vertigo. Verdade ou não, eis o juízo final definitivo da história música.

Reflexões pós show do Joe Satriani

Fim de semana tive a oportunidade de assistir a um show do Joe Satriani. Minha última vez tinha sido há mais de 10 anos. Confesso que nem pretendia ver mais seus shows, mas não por ter deixado de admira-lo, só não é mais o tipo de som que me interessa. Felizmente, um evento gratuito (Samsung Blues Festival), num dia e local agradáveis (Parque do Ibirapuera) e até mesmo com um bom show de abertura (Artur Menezes), mudou meu trajeto.

Ao final do show fiquei com algumas reflexões sem propósito e que pouco interessam às outras pessoas, mas que ainda sim vou compartilhar aqui:


O Satriani é inegavelmente um guitarrista talentoso. E isso não tem a ver com sua técnica, que por sinal, está bastante defasada se comparada aos virtuoses atuais do instrumento (Tosin Abasi, por exemplo). A grande qualidade do Satriani é ter identidade sonora. Bote neste pacote seu fraseado, timbres, técnicas características, approach melódico e, claro, composicional.

Que outro guitarrista de Rock instrumental tem em seu repertório músicas tão legais quanto "Summer Song", "Satch Boogie", "Flying In A Blue Dream" e "Surfing With The Alien"? E isso não é mera opinião de um guitarrista ruim, caso contrário ele não teria vendidos tantos discos, inclusive para o público "não instrumentista". O grande mérito dessas composições é o apelo melódico dos temas.

Ressaltada a grande qualidade melódica do Satriani, é interessante também observar que ele caiu num território onde nem sempre é possível acertar, vide o tema da fraquíssima "If I Could Fly", não por acaso plagiada pelo também fraquíssimo Coldplay. Ao tentar apresentar o que se espera dele, o Satriani vem errando feio. Afinal, sejamos honestos, qual foi o seu último grande disco? Chuto o homônimo Joe Satriani de 1995.

Pensando nisso, lembrei que, entre guitarristas, é comum alguém dizer que o Yngwie Malmsteen virou um cópia de si mesmo (o que não deixa de ser verdade), mas por que o mesmo não é dito sobre o Satriani? E digo mais, por que não é dito sobre 95% dos grandes guitarrista? Do jeito que falam do Malmsteen, parece que todos mantém a inventividade de um Jeff Beck. Mas a verdade é que, assim como acontece com tantos outros grandes instrumentistas, nada que o Satriani faz hoje é novidade ou ousadia. Mas aí também já é esperar muito.

Até porque, embora seu possível comodismo seja facilmente perceptível - e até mesmo retroalimentado em seus influenciados -, é interessante observar como a música dele ainda faz uso de elementos poucos inseridos na música POP. Por exemplo: por mais associado ao virtuosismo que ele seja, não é interessante como ele faz uso de cacofonias "toscas" (no bom sentido)? Harmônicos ensurdecedores, alavancadas estridentes, padrões de intervalos geométricos dissonantes, dentre outros truques que ressaltam o barulho, estão no seu repertório de ideias sonoras, embora isso pouca chame atenção dos seus fãs. Tamanho é o uso que ele faz desses recursos que, em determinado momento do show, até lembrei do Sonic Youth. Talvez tenha sido uma divagação da percepção minha.

Já sobre sua banda de apoio, por mais que tenha músicos inegavelmente talentosos/virtuoses, vide o Mike Keneally (guitarra e teclados), Marco Minnemann (bateria), Bryan Beller (baixo) - sendo os dois últimos integrantes do espetacular The Aristocrats -, confesso que prefiro a banda anterior do Satriani, formada pelo eficiente Jeff Campitelli (bateria) e o monstro Dave LaRue (baixo).

