quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

TEM QUE OUVIR: Neurosis - Through Silver In Blood (1996)

Tempos atrás eu li o excelente livro Nós Somos A Tempestade - Conversas Sobre O Metal Alternativo Dos EUA, do Luiz Mazetto. Entre bate-papo com integrantes do Eyehategod, Buzzoven, Isis, Mastodon, Baroness, Converge, The Dillinger Escape Plan, Down, dentre outras excelentes bandas, um disco parecia ser unanimidade. Me refiro ao Through Silver In Blood (1996) do Neurosis.


O que difere o Neurosis de outras bandas de Heavy Metal é a densidade paranóica de suas canções. Veja por exemplo a faixa "Though Silver In Blood", que cresce a partir de ritmos tribais e melodia misteriosa, culminando numa explosão densa de riffs fantasmagóricos e vocais desesperados.

Faixas como "Purify" e "Enclosure In Flame" mais parecem épicos vindos não do inferno, mas sim do núcleo terrestre, tamanha é a força abrasiva das composições/execução.

A força de "Eye" chega até mesmo a nos fazer duvidar da inventividade/agressividade do Sepultura. Já "Locust Star" se apresenta através de seu clipe como um cartão de visitas para o som claustrofóbico do grupo.

Esse é o primeiro disco do grupo a contar com as ambientações ruidosas do Noah Landis, que somada aos riffs doentios de Scott Kelly e Steve Von Till, criam o clima esquizofrênico de faixas como "Aeon".

Lembrando que todo esse peso troglodita e imundo é resultado também da produção do grande Billy Anderson. Eis o guia definitivo do Post-Metal/Sludge.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

RETROSPECTIVA 2017: Bandas que voltaram / Bandas que acabaram

Assim como faço todo mês de dezembro, chegou a hora da retrospectiva do ano. Aguardem posts sobre os grandes lançamentos (e relançamentos), as decepções, as músicas que não podem passar despercebidas, os melhores shows vistos por mim, além de uma pequena homenagem aos ídolos da música que se foram.

Mas hoje falarei sobre as bandas que voltaram e as que encerraram as atividades. Sem mais delongas, vamos a elas!

BANDAS QUE VOLTARAM
Helloween
Goste ou não (no meu caso é não), é a banda mais importante do Power Metal/Metal Melódico. Eles saíram em tour com integrantes de todas as formações. Para quem é fã, deve ser legal ver Kai Hansen, Michael Kiske, Michael Weikath, Andi Deris... todos no mesmo palco. 

Barão Vermelho
Voltaram, mas sem o Frejat (o rapaz do Suricato entrou no lugar dele). Passou pouco mais de um mês e o Rodrigo Santos já saiu fora. Ficou meio vergonhoso.

The Shaggs
Aquela que já foi considera a pior banda do mundo, que de tão ruim tornou-se cult, volta para algumas apresentações em um festival com curadoria do Wilco. Achei divertido.

Jawbreaker
Reunião de uma das mais importantes bandas do EMO noventista. Acho maneiro que aconteça. [1]

Cap'N Jazz
Reunião de uma das mais importantes bandas do EMO noventista. Acho maneiro que aconteça. [2]

The Jesus Lizard
Caramba, tá aí um show que eu gostaria ver! Bandaça!

Não importa: Tribalistas

BANDAS QUE ACABARAM
Black Sabbath
Após uma bem sucedida volta, está tudo devidamente encerrado justamente onde começou. Foi ótimo. Obrigado.

The Dillinger Escape Plan
Após anos de sons violentos e shows nos mais diversos buracos ao redor do mundo, chegou a hora de dar um tempo (acredito que um dia voltam).

Disclosure
Anunciaram um hiato. Chuto dois anos para voltarem.

Patrulha do Espaço
A idade chegou para o Roland Castello Junior. Fizeram história e saíram de cena sem nenhuma atenção da grande mídia. Eis o Rock Nacional.

Não importa: Strike, NX Zero, O Rappa e Tihuanna

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

ACHADOS DA SEMANA: Léo Ferré, Sarah Vaughan e Superchunk

LÉO FERRÉ
Devo confessar que cheguei ao artista devido o conteúdo anarquista de suas letras, mas fui surpreendido mesmo pelo instrumental excelentes das suas composições.

SARAH VAUGHAN
Estava escutando o disco Sassy Swing The Tivoli contendo uma gravação ao vivo da Sarah Vaughan em 1963 e cheguei a conclusão que entre tantas cantoras americanas de Jazz, Vaughan foi a que possivelmente mais influenciou as brasileiras. Elis Regina deve ter escutado muito.

SUPERCHUNK
Disco Come Pick Me Up (1999), mas uma pérola do Rock Alternativo noventista.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

TEM QUE OUVIR: Banda Black Rio - Maria Fumaça (1977)

Quando se pensa na música em 1977, logo o Punk Rock vem a mente. Mas no Brasil, o som dos Ramones e Sex Pistols demoraria ainda alguns anos para dar frutos. Por outro lado, a Black Music brasileira vivia seu auge.


Tim Maia, Hyldon, Cassiano, Toni Tornado e Gerson King Combo já haviam começado a escrever a cartilha do Funk e da Soul Music nacional, mas foi em meado da década de 1970, paralelo a Disco Music que eclodia nos EUA, que a Banda Black Rio consolidou a música negra no Brasil, principalmente após o lançamento do clássico Maria Fumaça, o primeiro a ser produzido pelo depois guru do POP Rock oitentista, Liminha.

