A ascensão criativa dos Byrds foi tão rápida quanto sua debandada. Apenas três anos após seu disco de estreia, Gene Clark, David Crosby e Michael Clarke já tinham dado área. Sobraram Roger McGuinn e Chris Hillman com a missão de reinventar o grupo. Convocaram o Gram Parsons e mergulharam na música caipira norte-americana.
Calcado quase que exclusivamente na country music, Sweetheart Of The Rodeo (1969) é um marco no cruzamento do gênero com o rock. Não faltam bandas que apontam o disco como referência. Mas nem só por isso ele merece ser ouvido, já que as canções trazem uma genuína aura rural e singela.
De autoria do Bob Dylan, "You Ain't Goin' Nowhere" tem guitarras caipiras (primeiro registro de uma b-bender?) e uma linha de baixo discretamente exuberante que deixaria Paul McCartney com inveja. Também de Dylan é "Nothing Was Delivered", com direito ao pedal steel do Lloyd Green e refrão poderoso.
O uso de violinos e banjos no arranjo de "I Am A Pilgrim" deve ter deixado muito fã ortodoxo do grupo contrariado, o que explica a baixa vendagem do disco na época de seu lançamento.
O grupo invoca composições tradicionais do cancioneiro americano, vide o bluegrass "Pretty Boy Floyd" (Woody Guthrie) e a em 3/4 "The Christian Life" (dos irmãos Charles e Ira Louvin), em que o Clarence White demonstra seu domínio característico na guitarra. Mais "contemporâneo" é a regravação de "Life In Prison" (Merle Haggard).
A voz doce de Gram Parsons na nostálgica "Hickory Wind" soa agradabilíssima. Falando em vozes, o arranjo aberto e reverberoso em "One Hundred Years From Now", somado a batida reta e timbres de guitarras rickenbacker, é o que mais se aproxima do passado do grupo.
Gravado em Nashville, Sweetheart Of The Rodeo é não somente exitoso sonoramente, mas também a reinvenção do Byrds num mergulho radical ao tradicional.

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