sábado, 24 de setembro de 2011

TEM QUE OUVIR: Primal Scream - Screamadelica (1991)

No começo da década de 1990, um álbum em especial ajudou a derrubar de vez o muro que separava o rock da música eletrônica (e cultura das raves), ainda que a mistura timbristica/rítmica dos gêneros não fosse exatamente uma novidade. Me refiro ao clássico Screamadelica (1991) dos escoceses do Primal Scream.


Antes de qualquer análise sonora, é importante se atentar a capa altamente lisérgica, que deixa explicita uma das principais influências do grupo: as drogas sintéticas.

Apesar do disco ser do Primal Scream - grupo liderado pelo Bobby Gillespie, atuante no rock alternativo desde os tempos em que era baterista de Jesus And Mary Chain -, os produtores que colaboraram no álbum são tão responsáveis quanto a banda pelo resultado final, vide a participação excepcional do DJ Andrew Weatherall em grande parte do trabalho, incluindo a emblemática "Loaded", em que ele utiliza um sample do Peter Fonda no filme The Wild Angels de forma primorosa. Outro que assina a produção é o lendário Jimmy Miller.

O disco abre ensolarado com "Movin' On Up" e sua mistura acachapante de estilos - rock, blues, folk, gospel e até mesmo música caribenha - capaz de levantar defunto. Herdeira legítima de "Sympathy For The Devil".

O encontro lisérgico da house music com o rock psicodélico chega ao ápice com a ajuda do grupo Hypnotone na versão perturbadora (e indiana) de "Slip Inside This House", originalmente do cultuado 13th Floor Elevators. Outro grupo que teve colaboração importante foi o The Orb em "Higher Than The Sun", faixa de groove cósmico.

O experimentalismo eletrônico da banda - e do Andrew Weatherall, claro! - aparece em peso na agitada/dançante "Don't Fight It, Feel It", fato que poderia levar o grupo a se restringir a cena eletrônica. Todavia, a qualidade do Primal Scream ao compor belas baladas, vide a rockeira "Damaged", os levaram a aclamação também dentro da cena de Madchester de grupos como Stone Roses e Happy Mondays.

Embora com tantas músicas atraentes, "Come Together" é a mais contagiante, principalmente por transitandar pelo dub, soul, gospel, house e rock psicodélico. Clássico da época! Foi justamente este caldeirão sonoro que fez do álbum um dos marcos da década de 1990.

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