segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

RETROSPECTIVA 2025: Não pode passar despercebido

Inicialmente esse era aquele espaço para postar uma música/single que não pode passar despercebida numa retrospectiva, seja por ter tocado muito (é agora que lembrarei os hits de qualidade duvidosa), por apontar novos horizontes, por ter um clipe interessante, por ser curiosa ou simplesmente muito legal. Elas ainda estão aqui, mas pós-pandemia, a quantidade de programas musicais tornou-se tão proficiente no YouTube que acabou se sobressaindo na minha "curadoria".

Vamos a elas:

Air: Tiny Desk Concert
Infelizmente não consegui assistir o show que eles fizeram no Brasil, então tive que me contatar com essa boa apresentação.

Back To Beginning
A tal despedida do Ozzy Osbourne. Era pra ser somente dos palcos, foi da vida. Não consegui assistir tudo, mas conferi um Mastodon menos vibrante (Brent Hinds vai fazer falta), Anthrax quebrando tudo em “Into The Void”, um Lamb Of God prejudicado pelo som, o Slayer mandando bem como sempre (com direito a uma tremenda versão de “Wicked World”), o Guns N’ Roses surpreendendo (Slash tocando muito, Axl cada vez mais carismático e tremenda escolha de versões do Sabbath), além dos supergrupos montados pelo Tom Morello, onde brilharam Jake E. Lee (bom ver ele em forma), Steven Tyler (ele não tinha perdido a voz? Tá cantando pra caralho), mas principalmente o Nuno Bettencourt, que segurou a onda com performances perfeitas. Tremendo guitarrista e profissional. Agora, quando chegou a vez do Ozzy, foi de chorar. Em “Mama, I’m Coming Home” a platéia desabou. O encontro com o Black Sabbath foi mágico. Geezer Butler segurou a bronca enquanto Iommi, Bill Ward e Ozzy brilhavam apenas com suas presenças. Histórico. Lindo.

Beth Gibbons: Tiny Desk Concert
Lindo. Pra por numa noite solitária de sexta.

Bring Me The Horizon - Wonderwall
Sim, é uma versão pra música do Oasis. E é daquelas pra não levar muito a sério. Achei divertido. Meio emozão nervoso.

Budang - Magia / Budangól
Quando saiu esse clipe fiquei viciado. Achei muito bem dirigido. Boas imagens que retratam a vibração da banda. Difícil não compará-los com o Turnstile.

Boogarins on Audiotree Live (Full Session)
É nítida a evolução da banda. Nesta performance eles tão soando brilhantemente redondos e sintonizados. Isso acompanhado do ótimo repertório do último disco faz deste vídeo uma agradável apresentação.

Brandão85 - Espinafre
Isso aqui deu um bafafa. Praticamente uma diss endereçado a todo o funk. Agora, muito além da polêmica, o que precisa ser dito é uma coisa só: a faixa nem é boa.

Charli XCX & John Cale - House
Um preparativo para o que vem por aí. Um drone ruidoso, maldoso e sinistro, mais próximo da Lingua Ignota que do BRAT. John Cale vem pra deixar tudo ainda mais poético. Isso vir do centro da música pop contemporânea é um absurdo.

clipping. Tiny Desk Concert
Um típico Tiny Desk improvável. Não sabia o que esperar, visto que o grupo explora muito ruídos e sons eletrônicos em sua produção. Talentosamente se jogaram em sons acústicos, expandindo as texturas, mostrando uma capacidade musical impressionante. Espetacular.

Clipse: Tiny Desk Concert
Simplesmente muito legal ver Pusha T e Malice numa interação orgânica. Fornecendo beat tá o grande Daru Jones. As músicas novas soaram ótimas.

Converge - Audiotree From Nothing
Que banda não! Os caras tão tiozinhos, mas são referência máxima do metalcore. Grandes canções e performances. Muito bem captado.

Deafheaven - Full Performance (Live On KEXP)
Fiquei impressionado como a banda aparenta ter melhorado muito suas performances ao vivo. Tá uma pauleira. As músicas novas soando muito bem. O baterista melhorou muito e a dupla de guitarras está muito precisa. Já o vocalista é aquele velho carisma de galã do inferno. Muito legal.

Deftones - Private Music SHOW (LIVE)
Vídeo promocional com uma performance ao vivo em estúdio muito bem construída. Tão transmitindo uma imagem mais séria, densa e profunda. Muito pesado, mas sem perder as texturas. Inclusive, muito bem legal como as guitarras e teclados se somam. Percebi aqui uma estética meio NIN. Bem legal.

Die Spitz - Full Performance (Live On KEXP)

Quem vê cara não vê fúria. Essas meninas (são muito jovens) arrebentaram. É um stoner/sludge/punk irresistível.

