segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

RETROSPECTIVA 2021: Lançamentos (Incluindo os MELHORES DISCOS DO ANO)

Chegou janeiro, mês em que a "tradicional" lista de melhores do ano do País do Baurets dá as caras. Ao contrário de tantos outros sites/blogs, evito soltar listas antes do tempo. Se o ano termina às 23h59 de 31 de dezembro, não vejo sentido em publicar no começo de dezembro.

Reconheço que citar mais de 100 discos de um único ano é exagero, ainda mais atualmente, onde tudo parece ser tão descartável (não enquanto obra, mas enquanto hábito de ouvinte). Todavia, não deixaria de postar algo bacana só para me enquadrar num número pré-estabelecido.

Apesar da grande quantidade de álbuns, fiz descrições curtinhas (não são críticas, muito menos resenhas, são descrições), justamente por entender que, embora as pessoas tenham sede de conhecimento, nem todos têm tempo/interesse/prazer de ouvir tantos lançamentos, muito menos de ler a minha irrelevante opinião sobre tais obras.

Mas tá aí, o trabalho sujo está feito. Com direito a uma faixa destaque para cada disco (exceto nos "MELHORES DISCOS DO ANO", ao menos esses escutem inteiro).

Mais que uma crítica, esse post é um apoio para quem quer caçar uma novidade (e um HD externo para eu mesmo catalogar minhas audições/preferências).

Obviamente muitos prováveis grandes discos ficaram de fora simplesmente por eu não ter tido tempo de ouvir. No passado isso me causava angústia, hoje deixo rolar, conformado com a impossibilidade de conferir tudo. De qualquer modo, se tiverem alguma grande indicação para fazer, é só colocar nos comentários.

Separei tudo em ordem alfabética. Nacionais e internacionais, tudo misturado. Sem pódio de chegada ou beijo de namorada. Acho que assim fica mais fácil procurar algum lançamento específico. Todavia, como tem quem se interesse em saber as predileções nacionais, deixo aqui a menção honrosa aos discos do Amaro Freitas, Desalmado, FBC, Febem, Jadsa, Juçara Marçal, Linn da Quebrada, Pabllo Vittar, Papangu e This Lonely Crowd. Destrincho cada um deles mais abaixo.

Vale dizer que, por mais que tenham tidos excelentes lançamentos, que tanto nos confortaram em tempos tão sombrios (pandemia, governos de merda), esse talvez seja o ano desde o início do blog com menos álbuns entre os grandes destaques. Não sei se foi uma questão de produção artística ou de recepção da minha parte. Ainda assim achei curioso.

Sem mais delongas, vamos para a lista:


MELHORES DISCOS DO ANO (SEGUNDO EU MESMO)

Cotação subjetiva: 8-10


Black Country, New Road: For the first time 

No wave, pós-punk, funk rock, rock in opposition, spoken word, jazz... as referências são muitas dentro deste caldeirão repleto de urgência, rispidez, balanço e criatividade. É espetacular como a soma da interpretação vocal desenfreada com metais explosivos cria uma contagiante sensação de paranoia. Uma estreia no mínimo bombástica.


Black Midi: Cavalcade 

Embora já esperasse algo especial, o segundo álbum desta banda superou minhas expectativas. Me soou ainda mais arrojado, intenso e criativo. Embora cheio de quebradeira, há também muito groove e calor na execução, não soando nem metódico, nem bagunçado. Dentro desse amontoado de art punk, jazz rock e rock progressivo, alguns momentos me lembraram o Mars Volta, só que com vocalizações de crooner estranhamente melódicas. Há no miolo do álbum momentos cerebrais que são ultra provocativos. Impressionante.


Iceage: Seek Shelter 

Fazia tempo que não ouvia um disco do rock alternativo com a qualidade de transparecer tanto emoção quanto urgencia. Há arranjos soberbos, inclusive com ecos gospel e de britpop (dos Stones ao Oasis), mas que não soam dad rock. Tá mais para uma transposição temporal do que fazia o Spiritualized. Adorei as melodias e a interpretação. As mãos do Peter Kember na produção parecem lapidar não somente os timbres, mas principalmente as composições. Embora a discografia seja de alto nível, é o álbum do Iceage que mais me pegou.


Little Simz: Sometimes I Might Be Introvert Com uma exuberância sonora impressionante, a rapper faz deste álbum uma experiência cinematográfica. É uma produção cristalina (e robusta), com arranjos grandiosos (e orquestrais) - com as mãos do Inflo -, elegância soul e canções memoráveis. Até as vinhetas/interlúdios são espetaculares. Seu flow também me pareceu ter saltado de qualidade. Tão rico quanto brilhantemente acessível


Low: HEY WHAT A já veterana banda de slowcore em seu provável melhor momento. Suas composições lindíssimas são elevadas ao patamar de brilhantismo via arranjos e produções improváveis (e aqui a mão do BJ Burton fala alto), que fazem do noise e drone algo belo, arrojado, soturno e de personalidade.

Panopticon: ...And Again Into The Light 

O projeto do Austin Lunn chega a sua perfeição através deste álbum colossal, de execução e produção fuzilante, mas que tem como maior qualidade elevar o black metal à um arrojo composicional épico sem soar besta. Inclusive, a já conhecida fusão com a música folk americana é feita com enorme eficiência sônica. Há momentos bastantes atmosféricos. Tudo isso muito bem interpretado. O metal em estágio cinematográfico.


Silk Sonic: An Evening With Silk Sonic
Bruno Mars e Anderson .Paak, ambos já aclamados e no auge da sintonia, num álbum que tinha tudo para ser pastiche (e de certa forma é), mas que é tão bem composto (tem cada harmonia, cada melodia, cada letra divertida), executado (os grooves, o carisma na interpretação vocal) e produzido (orgânico, cristalino e caloroso) que torna-se um biscoito fino de funk e soul music. Tudo com um alcance pop impressionante. É o registro sonoro que representa o fim da pandemia. Podemos voltar a sorrir, dançar e se apaixonar. Assim espero.


Turnstile: Glow On

No álbum passado, apesar das críticas negativas da imprensa, eu já tinha dado a letra que a banda era especial. Agora parece que todo mundo percebeu. É um post-hardcore pegajoso, divertido, encorpado e cheio de personalidade. Não estranhe encontrar um solo shred seguido de algum ritmo latino, fúria grunge ou boas texturas. Tudo isso com uma pegada intensa. Fora que as canções são muito carismáticas, chegando a remeter ao Weezer. Outras lembram um "Fugazi mais acessível". Inclusive, andam falando muito de um retorno do pop punk, o que para mim é sonoramente melhor representado aqui. Daqueles discos que vire e mexe me pego ouvindo novamente. Muito legal.


ABAIXO ESTÁ O BOJO DA LISTA. SÃO OS ÁLBUNS QUE OUVI PARA CHEGAR AOS MEUS PREDILETOS. CLIQUE NO MAIS INFORMAÇÕES CASO SE INTERESSAR.

SEPAREI UMA BREVE SEÇÃO PARA FILMES/DOC/DVD/SHOWS SOBRE MÚSICA TAMBÉM.


SEPAREI ENTRE "BONS" (6-8), "MEDIANOS" (4-6) E "RUINS" (0-4).


- Nome da banda: Nome do Disco (Pequena descrição pessoal). Melhor faixa

Em negrito alguns destaques.

- Adele: 30 (Um disco honesto, confessional (mais um entre tantos sobre divórcio) e refinado de uma das vozes mais celebradas do pop atual. Adorei os arranjos à la “trilha da Disney” com pitadas das girlgroups. Isso sem mencionar as sempre convictas interpretações vocais, mesmo quando pende para o cafona (e isso ocorre com certa frequência). Ela é boa, ela sabe das coisas). I Drink Wine


- Adeline Hotel: Good Timing (Mais um tremendo violonista que surge no radar. Cordas de aço num vôo solo, construindo paisagens folk introspectivas. Bonito, cristalino e na medida (pouco mais de 20 minutos). Acompanha café). Reliable Feelings


- Ad Nauseam: Imperative Imperceptible Impulse (Death metal ultra técnico que abusa do virtuosismo em prol das canções. Gosto como a banda não se restringe ao gênero, trazendo uma riqueza composicional de fonte ainda desconhecida por mim. Tudo muito extremo e arrojado. A captação é brutal, mas sem soar artificial (atípico neste segmento). Execução não menos que voraz. É mais que o suficiente para ser apontado como um dos grandes álbuns de metal do ano). Imperative Imperceptible Impulse


- Alexis Marshall: House Of Lull. House Of When (O líder do Daughters num disco menos rock e mais noise (ou industrial, só que na origem dessa vertente). Ao intercalar momentos de densidade desesperadora (se assemelhando a tortura física e psicológica) com textos pesados, o disco muitas vezes incomoda. Mas sua interpretação e direcionamento para os instrumentais metálicos e primitivos criam também cenários enlouquecedores atraentes). It Just Doesn’t Feel Good Anymore - Alluvial: Sarcoma (Eu tenho preferência para trabalhos de death metal mais “podres” e/ou ousados do que tecnicamente avançado (e até mesmo melódico/prog) como o que encontramos aqui. Entretanto, as guitarras do Wes Hauch fizeram minha cabeça. É uma cacetada). Sleepers Becime Giants


- Altın Gün: Yol (Confesso que ainda não tinha me atentado a esse grupo que, ao menos neste disco, propõe o encontro do indie, new wave, synthpop e psicodelia com vozes de características turcas, tanto nas melodias quanto na interpretação, repleta de vibratos expressivos. O repertório é encantador, indo de momentos mais "darks", mas também explorando canções de astral elevado. Muito bem executado e produzido). Hey Nari

- Amaro Freitas: Sankofa (Tá sacramentado: o Amaro Freitas é um dos grandes instrumentistas do mundo na atualidade. Seu piano transborda erudição, criatividade e carisma. Um feito enorme. Aqui temos composições jazzísticas deliciosas, executadas e captadas com maestria. Fora que eu adoro como ele exala brasilidade e herança africana espontaneamente). Ayeye


- Amyl and the Sniffers: Comfort To Me (Com uma vocalista carismática e de atitude a frente da banda, as canções, por mais simples que sejam, ganham doses de periculosidade que me atraem. Em alguns momentos remete aos grupos proto-punks. É bacana. Rock genuíno). Choices


- Another Michael: New Music and Big Pop (Um indie pop rock cuidadoso nos arranjos e na interpretação, com destaque para o vocalista, que por mais improvável que seja, eu adorei sua voz singela. Belas canções. Banda para ficar de olho). Not Home


- Arab Strap: As Days Get Dark (Grupo veterano que nunca chamou minha atenção, mas que aqui aparentou um refinamento geral, ou seja, nas composições, interpretação, arranjos e produção. O disco cresce nos detalhes. É dark e tem um sotaque britânico especial. Em alguns momentos me remeteu ao Nick Cave). Sleeper


- Arame: Christophobia (Mozine, Roberta e mais um pessoal desgraçado num chorume crust. É pesado, sujo, violento e lazarento. 15 minutos de grosseria). Sticking Money In The Ass


- Arca: Madre (Apostando na estética sonora da música sacra, a celebrada produtora apresenta algo tão provocativo quanto belo. Inesperado e emocionante). Madreviolo


- Arca: KICK ii (No primeiro álbum de sua sequência lançada este ano, a artista traz para a tão em voga música latina, uma carga de densidade apocalíptica. Não é um repertório memorável, mas é tudo tão detalhado e provocativo nas texturas, que não dá para ignorar). Rakata


- Arca: KICK iii (De beats e timbres sintéticos nervosos, esse álbum é uma britadeira sônica perfurando nosso canal auditivo, com a capacidade impressionante de fazer a gente querer mais. Isso porque há melodias e apelo em meio ao caos da produção. Abstrato, destrutivo e estimulante). Skullqueen


- Arlo Parks: Collapsed In Subneams (Aclamada estreia dessa cantora e compositora que transmite maciez com sua arte de apelo pop. Sua voz é graciosa. Ótimos timbres orgânicos permeiam o álbum. Tem algo “jazzy” à la Norah Jones no meio disso tudo. Bem bom). Black Dog


- Armand Hammer / The Alchemist: Haram (O duo se junta ao produtor num disco de beats enigmáticos e flow consistente. É abstrato, mas sem invencionismo besta. FIELDED, Earl Sweatshirt e Quelle Chris dão as caras. Estrondoso e surreal). Aubergine


- Arooj Aftab: Vulture Prince (Diretamente do Paquistão, um álbum lindo no nível emocionante. Adorei os arranjos de cordas (e inclua aqui instrumentos que sequer identifiquei) formando uma exuberante cama para a interpretação graciosa da cantora, com direito a melodias complexas típicas do oriente. Tudo isso com uma clareza cristalina. Atenção para a participação da Badi Assad). Inayaat


- Australian Bird Calls: Songs Of Disappearance (Li uma bizarra notícia de que esse disco, formado por cantos de pássaros australianos em extinção (daí o bonito e triste nome do álbum), havia ficado entre os mais vendidos da semana, superando até mesmo nomes como o da Taylor Swift. Como tenho interesse em field recordings e minha filhinha num tava querendo ouvir música alguma, coloquei esse disco e fui brincar com ela. Obviamente não dei a devida atenção, mas achei suficientemente curioso ao ponto de mencioná-lo aqui. Vale dizer que as vendas deste álbum beneficiam uma ONG de proteção aos animais).


