Já dona de uma discografia extensa, contendo 13 álbuns - dentre eles o clássico Elis & Tom (1974) -, a cantora se lançou em uma das mais bem sucedidas temporadas de shows da história, chegando a impressionantes 1.200 apresentações num período de três anos. Essa tour foi chamada de Falso Brilhante e desencadeou neste estupendo disco de estúdio.
Uma das grandes qualidades de Falso Brilhante (1976) é a sonoridade dos instrumentos, mérito do produtor Mazzola, que soube captar a energia da artista e de sua banda numa época de menos recursos tecnológicos.
O álbum começa com o hino "Como Nossos Pais". A interpretação de Elis Regina em cima de uma letra emblemática de autoria do Belchior é intensa e emotiva, assim como o arranjo regional/rockeiro do seu parceiro, Cesar Camargo Mariano. Destaque também para a performance do grande baterista Nenê.
O lado visceral/rockeiro de Elis fica explícito na sensacional "Velha Roupa Colorida", também de Belchior. Nas duas composições há também uma tensão geracional propositiva. Ambas versões ajudaram na projeção nacional do artista cearense.
A canção argentina anti-ditadura "Los Hermanos" pede a unificação dos sul-americanos em prol da liberdade. Vale lembrar que o disco foi lançado durante o regime militar brasileiro.
A excelente "Quero" é um típico rock rural, com linha de baixo espetacular executada pelo ótimo Wilson Gomes. Já em "Gracias A La Vida", Elis Regina homenageia a lendária cantora e ativista chilena, Violeta Parra.
As letras do disco, sempre interpretadas magistralmente por Elis, merecem atenção especial. A qualidade dos compositores é impressionante, vide "Um Por Todos" - um típico progressivo brasileiro, tamanha a quantidade de informação musical -, "Jardins de Infância" e "O Cavaleiro E Os Moinhos", as três dos geniais parceiros João Bosco e Aldir Blanc.
Ainda hoje tida como uma das mais belas melodias já gravadas no Brasil, "Fascinação" eleva às alturas o talento da artista. O arranjo é outro show à parte.
O álbum se encerra com a sofisticada "Tatuagem", emblemática composição do Chico Buarque eternizada na voz da Elis.
Décadas depois do lançamento, Falso Brilhante se mantém como um dos grandes patrimônios da música popular brasileira e testemunho do verdadeiro brilho de Elis Regina.

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