Tim Maia, Hyldon, Cassiano, Toni Tornado e Gerson King Combo já haviam começado a escrever a cartilha do funk e da soul music nacional, aglutinando em bailes na zona norte carioca uma população periférica preta que ainda hoje tem no funk seu meio de expressão, entretenimento e economia. Mas foi em meado da década de 1970, paralelo a disco music que eclodia nos EUA, que a Banda Black Rio consolidou a música negra no Brasil na indústria musical, principalmente após o lançamento do clássico Maria Fumaça, o primeiro a ser produzido pelo posteriormente guru do pop rock oitentista, Liminha.
Formado por nomes como Oberdan Magalhães (saxofone) e Barrosinho (trompete) - ambos recém saídos do grupo Abolição, que gravou com o Dom Salvador o cultuado Som, Sangue e Raça (1971) - além dos excepcionais Jamil Joanes (baixo), Cristovão Bastos (teclados), Luiz Carlos Batera (bateria) e Cláudio Stevenson (guitarra), o grupo produziu o disco instrumental mais dançante do Brasil.
Logo de cara, o groove contagiante de "Maria Fumaça" traz uma brasilidade oriunda da gafieira carioca nunca antes vista no funk (e eu não estou esquecendo do Jorge Ben).
O ritmo desconcertante de "Na Baixa Do Sapateiro" (Ary Barroso) comprova a qualidade técnica de todo o grupo. Já no tema de "Mr. Funky Samba" é o baixo tão grooveado quanto melódico do Jamil Joanes que rouba a cena.
A banda mostra que também sabia interpretar canções de outros autores, vide as estonteantes "Baião"(Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) e "Casa Forte" (Edu Lobo).
Após o sucesso deste disco, o grupo ainda gravou o também ótimo Saci Pererê (1980) e acompanhou nomes como Caetano Veloso e Raul Seixas. Hoje a Banda Black Rio sobrevive nas histórias dos bailes que promovia e. principalmente, através deste álbum, constantemente citado entre os prediletos de caras como Mano Brown e Ed Motta, além de sampleado mundialmente.

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