O álbum de estreia do Killing Joke é um divisor de água do pós-punk/rock alternativo. Não dá sequer para imaginar seu lançamento um ano antes. Ele tem a cara de uma nova década, apontando para diversas tendências futuras.
A tal década que era inaugurada tinha gosto amargo, onde reinaria a política de Margaret Thatcher e Reagan. O clima sombrio não era propicio para delicadezas. O Killing Joke logo entendeu isso. Basta olharmos para capa contendo uma foto de autoria do Don McCullin, onde jovens irlandeses pulam um muro durante conflito com tropas inglesas.
Sonoramente, a barra pesa através de sintetizadores que se entrelaçam a guitarras tão cortantes quanto etéreas, além de ritmos nocauteadores, vide "Requiem", faixa que abre o disco.
Os ritmos tribais são estranhamente funkeados, como evidencia a freneticamente dançante "Bloodsport", com direito a contagiante linha de baixo do Youth. Essas são as características predominantes no álbum, além, é claro, do clima perturbador proposto pelo insano líder crowleyano Jaz Coleman, que deixa a entender que algo muito ruim está preste a acontecer.
Via as guitarras ruidosas, "The Wait" soa como um proto-metal industrial. O caos sonoro proposto pela pesada "Wardance" é tudo que o Ministry queria ter feito (e de certa forma fez). "S.O.36" é um épico apocalíptico. Já "Primitive" fecha o disco embalando tudo num baixo poderoso.
Os shows insanos, as letras violentas e até mesmo a imagem de um "Jesus perverso" usada na parte interna do disco causou burburinho. Mas no geral, Killing Joke é "apenas" o primeiro ato de uma banda que viria a fazer muito mais estrago.

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