O enorme timbre de baixo do Bryan somado ao bumbo com pouco kick, virou uma massa de graves que atropelou a guitarra do Satriani em muitos momentos (nada que alguns cortes de frequência e melhor uso do compressor não resolveria, o que levanta a dúvida sobre a acústica desfavorável do local ou até mesmo da minha posição). Fora que até mesmo a guitarra do Mike Keneally estava mais alta que a do bandleader. Sem contar que eu não engoli aquele timbre de caixa do Marco Minnemann. Mas aí são detalhes técnicos e de preferências que não tiram os acertos do evento e, muito menos, do cultuado guitarrista.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

NOS 75 ANOS DO CAETANO VELOSO, MINHAS MÚSICAS PREDILETAS DO ARTISTAS

Post dessa semana no Maria D'escrita

Poucos meses atrás, fiz um post sobre o Gilberto Gil no aniversário dele. Hoje decidi fazer sobre o Caetano no mesmo molde. Todavia, como o Caetano errou menos, vão ter mais músicas. Fechei em 22 porque não consegui eliminar nenhuma das selecionadas.

Lembrando que a lista não se trata das "melhores" ou mais importantes canções do compositor baiano, mas sim das minhas prediletas.


01 - Tropicália
"Eu organizo o movimento" é uma das frases que melhor explica a música brasileira. Fora todo o instrumental cheio de fusões incomuns para a época. A vanguarda chega na música popular brasileira.

02 - Lost In The Paradise
O arranjo do Duprat, o clima hippie... gosto muito!

03 - Não Identificado
Uma das melodias mais bonitas do Caetano, recortada pela guitarra espetacular do Lanny Gordin. O refrão de intensidade absoluta que se contrapõem a delicadeza dos versos é tudo que o Pixies queria ter feito (e fez).

04 - Acrilirico
Um trabalho mais do Rogério Duprat que do Caetano. Não que a letra (bastante inspirada pela poesia concreta, por sinal) não seja ótima, mas é o arranjo cheio de colagens sobrepostas e a orquestração inicial soberba que saltam aos meus ouvidos.

05 - You Don't Know Me
Poucos discos brasileiro tem abertura melhor que o Transa (1972) - o tal álbum londrino do Caetano -, guiado pelo clima sexualmente vagaroso de "You Don't Know Me". Adoro o clima espontâneo da gravação.

06 - Qualquer Coisa
Uma letra que não diz nada com nada, mas que vale pela poética sonora das palavras encaixada em ótima melodia.

07 - Um Índio
Adoro a letra, simples assim.

08 - Sampa
Carne de vaca, mas tão bem escrita que não consegui deixar de fora.

09 - Outras Palavras
Encaixar uma letra tão inventiva num arranjo tão POP é para poucos. Sem contar que tem aquele vibrato vocal tão legal e característico do Caetano.

10 - Rapte-me, Camaleoa
A Maria Gadú quase conseguiu estragar minha relação com a canção, mas basta ouvir o baixo (Arnaldo Brandão) e a craviola (Perinho Santana) da versão original que volto a adorar a música. A Outra Banda da Terra é foda!

11 - Ele Me Deu Um Beijo Na Boca
Sete minutos de loucura POP.

12 - Uns
Adoro a letra, simples assim. [2]

13 - Eclipse Oculto
Seria sua melhor canção POP? É possível. Alto astral total.

14 - O Quereres
Adoro a letra, simples assim. [3] E o baixo também (Arnaldo Brandão).

15 - Língua
É um tanto quanto cafona, mas quando ouvi pela primeira vez impressionou de cara.

16 - Eu Sou Neguinha?
Um dos raros exemplos de Reggae interessante feito no Brasil.

17 - O Estrangeiro
O arranjo, a letra... acho tudo muito maluco.

18 - Circulado de Fulo
Um ótimo exemplo da influência moura na música nordestina. Adoro a melodia (e a letra).

19 - Ela Ela
Experimento poético e vocal somado as barulheiras guitarristicas do Arto Lindsay. Interessante pensar que o Caetano talvez tenha sido o artista brasileiro que melhor tenha entendido o Sonic Youth.

20 - Santa Clara Padroeira da Televisão
Mais uma letra excelente em um instrumental de clima envolvente. Adoro os violões.

21 - O Cu do Mundo
Vou evitar elogiar a letra e destacar o baixo do Tavinho Fialho e a guitarra do Arto Lindsay. Como curiosidade, tem participação tanto da Gal Costa como do Gilberto Gil.

22 - Outro
Poderia colocar várias do (2006), mas deixo essa como a melhor e mais representativa do Caetano do século XXI, o Caetano modernoso, Indie e, de certa forma, rockeiro.