Não faria o menor sentido falar sobre os grandes shows de 2020, visto que esse ano foi todo cagado. Foi o primeiro ano desde que eu tenho uns 12 anos que eu não fui em NENHUM show.
Os únicos shows internacionais que eu lembro que chegou a rolar no Brasil foram os do TTNG, Amenra, John Cale e Martin Barre. Obviamente todos bem no começo do ano.
Já os cancelados/adiados vale uma lista, só para deixar registrado o estrago: Travis Scott, Lana Del Rey, James Blake, Brockhampton, Charli XCX, Kali Uchis, Denzel Curry, Idles, King Princess, Tierra Whack, Sammy Hagar, Wu-Tang Clan, Black Midi, Taylor Swift, Billie Eilish, Kero Kero Bonito, Converge, Propagandhi, Napalm Death, Thundercat, Pentagram, The Yardbirds, Gong & Steve Hillage, fora o Setembro Negro (com bandas como Diamond Head, Angel Witch, Vio-lence, Tribulation), dentre tantos outros shows nacionais.
Por outro lado, o fenômeno das "lives" serviu para entreter, diminuir o tédio na quarentena e até mesmo gerar alguma renda para diversos artistas e trabalhadores do backstage, tão duramente atingidos nesta pandemia.
Esse formato, embora não seja o ideal e muito menos equivalente a presenciar um show de corpo presente, pode ser interessante se bem trabalhado. Acho que tem tudo para evoluir e continuar a gerar frutos (artísticos e econômicos) para quando a pandemia passar.
Eu prefiro a ideia de "lives" mais "caseiras" (fundamental diante da pandemia), com menos publicidade e mais espontaneidade. Eis alguns exemplos que curti:
Não somente uma apresentação, mas uma aula (no sentido real da palavra). Nada de afetação, apenas ele e o piano. Bem legal.
Com direito ao primeiro completamente bêbado. Juro que me diverti. É o suficiente. Mas não é nada muito sério ou que mereça ser revisto.
Melhor que a "live" em si, que comemorou os 78º aniversário do Caetano, foi ver o jornalismo brasileiro demonstrando ignorância ao apontar como exotismo o fato do Moreno Veloso ter tocado prato-e-faca, instrumento tradicional no samba baiano e carioca, que tem inclusive a Dona Edith Do Prato como símbolo máximo. De resto, um momento bonito de um gigante da canção brasileira.
Os irmãos mais extremos do metal mundial numa performance que revela a força braçal do trio.
Ele sabe o que faz. Aquela típica "live" que traz alegria em meio a tempos difíceis.
Transmitido pela Globoplay, a live do Paulinho da Viola foi das melhores produzidas. Nada de invencionismo, mas muito bem captada. Sua interpretação e repertório é acima de qualquer suspeita. Genial.
Uma nem tão surpreendente, mas curiosa interação. Funcionou em alguns momentos. Valeu pela curiosidade.
Me surpreendeu o profissionalismo da banda. Das melhores "lives" que assisti. Simples e muito bem feita.
40 anos de uma das melhores e mais importantes bandas do Brasil. Além da performance arrebatadora, há depoimentos bem legais sobre o grupo, do Mano Brown ao Edgard Scandurra.
Fino, sério, elegante, majestoso... a guitarra brasileira com personalidade e brilhantismo.
Rolou um festival online da Adult Swim, que entre ótimos shows do Kamasi Washington, Colin Stetson, Algiers e Mastodon (vale conferir todos!), saltou aos meus ouvidos e olhos a apresentação do Blood Incantation, que eu tinha adorado o último disco, mas nunca tinha visto nada ao vivo. E é uma cacetada! Os músicos são bem competentes. Prato cheio para quem gosta de death metal.
Tão cru quanto cristalino. No meio do mato, com sua voz grave e profunda, boas histórias e performance graciosa.
Um dos melhores grupos de hip hop da atualidade numa performance corrosiva. Produções altamente abrasivas. Espetacular.
Não basta ter lançado algumas das melhores canções pop do ano, ela precisa ser tão linda e carismática?
Uma das melhores bandas da atualidade no estúdio mais lendário de todos os tempos. Execução e captação calorosa de um repertório acima da média, com direito a versões "estranhas", mas que eu adorei, vide "Reptilia" (Strokes).
A banda é ótima, não teria como não funcionar. Cada um na sua casa, mandando ver nos seus respectivos instrumentos. Soa um pouco sintético - como tudo feito por eles -, mas é bacana.
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