Divide and Dissolve - Full Performance (Live on KEXP)
Esse duo vem expandindo os limites do metal há alguns anos, mas confesso que só agora vi algo do grupo “em movimento”. Verdadeiramente muito bom. Sludge estranho e poderoso, com direito a interferências jazzisticas.

DJ Japa NK - Posso Até Não Te Dar Flores

Esse funk chegou ao Top 9 Global do Spotify, uma marca rara pra produção brasileira, até então só atingida por nomes como Anitta e Pabllo Vittar. Sobre a música? Nada que importe (honestamente). Mistura genérica de piserio, funk e trap.

Febre 90s / SonoTWS / pumapjl - Cartier Santos Dumont
Clipe esteticamente bacana, boa canção, guitarra chorosa… É tiozão, vai ignorando!

Fito Paez: Tiny Desk Concert

Esse não precisa sequer de um Tiny Desk Argentino, vai logo no original mesmo. Cada dia gosto mais do trabalho dele. Bonito e divertido.

Fontaines D.C. - “Can You Feel My Heart”
Uma impressionante e surpreedente versão para a música do BMTH com direito a citação de Nirvana. Muito bonito.

Fresno - Se Eu For, Eu Vou Com Você
Clipe legal, emulando a estética do Programa Livre. Uma ideia simples e eficaz, principalmente se você tem o contato do Serginho Groisman. Infelizmente essa música com o NX Zero é das mais fracas do projeto (embora de sax bacana).

Gaby Amarantos - Rock Doido (O Filme)
Adorei o disco e fui ver esse clipe/curta empolgado, mas confesso não ter gostado. Muita afetação e pouca excelência. Mas escutebem o disco!

Geese - From The Basement
Simplesmente um registro ao vivo em estúdio da banda queridinha do ano. Tem que conferir. E tá bem legal mesmo.

Helmet - Full Performance (Live On KEXP)
O Helmet tocou no Brasil e eu infelizmente não pude ir. Pouco tempo depois saiu essa live. Ao vivo deve ser bem legal, mas virou um Page Hamilton solo né. Vale assistir ainda assim. Eles tem canções que são a base do metal alternativo.

J. Eskine - Resenha do Arrocha

O cara se intitula o “gangster do arrocha”, se isso não é suficiente pra você querer ouvir a música, pode passar reto. Ritmo delicioso enquanto ele canta absurdos, fazendo uma colagem de funk, arrocha, pagodão baiano. Clipe divertido e muito bem feito. Um dos hits do carnaval.

Jeff Parker ERA IVtet: Tiny Desk
Uma apresentação classuda, contemplativa e atmosférica de jazz por aquele que é um dos grandes guitarristas das últimas três décadas, embora poucos tenham percebido isso.

Living Colour: Tiny Desk Concert
Achei mais curiosa que propriamente boa a participação deles no Tiny Desk. Acho que eles precisam de mais volume. Soou estranhamente contido. Mas vale conferir.

Luiza Brina: Tiny Desk Concert
Havia adorado o disco que ela lançou em 2024, mas ela simplesmente saiu do meu radar. Até que apareceu essa apresentação no “Tiny Desk original” e eu comprovei que ela é muito acima da média. Mais pelos arranjos e direcionamento estético que pela voz em si (que também é boa). Uma cantora brasileira para olharmos com mais atenção.

MC IG - 3 Milhões No Meu Pulso

Uma denúncia do racismo que o artista sofreu em São Paulo. Fez da sua frase espontânea o mote da composição. O resultado serve mais pela crítica que pelo conteúdo musical em si. Tá valendo.

MC Taya, spxxkxr, AIMISS, isotopxs - METAL MANDRAKE
O título da música já aponta do que se trata. Pesadão, grave e maluco. Acho maneiro. O single é melhor que o disco que ela lançou.

Nícolas Netto - Peguei No Vácuo
Aqui vale pela curiosidade e pela reflexão. Pós-música, outsider music, “brain rot”... termos que tentam explicar esse estranho fenômeno. Melhor não negar a existência. Um pouco preocupante.

Orcutt Shelley Miller - Full Performance (Live On KEXP)
Bill Orcutt, Steve Shelley e Ethan Miller. Que triozão da porra! Música instrumental rockeira viajante intensa.

Papangu - Dharma Sessions
O Gastão Moreira tá com esse excelente projeto de trazer bandas do cenário alternativo brasileiro para performances em estúdio muito bem captadas em áudio e som. O programa com o Papangu, banda que infelizmente não tive a oportunidade de assistir de corpo presente (bati na trave), foi meu destaque até o momento.

