quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

TEM QUE OUVIR: James Taylor - Sweet Baby James (1970)

Quando abordamos os singer-songwriters da música folk americana do começo da década de 1970, muitas vezes falamos de artistas que não alcançaram sucesso comercial. Nick Drake e Tim Buckley são exemplos disso. James Taylor não. Muito pelo contrário, ele fez tanto sucesso, que hoje não desfruta do "prestígio cult", sendo visto quase como um compositor rasteiro, muito pelo decorrer da sua carreira composicionalmente errática. Todavia, em Sweet Baby James (1970), seu segundo trabalho, temos um fino da canção folk americana. É praticamente um farol para esse fenômeno estético que chacoalharia a música do período.


Com produção do Peter Asher, o que ouvimos neste disco são composições, arranjos e performances altamente palatáveis. Não há extravagancias, está tudo onde deve estar. Não por acaso as faixas raramente passam dos três minutos.

"Sweet Baby James" abre o álbum expondo a voz aveludada do James Taylor, que passeia pela história se fundindo a um delicioso pedal steel de raiz country (tocado pelo Red Rhodes). É preciso notar o teor confessional da canção.
 
De instrumentação enxuta, calcada em violões majestosamente tocados, "Lo and Behold" soa como uma canção gospel polida. Soaria sem emoção não fosse tão certeira.

No blues "Steamroller Blues" temos as guitarras do grande Danny Kortchmar elevando a faixa. Isso sem mencionar o inesperado arranjo de metais à la big band que entra no meio da música. Diante dessa beleza, nem mesmo a performance vocal sem sal do James Taylor parece atrapalhar.

Todavia, não tem com negar, são nas baladas acústicas de perfil pop como em "Sunny Skies" que o James Taylor entrega o que tem de melhor. Essa é daquelas canções americanas aconchegantes e caseiras. Adoro o som opaco do baixo, assim com os violões de aço.

Na emblemática "Country Road" temos uma melodia preciosa. Adoro o clima despojado, rural e tranquilo que a gravação transmite. Não por ela acaso fez enorme sucesso.

De harmonia lindíssima e dedilhado cristalino, "Oh, Susannah" é aprova de que, armado de apenas um violão e um capotraste, ninguém é capaz de encarar o James Taylor de frente. Um espetáculo.

"Fire And Rain" é daquelas composições amorosas e melancólicas que pendem para o cafona, mas que guarda em seu intimo uma singela homenagem a uma amiga de infância que morreu de overdose. Vale lembrar que a piano está Carole King. Clássico.

É curioso ouvir "Blossom" e perceber o arrojo na escolha dos acordes. Isso sem perder o perfil pop/baladeiro. Coisa de craque. O mesmo vale para "Suite For 20 G", sendo que essa curiosamente sempre me lembrou o que o Sting viria a fazer no futuro.

Se em "Anywhere Like Heaven" temos uma pérola country, em "Oh Baby, Don't You Loose Your Lip On Me" é o blues que fala alto. As frases de violão improvisadas soam ótimas.

O que alguns tratam como algo ultra adocicado, revela as angústias no artista ao lidar com seus vícios. Fora que, musicalmente, sempre me pareceu um momento de esplendor da indústria musical, que soube despejar toda sua energia (e dinheiro) num artista verdadeiramente especial.

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