Leo Peracchi e Sua Orquestra
Exaltação Ao Baião (1956). Como bem explicita a capa do disco, aqui há uma interpretação das composições do Humberto Teixeira. É uma visão orquestrada/“erudita” (ou universal) do baião. Deste modo, é não somente um álbum lindo, mas também um documento cultural. Quem se interessa por arranjo vale dar uma atenção extra.
Scissor Sisters
Scissor Sisters (2004). Lembram quando isso era tido como uma novidade? E lá se vão mais de 20 anos. Que fim levou hein? É um pop rock bacana, principalmente por seu toque glam e balanço disco. A estética gay diante do padrão heteronormativo do new metal também revelava frescor.
I Shot Cyrus
Tiranus (2003). A banda andou fazendo show recentemente e empolguei a relembrar esse clássico do hardcore brasileiro. Um atropelo barulhento e descontrolado. É disso que gostamos. Perfeito pra ouvir na academia.
The Durutti Column
Esse mitológico grupo liderado pelo guitarrista Vini Reilly lançou álbum novo. Fui então dar uma atenção especial para alguns de seus discos antigos. A começar pela clássica estreia The Return Of The Durutti Column (1980), que nem considero dos mais instigantes, mas que surpreende ao não parecer com nada que havia no período. São peças de guitarras em cima de pequenos movimentos eletrônicos. Se for pra colocar em algum gênero, acho que seria o chill-out. Há um fluxo de consciência que se assemelha ao que aconteceria se o Robert Fripp e o Bill Frisell se encontrassem. Ultra recomendado para fanáticos por diferentes linguagens na guitarra. A sequência com o LC (1981) parte do mesmo princípio, mas aqui já criando temas mais fixos e timbres mais “etéreos”. Interessante perceber que o que aqui soa como invenção, virou uma escola de guitarra na década de 1980. Dá pra visualizar Johnny Marr, John Frusciante, Thurston Moore, Edgard Scandurra, dentre outros, bebendo dessa fonte. Fora as inúmeras bandas de dream pop. Curioso. Já no Without Mercy (1984) percebo uma evolução composicional, aproximando as guitarras da música minimalista e erudita contemporânea, por vezes até as tirando do primeiro plano. Dá pra dizer que rola um experimentalismo eletrônico abstrato (na falta de uma definição melhor). Álbum delicioso, soturno e delirante. Impossível para mim ignorar um disco chamado The Guitar And Other Machines (1987), onde, como só poderia chegar, a guitarra do Vini se soma a elementos eletrônicos. Há neste momento suas primeiras grandes distorções, bem com aquela timbragem oitentista, embora com uma linguagem e fraseado próprio. Ótimo exemplo da aproximação da música minimalista com a eletrônica. Muito legal. Pra finalizar (ao menos por enquanto), ouvi ainda o Vini Reilly (1989), talvez seu auge, onde ele tá ainda mais técnico, dramático e criativo. Aqui surge mais o violão, além de canto lírico. Álbum lindíssimo! Tá confirmado, eis um dos grandes
grupos da década de 1980 e um dos guitarristas mais subestimados da história.
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