Formado por nomes como Oberdan Magalhães (saxofone) e Barrosinho (trompete) - ambos recém saídos do grupo Abolição, que gravou com o Dom Salvador o cultuado Som, Sangue e Raça (1971) - além do excepcional Jamil Joanes (baixo), o grupo produziu o disco instrumental mais dançante do Brasil.

Logo de cara, o groove contagiante de "Maria Fumaça" traz uma brasilidade, oriunda da gafieira carioca, nunca antes vista no Funk (e eu não estou esquecendo do Jorge Ben).

O ritmo desconcertante de "Na Baixa Do Sapateiro" comprova a qualidade técnica de todo o grupo. Todavia, no tema de "Mr. Funky Samba" é o baixo tão grooveado quanto melódico do Jamil Joanes que rouba a cena.

A banda mostra que também sabia interpretar canções de outros autores, vide as estonteantes "Baião"(Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) e "Casa Forte" (Edu Lobo).

Após o sucesso deste disco, o grupo ainda gravou o também ótimo Saci Pererê (1980) e acompanhou nomes como Caetano Veloso e Raul Seixas. Hoje o som da Banda Black Rio sobrevive nas histórias dos bailes que promovia, mas principalmente através deste álbum, constantemente citado entre os prediletos de caras como Mano Brown e Ed Motta, além de sampleado internacionalmente.

ACHADOS DA SEMANA: John Oswald, Jon Hendricks e Charles Manson

JOHN OSWALD
Você já ouviu falar de um "gênero musical" chamado Plunderphonics? Pois é, eu até então também não! É tudo fruto da cabeça desse John Oswald e trata-se de amontoado de recorte de canções sobrepostas formando novas composições. É mais interessante e divertido do que propriamente bom.

JON HENDRICKS
Li um texto emocionante do Caetano Veloso sobre o disco Salud! (1963) que o recém falecido Jon Hendricks gravou em homenagem ao João Gilberto. Embora até então não conhecesse o trabalho, devo confessar que foi uma das melhores interpretações da Bossa Nova feita por um gringo que eu já ouvi. Belo álbum.

CHARLES MANSON
O cara morreu, então sem qualquer juízo de valor pessoal peguei suas músicas para ouvir. Não é grande coisa. Vale só pela curiosidade. O Guns N' Roses gravou essa música abaixo:

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

TEM QUE OUVIR: Magma - Mëkanïk Dëstruktïẁ Kömmandöh (1973)

Uma das razões para apreciação de uma obra artística é a de valorização dos sentidos. E não digo isso em tom blasé, mas como questão fundamental. É justamente isso que oferece o grupo francês Magma, que em 1973 apresentou seu cultuado Mëkanik Dëstruktïw Kömmandöh, obra de características singulares.


Apresentado inicialmente como uma banda de Rock Progressivo, o Magma pouco lembra os artistas contemporâneos do estilo. Embora traga guitarras, baixos e bateria em sua formação, a instrumentação faz uso de elementos sinfônicos, que somado a flautas, clarinetes e pianos, muito se aproxima da música erudita. As vozes grandiosas e dramáticas arranjados em coro, muito contribuem para isso. Todas essas características são justificas na influência do compositor Carl Orff em todo o disco, com destaque para "De Zeuhl Wortz Mekanik". Já na última faixa ("Kreuhn Kohrmahn Iss De Hundin"), é possível sentir toques à la Coltrane.

Por trazer na liderança o baterista Christian Vander, o grupo tem um aprimoramento rítmico impressionante. Isso sem abrir mão de melodias sofisticadas, dinâmica variada e elementos sonoros que mais parecem querer construir uma imaginário delirante do que trabalhar o simples formato canção. Tais peculiaridades estéticas enquadram o grupo numa subdivisão do Rock Progressivo chamada Zeuhl.

Todavia, dentre tantas características, a mais diferente se dá no conceito, já que o grupo canta num dialeto próprio, nomeado kobaïan, oriundo do planeta fictício Kobaïa. A trajetória toda do grupo se deu através dessa língua, que somada ao som sui generis, faz com que a banda pareça realmente interplanetária. Talvez seja. Escute o disco e tire sua conclusão.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

ACHADOS DA SEMANA: Annette Peacock, Carlos Dafé e Michael Stanley Band

ANNETTE PEACOCK
Fiquei sabendo que essa cultuada artista nova-iorquina fez recentemente um show no SESC. Não conhecia e não fui no show, mas salvei o disco X-Dream (1978) para ouvir. Logo de cara a sonoridade da banda de apoio já me chamou atenção. Fui ver quem tocava no disco e me deparei como nomes como Mick Ronson, Chris Spedding, Bill Bruford e John Halsey. É espetacular!

CARLOS DAFÉ
Através de um comentário do Biofá (do canal Alta Fidelidade), cheguei a esse disco de estreia do Carlos Dafé. Minhas impressões honestamente passaram longe dos elogios que ele fez, mas é um bom trabalho da Black Music brasileira.

MICHAEL STANLEY BAND
O Régis Tadeu postou a capa deste disco (North Coast - 1981) no seu instagram e citou como um grande disco de Power POP. Já que adoro Bis Star e Cheap Trick, mas não conheço outros grupos do estilo, dei uma chance. Passa longe das bandas que citei, soando muito mais pasteurizada. Alias, tá mais pra Heartland Rock que Power POP, mas ok.