Uma pesquisa recente estimou que uma a cada cinco pessoas já apresentou sintomas de depressão. Pensando nisso, fica fácil entender o porquê do Disintegration (1989) do The Cure ter feito tanto sucesso.
O álbum foi lançado numa época em que a banda estava "desintegrada", com Robert Smith sofrendo a chegada aos 30 anos e Lol Tolhurst se afundando no alcoolismo. Neste clima foi construído esse que era pra ser o último trabalho da banda. Todavia, os prêmios, a crítica positiva, as vendas exorbitantes e os bons shows não permitiram o fim do grupo.
Todas as marcas registradas do Cure estão aqui presentes, agora com acabamento mais lapidado, mérito disso também do produtor David M. Allen. Letras soturnas, melodias docemente agradáveis, arranjos grandiosos, timbres de bateria eletrônica, sintetizadores etéreos, reverbs que preenchem todo espectro sonoro e o baixo envolvente do Simon Gallup são algumas das características que englobam a obra. Isso sem mencionar a impecável arte gráfica, transparecendo a imagem gótica da banda, com direito a batom e palidez fúnebre do líder Robert Smith.
A abertura densa do disco com a cinematográfica "Plainsong" é de beleza sombria. "Pictures Of You" vem na sequência demonstrando a eficiência pop da banda, mas sem abandonar o lirismo carregado de simbologias melancólicas.
"Closedown" é ritmicamente pesada e, por incrível que pareça, influenciou diversas bandas do black metal escandinavo. Por sua vez, a linda "Lovesong" (ótimas guitarras, teclados e linha de baixo) e a ingenuamente aterrorizante/dark "Lullaby" (tremenda melodia de guitarra, memorável timbre de teclado e balanço funky) sustentam o prestígio comercial (e estético, claro) do álbum. E isso tudo é somente o lado A.
É fora do comum o equilíbrio que o grupo alcança entre peso e sensibilidade em "Fascination Street" (mais uma vez com ótima linha de baixo). Já "Disintegration" tem diversas camadas a ser explorada via seu instrumental denso e gélido.
Sincero, soturno, belo, comunicativo e cheio de personalidade, Disintegration é capaz de recuperar alguém deprimido e afundar quem for pego desprevenido. É o rock gótico em seu completo aperfeiçoamento. Só mais tarde é que fomos entender que, ao lado do Pornography (1982) e do Bloodflowers (2000), o disco forma a trilogia perfeita da obscuridade.
Sincero, soturno, belo, comunicativo e cheio de personalidade, Disintegration é capaz de recuperar alguém deprimido e afundar quem for pego desprevenido. É o rock gótico em seu completo aperfeiçoamento. Só mais tarde é que fomos entender que, ao lado do Pornography (1982) e do Bloodflowers (2000), o disco forma a trilogia perfeita da obscuridade.

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