- Bachi da Pietra: Reset (Esse grupo de rock alternativo italiano proporciona canções com certa densidade e dramaticidade (a língua contribui muito para isso). Nada que vá mudar o mundo, mas bem bom). Insect Reset 


- Backxwash: I LIE HERE BURIED WITH MY RINGS AND MY DRESSES (Com personalidade, peso (nível metal industrial) e uma carga emotiva depressiva, a artista construiu um repertório forte e de produção musculosa. Um dos álbuns de hip hop mais nocauteantes do ano). BURN TO ASHES


- BADBADNOTGOOD: Talk Memory (Agora um trio, o grupo canadense deu uma azeitada em prol da interação entre os músicos, soando mais intenso e espontâneo. Adorei os timbres extraídos, destacando até mesmo um calor de saturações orgânicas. É um jazz menos funk e mais rock. Ou ao menos deveria ser, não fosse as mãos do Arthur Verocai em arranjos orquestrados lindíssimos. Uma maravilha!). City Of Mirrors


- Batushka: Carju Niebiesnyj (Black metal moderno e ultra agressivo. Não há grandes concessões sonoras para quem não gosta do estilo. Produção cristalina como as labaredas do inferno. Tem algo épico, mas sem soar presunçoso. Pesado). Pismo III


- Beach Bunny: Blame Game (4 faixas em 14 minutos. Todas trazendo certo vigor e paixão dentro da estética pop punk. Nada de espetacular, mas desce redondo. É bacana). Good Girls


- Benny the Butcher / Harry Fraud: The Plugs I Met 2 (Um álbum que não faz concessão a modismo e a quem não gosta de rap. É um MC em grande forma e beats dos mais legais do ano. Não tem erro. Vale dizer que, obedecendo a sequência, a capa é novamente muito legal). Live By It


- Benny the Butche; Pyrex Picasso (Nada muito inventivo em termos de flow ou beats, mas ao mesmo tempo sonoramente redondíssimo, ao ponto de ser um dos trabalhos mais legais de rap deste ano. 20 minutos de momentos envolventes). PWRDRL


- Big Brave: Vital (Post-metal denso, espaçado (beirando o arrastado), grave e encorpado. Tudo isso numa produção moderna que não soa artificial. Gosto das linhas vocais mais acessíveis da cantora. Tinha elementos para soar pasteurizado ou até mesmo cafona, mas o resultado é intenso). Of This Ilk


- Billie Eilish: Happier Than Ever (Após sua explosiva estreia (em todos os sentidos: musical, cultural e comercial), eis um álbum mais “maduro”, talvez não do jeito ideal, já que perdeu muito do carisma jovial e das saturações timbrísticas. Mas tem boas canções, donas de sofisticação melódica, abordando de forma franca temas pessoais, além de cuidadosos arranjos.  É de certa forma versátil (tem influência de r&b, trip hop, techno e até bossa nova). Passa no teste do segundo álbum). Happier Than Ever


- Bill MacKay / Nathan Bowles: Keys (O violão colocado sob os holofotes da tradição da música popular norte-americana (country, folk, gospel). Parece algo do começo do século XX, só que com a captação cristalina de hoje. Se for pra ser conservador, que seja assim). Dowsing - Billy Brandão: O Bicho Tá Pegando (Vou fazer o melhor elogio que um guitarrista poderia ouvir: tem ecos de Jeff Beck. Muito bem composto, arranjado, timbrado, tocado… aquele "disco de guitarra" que atinge com louvor sua proposta). Acesso ao Camarim


- Black Dresses: Forever In Your Heart (Pensava que o duo tinha sido desfeito, mas aí elas ressurgiram com esse álbum muito melhor resolvido sonoramente que o anterior. Interpretação intensa e texturas ruidosas malucas. Tem algumas abstrações na produção que ainda me confundem, mas quando caí num "metal-industrial-hyperpop-glitch" é de virar o corpo do avesso. Até a capa é legal). PEACESIGN!!!!!!!!!!!!!!!!!


- Bladee: The Fool (Tem coisa que eu nem sei porque gosto. Eis um caso. É um trap esquelético, mas de bons beats. A voz do rapaz tá mais para um cantor ruim de pop punk do que pra trap. Mas o elementar é: as canções me fisgaram. Mas não boto a mão no fogo pra defender não). Let’s Ride


- Blair: Tears To Grow EP (Três faixas que retratam a angústia juvenil em meio a pandemia. A gravação lo-fi traz urgência para as composições. Além disso tem guitarras bagunçadas atraentes). Bur Or Flea


- Blessed: iii EP (4 faixas em 20 minutos. Me surpreendeu como elas trazem elementos de rock progressivo sem soar rock progressivo (!!!). A terceira música dá até “djentadas”. Mas não se engane, tá mais para um rock moderno calcado num pós-punk revival. Adorei as guitarras. Curioso). Sign


- Blu / Sirplus: For Sale (Ao lado do Sirplus, o Blu demonstra ser um dos rappers com vocabulário mais extenso. Seu flow é inquieto, ainda mais quando estimulado pelos feats.. E embora os beats não apresentem grande novidade ao beber da velha escola de samples jazzísticos, é provavelmente o estilo de batida que mais me agrada. Ótimo EP). Let It Shine


- Blu: The Color Blu(e) (O prolífero rapper num álbum temático onde ele abusa de bem escolhidos samples fazendo disso uma passarela para seus versos. Tem muito de soul e jazz neste caldeirão. O azul nunca soou tão musical). I Was Born To Be Blu(e)


- Bonde do Gato Preto: Eixta Muresta! (Em menos de 20 minutos, um apanhado divertido e contemporâneo da verdadeira música popular brasileira, que funde piseiro, bregafunk e o funk (principalmente liricamente) em produções estranhas de resultado bastante particular. É legal). Privilégio da Sua Sentada - Boris: No (Disco pesadíssimo - óbvio - desse grupo japonês fantástico, que aqui se equilibra entre o hardcore e o sludge. Riffs monstruosos, timbres volumosos, vozes rasgadas… tudo criando um repertório consistente). Loveless


- BROCKHAMPTON: ROADRUNNER: NEW LIGHT, NEW MACHINE (Apesar de algumas escorregadas (vide a fraquíssima “COUNT ON ME”), quando eles acertam é melhor sair de baixo. A individualidade de cada integrante se manifesta em flows cativantes. A presença de nomes como Danny Brown, JPEGMAFIA e SoGone SoFlexy traz ainda mais variedade. Isso sem mencionar a excelente produção. Bem bom). WINDOWS


- Caetano Veloso: Meu Coco (Após bons anos sem um disco de inéditas, Caetano volta sem arriscar nenhuma grande mudança sonora, o que não é necessariamente um problema, até porque os arranjos sempre trazem uma inquietação interessante. Se por lado sua voz me pareceu frágil (normal nesta altura da vida), com o lápis ele ainda é um talento a ser admirado. Longe de ser genial, mas bem bom). Não Vou Deixar


- Cadu Tenório: Signal Eustasy VI (Independente da simbologia de cada escolha sonora que este inquieto e prolífico artista opte por usar, o que sobressai em mim é a música em si, onde timbres, texturas e melodias valem por si só, ainda mais quando acompanhado de gente tão talentosa, vide Kiko Dinucci e Juçara Marçal. Abstrato e sensorial). Gunblade


- Camera: Prosthuman (Fazendo a ponte entre o krautrock e o post-rock, o grupo construiu um repertório viajante e ácido, mas sem soar meramente freak. Tem energia na execução. Ótimos timbres de sintetizadores. 90% instrumental). Harmonite


- Cannibal Corpse: Violence Unimagined (Nessa altura do campeonato, quem decide encarar um álbum desta lendária banda de death metal já sabe o que esperar. E o melhor é que eles entregam o que desejamos. Produção violentamente cristalina e volumosa, execução capaz de deixar o ouvinte escamado e faixas que demonstram evolução composicional impressionante. O que antes era exclusivamente agressivo, agora está muito mais lapidado. Infernal). Condemnation Contagion


- Carcass: Torn Arteries (Em mais uma de suas mutações, a lendária banda deixa seu death mais “arrastado”, inserindo elementos de thrash e até mesmo sludge. Há maturidade nas composições e na maneira mais “pé no chão” de pensar o instrumental. Continuam poderosos). Eleanor Rigor Mortis


- Cassandra Jenkins: An Overview On Phenomenal Nature (De repertório conciso e emotivo, a artista dá ao alt-country um tom atmosférico e bucólico. Orgânico, belo e direto ao coração). Crosshairs


- Catbite: Nice One (O rock solar sem ser rasteiro. É dançante e acessível em sua proposta de jogar no mesmo coquetel indie, pop punk, rock sessentista, surf rock e, principalmente, ska. A mistura ilumina o ambiente). Asinine Aesthetic


- Chika: Once Upon a Time (De flow cuidadoso e veloz, linguagem pop e beats cativantes, eis um EP certeiro. 14 minutos de êxito sonoro "jogando fácil". Uma das boas rappers da atualidade). Hickory Dickory


- Chris Corsano / Bill Orcutt: Made Out Of Sound (A pandemia definiu um novo conceito de jam. Baterias improvisadas recebem posteriormente overdubs de guitarras. Impressionantemente, a interação e gravação calorosa sugere até mesmo uma performance ao vivo. Gosto como o duo freneticamente arrisca ao buscar notas improváveis. Ácido). How To Cook A Wolf


- Chuck Johnson: The Cinder Grove (Embora não conhecesse o trabalho do artista, gostei de imediato da proposta: música ambient produzida através do pedal steel. E a verdade é que somando delays e reverbs ao instrumento, as cordas ganham eteriedade delirante. Álbum bem bonito, ainda que provavelmente restrito a um público específico. Sem destaque, o que vale é o todo).


- Clairo: Sling (Se na estreia da jovem cantora eu achei o hype completamente desproporcional, aqui o resultado, apesar de não ser impecável, mostra um amadurecimento espantoso. As composições são lindíssimas e de um tom confessional sincero. Mesmo sua voz melhorou muito. Há ainda belos e cristalinos arranjos que caminham entre o indie, folk, chamber pop e até pitadas jazzísticas (numa onda Joni Mitchell). Muito disso graças à colaboração do Jack Antonoff. Atenção para discretas e excelentes linhas de baixo. Surpreendeu). Partridge - Clara Iannotta: MOULT (Vou me poupar de escrever o que não sei ao citar a orquestra, regentes e instrumentistas envolvidos. Mesmo as qualidades formais desta obra é difícil para mim avaliar e descrever. Só o que posso dizer é que fiquei embasbacado com as nuances, climas e texturas presentes nesta obra. Em alguns momentos, me pareceu que a orquestra reproduz aqueles ruídos de glitch, só que de forma orgânica. É a música erudita ainda viva. Impressionante).


