quinta-feira, 30 de maio de 2019

TEM QUE OUVIR: Carole King - Tapestry (1971)

A primeira metade da década de 1970 foi o auge dos chamados singer-songwriters, ou seja, os grandes compositores que também eram interpretes. Paul Simon e Neil Young são alguns dos mais celebrados. Entretanto, neste meio tão masculino, foi uma mulher, que há anos se destacava por suas composições - vide "Chains", uma das poucas canções que os Beatles gravaram sem ser de autoria do quarteto -, que vendeu 25 milhões de cópias e levou o Grammy de melhor álbum do ano. Me refiro obviamente a Carole King e seu clássico Tapestry (1971).


Foi por incentivo do James Taylor que Carole King decidiu gravar suas canções. A cativante "I Feel The Earth Move" abre o álbum expondo excelente melodia, cantada com um entusiasmo radiante.

Um dos hits da artista é "It's Too Late", faixa que fica entre o soul e a música folk. Seu baixo melódico e refrão radiofônico são altamente fixantes. Embora seja um single de apelo pop, a faixa traz ótimos solos de pianos, guitarra e sax, sendo tudo impecavelmente captado.

Há no disco um punhado de baladas apaixonantes, vide "So Far Way" (de arranjo tão enxuto quanto preciso), a amorosa "Way Over Yonder" e a clássica "You've Got A Friend", regravada por nomes como James Taylor, Michael Jackson, Dusty Springfield e Donny Hathaway. Vale lembrar que a linda "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman" já havia sido gravada com sucesso pela Aretha Franklin.

Em "Where You Lead" é a guitarra do Danny Kortchmar que chama a atenção. No caso de "Will You Love Me Tomorrow?", vale apontar a lendária parceria com seu ex-marido, Gerry Goffin.

Adoro a crueza sacolejante de "Beautifil", dona de melodias impressionantes. O mesmo vale para o shuffle "Smackwater Jack". 

O ambiente caseiro retratado na capa se manifesta também na interpretação singela de "Home Again". 

Esse disco é o perfeito retrato não somente do soft rock, mas da qualidade artística que permeava a indústria cultural americana de massa daquele período. Com tantos excelentes momentos, não surpreende o sucesso deste disco. Marco da música popular americana.

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