sexta-feira, 5 de agosto de 2011

TEM QUE OUVIR: Metallica - Master Of Puppets (1986)

O Metallica é sem dúvida o mais emblemático grupo de thrash metal da história. Somando a urgência punk com as passagens melódicas típicas da NWOBHM, o Metallica popularizou a sonoridade da Bay Area logo no seu primeiro disco, Kill 'Em All (1983). Mas foi no terceiro trabalho que o grupo encontrou a perfeição do estilo. Master Of Puppets (1986) definiu os caminhos do metal dali em diante.


O álbum começa com a espetacular "Battery", dona de uma introdução recheada de violões e guitarras harmonizadas, bruscamente interrompida por um riff agressivo, onde a palheta parece esfarelar tamanha velocidade e pegada do James Hetfield. Sua performance fez escola, sendo as guitarras da composição o retrato do que hoje é conhecido como metal, independente de suas subvertentes.

A tendência após um começo tão matador seria a banda tirar o pé do acelerador, fato que não acontece. "Master Of Puppets" chega empunhando um dos mais famosos riffs de todos os tempos, além de refrão memorável. Todavia, é o épico solo ultra melódico da canção que levou a brutalidade do thrash metal para um território pouco explorado pelo estilo. Peso e sensibilidade unidos num clássico.

"The Thing That Should Not Be" é mais lenta que as demais faixas, mas a quantidade de riffs pesados é tão absurda que a "lentidão" não interfere na brutalidade do arranjo. Destaque para o solo esquizofrênico de Kirk Hammett, carregado do seu famigerado wah-wah.

Se eu tivesse que apontar uma balada dentro deste oceano de porradaria, certamente seria "Welcome Home (Sanitarium)". A composição é preenchida com as típicas viradas sincopadas de Lars Ulrich.

"Disposable Heroes" leva o disco novamente para o território thrash, expondo riffs com palhetadas assustadoras, bateria arrasadora e um dos refrães mais pegajosos do estilo. 

Um adendo importante é que o peso do Metallica não é exclusivo do intenso instrumental. Letras como a de "Leper Messiah" ajudam a deixar a agressividade da banda ainda mais explícita. Temas como guerras, loucura e uso religioso permeiam as composições. 

O disco segue com "Orion", faixa instrumental que evidencia o talento do lendário baixista Cliff Burton. Além de seu apurado nível técnico e timbre peculiar, o que mais chama atenção é o seu ótimo senso melódico.

Pra fechar o trabalho temos a tenebrosamente brutal "Damage, Inc", que além de ter como referência "Come, Sweet Death" do Bach, deixa latente a velocidade e o peso do Metallica, características que deram prestígio ao grupo na década de 1980, mas que se perdeu nos anos seguintes.

Um comentário:

  1. Melhor disco do Metallica sem dúvidas (não o "Black Album" ou qualquer um dos dois anteriores).

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