- Cloud Nothings: The Shadow I Remember (Diante da pandemia, um álbum menos arrojado e mais urgente (e até mesmo cru), o que não deixa de ser legal. Tem muito do indie rock noventista. Boas canções e performance). Only Light


- Converge & Chelsea Wolfe: Bloodmoon: I (Sendo bem honesto, de imediato achei algumas partes um tanto quanto arrastadas. Todavia, nas próximas audições fui adentrando ao som encorpado e viajante proposto por essas duas forças dos “sons pesados contemporâneos”. É quase um doom prog. É bacana). Daimon


- Conway & Big Ghost Ltd: If It Bleeds It Can Be Killed (Com rimas violentas e produção exuberante (com direito a beats climáticos e samples da soul music), o resultado é dos mais belos e emotivos discos de gangsta rap. Tem muito de uma aura 90's, mas numa produção cristalina, criativa e contemporânea). J Batters


- Conway The Machine: La Maquina (Um álbum tão voraz que dispensa canções memoráveis. Todos rimam com rebeldia e intensidade. Os beats são criativos. Uma audição que pode se perder a longo prazo, mas que no instante soa avassaladora). Scatter Brain


- Cory Wong: Cory Wong and the Wongnotes (O “badalado” guitarrista do Vulfpeck mostra toda sua destreza em grooves funkeados. E embora seja um funk extremamente disciplinado/polido, é inegável que é muito bem executado. É música pra músico dançar). Headin’ Down The Bunkers


- Cosmo Grão: Cosmo Grão E O Reflexo Do Que Não Se Vê (Com uma sequência esmagadora de riffs e timbres distorcidos ferozes (que baixo é esse!), cheguei a cogitar que estava ouvindo um trabalho instrumental do Helmet. Pancada diretamente do Recife). Error: Tilt Geral


- Cosmo Pyke: A Piper For Janet (Diretamente de Londres, esse jovem artista consegue em apenas 4 faixas alcançar uma sonoridade extremamente contemporânea e cosmopolita. Tem elementos de soul, reggae, rap, pop, jazz e indie rock em seu som. Tudo muito bem executado. Pra ficar atento). A Piper For Janet


- Courting: Grand National (Dá tão efervescente cena britânica atual de pós-punk, saí esse grupo que, pelo que vejo neste EP, é ultra energético, divertido e cheio de groove. Gosto do tom despojado das canções. É bom não se levar tão a sério. Os timbres crus são outro atrativo). Grand National


- Crypta: Echoes Of The Soul (Nunca um racha numa banda em ascensão foi tão vantajoso quanto o que ocorreu com a Nervosa. Não só a banda remanescente melhorou drasticamente, como o Crypta (grupo das debandadas) se mostrou poderoso com um repertório consistente, bastante puxado para o death metal, com execução e produção embasbacante. Há inclusive momentos de grande destreza técnica, sempre a serviço da brutalidade. Feliz ruptura). Possessed


- C. Tangana: El Madrileño (A prova de que, embora a indústria tenha abraçado o pop latino, não precisa ser rasteiro para triunfar dentro desta estética. Aqui o artista pega elementos do r&b, flamenco, reggaeton e funk e joga numa coisa só. É curiosa como a interpretação vocal tem muito coração, mas também muito processamento digital. Nomes como Toquinho, Gipsy Kings, Jorge Drexler, José Feliciano e Kiko Veneno trazem sofisticação e versatilidade ao álbum. A produção é ótima. Vale ouvir ao menos pela curiosidade). Nunca Estoy


- Cult Of Luna: The Raging River (O verdadeiro metal progressivo. Com cadência lenta, nebulosa e pesadíssima do sludge, o grupo reuniu um repertório que flui majestosamente. Há momentos bem climáticos, com direito a participação do Mark Lanegan. Interpretações ferozes). What I Leave Behind


- CZARFACE / MF DOOM: Super What? (A parceria volta a apresentar bom resultado neste álbum que tem como inevitável (e lamentável) plus ser a despedida do Doom, um dos maiores MC’s da história. Disco duro, eficaz e com momentos de sagacidade, embora sem invencionismo). DOOM Unto Others


- Damon Locks / Black Monument Ensemble: NOW (Uma experiência jazzística que traz raízes africanas dentro de uma estética moderna, dançante e com aura urbana e de resistência). The Body Is Electric


- Daniel Santiago: Song For Tomorrow (Esse talentoso guitarrista brasileiro entrega um punhado de boas composições que passeiam entre o AOR e a canção popular mineira setentista. Tudo muito bem tocado, com direito a participação do Kurt Rosenwinkel, Joshua Redman, Pedro Martins e Eric Clapton (!!!), esse último curiosamente na faixa mais fraca do álbum). Clara Manhã


- Danny L Harle: Harlecore (Um "bubblegum house" estrondoso e divertidíssimo. Nem nos momentos mais étnicos/trance dá para levar muito a sério. O que prevalece são batidas eletrônicas pesadas, num formato quase de "eurodance" e com uma bem-vinda ironia). Interlocked


- DARKSIDE: Spiral (Projeto do Nicolas Jaar com o Dave Harrington que me surpreendeu logo na primeira audição. Soa como um krautrock moderno, que abusa de guitarras, sintetizadores e grooves tortos em prol de canções de estruturas complexas. Adoro como há timbres tão cristalinos quanto corrosivos. Mixagem impressionante. Trabalho ambicioso, viajante e de grande êxito estético). The Limit


- Dawn Richard: Second Line: An Electro Revival (Não havia até então me atentado ao trabalho desse já experiente produtor, mas gostei do que ouvi aqui. Uma dance music esperta e cuidadosa, que pega elementos da eurodance, house e r&b contemporâneo para criação de faixas pulsantes, climáticas e melódicas que, não fosse a pandemia, não faria feito no nascer do dia ao sair ainda sóbrio de uma festa). Pressure


- Dax Pierson: Nerve Bumps (A Queer Divine Dissatisfaction) (O experiente produtor transita por diferentes equipamentos, épocas e cenários para construir um repertório forte e versátil. Um dos bons álbuns de música eletrônica do ano). Keflex

- Deafheaven: Infinite Granite (Esqueça o passado blackgaze, o grupo agora tá mais para “shoegaze encontra o emo” bem mais acessível, o que em alguns momentos pode parecer meio cansado, não fosse as canções gradualmente evoluirem para algo solene e estrondoso. Até entendo seus detratores, mas não me junto a eles, achei um disco bonito). Mombasa


- death’s dynamic shroud.wmv: Faith In Persona (Cheguei a esse trabalho via um vídeo do Anthony Fantano, mas apesar de toda a explicação, musicalmente não sei se posso dizer que entendi. É uma produção alucinada que une sons dançantes de clubs noturnos com uma atmosfera vaporwave. O pior é que funciona muito bem. Há um cuidado na construção dos ritmos e dos beats. Bem legal). Pop Chin 


- Deep Purple: Turning To Crime (É praticamente consenso que, por melhor que sejam os últimos discos do Deep Purple, o grupo não consegue mais compor algo minimamente memorável, embora a qualidade na execução sempre esteja lá. Deste modo, achei muito bem vindo um disco de covers feito pela banda. Eles mandam muito bem em versões para clássicos do Love, Fleetwood Mac, Ray Charles, Yardbirds, Cream, dentre outros. De botar sorriso no rosto). 7 And 7 Is


- Deerhoof: Actually, You Can (Um dos melhores discos dessa banda de rock alternativo conhecida por sua acidez sonora. A banda está tocando muito bem e aqui adotou um certo peso garageiro e virtuosismo interessante. Isso sempre a serviço de melodias e arranjos improváveis, beirando o torto. Bem legal). Plant Thief


- Desalmado: Mass Mental Devolution (Com exceção óbvia do Sepultura, acho que não tem banda brasileira de metal fazendo um trabalho mais interessante que o Desalmado. E não digo isso pra provocar comparações, mas para afirmar o potencial internacional do grupo. Esse disco é impressionantemente bem produzido, ressaltando todo o peso das composições. É um thrash moderno com pitadas de black e death metal. Fudido). Praise The Lord And Kill People


- Descendents: 9th & Walnut (Ao rever composições engavetadas do início da carreira, a banda trouxe o astral jovial para seu novo disco. É o pop punk de tiozinho. Eu adoro). Lullaby


- De Schuurman: Bubbling Inside (Produtor/DJ afro-holandês que trabalha em cima de um tal de bubbling house, nada mais que envolventes produções eletrônicas com elementos de techno, clima de rua, ritmos africanos e texturas alucinantes. É pancada). Bubbling Freakz


- Dijon: Absolutely (Um álbum que tem potencial de atingir status cult. Longe de ser perfeito, mas é que ele tem muita personalidade e ousadia tanto nas composições quanto na produção (é caseira? A capa e a sonoridade me leva a crer que sim). Isso, claro, dentro de um formato “pop” americano. Curioso. Vale se atentar para o audiovisual que ele lançou com o mesmo nove, complementando assim esse trabalho). Many Times


- Dinosaur Jr.: Sweep It Into Space (Sem mexer um miligrama no som da banda, o icônico trio reaparece com um disco que toca no coração de todos que os admiram. E pode botar eu neste time. Parece que foi gravado em 1991 (mas mixado hoje). Fora que algumas das melhores guitarras que ouvi esse ano está neste disco. É o suficiente para mim). Walking To You


- Divide And Dissolve: Gas Lit (Um duo feminino que soa como uma avalanche de sludge, doom, drone e post-metal, ou seja, é um estrondo. A gravação é bem orgânica e espaçada, captando a expressividade calorosa do grupo). Prove It


- Djonga: NU (Em cima de beats bastante diretos do Coyote, o rapper mineiro metralha para todos os lados em versos bem sacados. Adoro como sua interpretação está furiosa e até mesmo dilacerada. Em certo momento o disco fica meio repetitivo, mas ainda assim é de qualidade regular. Ele continua em ascensão). Nós - DJ Thales Jql: Barulho Jql (Funk gravíssimo, pra arrebentar falante e, se bobear, seus ouvidos. Ele é “inimigo das suas caixas”. Curiosamente, gosto também como as produções trabalham o silêncio. Intoxicante, afrontoso, maluco, sujo e estrondoso). Mega da Desgraçanagem Pt.1 - Don L: Roteiro Pra Aïnouz (Vol. 2) (Dono de um dos flows mais criativos e vorazes do rap nacional atual, Don L brilha ao fundir um lirismo de chamada revolucionária numa produção/beats “confortáveis”, quase de apelo pop. Tudo muito bem mixado, climático e detalhado). pânico de nada


- Dry Cleaning: New Long Leg (Confesso que as composições nem me pegaram em cheio. Todavia, essa estética pós-punk, com toques de Slint, spoken world feminino e guitarras tão simples quanto cuidadosas (soa como se o Television tivesse apenas um guitarrista), de alguma forma me convence por si só. Fora que o álbum vai ganhando força conforme novas audições. Interessante). Unsmart Lady


- Edgar: Ultraleve (Assim como no álbum anterior, acho que o disco perde a força no decorrer das canções. Entretanto, o estilo do artista é tão singular que não deixo de me envolver com os beats e produções de um synthpop futurista pós-apocalipse. Fora que seu lirismo e flow é especial). Saia da Máquina


- Editrix: Tell Me I’m Bad (Um noise-math-indie-rock esquisitinho recheado de guitarras cortantes como guilhotina, alguns momentos trazendo até mesmo referência do heavy metal (?). É sujo, estranho, torto e improvável). Torture - Eliminadorzinho: Rock Jr. (Grupo da safra que me acostumei a chamar de “rock triste”. Mas dentro deste segmento, eles soam bastante abrasivos. É um lo-fi com timbrões (tem cada baixo!). Gostei muito das canções e performances). Pompeia


- Elori Saxl: The Blues Distance (É o perfeito disco para ouvir antes de dormir. Música ambient de clima apaziguador, mas não monótono. É praticamente uma sinfônia, que traz sempre detalhes atrativos conforme as composições evoluem. Adoro também a fusão das orquestrações com timbres de sintetizadores. Ouça com carinho e atenção). Blue