Paz Lenchantin - Hang Tough
A boa baixista com passagem pelo Pixies, A Perfect Circle e Zwag vai lançar material novo e como prévia lançou uma música que é um completo plágio de “Cálice” (Gilberto Gil e Chico Buarque). Pegou muito mal.

Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs - Full Performance (Live On KEXP)
Gente, não rola trazê-los pro Brasil não. Que banda, que performance! Obs: o visual do vocalista é um charme à parte.

Portishead - “Roads” 2025 - Together For Palestine
“Together For Palestine” diz tudo. E honestamente, é o que importa. Nem vou tecer maiores comentários.

ROSALÍA - Berghain (Official Video) feat Björk & Yves Tumor
Se for pra lançar um videoclipe hoje em dia, que seja uma caceta dessas. Uma tremenda prévia, que criou expectativa para o disco que seria lançado. Isso não somente pela ótima e impactante música, mas também pela simbiose visual.

“Secos & Molhados” - Ouvindo o Silêncio
Os membros vivos do Secos & Molhados (menos o João Ricardo, claro) se reuniram num documentário sobre o grupo. Como estava também a banda de apoio, aproveitaram pra gravar uma faixa inédita. A ideia era ótima, mas o resultado não. A frase de guitarra à la “Sinônimos” repetida constantemente chega a me tirar do sério. Produção/performance/arranjo/composição nada inspirados. Uma pena.

Stanley Clarke: Tiny Desk Concert
Incrível como ele continua tocando excelentemente. Que tremenda apresentação! E sejamos justos, não só dele né. É por essas e outras que gosto do Tiny Desk, visto que honestamente não sei se viria uma performance atual do Stanley Clarke em outro lugar com menos projeção.

Terraplana on Audiotree Live (Full Session)
Melhor registro em vídeo que já vi da banda. Tão evoluindo, soando mais coesos em sua densidade shoegaze. Legal que isso tem sido reconhecido internacionalmente.

The Armed - Full Performance (Live on KEXP)
Uma apresentação muito cavala. Transitando entre o rock alternativo, o hardcore, sludge e o estranho, a banda chega em momentos de catarse impressionante. As frases de sax, o timbre monolítico do baixo, a ruides eletrônica, a vosciferidade vocal… é embaçado!

Tim Bernardes - Prudência
Aquela produção de clipe com uma ideia simples e muito legal: uma simulação estética daquele programa Ensaio da TV Cultura, no molde dos anos 70, tipo o da Elis Regina. Como ninguém pensou nisso antes?

"Trap do Trepa Trepa"

Um corte de “humor” que virou o hit do carnaval. Honestamente não achei graça alguma. Dois twittes que li na semana do lançamento resumem muito bem o hype: Gui Guedes comentou: “(a música) não ser um trap é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar”. Já o Chico Barney foi ainda mais preciso: “Tem umas coisas que todo mundo ri que acho impossível que seja um comportamento genuíno. Tem riso que não passa de carência”. Além disso me levantou uma questão do “pós-música”, onde não foi necessário compor, tocar ou produzir uma canção pra ela existir. Na verdade esse debate acho até interessante.

Tropical Fuck Storm - Full Performance (Live On KEXP)

Além do sonzão que já apreciava dos discos, aqui a banda se revelou muito “estilosa” ao vivo. Eles parecem divertidos. Tremenda performance. Confirmando “You Let My Tyres Down” como uma das minhas canções prediletas do ano. Tem cada guitarra!

Tropical Nada: Quem É Meu Pai?
Grupo do Daniel Furlan. Mais legal que a música em si (que é bacaninha) é o clipe, onde o artista habita programas de TV do passado. Divertido.

Turnstile - BIRDS
A música é ótima, mas aqui quero destacar o videoclipe. Um conceito simples: a banda tocando, num visual que lembra o show do Hendrix Live In Maui. Cores, edição e performances muito legais.

¥ØU$UK€ ¥UK1MAT$U | Boiler Room: Tokyo
Essa apresentação do Yousuke Yukimatso quebrou recordes de audiência. O DJ japonês virou uma estrela depois disso. Vai vir até tocar no Lollapalooza. Realmente há momentos de euforia coletiva impulsionada por produções intensas de techno. Eu entendo a graça.

Yussef Dayes In Japan (Film)
Como é bonito os vídeos que o Yussef Dayes lança, não? Como se não bastasse o som jazzisticamente imersivo e cósmico, em sobreposição às imagens temos um resultado cinematográfico. Nada tão tecnicamente não engenhoso, é só o bom gosto da locação, filmagem, cores e edição mesmo. Lindo. E puta batera!

