domingo, 18 de maio de 2014

TEM QUE OUVIR: Sigur Rós - Ágætis Byrjun (1999)

Em 1999 - virada do milênio, onde havia um clima de "busca pelo som do futuro" - o Sigur Rós, banda islandesa de post-rock, despontava com sua sonoridade etérea e singular, com traços minimalistas e forte enfoque nas melodias. O disco responsável por levar a banda aos holofotes foi o Agaetis Byrjun.


Sendo o primeiro lançamento do grupo a contar com o multi-instrumentista Kjartan Sveinsson, a banda transborda em suas composições singelos detalhes. Com arranjos de perfil clássico e produção discretamente moderna, o grupo criou um dream pop/post-rock sofisticado e acessível.

Sua capa, assim como todo o conteúdo sonoro, é altamente introspectiva. Por conta da carga emocional presente nas faixas, muitas delas foram constantemente usadas em trilhas sonoras. É o caso da maravilhosa "Svefn-g-englar", dona de notas gotejantes e arranjo contemplativo. Seu final é de beleza ímpar.

São as vozes em falsetes impressionantes num dialeto próprio (vonlenska), a densidade das composições, a dinâmica dos arranjos, os timbres de teclados herdados da música ambient e até mesmo a maneira singular que Jónsi toca sua guitarra - com arco de violoncelo, extraindo texturas mais próximas do The Edge do que do Jimmy Page - que fazem com que "Flugufrelsarinn" e "Vidrar Vel Til Loftárása" soem tão belamente particulares.

Vale também destacar a elegância sinfônica de "Starálfur" e o lirismo apaixonante de "Agaetis Byrjun". 

Ousado, peculiar e delirante, o álbum olha para o futuro sem esquecer a beleza melódica (e melancólica) do passado. O Sigur Rós encabeçou um estilo sonoro, representando mundo a fora seus contemporâneos/conterrâneos do Amiina e Múr. Perfeito para noites frias, Agaetis Byrjun é pura catarse musical.

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