- Erika de Casier: Sensational (Embora não tenha feito minha cabeça, é tudo tão redondo que não consigo mencionar pontos negativos. É bela a fusão do r&b alternativo com o pop. Já a interpretação da moça, ainda que bastante sóbria e plena, transmite dramaticidade, sensualidade e convicção. Boa produção. Talvez se fosse mais curto me agradaria mais, mas aí é problema exclusivo meu). Polite


- Eyehategod: A History of Nomadic Behavior (A veterana banda ataca novamente com seu sludge pesadíssimo com um pé no hardcore. Encorpado, arrastado e cuspido. Os riffs são meio "travados", mas o timbre é tão "mordido" que se torna destruidor. Para quem gosta da banda, não tem muito erro). Circle Of Nerves


- Fake Fruit: Fake Fruit (Embora imperfeito, eu adoro a crueza dessas bandas de indie rock tortas sem qualquer compromisso com o mercado, que se jogam em composições estranhas, de melodias angulares, letras irônicas, execução espontânea e muita referência do pós-punk/art punk. Eis aqui um ótimo exemplo disso). Don’t Put It On Me

- FBC: Baile (Uma ode a “tradição” do funk carioca, buscando nas origens do estilo a influência do miami bass. Isso via canções divertidas, socialmente engajadas, dançantes, bem construídas (é um épico!), densas e memoráveis. Vale dizer que o produtor VHOOR tá envolvido em todas as faixas). Rap da UFFÉ


- FBC / VHOOR / WRM: OUTRO ROLÊ (O funk e rap mineiro num aperfeiçoamento estético, refinado tanto nas composições quanto no flow, beats e produção. 6 canções não menos que cativantes). Levar A Sério


- Febem: JOVEM OG (Em menos de 30 minutos, o rapper aponta novos horizontes para o estilo em território nacional. Há elementos do grime em canções tão afrontosas quanto pegajosas. Suas rimas contundentes transmitem muita verdade. Fora que os beats do CESRV tão numa ascendência incrível. Bem legal). VAI PENSANDO


- Felipe Andreoli: Resonance (O baixista do Angra em seu primeiro disco solo. É um fusion djentado bastante do virtuoso e pesado. O fato dele contar com instrumentistas como Simon Phillips, Bruno Valverde, Virgil Donati, Bret Garsed, Guthrie Govan, Andre Nieri, dentre outros, dá ao trabalho uma excelência técnica impressionante. Gostei da captação e, dentro da nerdice shred, também das composições). Chaos Theory


- Femi Kuti / Made Kuti: Legacy + (O herdeiro legítimo do afrobeat num disco dançante, energético e combativo. Muito bem tocado. É mais que o suficiente). Na Bigmanism Spoil Government


- Fire!: Defeat (Diretamente da Noruega, um free jazz que consegue produzir momentos tranquilizantes, com direito a flautas progressivas. Mesmo as frases mais ruidosas e estranhas soam dentro de contexto agradável. Há ainda bons grooves e graves saborosos). A Random Belt. Rats You Out.


- Floatie: Voyage Out (Esse álbum tem o problema de levar tão às últimas consequências os compassos quebrados do math rock, o que cria uma linearidade por todo o disco que tende a ficar maçante. A interpretação vocal também é linear. Dito isso, é uma das vertentes dentro do rock alternativo que mais gosto, ou seja, me servi num prato cheio). Lookfar


- Floating Points / Pharoah Sanders / The London Symphony Orchestra: Promises (Ao contrário de muitos, não entrei em catarse com o disco, embora reconheça o enorme êxito na parceria, que busca unir sons eletrônicos atmosféricos, sax “espiritualmente” jazzísticos e orquestrações soberbas numa só obra. Tudo isso com captação límpida. Soa como uma viagem monótona rumo ao paraíso). Movement 6


- Florence Adooni: Mam Pee’Ela Su’ure (Eis a música gospel do Gana, repleta de groove e de um calor humano que abraça o ouvinte. Adoro os ritmos, os metais, a interpretação da cantora... duas faixas luminosas).


- For Your Health: In Spite Of (Uma massaroca energética que caminha entre o metalcore, screamo e djent. Muitas das faixas se perdem no caminho. Na real, não chega a tanto, às vezes só tomam um rumo que não me agrada tanto. Ainda assim, é entusiasmante os riffs, as levadas, berros e até mesmo a produção “artificial”. São muitos elementos problemáticos, mas que aqui funcionam bem). I Slept With Wes Eisold...


- Fossil: 4 (O mais legal deste trabalho é como ele soa “brasileiro” sem abordar a estereotipia musical do país. Tem groove, (des)construção rítmicas inusitadas, complexidade na forma das composições, uma atitude rockeira na execução, escolha interessante de timbres, dentre outras qualidades que constroem um cenário musical de muito frescor e tensão). Lombra 8 y 9


- Fresno: Vou Ter Que Me Virar (Mais uma vez o grupo liderado pelo talentoso Lucas Silveira dá suas escorregadas num repertório irregular. Todavia, senti influência do que o Bring Me The Horizon e o Queens Of The Stone Age têm feito ultimamente, extraindo peso de timbres sinteticamente podres. E isso é algo que me gosto muito. Tem boas canções e aponta um futuro interessante ao grupo). Vou Ter Que Me Virar


- Frontierer: Oxidized (Um alicerce de metalcore, djent e digital hardcore demolido por britadeiras descontroladas. É de peso alucinante e brutal, principalmente devido as guitarras de afinações graves e intersecções eletrônicas estranhas). / Hope


- Gallant: Neptune (Aquele r&b com cara de 2000, mas com uma cristalinidade na produção modernizada. Canções bonitas, que apelam para momentos “triste e com tesão”. Ótima interpretação vocal e harmonias cuidadosas). Dynamite


- Gaspard Augé: Escapades (Metade do Justice num álbum que sonoramente homenageia a electro-disco setentista e até mesmo o rock progressivo de viés eletrônico (algo meio Tubular Bells). O resultado é carregado de melodias viajantes, colorido de synths e faixas carismáticas. Obs: “Captain” seria um plágio de “As Dores do Mundo” do Hyldon?). Force majeure 


- Gatecreeper: An Unexpected Reality (7 faixas em menos de 7 minutos, seguido de uma paulada de mais de 11 minutos. Independente da discrepância de duração das composições, o que salta aos ouvidos é o peso bruto e moderno da banda, que fica no linear do death, thrash e crossover. Energético e interessante. Sem destaque).


- Genesis Owusu: Smiling With No Teeth (Uma estreia um tanto quanto provocativa, onde o artista transita pelo neo-soul, rap, pop e rock com uma fluidez espantosa. Fora que há arranjos e timbres bastante inusitados. Grata surpresa). Drown


- Giant Claw: Mirror Guide (Abusando de timbres sintéticos e elementos bruscos que surgem trazendo encanto, o artista chegou a algo próximo de uma sinfonia eletrônica absurda. Incrível o equilíbrio entre rispidez e beleza. Muito bem produzido. Me lembrou o trabalho do Iglooghost). Disworld


- Giovanna Moraes: III (Dona de grande capacidade musical, a artista pula de instrumento em instrumento em canções de indie pop rock com faro brasileiro. Sua voz também surpreende. Sem muita afetação, mas muito êxito sonoro. Belo EP). Rosalía


- God Is An Astronaut: Ghost Tapes #10 (O post-rock instrumental do grupo aqui aparece bastante encorpado e potente em suas nuances. Não vai mudar o mundo e, provavelmente, não lembrarei dos temas na semana seguinte a audição, mas nas vezes que escutei, foi uma experiência agradável e instigante. Sem destaque, é a típica viagem que vale como um todo). 


- Gojira: Fortitude (Das bandas mais aclamadas do metal atual, aqui mais uma vez demonstrando sua grande eficiência técnica. Tudo muito pesado, moderno e milimetricamente pensado. As faixas mais “inventivas” e melódicas, que fogem do estereótipo do grupo, revelam uma interessante inquietação, mas não me atraíram tanto musicalmente. Prefiro os momentos em que o já conhecido groove thrash nervoso dos franceses se sobressai). Born For One Thing


- Greg Koch: The Grip! (Um dos poucos guitarristas da linha “música para guitarrista" que ainda tenho interesse em ouvir trabalhos novos. Não por acaso, afinal seu fraseado é um espetáculo. Técnica precisa, composições bacanas e criativas (dentro desta linguagem), timbres orgânicos... Prato cheio se sua onda for guitarra fusion. Vale ouvir aos poucos, não somente devido a longa duração, mas para absorver tudo com calma). Draw My Number


- Gruff Rhys: Seeking New Gods (Ao se debruçar na história de um vulcão na fronteira entre a China e a Coréia do Norte, o líder do Super Furry Animals (do qual confesso não conhecer a carreira solo) entregou um dos mais acessíveis discos de rock progressivo (com pitadas de psicodelia e rock alternativo, claro) dos últimos anos. Tem aquelas camadas espaciais servindo de base para ótimas canções. Há ainda belas passagens de guitarra. Bem bom). Loan Your Loneliness


- Guedra Guedra: Vexillology (Lendo sobre, vi que esse DJ marroquino misturou polirritmias do gnawa, vozes Sufi e percussão dos berberes. É um caldeirão de elementos da música africana dentro de uma linguagem eletrônica que, acima de tudo, soou para mim calorosa, moderna e dançante). When I Run


- Guinga: ZABOIO (Tô na minha “fase Guinga”, de modo que desfrutei com grande alegria de cada letra, acorde, cadência e levada encontrada neste disco. É um “voz e violão” bastante cru e intimista, mas que vale por uma orquestra (literalmente, pense nos caminhos harmônicos como orquestrações). Mesmo sua voz falha busca heranças melódicas interessantíssimas. Vale dizer que a produção é do Kassin. Elegante). A Bailarina e o Vagalume


- Halsey: If I Can’t Have Love, I Want Power (Antes de tudo fica uma dúvida: adolescente ouve a Halsey? Porque o que eu vi foi um monte de “tiozinho” discorrendo sobre o Trent Reznor ter trabalhado com “uma nova estrela pop”, sendo que aparentemente a juventude não deu a mínima. Dito isso, é um disco pop bem legal, com momentos ganchudos e produção moderamente suja. Ótima mixagem. Longe de ser perfeito, mas desce bem). Easier Than Lying


- Hánkel Bellido: A Change Of Mourning (Me interesso por músicas fúnebres desde que comecei a ouvir requiems. Mais recentemente, gravações de cantos de funerais tem sido uma nova busca. Aqui temos um bonito documento da música andina vocal do Peru entrelaçada a tradição católica. Obviamente não é algo para ouvir a todo momento, mas é um ótimo material de pesquisa. Fora que é de uma crueza lindíssima. Sem destaque).


