quarta-feira, 24 de junho de 2026

Bandas/Artistas do Haiti

Ok, o jogo contra o Haiti já foi há dias, mas nem por isso devemos omitir o país em nossas audições.

Vale pontuar novamente que minha visão aqui é muito superficial. Até porquê, de Haiti só lembrava da música do Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ignorância minha, claro.

Nemours Jean-Baptiste
Saxofonista, compositor e líder de banda. Ao que consta ele é o inventor do Konpa (ou kompa, compas), um estilo rico, com aquela solaridade tipicamente caribenha, tendo inclusive influenciado o zouk, ou seja, é bem dançante, música de salão mesmo. Há influência do jazz norte-americano, principalmente das big bands.

Webert Sicot
Aqui o jazz se mostra ainda mais presente, até por ele ser um saxofonista de mão cheia. Seu estilo é extremamente melódico. Poderia até soar cafona, não fosse o tremendo bom gosto. Adorei o álbum D’hier a Aujourd’hui (1980). Uma maravilha!

Orchestre Tropicana d’Haiti
Essa orquestra tem décadas de serviços prestados, tendo inúmeros instrumentistas passados pela sua formação. Seu som é calcado no merengue, estilo envolvente, convidativo para a dança.

Boukman Eksperyans
Aqui temos uma sonoridade que une o pop à tradição. De algum modo, me remeteu até mesmo ao início do axé, muito por conta das células rítmicas, não somente dos instrumentos de percussão, mas também das linhas vocais. Talvez também por alguns timbres de guitarra. Ao que consta há elementos extraídos das cerimônias de vodu. O aclamado Vodoo Adjae (1991) é muito bom, com direito a arranjos inteligentes. Será que o Caetano Veloso ouviu? Achei a cara dele.

RAM
Aqui mais uma vez o pop haitiano traz proximidade com a música brasileira, principalmente da região norte. No fim é tudo África! É um som que localmente deve soar banal em termos de nuances, mas que pra gente (ou ao menos pra mim) soa muito rico e divertido. Adorei as percussões (mais uma vez com a raiz vodu). Escutei o bom álbum Aibobo (1995).

Moonlight Benjamin
De imediato li que ela era “a Patti Smith do Caribe”, o que já desperta atenção. E faz muito sentido. Ela é uma voz de personalidade, (ao que consta) é bastante politizada em suas composições e manifesta uma atitude punk. Embora cantando em crioulo e com alguns elementos sonoros locais - o que é ótimo! -, dá pra colocá-la no centro do rock alternativo contemporâneo. O álbum Siltane (2018) é muito bom. Atenção também para as guitarras (meio blues, meio pós-punk). 

Wyclef Jean
Não sei se vale, já que ele não teve uma trajetória artística no país. Mas fato é que o rapper e produtor do Fugees é haitiano. Fica ao menos como menção.

Death In Haiti (2018)
Lembro desse disco ter me impressionado muito quando saiu. Ele é uma compilação que registra a autêntico música dos velórios haitianos, misturando bandas marciais, jazz caribenho, choro (inclusive de choradeiras profissionais) e cantos de lamento. É curioso, mas pesado também. Oba: em certo encontro com amigos, cada um tava escolhendo uma música pra tocar. Coisa corriqueira. Fui ousado e botei esse disco. Praticamente acabei com o rolê.

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