segunda-feira, 15 de setembro de 2014

TEM QUE OUVIR: The Rolling Stones - Let It Bleed (1969)

Após o terror provocado em Altamont - com direito a assassinato na platéia pelas mãos dos Hells Angels, contratados pelos Rolling Stones para fazer a "segurança" do festival -, a banda renasceu mais perigosa do que nunca em Let It Bleed (1969), onde qualquer semelhança com com Let It Be dos Beatles não é mera coincidência. Para muitos, chegava os Stones em sua melhor fase.


Lançando em plena Guerra do Vietnã, o grupo sentiu que não era hora de aliviar a mão. Outra batalha que ocorria na mesma época era a da banda contra um já pirado Brian Jones, sendo esse o último álbum a conter sua participação, mais precisamente nas faixas "You Got The Silver" - a primeira a contar com a voz principal do Keith Richards - e no épico bluseiro "Midnight Rambler".

Mas é arrasadora/mítica "Gimme Shelter" que abre o disco, com direito a refrão visceral e vozes femininas herdadas do gospel/soul. Gravação quente e transpirante. Espetacular.

"Love In Vain" (Robert Johnson) tem a guitarra blues preciosa de Mick Taylor, sendo essa sua primeira participação determinante nos Stones. 

Não é possível também passar batido diante do refrão pegajoso de "Country Honk", versão acústica e menos popular de “Honky Tonk Women”, lançada meses antes como single. Confesso amar as duas e me dou o direito de não apontar a favorita. 

Da linha de baixo, passando pela guitarra descomunal de Keith Richards e o vocal intenso de Mick Jagger, "Live With Me" é um dos melhores rock n' roll do grupo. Já a parcialmente acústica "Let It Bleed" é uma típica composição brilhante da dobradinha Keith/Jagger.

Adoro essa ebulição espontânea sentida na gravação da “Monkey Man”. É o rock n’ roll incerto, sujo, de desenvolvimento lento e cheio de molho. Vale pontuar que no piano está o Nicky Hopkins. 

Fechando o álbum ainda é possível destacar a espetacular "You Can't Always Get What You Want", uma linda balada gospel que desencadeia num perfeito rock de arena, com direito a inteligentes viradas de bateria do subestimado Charlie Watts.

Após esse trabalho, a banda partiu rumo ao colossal de obras como Sticky Fingers (1971) e Exile On Main St. (1972) - ambos já presentes no "Tem Que Ouvir" deste humilde blog, todos produzidos pelo Jimmy Miller -. Foi aqui que o caldo começou a engrossar pra valer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário