terça-feira, 23 de novembro de 2021

TEM QUE OUVIR: X-Ray Spex - Germfree Adolescents (1978)

Todos nós sabemos o quão acachapante, transformadora e prolifera foi a geração punk rock do final da década de 1970. Entretanto, é comum que de algo tão efervescente, fique algumas pedras pelo caminho. Uma dela é o X-Ray Spex, que lançou em 1978 o seminal Germfree Adolescents, uma das melhores estreias daquele período.

Uma das grandes qualidade da banda era soar vigorosa, mas também divertida, fosse com suas roupas coloridas pré-new wave (vide a capa do disco), com o sax dançante do Rudi Thomson (posto outrora da celebrada Lora Logic) ou através das letras tão inteligentes quanto engraçadas, irônicas e autodepreciativas. "I Am A Pouser" é um exemplo claro disso. 

Liderada pela icônica Poly Styrene, a banda estava no centro de Londres, absorvendo o clima cáustico do período. A abertura com a intensa "Art-I-Ficial" expõe essa braveza de imediato. Execução não menos que poderosa. Sua letra critica sobre a sociedade de consumo parece mais atual do que nunca.

Não consigo não pensar em "Obesessed With You" como pilar do thrash metal sempre que escuto a guitarra da introdução. Claro, ela muito menos pesada e sisuda, mas igualmente veloz e consistente. Por sua vez, "Warrior In Woolworths" é quase um bubblegum.

Com seu sax borbulhante e intensidade na execução, "Let's Submerge" é o puro rock n' roll da década de 1950 naturalmente assimilado e renovado por outra geração.

"Identity" deixa evidente que, já naquela época, os males que a mídia provocava aos corpos e mente das mulheres. Uma canção naturalmente feminista.

Já "Genetic Engineering" chega e cogitar clones operários como um objetivo do capitalismo para a terceirização futura. É a mais pura ficção cientifica punk.

Num momento de mais ousadia musical (não necessariamente bem sucedida), "Germ Free Adolescents" surge como uma balada futuristica com elementos de... reggae (?). Sei lá.

O disco volta aos trilhos com a dobradinha "Plastic Bag" e "The Day The Turned Day-Glo", soando como um tributo aos detritos que nossa sociedade produz. Isso de maneira nada panfletária. É mais uma exposição do absurdo que nos aguarda, em meio a "náilon, acrílicos, polipropileno e látex". 

Eis um álbum cheio de urgência e sagacidade de uma banda que infelizmente não foi pra frente. Ao menos o que produziram aqui foi mais que o suficiente para serem lembrados. 

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