O guitarrista, vocalista e compositor Buzz Osborne é quem lidera o combo, trazendo ao disco uma mistura doentia de Black Sabbath com Black Flag. Isso com uma produção densa e enorme, típica do período. O som da banda parece reverberar no ambiente. Isso fica nítido logo na abertura do disco com "Hooch" e "Night Goat". Avassalador.
Poucas faixas são tão intensas quanto "Honey Bucket". Seu riff é saturadíssimo, pesado, viscoso e absurdamente grave. Somando isso a uma voz cavernosa, baixo corrosivo e a bateria troglodita do Dale Crover, temos um dos pilares do stoner rock e sludge metal, ainda que a grande mídia os jogasse no saco do grunge, o que não é completo absurdo, vide a melancolia, dinâmica e peso de “Lizzy”.
Na onda do Nirvana, "Set Me Straight" não faz feio, sendo seu lado "pop"/melódico um tanto quanto "marofado". Entretanto, é na esquisita "Sky Pup" que o Kurt Cobain dá as caras pra valer.
Adoro o clima de tensão construído através do groove espaçado e acordes monolíticos/distorcidos intermináveis de "Hag Me".
O timbre de guitarra em "Joan Of Arc" é uma massaroca impressionante que ainda hoje muita banda tenta imitar.
"Teet" é daquelas faixas acachapantes para ouvir esmurrando a parede e deixando se levar pelos instintos mais primitivos de sua persona.
A barulheira típica do grupo é embalada por uma execução entusiasmante na carismática "Copache".
Finalizando, "Spread Eagle Beagle" mais parece um experimento que fica entre o industrial, noise e field recordings. Os ritmos tribais, provavelmente improvisados, são captados majestosamente, trazendo o ouvinte para dentro do ambiente. Beira o assustador.
O Melvins tornou-se um dos grandes nomes do metal alternativo, sendo que o Houdini representa uma época comercialmente tão maravilhosa para o rock que nem parece que existiu.

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