Não dá para dizer que Bird and Diz (lançado pela Verve em 1952, mas com gravações de 1950), representa o auge da dupla, que naquela altura já tinha uma década de serviços prestados, tendo inclusive tirado o jazz da confortável era swing. Ainda assim, por trás de vidas intensas, dramáticas e repletas de vicissitudes (principalmente do Bird), existem performances apaixonadas.
Produzidos por Norman Granz, o disco traz a colaboração de músicos do calibre do Buddy Rich, Thelonious Monk e Max Roach.
O tema divertidamente caloroso de "Bloomdido" abre as portas para o vibrante aconchego dos solos de "My Melancholy Baby". Enquanto Charlie Parker emociona no sax, Dizzy disparada frases virtuosas no trompete, demonstrando agilidade não somente técnica, mas também no pensar.
Tema atrás de tema, observamos improvisos evoluírem com a maturidade de instrumentistas já veteranos dentro de um gênero conhecido por excessos. Em "Relaxin' With Lee" não há atropelos ou tempo perdido. "Passport" fecha o lado A do vinil de 10 polegadas mantendo o nível elevado.
A eloquência verborrágica nos solos "Leap Frog" exemplifica o bebop em frenéticos 2 minutos e 29 segundos. É um espanto! Já os temas de "An Oscar For Tredwell", "Mohawk" (que improvisos!) e "Visa" irradiam a vida.
Como documento de um período, esse álbum pode ser considerado um clássico do jazz, do bebop, da música americana, da música negra... da cultura humana.

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