Ah, tivemos também a “febre” BLOW RECORDS, que consiste em versões com aura pop/r&b/soul setentista e oitentista para músicas de funk. Tudo sintético, se não me engano produzido com IA. Seria apenas uma bobagem se não fosse sem graça e não revelasse a carência de um público classe média e branco de querer enquadrar o funk em seus padrões de consumo. Se for numa festa e começar tocar “Predador de Perereca”, “Popotão Grandão (1982)” e “Chupa Xoxota (1980)” é hora de reavaliar a rota da sua vida.


Agora, se teve algo que bombou aqui foi o Tiny Desk Brasil, inclusive furando bolhas. Os números mostram o sucesso. Deste modo, farei breves comentários sobre cada um deles. Mais sobre as escolhas que pelo conteúdo em si. Provavelmente ano que vem, se o projeto continuar, serei mais seletivo, me restringindo ao vídeos em si.


- João Gomes (O receio imediato era esse projeto ser um “Cultura Livre 2”, expectativa quebrada com a escolha de um artista verdadeiramente popular pra estrear o programa. Gostei do formato semelhante ao internacional, do visual (caricato e escuro, mas funciona), da sonoridade. Sobre a performance em si, foi legal ver o Pipoquinha ali no baixo, me remetendo ao que seria a versão nacional pra “Thundercat com Mac Miller no Tiny Desk”. Boa canções (eu gosto!), carisma e voz poderosa transbordando numa ótima apresentação, que não por acaso dominou as redes sociais naquela semana).
 
- Metá Metá & Negro Leo (Se o receio inicial era ser um “Cultura Livre 2”, com João Gomes estreando o receio foi ser um “Multishow no YouTube”. Logo, grande saca na sequência eles emendarem um Metá Metá & Negro Leo, dois grandes nomes do cenário alternativo brasileiro. Quase sumidades, não dando brecha para critica de desavisados. Apresentação legal).
 
- Péricles (O samba/pagode, tão popular quanto ignorado em curadorias artísticas brasileiras, encontrou no Péricles uma saída óbvia para seus preconceitos na figura do Péricles, artista de carisma inegável, que faz ser aceito por todos. Aqui ele entregou um repertório, classe e alegria comum a sua pessoa. Foi ótimo. Quero ver agora quais outros artistas de samba ele vão conseguir colocar no projeto).
 
- Céu (Confesso ter um certo bode com os rumos da carreira da Céu e seu canto fanho, mas não sei se por estar comemorando os 20 anos da sua estreia discografica ela me pareceu “iluminada” nessa apresentação. Adorei sua voz, sua presença e banda. Foi ótimo).

- Ney Matogrosso (Chover no molhado elogiar né. Ele é foda (voz e carisma) e a banda é ótima (que luxo uma cozinha com Dunga e Marcos Suzano). Um guardião do pop brasileiro).

- Tássia Reis (Tinha gostado bastante do disco dela, sendo que essa apresentação serviu pra ver que o domínio do seu repertório ao vivo também funciona. A ponte de MPB com rap é genuina).
 
- Sandra Sá (Se hoje se fala tanto em groove, brasilidade, feminismo e negritude, Sandra Sá tem que ser colocada num pedestal. Sua voz ainda tá ótima. Bacana).
 
- Arnaldo Antunes (As faixas estranhas muito me agradam, principalmente pelas presenças do Kiko Dinucci e Vitor Araújo trazendo acidez para as performances/arranjos. Na curtinha “Nome” que abre a apresentação isso fala alto. Agora, quando ele entra em “Não Sei Namorar” não me interessa em nada).
 
- Tim Bernardes (Tudo bem, ele tá em alta e é talentoso. Entendo sua presença. Mas aqui é o tipica produção “descolada” que nada me agrada. Canções tacanhas em seus melodramas. Arranjos simplórios escondidos por orquestrações vazias em densidade. E ai tem o bigodinho, o cabelo, a camisa do Flamengo… tudo pra trazer aquele ar classe média besta. Achei genuinamente chato. Pior Tiny Desk até o momento, tanto em escolha quanto em resultado).
 
- Liniker (Ela já tinha dado as caras no original, mas entendo ela participar aqui também. O Caju foi um marco no cenário nacional. Isso posto, não posso omitir que ela canta muito mal né (em timbre, escolhas melódicas, melismas e afinação). Essa música nova dela, “Charme”, é liricamente fraquíssima. Na real, de toda a apresentação, o que salvei mesmo foi a presença do Mackson Kennedy e da Ana Karina Sebastião).
 
- Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro (Aqui a alegria falou alto. Apresentação virtuosa, ensolarada, genuinamente brasileira e popular. A guitarrada é um patrimônio que precisa ser mais valorizado. Se tem um desses Tiny Desk que deveria ser assistido pelos gringos é esse. Adorei).

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