quinta-feira, 26 de março de 2015

TEM QUE OUVIR: Os Paralamas do Sucesso - Selvagem? (1986)

Ao lado do Barão Vermelho, Os Paralamas do Sucesso foi a principal banda brasileira de rock a despontar na década de 1980 através do Rock In Rio. O grupo fez isso com muita competência técnica, identificação com o público jovem em meio a uma derradeira ditadura militar e, até mesmo, copiando trejeitos sonoros do The Police. Ainda que ótima, essa fórmula tinha prazo de validade. Sendo assim, com o terceiro disco - Selvagem? (1986) - o grupo buscou uma linguagem própria que garantiu longevidade para a banda.


Com o BRock oitentistas se firmando como a nova música pop/jovem brasileira, os Paralamas foram de encontro as raízes sonoras tupiniquins. O rock nacional poucas vezes teve um sotaque tão latino. 

A influência da guitarrada/lambada/jùjú music se faz presente em diversas faixas, evidenciando o flerte não só com a MPB, mas também com a música africana e da América Central, embora sempre orientada pela pegada rockeira do trio. Isso se faz presente na clássica (e caribenha) "Alagados", de refrão não menos que poderoso.

Já a influência de ska, dub e reggae é nítida em "Teerã" (letra dramática, belo solo de guitarra!) e na divertida "Melô do Marinheiro", ambas com ótimas linhas de baixo do Bi Ribeiro. "There's A Party" chega até mesmo a remeter ao The Specials. 

"A Novidade" também é calcada nos ritmos jamaicanos, só que aqui com destaque para a letra soberba do Gilberto Gil. Sem dúvida uma das mais memoráveis canções do rock brasileiro.

João Barone é um baterista espetacular, que demonstra toda sua habilidade no dub "O Homem". Já a guitarra rítmica precisa de Herbert Vianna salta aos ouvidos através do riff de "Selvagem", que contém uma letra infelizmente atemporal.

Vale ainda se atentar para a fantástica "Marujo Dub", obviamente calcada no estilo jamaicano, provavelmente pela primeira vez em território brasileiro.

Selvagem? é indiscutivelmente um clássico do rock nacional, que assim como tantos outros da década de 1980, foi produzido pelo Liminha. O mais importante disco do Paralamas.

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