- Hassan Wargui: Tiddukla (Esse artista marroquino consegue com sua voz e banjo trazer muita luz para quem o ouve. Apesar da inegável interferência local, seu som é bastante palatável e colorido. Beira um “pop étnico”, apesar da longa duração das faixas. Não menos que agradável). Gar Miden


- Hiatus Kaiyote: Mood Valiant (Entre o rap, soul e o r&b contemporâneo, o grupo chega num repertório bastante redondo, com direito a ótima performance vocal e uma sensualidade presente de forma inteligente. Tem muito groove, ótimos arranjos e boa produção. Atenção especial para participação do Arthur Verocai). And We Go Gentle


- Home Is Where: I Became Birds (Embora não seja a minha praia, acho bacana ver o emo se estabelecendo novamente não somente como uma opção de música pop e jovem, mas também em estranhezas como essa, onde há desde levadas/instrumentação calcadas no folk, como também berros furiosos. Interessante EP). The Scientific Classification of Stingrays


- IDLES: CRAWLER (Simplesmente continuam como um dos melhores grupos de rock da última década. Neste álbum, dentro do seu já conhecido pós-punk, há uma variedade composicional, chegando até mesmo a buscar diferentes instrumentações para compor sua massa sônica. Liricamente as canções tomam lado bastante pessoais. Ótimos timbres e execução). The Wheel


- Iglooghost: Lei Line Eon (Um amadurecimento não necessariamente bem-vindo, mas surpreendente. Está tudo menos frenético, embora ainda estranho e de sonoridade contorcida. Há timbres de cordas, vozes melodiosas e bpm mais contido em meio à produções eletrônicas abstratas. Curioso). Light Gutter


- illuminati hotties: Let Me Do One More (Uma fusão sagaz e divertida do indie rock com o punk rock. A moça tem um astral próprio, que traz luz e força para suas canções. Jovem, acessível e bem executado). Joni: LA’s No. 1 Health Goth


- Índio da Cuíca: Malandro 5 Estrelas (Um veterano dos estúdios, mestre da cuíca, em seu primeiro registro solo. Incrivelmente versátil, encontrando o moderno via a origem afro do samba. Há momentos até mesmo ousados. Captação calorosa. Um documento para eternidade). Medley de Ogum


- Injury Reserve: By The Time I Get To Phoenix (Após a morte prematura de um dos integrantes, o grupo ressurge enquanto duo num álbum difícil. É um rap que não sei em qual subgênero se enquadra. Tem ricas texturas e beats inusitados, mesmo nas faixas que flertam com estilos menos complexos, como o trap. Uma proposta corajosa e, de certo modo, emocionante). Wild Wild West 


- Intercourse: Rule 36 (Nenhum disco de hardcore do ano soou tão visceral e brutal quanto esse. Adorei a captação tão crua quanto enorme. Já as canções são uma cacetada, ora beirando para melodias angulares, ora apenas não deixando pedra sob pedra). Crop Circle Jerk


- In Venus: Sintoma (Eu tenho certa resistência pra arte panfletária. Mas aqui, essa banda formada por mulheres consegue extrair tanta fúria e estranheza do instrumental, que o texto ganha uma força crua e necessária. Tem toques de no wave (nos grooves, nos metais, nas dissonâncias) em meio ao punk rock). Quatro Segundos


- Jadsa: Olho de Vidro (Com influência clara da Vanguarda Paulista (principalmente Itamar Assumpção), mas numa atmosfera pós-punk contemporânea, a artista chegou num resultado denso e lírico. Ótimos arranjos e belo uso de melodias angulares). Selva


- James Blake: Friends That Break Your Heart (Pouco artistas da atualidade tem a capacidade de enriquecer tanto uma composição quanto o James Blake. Isso passa por sua voz linda e emotiva (tem cada interpretação!), mas também por recursos diversos de produção que elevam e colorem sua arte. Isso tudo sem deixar de soar ultra palatável. Um dos melhores álbuns de música pop deste ano). Famous Last Words


- James McMurtry: The Horses And The Hounds (Um “dad” country rock tão bem escrito, tocado e produzido que embarquei involuntariamente na proposta. Parece aqueles álbuns gravados com os melhores músicos de estúdio. Atenção para a guitarras. É bacana). Vaquero


- Jana Rush: Painful Enlightenment (Através de texturas, timbres e beats riquíssimos, a artista cria toda um roteiro que, embora não tenha compreendido em sua totalidade, musicalmente por si só já funciona e instiga o ouvinte. Impecável mixagem e graves robustos típicos do footwork. Bem bom). Just A Taste


- Japanese Breakfast: Jubilee (Um indie pop que, embora não salte aos meus ouvidos e coração, transparece uma entrega composicional da artista. Há uma doce melancolia. Fora que os arranjos e a gravação é ultra cuidadosa e cristalina. Tem sua beleza). Paprika


- Jaubi: Nafs At Peace (Muito legal ouvir o jazz e a música indiana dentro de um contexto contemporâneo, não somente ao incorporar beats e produções mais urbanas, mas também ao abordar temas como as drogas, divórcios e descrenças religiosas. Um trabalho musical especial e necessário. Linda capa). Nafs At Peace


- Jazmine Sullivan: Heaux Tales (Dona de uma voz embasbacante, a artista faz com esplendor a ponte entre o passado e o presente do r&b. Isso tudo em pouco mais de 30 minutos. As composições são boas, mas é sua interpretação que ilumina o ambiente. É pop, sexy e muito bem produzido. Anderson .Paak e H.E.R. dão as caras). Pick Up Your Feelings


- J. Cole: The Off-Season (Para um rapper que nunca dei bola, esse disco me soou acachapante. É um pop rap/trap redondíssimo, que independente do texto, soa potente e agradável. Ótima mixagem e beats cuidadosos. Não é excelente, mas é uma grata surpresa). applying.pressure


- Jeff Rosenstock: SKA DREAM (Após comprovar que ainda é possível criar um pop punk carismático, energético e criativo, o artista pega seu repertório mais recente e transforma num ska punk com as mesmas qualidades. Ele é uma força da natureza). S K A D R E A M


- Jennifer Souza: Pacífica Pedra Branca (Confesso não saber nada sobre a artista. Só sei que o disco caiu no meu colo e eu fiquei maravilhado com a voz e os arranjos presentes neste disco. É a MPB num formato tradicional de excelência. Belo e elegante). Ultraleve


- João Donato & Jards Macalé: Síntese do Lance (Duas sumidades da música brasileira em disco solar, cheio de groove, muito bem arranjado e capaz de elevar o astral de um enlutado. Que beleza). Cururu


- John Mayer: Sob Rock (Já vou começar me explicando, afinal, esse álbum é o auge da coxinisse. É meloso, pasteurizado e de composições que beiram a vergonha (vide a ruim “Why You No Love Me”). Ainda assim, talvez por não esperar mais nada do John Mayer, me encantei com algumas performances na guitarra (ele sempre foi ótimo), a meticulosidade dos arranjos/produção e até mesmo um direcionamento para o pop radiofônico oitentista americano tão subvalorizado. Em alguns momentos beira o AOR. Diante disso tudo, vi com encanto). I Guess I Just Feel Like


- Joe Lovano: Garden Of Expression (Ao lado da pianista Marilyn Crispell e do baterista Carmen Castaldi, o saxofonista promove um jazz que vai desde momentos cool com ar easy listening (nem tão cafona, tá mais pra “aconchegante”), até passagens mais ácidas e ousadas. Captação majestosa e ótima interação entre os instrumentistas. Para ouvir com atenção e conforto). Garden Of Expression


- John Dwyer: Witch Egg (Pode o garage rock, jazz, krautrock e a psicodelia se fundirem numa coisa só? Aos olhos do líder do Thee Oh Sees, ao se jogar em vorazes jams, a união dos gêneros torna-se inevitável. Viajante e explosivo). Greener Pools


- Johnny Football Hero: Complacency EP (Sabe quando as bandas de djent sofrem influência do emo (tipo o Protest The Hero)? Pois então, aqui é ao contrário, é o emo que se apropria de fritação guitarristica. Não é exatamente primoroso, mas é minha onda. Pra ficar de olho). Cap’n Oblivious (Deficit)


- Jonathan Ferr: Cura (De imediato não gostei, já que me foi vendido como um disco de jazz. Depois li que o jovem artista tem o intuito de “tirar o elitismo do jazz”, o que me soou besteira. Se o jazz não é popular não é culpa do gênero, mas da indústria. Passada toda essa problemática, dei nova chance ao álbum, que me soou melhor, ainda que alguns timbres de sintetizadores que pessoalmente não me agradam. As composições ora soam como trilha-sonora, ora como concerto de piano, ora como rock progressivo etéreo... ou seja, apesar das imperfeições, acho uma proposta bem-vinda, principalmente no Brasil). Choro 


- Jordi Amorim: Serendip (Jovem e excelente guitarrista brasileiro que não coloca o seu instrumento a frente da composição. A tradição da música instrumental brasileira é valorizada a cada nota não só dele, mas de todos os envolvidos. Execuções, arranjos e captação excelente. Belo EP). Oração


- Jotaerre: Tempestade (Como é bom ver a guitarra (ainda mais brasileira) respirando novos ares. Aqui o músico continua em sua saga de elevar o instrumento dentro do pagodão baiano, se apropriando de produções eletrônicas e fazendo dessa fusão uma experiência retumbante). Engole Meu Oxe 


- Joy Orbison: Still Slipping Vol. 1 (Um álbum extremamente versátil, com momentos de trip hop, techno e pop. Ora bastante cristalino, ora corrosivo. E há uma qualidade interessante de transpor um som de pista noturna para algo intimista, familiar e domiciliar, o que fez muito sentido diante da pandemia. Belo achado). better


- JPEGMAFIA: LP! (Confesso não ter sido um disco que eu adentrei de cara. Isso porque há complexas camadas de produção exploradas pelo rapper. É abstrato, lo-fi, rico em texturas, mas também minimalista e estrondoso. É difícil, mas sempre instigante. Fora que no domínio da palavra, ele é um dos grandes do rap contemporâneo). REBOUND!


- Juçara Marçal: Delta Estácio Blues (Seu álbum solo anterior - Encarnado (2014) - é um dos meus discos prediletos da música brasileira de todos os tempos. Dito isso, tinha motivos para me decepcionar, mas aqui a Juçara comprova (como se ainda precisasse) ser diferenciada. Só pra devagar brevemente, em alguns momentos esse disco me soou como uma St. Vincent brasileira. É um trabalho cheio de ranhuras sônicas e poéticas. Tem samba, rock e vanguardismo. Tudo muito bem escrito, executado e captado. Uma força difícil de colocar em palavras. Ouçam!). Delta Estácio Blues


- Juliana Linhares: Nordeste Ficção (Ótima cantora num álbum que apresenta o que há de melhor na mpb nordestina. Sem afetação, com muita classe e instrumental impecavelmente trabalhado, com direito a algumas texturas sujas que aquecem os arranjos). Bombinha


- Julian Lage: Squint (Não é nenhum absurdo dizer que ele é o melhor guitarrista da atualidade (isso já há alguns anos). É impressionante como ele soa doce mesmo diante da acidez do fraseado. Adoro também o timbre, a técnica e o vocabulário. Todas essas qualidades se comprovam em mais um ótimo álbum). Familiar Flower


- Kanye West: Donda (Mais um momento autoindulgente e grandiloquente do artista que melhor sabe por sua obra sob holofotes, seja atrasando o lançamento, relançando o álbum com alterações (e eu já nem sei qual versão que eu peguei pra ouvir), brigando com a gravadora (e com o Drake), chamando artistas “cancelados” pra participarem do disco, lançando um dispositivo que permite o ouvinte “remixar” em tempo real o álbum e fazendo da audição prévia um verdadeiro espetáculo. Mas falando do álbum em si, apesar da longa duração e inevitáveis escorregadas, há uma sequência poderosa de ótimas composições, com direito a honestidade lírica (e que tão bem representa sua fase atual), ótimos ganchos e produção impressionante. O fato de levar o nome da mãe aponta o teor emotivo. Há alguns beats verdadeiramente espetaculares, com direito a graves soturnos. Dificilmente ouvirei o disco novamente de ponta a ponta, mas as faixas que se sobressaem estão num patamar altíssimo). Off The Grid


- Kasai Allstars: Black Ants Always Fly Together... (Coletivo do Congo numa demonstração iluminada e arrebatadora de sons eletrônicos e orgânicos, altamente dançantes e imersivos. Até minha filha de 1 ano reagiu com palmas e danças. É o típico som que gosto de deixar de pano de fundo para cozinhar, conversar com amigos...). The Large Bird, The Woman and The Baby


- King Gizzard & The Lizard Wizard: L.W. (Embora dentro da mesma proposta de "psicodelia garageira oriental" do álbum anterior, esse soa melhor resolvido. Tem bons riffs, ótimas guitarras, melodias interessantes, timbres ácidos... um grande momento desta banda que não costuma dar bola fora). Pleura


- King Woman: Celestial Blues (A inquieta Kristina Esfandiari num álbum que consegue reunir o que há de mais melancólico no sludge. Em alguns momentos até pende para o grunge, enquanto em outros é um post-rock dark. Tem sua beleza e força, mas confesso que necessita de certa insistência. Não é um disco tão fácil quanto parece). Entwined


