sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

TEM QUE OUVIR: Einstürzende Neubauten - Kollaps (1981)

O Einstürzende Neubauten sempre foi uma referência de extremismo sonoro. Mas não qualquer extremismo. Eles pegaram o vanguardismo da música concreta ("Risveglio De Una Città" do Luigi Russolo que o diga) e uniram a uma atitude punk de despir a noção de "bom gosto". Eles fizeram isso munidos de ferramentais inusitadas quando pensadas enquanto instrumento. O resultado é o desafiador Kollaps (1981).


Trazendo na linha de frente o Blixa Bargeld (posteriormente parceiro do Nick Cave no Bad Seeds) acompanhado de dois percussionistas/alquimistas dos ruídos (N.U. Unruh e F.M. Einheit), esses trio alemão de nome impronunciável fez da sua ousadia algo admirável, mesmo por aqueles que não entendem sua proposta caótica e destrutiva.

A abertura com "Tanz Debil" é o guia definitivo do metal/rock industrial. Trent Reznor certamente bebeu dessa fonte de ritmos braçais, devaneios poéticos e distorções enlouquecedoras. Um petardo!

As furadeiras (ou britadeiras) em "Steh Auf Berlin" são seguidas por um ritmo que soa como se o Blue Man Group fosse jogado num forno industrial. Algumas interferências eletrônicas e algo semelhante a bombas explodindo se unem nesse groove fabril.

O som aquático de "Negativ Neil" parece surgir para apagar a chama. Isso não fosse o canto que mais parece um grito de uma tribo do inferno.

"U-Half-Muzak" soa como uma reforma dentro de uma caverna. Isso enquanto algo como uma broca odontológica, serra de azulejos e guitarras tocados por gorilas adentram nossa canal auditivo.

É interessante perceber não somente uso de instrumento inusitados (e aqui parece ter chapas e tubos metálicos, além de serrotes, tacos e martelos), mas também a manipulação com efeitos da fonte sonora, vide o que acontece em  "Schrmezen Hören".

No meio de toda essa confusão, o que será que eles quiseram dizer com a citação inusitada e perturbadora de "Jet'm" (Serge Gainsbourg")? De se estranhar também a quase litúrgica "Sehnsucht".

Em "Abstieg And Zerfall", o nível de tensão chega no limite do tenebroso. Mas nada que se equipare a longa "Kollaps", que no meio de tantas faixas curtas, chama atenção também por trazer um ritmo mais convencional, progredindo sorrateiramente como uma demência em estado avançado.

De extensa carreira, essa estreia do grupo continua soando como um robusto pilar desta fábrica de ruídos.

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