Esse foi o sexto álbum solo de estúdio lançado pelo Sonny Rollins. Oriundo do quinteto do Max Roach, o saxofonista chamou pela primeira vez o lendário baterista para participar do seu disco, assim como o pianista Tommy Flanagan e o baixista Doug Watkins, todos nominalmente apresentados na capa do disco, que traz uma imagem mitológica da silhueta de Sonny num fundo azul. Para fechar a escalação, contamos com a captação do mitológico Rudy Van Gelder. O trabalho saiu pela Prestige.
Sem qualquer tipo de afobação, o álbum tem um começo agradabilíssimo com o divertido tema de "St. Thomas", composição de melodia memorável de tradição folclórica. É interessante notar no inicio do solo de Sonny a insistência nas mesmas notas, como se não tivesse pressa de ganhar o ouvinte. Max Roach também já tira as manguinhas de fora, como se dissesse "esse disco não é meu, mas eu também vou bilhar!". A célula rítmica demarcada desde o início, a esteira da caixa fechada no seu solo, a condução no ride no segundo solo do Sonny... Tá tudo no lugar certo!
A profundidade do som do saxofone do Sonny Rollins encontra a luz na balada "You Don't Know Waht Love Is". Os saltos melódicos, o som grave, a projeção sonora com força não vulgar, o lirismo... que músico! Além de beleza e sofisticação harmônica, condução do piano traz o charme esfumaçado e noturno pra gravação.
Adoro a pausa brusca da energia hard bop de "Strode Rode" logo no primeiro minuto, deixando o sax no centro num improviso descritivo no sentido de forma e conteúdo. A levada do Max Roach por toda a faixa é uma escola de bateria jazz. Interação brilhante com Sonny na metade final da música.
No Lado B do vinil estão as duas faixas mais longas do disco, a começar por "Moritat", que na companhia da(o) amada(o) e de uma bebida amadeirada, faz a vida valer a pena. Aqui fica nítido como a arte da improvisação pode alcançar resultados tão complexos quanto agradáveis. Tem ritmo, melodia, fluidez, inquietude e história. Seu final é emocionante.
Com um walking bass irresistível, "Blue 7" é um desfecho saboroso. O quarteto preenche os espaços com sutiliza, levando a música por caminhos de graça. A raiz blues do jazz fica nítida no solo de piano. A condução (e solo) do Max Roach é aula fundamental pra qualquer baterista.
Esse álbum foi um sucesso de crítica e serviu de apelido para o estilo de tocar do Sonny Rollins. Não dá pra deixar escapar do radar algo tão belo quanto o encontrado aqui.

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