- Knocked Loose: A Tear In The Fabric Of Life (Metalcore (com dois pés no death) completamente desgovernado e maldito. É coisa de moleque maluco da cabeça. Se não for pra ser assim eu nem escuto. Tudo certo, inclusive a duração de pouco mais de 20 minutos). God Knows


- Kyan, Kayin, Mu540: Bandido Fi Di Crente (O Kyan é um MC talentoso (principalmente quanto fica na linha tênue do funk com rap/trap) e o Mu540 um beatmaker/produtor sagaz num grande momento. Dito isso, confesso não ser minha praia de som e não vou fingir adorar, mas há momentos que genuinamente me pegaram. A curta duração ajuda. Fora que o nome e a capa são excelentes). Pão e Vinho


- Lady Gaga: Dawn Of Chromatica (Álbum de remixes do seu último trabalho de estúdio, sendo que por melhor que seja, esse me pareceu muito mais repetível de audição. O original é bacana, mas nunca mais peguei. Esse cabe na pista. Fora que mesmo com as escorregadas que fariam dele irregular, há momentos ultra memoráveis, vide Ariana Grande e Arca numa proposta de pop atmosférico, Rina Sawayama num popzão bate cabeça, Pabllo Vittar numa performance e produção ultra ensolarada e divertida, Charli XCX e A.G. Cook levando o hyperpop para o público comum, Dorian Electra com seu industrial pop e Elton John inventando sabe-se lá o que é aquilo. Uma doidera). Fun Tonight


- Lana Del Rey: Chemtrails Over the Country Club (Sabe "amor de verão"? Pois então, comigo as vezes rola "amor de audição". Ouço um disco e me apaixono pela intérprete. Aconteceu aqui. As composições são bem coesas, mas o que realmente brilha aos ouvidos é a interpretação da Lana, ainda mais acompanhada de arranjos que unem o dream pop à americana (enquanto gênero). É climático, sexy, vulnerável... é bonito. Agora, dito isso, ela está mais linda do que nunca mesmo, não? *obs: pequeno spoiler dos "álbuns ruins": com o Blue Banisters eu perdi a paixão por ela). Dark But Just A Game - LEALL: Esculpido a Machado (Somando uma certa raiva lírica social do rap nacional noventista à uma produção moderna (beats que flertam com o trap, baixos sintetizados estrondosos, ótima mixagem), este rapper que eu sequer conhecia conseguiu me proporcionar uma das audições mais vorazes neste território deste ano. Sequência forte de repertório). Encomenda


- Les Filles de Illighadad: At Pioner Works (Neste registro ao vivo, a guitarra ganha uma simbologia especial na mão de mulheres tuaregs, que não economizam seu rico vocabulário rítmico em canções hipnóticas. Isso sem mencionar as melodias e interpretações vocais majestosas. Pra entrar em transe). Inssegh Inssegh


- Limp Bizkit: STILL SUCKS (É preciso compreender que ninguém vai de encontro a um disco do Limp Bizkit almejando algo edificante. Almejei me divertir e receber as guitarras demolidoras do Wes Borland. Recebi isso e ainda me surpreendi com certa versatilidade composicional. Superou minhas expectativas). Pill Popper 


- LINGUA IGNOTA: AGNUS DEI (O noise e a música barroca nunca tiveram tão próximos. A sensação é de morte. Bonito e desgraçado. Tremendo EP). Agnus Dei


- Lingua Ignota: SINNER GET READY (Após um álbum sonicamente estrondoso, este trabalho chega a enganar com uma falsa tranquilidade de instrumentações tradicionais e formas eruditas (com direito contrapontos vocais impressionantes). Mas a real é que as canções são cheias de simbologia e camadas, mais uma vez colocando em discussão a posição assustadora da mulher dentro de uma sociedade religiosa. Um disco difícil). THE ORDER OF SPIRITUAL VIRGINS


- Linn da Quebrada: Trava Línguas (Confesso que me surpreendi muito. Provavelmente por preconceito mesmo, por esperar algo meramente panfletário. Mas não, é um disco variado, que vai desde momentos pop, até batidas estranhas e provocativas. Fora que a voz dela tá ótima. A produção também é pulsante e cristalina). onde


- Lost Girls: Menneskekollektivet (Um trabalho estranho. Parece um “space indie rock” com elementos de krautrock e composições que não me surpreenderiam em produções de trance (!!!). No meio disso tudo, passagens introspectivas, sexuais e desafiadoras. Chegou a me dispersar em alguns momentos (vide a longa “Love, Lovers”), mas no geral me soou interessante). Real Life


- L’Rain: Fatigue (Um trabalho de art pop (com o pé no r&b) de exuberância latente. Há enormes texturas, raciocínio orquestral em seu instrumental, além de uma interpretação vocal livre de excessos. Puramente majestoso e elegante). Blame Me


- Lucy Dacus: Home Video (A principal qualidade da Lucy é que seus trabalhos aliam o tom confessional das novas artistas do indie rock, mas com uma superioridade instrumental explicita. Tudo muito bem pensado e executado. Ainda melhor que seu álbum anterior). First Time


- LUMP: Animal (Laura Marling e Mike Lindsay voltam a parceria neste álbum que, embora tenha uma queda notória em sua metade final, soa muito criativo e arrojado dentro do indie pop. Bons arranjos e um especial colorido timbrístico). Animal


- Luna Vitrolira: Aquenda – O amor às vezes é isso (Ao musicar seus poemas, Luna correu grande risco de soar panfletária. Entretanto, seu lirismo é ríspido e necessariamente violento, ainda mais acompanhado de arranjos e programações eletrônicas abstratas (e ainda assim dançantes). Há ainda elementos rítmicos de embrião afro. Vale dizer que quem pilota os sintetizadores é o tremendo pianista Amaro Freitas. Lirinha e Xênia França também dão as caras. Synthpop político). Vaza


- Lyle Workman: Uncommon Measures (Espetacular guitarrista que sequer conhecia até então. Vi que ele trabalhou com trilhas sonoras, o que ajuda a explicar a riqueza dos arranjos aqui presentes. Há algumas orquestrações que lembram os momentos mais sinfônicos do Yes. Já sua abordagem no instrumento tem muito do Steve Morse e Al Di Meola, ou seja, a palheta vira farelo. Isso tudo em composições muito ricas. Tremendo "disco de guitarra"). North Star


- maassai: With The Shifts (Rapper que em pouco mais de 17 minutos metralha o ouvinte com rimas contundentes em beats bastante abstratos. As produções parecem se dissolver. Complexo, espaçado e abrasivo). nine lives


- Mach-Hommy: Pray For Haiti (Através de textos corridos e beats singulares (algumas vezes de textura lo-fi), temos um álbum que, apesar de algumas escorregadas, expõe um rapper talentoso se desenvolvendo esteticamente). No Blood No Sweat


- Madlib: Sound Ancestors (Madlib e Four Tet trocam arquivos e o resultado desta "curadoria" é esse disco, de beats fantásticos que renovam as qualidades a cada audição. Acho legal como muitos timbres (principalmente de caixa) me soam inicialmente "equivocados", mas ganham forma dentro das composições. Álbum versátil e de frescor sem forçar a barra). Road Of The Lonely Ones


- Magdalena Bay: Mercurial World (O duo une duas forças do pop contemporâneo: esquisitices eletrônicas e um balanço disco-funk. Isso sempre com um colorido especial nos timbres e arranjos. Muito bem produzido e pensando. Tem balanço e carisma. É POP com letras garrafais). Secrets (Your Fire)


- Maquahuitl: Con Su Pistola en La Mano (Três faixas que inauguram a interessante fusão do black metal com com elementos da cultura tradicional mexicana, inclusive abordando a história do Gregorio Cortez. Não deixa de ser divertido. Fora que tem uma ferocidade convincente na execução. Adorei a crueza da captação. Até a capa é legal). Pistolero


- Marissa Nadler: The Path Of The Clouds (A incansável Marissa Nadler ressurge neste disco menos “folk” e mais dream pop/chamber pop. Se sua voz dificilmente decepciona, instrumentalmente aqui há uma nobre enriquecimento, com direito a camadas timbristicas, reverbs catedráticos e climas inspiradores. Álbum muito bonito). If I Could Breathe Underwater


- Mason Lindahl: Kissing Rose In The Rain (Mesmo eu tendo predileção por trabalhos de guitarristas/violonistas, devo confessar que não conhecia este violonista. Adorei como as composições caminham em torno da música ambient. A captação reverberosa ajuda a criar um clima etéreo. Seu dedilhado nervoso traz uma rispidez típica do flamenco. É legal perceber o som das unhas nas cordas, que por sinal, soam com uma rusticidade que lembra cordas feitas como antigamente de tripa de animais. Pois é! Bucólico e apaixonado). Outside Laughing


- Mastodon: Hushed And Grim (Em seu disco mais longo, o grupo não consegue desviar das escorregadas tão comum ao seu trabalho na última década. Entretanto, é uma grata surpresa perceber que eles voltaram a focar o som no metal progressivo. Tem ótimos momentos densos, pesados e melodiosos. Acima de tudo, é a comprovação que eles ainda tem lenha pra queimar). The Crux


- Matthew E. White / Lonnie Holley: Broken Mirror: A Selfie Reflection (Grooves desconcertantes em longas faixas de jam livres, abstratas, espaçadas e borbulhantes. Tem alguns timbres quentes. Estranhamente envolvente. Sem destaque). 


- Matt Ox: Unorthodox (Essas esquisitices que aparecem no soundcloud. Não sou mais o público, mas se tivesse 15 anos adoraria esse trap-psicodélico todo torto, cósmico, errado e urgente. Na verdade, meu lado jovial ainda adora, ainda mais sendo um EP. É na medida da minha euforia). WOP


- Mbé: ROCINHA (Eu chego a me emocionar ao ver artistas da periferia se apropriando da erudição experimental para dar voz aos sentimentos próprios e de suas comunidades. Aqui há um rico trabalho de colagens, explorando ritmos, cantos e falas. Bonitas texturas e desenvolvimento do conceito. Claro, não é um trabalho fácil, mas vale dar uma dedicação extra). A Caminho de Palmares


- Mdou Moctar: Afrique Victime (Daquela escola dos sons psicodélicos do Tuareg, esse guitarrista se destaca ao fazer da lisergia blueseira guitarristica algo ainda interessante. Fazia tempo que longos solos dentro de uma estética “rock” não chamavam tanto minha atenção). Asdikte Akal


- Melvins: Working With God (Ainda que não seja o repertório mais inspirado do grupo, é sujo, virulento, enlameado e com certa acidez irônica. Eu adoro! Quem dera toda banda de tiozinho soasse assim). The Great Good Place.


- Monna Brutal: 2. 0. 2. 1. (Formada nas batalhas de rap de SP, a artista sabe como poucos dominar a palavra, rimando com sagacidade e criatividade. Além disso, ainda que dê produção crua, há alguns sintetizadores e efeitos criativos que trazem muita personalidade para o trabalho. É algo como um "synth trap psicodélico brasileiro". Nem é exatamente o som que faz a minha cabeça, mas é tão estrondoso que tira do eixo. Obs: não se deixe desanimar pela péssima "Poder ao Povo Preto", o álbum melhora muito na sequência). Queen


- Muqata’a: Kamil Manqus كَامِل مَنْقوص (A defesa geográfica, política, histórica e humana da Palestina através de instalações sonoras que caminham entre o noise e o ambient. Há muitas texturas abstratas, que retratam a ruína do massacre imperialista. Álbum difícil, mas cheio de simbologia). Shay'an Fa Shay'an


- Mush: Lines Redacted (Com uma estética provocativa, ácida, "crua" e irônica à la punk/pós-punk britânico 79's, o grupo conseguiu trazer para o presente tal forma dentro de uma contemporaneidade política atual). Blunt Instruments


- Nas: King’s Disease II (Já tinha abandonado o Nas. Não acreditava que ele ainda tinha potencial para me surpreender após tantos discos medianos. Mas nesse álbum, muito além de qualquer inovação, ele se concentra na performance, proporcionando flows excelentes. É simples e matadora e produção do Hit-Boy. Ver Eminem, EPMD e Lauryn Hill colaborando exitosamente só eleva o padrão de qualidade. Surpreendente). Rare


- Natalia Lafourcade – Un Canto Por Mexico Vol. 2 (Por ser inferior ao brilhante trabalho antecessor, de imediato fiquei decepcionado. Entretanto, com novas audições, sua beleza composicional, dos arranjos e, principalmente, a alma interpretativa, saltou aos ouvidos. Álbum menor, mas ainda assim lindíssimo. Lembrando que o Caetano Veloso participa do disco). La Llorona


- Neil Young & Crazy Horse: Way Down In The Rust Bucket (Aquela velha história de que eles são a melhor banda de bar de todos os tempos se confirma neste registro de 1990 gravado num pequeno clube. O repertório é acima de qualquer suspeita. Fora que o Neil Young estava guitarristicamente em noite inspirada. Tão cru quanto muito bem gravado. Espetacular! Sem destaque, abra uma cerveja e ouça tudo com um sorriso no rosto. Só não coloquei entre os melhores do ano por ser um lançamento documental).


