segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

RETROSPECTIVA 2021: Lives (na falta de shows)

Após um 2020 sem a possibilidade de eventos por conta da pandemia, na segunda metade de 2021 os shows começaram a voltar. Até segunda ordem, parece que o mundo aos poucos vai voltando ao normal. Isso, claro, sem ainda superar a onda de desgraças que a covid trouxe.


E por mais que já tenha rolado alguns shows, confesso que não tive sequer vontade de encarar a experiência*, de modo que “música ao vivo” para mim se manteve nas lives. 


Deixo aqui então um resumo do que assisti:


A Night With Weezer

Nunca achei o Weezer uma grande banda ao vivo, mas essa performance é bacana. Momento chamber pop do grupo com direito a pequena orquestra. Muito bem filmado e captado. Ótimo pra deixar de pano de fundo.


black midi - KEXP at Home

Assisti semanas antes do lançamento do disco e já tive certeza que vinha pedrada. O grupo, que já era ótimo, evolui muito inserindo elementos de jazz rock e rock progressivo no seu som. Isso sem perder a energia na execução. Na verdade, muito pelo contrário, como fica explícito nesta curta apresentação de performance intensa.


C. Tangana: Tiny Desk (Home) Concert
Esse cantor espanhol deu uma hypada não só por conta do seu bom disco, mas também dessa apresentação bem legal, num clima descontraído. Um feito tremendo diante de tanta desgraça que anda acontecendo.


Little Simz – Tiny Desk

Uma performance classuda, onde acompanhada de uma banda extremamente azeitada, ela demonstra a grande rapper que é. As faixas de seu ótimo novo disco ficaram muito bem neste formato. Especial.


Maria Bethânia - Globoplay Não curto a carreira da Maria Bethânia. Acho uma obra parnasiana, rococó, brega, dentre outros adjetivos neste caso entendidos apenas para o lado negativo. E que fique claro, isso é somente a minha humilde opinião. Entretanto, vi tantas pessoas emocionadas com essa live que achei legal conferir. Resultado: não gostei (pelos motivos já citados), mas também não odiei. A voz dela envelheceu bem e achei bacana o formato de instrumentação enxuto (com direito a ótimos músicos acompanhando, claro). Mas o repertório me bodeia. Recomendado somente para quem é fã.

O Inimigo - Canal Scena
Uma das boas bandas de punk rock brasileiro num ótimo registro. Adoraria ver ao vivo, quem sabe ano que vem.


Osees - LEVITATION Sessions

Uma das grandes bandas da atualidade numa transmissão dentro de um dos mais interessantes festivais contemporâneos. O resultado é uma performance calorosa e muito bem filmada. Não tem erro!



Rancore - Vans Live

Embora o som da transmissão tenha ficado devendo e mesmo a execução estivesse enferrujada, foi legal relembrar essa boa banda. Adoraria ouvir material novo deles.


Rina Sawayama – Tiny Desk Ainda não tinha visto nenhuma performance ao vivo da Rina. Gostei bastante dessa apresentação (curtinha, comum ao programa). Adorei o desempenho vocal. A banda também é ótima. Fora que ela tá linda demais.


Ty Seagall and Freedom Band - LEVITATION Sessions

Somente os feedbacks do início já seriam o suficiente para deixar o ouvinte atento. O que vem na sequência é uma performance rockeira recheada de guitarras vorazes. Tudo muito bem filmado. Sensacional.

Surra, Questions e Ratos de Porão - NOISE KNOB Três diferentes gerações do punk/hardcore brasileiro reunidas neste ótimo festival online. Performance e captação muito boas. Sem erro. Uma paulada.


Turnstile [hate5six]
Glow On foi facilmente o disco lançado em 2021 que eu mais escutei. Ainda assim fiquei impressionado como ao vivo as músicas parecem soar ainda melhores. Fantástica interação com a plateia. Torcendo para que ano que vem eles apareçam pelo Brasil.

Orquestra Afro-Brasileira - Em Cena (CULTNE) Com mais de 70 desde sua fundação, a Orquestra Afro-Brasileira surge nessa performance arrebatadora produzida pela CULTNE TV. Os ritmos de matrizes africanas merecem atenção não somente por seu valor histórico e cultural, mas pela maravilha sonora que é. Performance luminosa.



Samuel Rosa & Terno Rei - Conexão Balaclava Dois representantes talentosos de gerações distintas numa bela amostra de que o pop rock brasileiro pode ser levado a sério.

The War On Drugs - Tiny Desk
Se o disco novo eu não achei grande coisa (claro, tem seus acertos, mas nada tão empolgante), ao menos essa performance me soou muito bem. Eles são muito competentes. 



*Embora tenha dito ali no começo do texto que não tive vontade de encarar shows ao vivo, fica aqui a menção para dois espetáculos que cogitei ir, mas como bobiei na compra do ingresso e fiquei de fora. Por sorte, os shows foram disponibilizados no YouTube. Vale muito assistir.


Amaro Freitas & Ancestral Cumbe - Sesc Jazz
Um dos maiores pianistas da música mundial comprovando seu posto. Sem muito o que dizer, apenas deslumbrar.

Pau Brasil - Sesc Jazz

Esse grupo veterano demonstra que ainda tem muita lenha para queimar. É um instrumentista melhor que o outro, com destaque para o lendário violonista Paulo Bellinati. Uma falha minha nunca ter assistido ao vivo.


Gilberto Gil & Brasil Jazz Sinfônica 
E não é que nos 45 do segundo tempo de 2021, pintou a oportunidade de ir com minha filhinha numa apresentação do Gil ao lado desta excelente orquestra. Tá certo que minha filha abriu o berreiro (normal, ela é neném, tudo é novidade pra ela), preferindo ficar correndo no saguão da Sala São Paulo ao invés de assistir o espetáculo. Ainda assim, foi uma noite muito especial. E que violonista espetacular é o Gil, não? Sua voz também envelheceu muito bem. Isso sem falar na luz que ele irradia naturalmente. Emocionante.

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