Como todos sabem, no último fim de semana rolou o Lollapalooza em São Paulo. Eu não fui. Muito caro, sem disposição, com filha pra criar... Motivos não faltam. Todavia, consegui ver muita coisa pela TV, de forma que darei alguns pitacos aqui. Nada muito sério, é apenas pra deixar registrado.
SEXTA
- Primeiro show que vejo é logo do Turnstile, sem dúvida um dos melhores de todo o festival, mas inferior se comparado ao show que eles fizeram na quarta no Cine Joia. Basta comparar vídeos dos dois eventos para perceber. É uma banda para lugares pequenos, com o público grudado. As 15h de uma sexta num palco enorme é um pecado. Ainda assim eles mandaram muito bem. Inclusive, engraçado o guitarrista hein, de abordagem total thrash metal. Bandaça!
- Não gosto do Matuê, mas entendo que ele tem sintonia com o público. Agora, porque raios chamar Detonautas e Planta & Raiz para o festival? Bandas completamente sem importância para o cenário atual. Obviamente nem assisti nada disso.
- Show animado da Pabllo Vittar. Acho ela genuinamente carismática. Agora, seu show melhoraria 100% se ela tivesse uma banda de apoio. Um baterista, um baixista e um guitarrista seriam suficientes. Claro, todos tocados em cima de VS's, mas ainda assim trazendo mais organicidade e performance para o palco. Vale ainda lembrar que foi muito legal ela empunhando uma bandeira do Lula, incomodando o Bolsonaro e o TSE, o que por si só já é maravilhoso. O autoritarismo do órgão eleitoral ao tentar censurar tal postura foi vergonhoso e mostrou a face real da nossa democracia. Felizmente os artistas não se acanharam diante disso.
- Não sabia que a Marina (Diamandis) era tão popular no Brasil. Achei ela gata. Seu timbre vocal também é curioso. Infelizmente seu repertório não faz jus a ela. Muito fraquinho.
- Queria ter visto Doja Cat e Caribou, mas tinha mais o que fazer.
- Nem se eu tivesse 14 anos eu gostaria do Machine Gun Kelly. Um engodo sem carisma e atitude. Não dá.
- The Strokes é muito cansado ao vivo, né? Sem novidade. Aguentei três músicas.
SABÁDO
- Queria ter visto o Terno Rei (gostei muito do disco novo), mas não consegui. Tomara que consiga ver ao vivo ainda esse ano.
- Falando em cansado, logo no inicio do sábado vi o Silva e o Jão. Muito insosso (interpretação, timbres, composições, performance no palco). Vale um estudo sobre a personalidade das pessoas que gostam desse tipo de som. Como pode?!
- Bisbilhotei a apresentação do WC no Beat. Ao menos acho divertido. Nada muito sério, mas ao vivo e com cachaça na cabeça deve ser bacana.
- Me surpreendi com o peso do A Day To Remember. Mas só isso mesmo, porque as músicas são horríveis. Um "pop punk encontra o metalcore de tiozinho".
- Já o peso do Alexisonfire achei bem mais interessante. A banda é boa e envelheceu bem. Gostaria de visto ao vivo. Adorei inclusive os equipamentos que eles trouxeram.
- O Emicida é um cara talentoso e aparentemente muito gente fina. Dito isso, não tenho saco para sua música. Ao vivo me parece pior ainda. Muito papo e pouco som, sabe?
- Para quem é fã da Miley Cyrus, acho que seu show superou as expectativas. A banda era boa e ela cumpre bem o que propõe fazer. Mas pessoalmente acho suas canções e voz bem chatas. Ah, vale lembrar que a Anitta fez uma participação especial.
- Não consegui ver o A$AP Rocky. Vale dar uma busca?
DOMINGO
- Dia complicado, completamente anticlimático. Primeiro por conta do cancelamento do Jane's Addiction, depois por conta de ameaça de temporal (que inclusive derrubou o show do Rashid), mas nada que se compare a trágica, chocante e prematura morte do carismático e talentoso Taylor Hawkins. Sem Foo Fighters, ainda mais pelo motivo que foi, minha expectativa era baixíssima.
- Acho o Lucas talentoso e o Fresno uma banda interessante, que melhorou muito com o tempo. Todavia, o show foi fraquinho. Ao menos a participação do Lulu Santos levantou a plateia.
- Quando tudo parecia arruinado subiu ao palco o Idles, que eu já esperava que seria o melhor show de todo o festival, mas que ainda assim me surpreendeu por sua qualidade. Pesado, intenso, divertido, politizado, sincero, em sintonia com a plateia, bem tocado, maluco... Espetacular! Foi o único momento que quis estar lá.
- Não sou tão chegado no Black Pumas, mas queria ter visto. Li elogios. Vou tentar assistir ainda essa semana. Se valer a pena, comento aqui.
- Libertines é simpático, mas nada de especial. Curioso ver o Pete Doherty ainda vivo (em 2004 ninguém apostaria nisso) e uma pipa de gordo.
- Pode falar o que quiser, mas não da pra passar indiferente do show do Djonga. Ele tem uma atitude afrontosa. Fora que tem um punhado de canções poderosas. Sem dúvida o melhor show nacional desta edição.
- Não vi a Gloria Groove. Vale conferir?
- O tributo improvisado ao Taylor Hawkins foi um misto de tristeza, vergonha alheia e alguns bons momentos. Embora com rapper talentosos em cima do palco (Emicida, Criolo, Djonga, Mano Brown, Ice Blue, Kl Jay...) o encontro não rendeu nada memorável. Já a performance do Planet Hemp foi sem equivoco, embora meio no piloto automático (diante do improviso, tudo bem). Já o Ego Kill Talent, embora formado por ótimos músicos (todos com o carisma de uma régua), me soa tão constrangedor (um tentativa de "Nickelback do terceiro mundo") que fui dormir. Um desfecho triste, como só podia ser.

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