- Neil Young & Crazy Horse: Barn (Ele junta o Crazy Horse, pega a guitarra e manda um som qualquer, eu já fico vendido. Mais do mesmo, mas um mesmo muito bom. Simples assim). Human Race 


- Nervosa: Perpetual Chaos (Após um racha na banda, restou apenas a Prika Amaral da antiga formação, que deu nova vida ao grupo trazendo instrumentistas melhores tecnicamente e aperfeiçoando as composições. Tem pitadas de thrash, death, black metal e até hardcore. Alguns timbres são irritantemente sintéticos, mas é algo tão comum ao gênero que nem chega a ser grande problema. Bom ponto de partida para essa nova fase). People Of The Abyss


- Nick Cave & Warren Ellis: Carnage (Uma parceria já antiga agora selada neste disco de grande força emotiva. A voz do Nick Cave em alguns momentos me lembrou o David Bowie. Há algo fantasmagórico nos arranjos orquestrados, sempre munidos de elementos eletrônicos. Um trabalho difícil, frio, denso e surreal). Carnage


- Olivia Rodrigo: SOUR (Nova estrela teen. E embora não seja uma música destinada para mim, achei bem bacana. Tem cuidado com a interpretação, melodias memoráveis, arranjos legais à la Billie Eilish, uma doçura pop típica da Taylor Swift (e vocês sabem que eu gosto da Taylor), carisma próprio, além de guitarras de pop rock consistentes. Já tá ótimo). Brutal


- Pabllo Vittar: Batidão Tropical (Ao trazer diversos elementos da música verdadeiramente popular brasileira das últimas três décadas (brega, forró, música eletrônica periférica) numa visão internacional de produção, Pabllo Vittar chegou na excelência pop brazuca. Fora que tanto as composições quanto sua interpretação (cada vez mais sábia nas extravagâncias) são ultra carismáticas. 23 minutos solares em meio a pandemia). Ultra Som - Papangu: Holoceno (Sequer conhecia a banda, mas já fiquei surpreso com o som estrondoso deste disco que mistura sludge, rock progressivo e psicodelia nordestina. Tudo muito bem tocado e escrito. As composições são imersivas, muitas vezes trilhando caminho inesperado. Sem dúvida um dos melhores álbuns do rock brasileiro deste ano). Lobisomem


- Patricia Brennan: Maquishti (Sendo bastante objetivo, não posso omitir que ao longo dos 57 minutos do disco, não tenha momentos entediantes. Entretanto, sabendo que se trata de um álbum de música ambiente focado no vibrafone - instrumento que particularmente sou apaixonado pelo timbre - é possível desfrutar do clima apaziguador de notas que se fundem numa peça profunda). Blame It - Pedro Sá: Um (Talentosíssimo guitarrista num belo trabalho solo, onde com inventividade ele parece em muitos momentos desconstruir a bossa nova. A instrumentação enxuta foi trabalhada com inteligência, buscando timbres contrastantes e inteligência melódica/harmônica). Dia


- PinkPantheress: to hell with it (Em menos de 20 minutos, a jovem artista entrega uma ótima coleção de canções que sonoramente unem o j-pop aos beats de drum n bass. Tudo numa produção atmosfera e cuidadosa. Adorei sua voz). Reason


- Pino Palladino / Blake Mills: Notes With Attachments (Dois músicos de gerações diferentes, mas igualmente renomados, numa viagem por sons instrumentais cheios de balanço, eficiência rítmica (muitas vezes de herança africana) e ótima dinâmica. Produção sem erro. Uma parceria inesperada que rendeu interessante fruto). Ekuté


- Pom Poko: Cheater (O indie art rock tão divertido quanto estranho. Adoro a performance crua nos instrumentos, as melodias bobinhas/grudentas e a voz da moça, que em alguns momentos me remete a Tetê Espíndola (!!!). Fora que as composições/arranjos não obedecem a regra alguma, o que traz boas surpresas. Beira o engraçado). My Candidacy


- Poppy: EAT (Poppy é a nova rainha do metal (!!!). Neste breve EP, ela sai um pouco dos estereótipos do new metal e beira o metal alternativo. Isso preservando um formato “pop” pouco convencional. É bacana). EAT


- Poppy: Flux (Eu sempre fico esperando que “dessa vez não vou gostar”. Esse dia nunca chega. Aqui ela amplia seus horizontes além da fusão do pop com o new metal, abraçando o industrial, pop punk e até mesmo o rock alternativo oitentista. A produção tem peso e corrosidade. Fora que as composições são irritantemente memoráveis). Her


- Porter Robinson: Nurture (Não conhecia o trabalho do produtor, mas gostei como ele caminha entre canções rasteiras/divertidas de EDM, mas também oferecendo momentos mais introspectivos e emotivos. É o famoso “um pouco de droga/um pouco de salada”. Tem algumas gordurinhas, mas no geral o trabalho agrada. Álbum fácil (apesar das experimentações) e cheio de cores). Musician


- Portrayal Of Guilt: We Are Always Alone (Ao fundir timbres modernos de metalcore, nuances do post-hardcore e, acima de tudo, composições e linhas vocais rasgadas que ficam na linha tênue entre o screamo e o black metal, o que encontrámos aqui é um dos discos mais ferozes deste ano. É dar o play e se jogado para trás, tamanha a força da produção e rispidez da execução). They Want Us All To Suffer


- Pupil Slicer: Martyrs (Certamente um dos álbuns mais pesados do ano. É um death metal vanguardista com elementos de metalcore e djent. A cantora-guitarrista (é um trio) está possuída. Interessante como as composições fogem do convencional. Produção nocauteante). L’appel Du Vide


- quickly, quickly: The Long And Short Of It (Projeto do Graham Jonson, onde ele incorpora em suas produções elementos de jazz, lo-fi hip hop, r&b contemporâneo e psicodelia alternativa. Há muitas texturas e cuidado na criação, tanto no que diz respeito ao instrumental quanto as letras e interpretação. O rapaz se mostrou talentoso e promissor). Leave It


- Rachel Chinouriri: Fourº In Winter (Belo EP de pouco mais de 20 minutos e que, ainda assim, consegue soar versátil, transitando entre o pop, r&b contemporâneo, trip hop e até mesmo com ecos de Billie Eilish. Adorei a interpretação vocal da moça, assim com os arranjos cristalinos e produção arrojada). Darker Place


- R.A.P. Ferreira: bob's son (De tão abstrato e criativo, esse trabalho do rapper me remeteu em alguns momentos ao Frank Zappa (!!!). Não sonoramente, mas na forma de pensar a composição. Não há limites nos beats e na sagacidade lírica. Em alguns momentos soa estranho, em outros brilhantemente cativante. Gostei muito!). diogenes on the auction block


- Remi Wolf: Juno (A estreia dessa cantora pop talentosa que consegue irradiar cores com sua música cheia de groove, latinidade e urbanidade. Tem ótimos timbres saturados e cuidado na construção do instrumental. Isso tudo sem deixar de ser POP com letras garrafais). Front Tooth


- Richard Dawson / Circle: Henki (Tô tomando para mim que o Richard Dawson é a maior força do rock progressivo atual (Steven Wilson já furou a bolha). Ao lado do Circle, ele desenvolveu um trabalho estranhamente denso, com melodias e interpretações vocais complicadas (com direito a notas altas que beira o cômico). Fora que ele tem um humor ácido. Mas não se engane, há uma carga de peso vinda sei lá de onde. Curioso). Methuselah


- Rival Consoles: Overflow (Não é um disco fácil, a começar pela sua longa duração. No entanto, ele apresenta um caminho a ser percorrido. Há um desenvolvimento através das faixas que exploram timbres eletrônicos para construir paisagens vastas. Tem muitas texturas, indo desde ruídos pontuais, passando por camadas reverberosos e beats contidos. Adorei a mixagem. Um trabalho denso, rico e bonito. Sem destaque).


- Robben Ford: Pure (O lendário guitarrista continua em forma, tencionando com classe a guitarra blues com seu fraseado rico e intenso. Muito bem captado. Sem erro, embora restrito ao nicho de “música pra músico”). Go - San Salvador: La Grande Folie (Um trabalho particular, que trabalha melodias e harmonias vocais em conjunto a percussões abrasivas. Há elementos de música folclórica e oriental. O uso da língua occitana também é um diferencial. Uma experiência complexa e atrativa). Lo Mes de Mai


- Sarah Mary Chadwick: Me And Ennui Are Friends, Baby (Um álbum sentimentalmente e sonoramente difícil, onde a pré-disposição ajuda muito na audição. Canções emocionalmente catárticas interpretadas com muito sofrimento envolvido. Sonoramente é até bastante tosco e cru, mas bate lá no fundo da alma (efeito Daniel Johnston). Terapêutico e honesto. Vá por sua conta em risco). That Feeling Like


- SAULT: NINE (O misterioso coletivo reaparece num trabalho com menos elementos, praticamente focado em grooves de bateria. Claro, essa é uma visão bastante reducionista, mas que chama atenção principalmente quando comparado ao colorido dos trabalhos anteriores. Há forte influência da música africana. Ainda temos lindos momentos vocais e graves corrosivos que complementam as levadas de bateria. Mesmo com tão “pouco”, soa muito bem e prende a atenção). Fear - Self Esteem: Prioritise Pleasure (Um dos maiores “hypes de internet” de 2021. Disco pop certeiro, tanto na arte de compor canções pegajosas, quanto nas produções completamente pulsantes e, até mesmo, desafiadoras, com direito a texturas violentas. É uma pancada pop). Fucking Wizardry


- Senyawa: Alkisah (Não sei se entendi (o que é bom), mas esse projeto experimental da Indonésia me soou como se houvesse uma fábrica no meio de uma tribo indígena. É introspectivo e ruidoso. É florestal e metálico. É instigante mesmo nos momentos de incompreensão). Menuju Muara


- Shame: Drunk Tank Pink (O que antes era um alvoroço jovial com referência do garage rock revival 00's, aqui me pareceu um amadurecimento composicional sem perder a energia punk. Há momentos de certa ousadia instrumental. Um grande salto para a banda). 6/1


- Show Me the Body: Survive EP (O tão conhecido cruzamento do hip hop com o hardcore nova-iorquino é oxigenado por esse trio cabuloso, verborrágico e barulhento. Adoro os timbres metálicos das guitarras. Três faixas no mínimo vorazes e ardilosas). Survive- Shubh Saran: Inglish


- Skatune Network: Greetings From Ska Shores (Rapaz esperto num ska instrumental, descompromissado e de astral elevado. Tudo muito bem tocado. É o suficiente). Island Tour


- Sleaford Mods: Spare Ribs (O duo dá as caras em canções carismáticas donas de instrumental de poucos elementos, mas de certa urgência divertida (algo que não senti nos trabalhos anteriores). Ótimos timbres e interpretação bacana que tão bem faz a ponte do punk com o rap (bem Beatie Boys). Bacana). Out There


- Sloppy Jane: Madison (Um disco de champer pop maravilhoso, com orquestrações cinematográficas, interpretação emotiva e uma reverberação “selvagem” de caverna (não emulado, foi gravado numa caverna!). E embora tenha um aspecto conceitual envolto a obra, o que fica mesmo são as boas canções. Muito bonito e denso). Jesus And Your Living Room Floor


- slowthai: TYRON (Entre o hype e o cancelamento, o jovem rapper britânico sai do grime para se jogar num trap de beats bastante criativos para o gênero. A produção pulsante colabora com a intensidade. Isso sem mencionar seu flow inquieto e até mesmo afrontoso. É interessante se atentar para os momentos mais reflexivos na segunda parte do álbum. Mesmo não sendo exatamente minha praia, são muitos pontos positivos. Skepta, Denzel Curry, James Blake e A$AP Rocky dão as caras). i tried


- Sons Of Kemet: Black To The Future (Ninguém usa duas baterias e uma tuba melhor que eles (!!!). O jazz de herança afro do grupo mais uma vez se apoia no engajamento social, dando ainda mais relevância a um trabalho musical precioso. Adoro como o groove nunca cai (atenção para o samba-frevo “Pick Up Your Burning Cross”. Inferior ao anterior, mas poderoso). Think Of Home


- Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo: Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo (Confesso ter uma certa birra por essa cena alternativa brasileira que força estranheza, o que só revela a qualidade deste disco ao driblar meus preconceitos. São poucos mais de 20 minutos onde com personalidade e carismas eles revezam dream pop, shoegaze e brasilidades. Funciona). Fora do Meu Quarto 


- Space Laces: Vaultage 003 (Esse produtor de música eletrônica se joga numa peça musical de 20 minutos que fica entre o EDM, industrial, heavy metal, dubstep e sei lá mais o quê. É grave, volumoso e de intensidade física).


- Spellling: The Turning Wheel (Vou montar um quebra-cabeça sonoro: imagine que a Kate Bush tenha um filha com a Björk e que ela embarque num art pop com toques progressivos, trazendo o Wrecking Crew de banda de apoio (além de orquestrações), mas numa produção cristalina contemporânea. Impressionante, não? Pois é quase isso que encontramos aqui. A dramaticidade vocal da artista eleva a sofisticação melódica das composições. Arranjos e produção não menos que elegantes. Lindíssimo). Little Deer


- Spirit Of The Beehive: ENTERTAINMENT, DEATH (De som enigmático (para não dizer confuso), o grupo se joga em subgênero algum. Só sei que é rock. Mas tem elementos de pós-punk, indie rock, psicodelia e art rock. Há desde momentos intensos e saturados, até outros puramente ébrios. Meio cósmico, meio radioativo. Vale pelo ineditismo). The Server Is Immersed


- SPY: Habitual Offender (EP curtinho. 6 faixas em 10 minutos. É o que de melhor de crossover saiu este ano. Hardcore bruto, com direito a timbrão de bateria, berros nervosos e guitarras barulhentas. Os caras tavam putos!). Afraid Of Everything


- Squid: Bright Green Field (Tremenda estreia, que pega diversos elementos de art punk e new wave e joga dentro de um liquidificador de espontaneidade interpretativa. Gosto do uso de guitarras angulares, da performance urgente do vocalista, dos arranjos inusitados de metais, da eficiência da produção, da forma não usual das canções... bem bom). G.S.K.


- Steve Cropper: Fire It Up (Esse é o primeiro álbum solo desde 1969 do mitológico guitarrista da Stax. Só por isso já merece audição (e merecia mais destaque da mídia). E embora o repertório tenha algumas escorregadas, é uma audição prazerosa, com timbres límpidos e orgânicos, além de um groove espontâneo). Fire It Up


- Sufjan Stevens & Angelo De Augustine: A Begginer’s Mind (Um disco de inspiração cinematográfica que tinha tudo para soar blasé, mas que encontrou um balanço de ousadia e beleza na parceria dos artistas. É o chamber folk com grandes melodias e arranjos soberbos. Muito bem interpretado. Bonitão e sagaz). Cimmerian Shade


- St. Vincent: Daddy’s Home (A multifacetada artista se debruça num curioso golpe financeiro que levou seu pai a prisão para dar vazão a sua inegável musicalidade de maneira mais pessoal, vulnerável e até mesmo emotiva. Isso tudo fazendo a ponte entre o soul, funk (à la Prince), rock sessentista e contemporaneidades típicas de uma artista inquieta. Cristalino e surreal). The Melting Of The Sun


- Sweet Trip: A Tiny House, In Secrets Speeches Polar Equals (Não conhecia esse duo - que lançou esse álbum após 12 anos em silêncio -, mas adorei o que encontrei aqui. É um dream pop com um pé no shoegaze, mas soando moderno (em invencionismo besta) ao trazer pontuais interferências eletrônicas. Fora que as composições não são vazias. Mesmo as canções mais longas evoluem para algo catártico. Produção grandiosa, melodias inspiradas e ótima interpretação). The Weight Of Comfort, This Rain Is Confort, This Rain Is You - Tasha & Tracie: Diretoria (Não bastasse elas serem ótimas rapper, a dupla ainda somou força com alguns dos melhores beatmakers do rap/funk atual, vide o CESRV, Mu540 e Pizzol. Febem também dá as caras. O resultado é criativo e nocauteante. Pulsante, cativante e representativo do rap jovem atual). Rouff


- The Armed: ULTRAPOP (Embora com algumas boas melodias escondidas no alicerce das composições, o que sobressai aqui é o esporro de uma banda que fica na linha tênue do post-hardcore e noise rock. É tudo tão intenso, saturado e comprimido que sequer há espaço para texturas timbristicas. É tudo no limite. Gosto do caos sonoro criado). A LIFE SO WONDERFUL


- The Black Keys: Delta Kream (Se apoiando em versões de clássicos do blues, o duo soa poderosíssimo. Gravação quente e execução precisa que, se fosse de uma banda da década de 1960, seria visto com ótimos olhos. Se a música é atemporal, nada aqui soa datado). Poor Boy A Long Way From Home


- The Body: I've Seen All I Need (Um buraco se abre no solo, levando queda abaixo nossas almas, que caem envolto a espíritos perdidos que vagam rumo ao inferno. É assim que soa. Muito berros, distorções (até na caixa), timbres metálicos e arranjos nada ortodoxos, que criam texturas demolidoras. Embaçado). Tied Up And Locked In


- The Juan Maclean: I Can’t Explain (O já veterano produtor de música eletrônica, antes da pandemia, ia à pequenos clubes tomar drogas alucinógenas e ouvir música eletrônica. Pós rolê, mixava alguns de seus trabalhos, agora compilados nesse EP com uma faixa melhor que a outra. Embora o contexto interfira no som alucinante das produções, as faixas em si são uma tremenda amostra de house contemporâneo. É uma melhor que a outra). Leave Me When You Can


- The Weather Station: Ignorance (Com sua voz apaixonante/suspirada à la “Beth Gibbons encontra Danielle Haim”, além de uma banda muito acima da média, Tamara Lindeman entrega faixas de elegância e arrojo dentro de uma linguagem "pop" da canção americana (ele é canadense). Ótima performance do baterista, arranjos cheios de detalhes e gravação cristalina. É um tanto quanto linear, mas a regularidade elevada fala mais alto. Bastante sentimental). Robber


- This Lonely Crowd: Bellelouder (Ótima banda curitibana que investe numa sonoridade sem qualquer "maneirismo brazuca". De certa forma, remete a geração "guitar bands" do começo dos anos 90, só que aqui com produção, execução e mesmo êxito composicional melhor desenvolvido. Entre o shoegaze, stoner, grunge e rock alternativo. Há ruidosas e espetaculares guitarras, além de momentos de densidade viajante. Saiu pela Sinewave). Wolves Inside Tora


- Tomahawk: Tonic Immobility (Até o projeto de rock mais convencional do Mike Patton soa criativo. Riffs pesados, performances vocais intensas, boa produção... não tem muito erro, principalmente se, assim como eu, vocês adorarem os projetos do eterno líder do Faith No More). Tattoo Zero - tricot: Jodeki (Diante do seu já conhecido equilíbrio entre ritmos intrincados e melodias cheias de astral japonês, o grupo chegou no provável repertório mais certeiro até então. Tem carisma, é versátil e de virtuosismo caloroso. Tem cada guitarra! Bem legal). SUPER SUMMER


- Tropical Fuck Storm: Deep States (Com sua comum audácia, o grupo explora o rock enquanto nobre arte. E embora tenha alguns deslizes, é mais um trabalho redondo, com destaque para os momentos mais “noise”. Tem timbres enlouquecedores. Desconcertante). The Greatest Story Ever Told

- Tune-Yards: sketchy. (De astral elevado, o grupo entrega composições desconcertantemente sacolejantes. A performance do baterista é espetacular. Aliás, de todos, com atenção também para as vocalizações melódicas, afinadíssimas e cheias de “soul”. Há ainda arranjos e timbres bem peculiares, além de groove muito fora da curva dentro do indie rock). nowhere, man


- Twin Shadow: Twin Shadow (Embora com uma década de carreira, assumo não ser familiarizado com o som deste artista. Falha minha, principalmente se seus trabalhos anteriores tiverem o mesmo brilho encontrado aqui. É o pop no máximo de sua elegância. Tem astral, groove, colorido timbristico e boa performance. Fora que há ótimas referências, seja de dub, música africana ou até mesmo psicodelia. Bem legal!). Johnny & Jonnie


- Tyler, the Creator: Call Me If You Get Lost (Mais maduro e centrado, a inquietação do Tyler me pareceu melhor lapidada, resultando em ótimas faixas, ora com interferência do r&b contemporâneo, ora calcada no hip hop. É um disco versátil e fácil de gostar (não entenda isso como acomodado). Perfeito para adentrar a sua rica discografia). MASSA


- Viagra Boys: Welfare Jazz (Gosto daquela "teoria" de que o punk surgiu como uma forma de trazer de volta ao rock sua "simplicidade" feroz. E isso de alguma forma se manifesta neste disco. Ele tem atitude punk embebida no embrião blues do rock. Mas que fique claro, essa proposta é feita com bastante criatividade, com direito a sintetizadores e metais ousados. As histórias são boas, a performance é quente e há timbres corrosivos. Não é perfeito, mas agrada na maior parte do tempo). I Feel Alive


- Vic Mensa: I Tape (Nunca de atenção devida para esse rapper, de forma que esse EP veio a calhar. Me lembrou os momentos mais acessíveis e menos paranoicos do Kanye West. Isso é um tremendo elogio. Ótimos beats). VICTORY


- Vijay Iyer / Linda May Han Oh / Tyshawn Sorey: Uneasy (Embora apostando num formato tradicional de jazz, há muito frescor nas harmonias e improvisos deste time fantástico de instrumentistas. Não soa conservador. Piano, contrabaixo e bateria numa ebulição de criatividade e inteligência musical). Configurations


- Weezer: OK Human (Assim como em outros discos recentes do Weezer, provavelmente esquecerei das canções na semana seguinte da audição. Entretanto, enquanto ouvia eu gostei da dinâmica do disco. É legal ver a banda se arriscando nessa proposta "chamber pop", com direito a bons arranjos de cordas (meio cafonas, meio "natalinos", muito carismáticos). Fora que há melodias certeiras. Eu sempre caio nas presepadas do Weezer, fazer o quê?). La Brea Tar Pits


- Weezer: Van Weezer (O tal disco influenciado pela estética hard rock oitentista, embora isso ocorra tão dentro das características da própria banda, que de hard sobra pouca coisa. Tudo isso traz o inevitável sentimento de que eles tão novamente zuando com a nossa cara. Dito isso, tem refrães empolgantes, boas guitarras e astral elevado. Tem derrapadas também, mas normal. Não leve tão a sério e embarque na curtição). The End Of The Game


- Westside Gunn: Hitler Wears Hermes 8 (Pensemos as duas partes como uma coisa só, ok? Nisso, o conjunto de mais de 30 faixas (ok, bastante) soa explosivo, versátil (as participações ajudam), abstrato, nervoso e pesado. É a Griselda novamente se colocando no centro do hip hop contemporâneo. É ouvir para crer). Hell On Earth. Pt. 2


- White Suns: The Lower Way (O noise rock cada vez menos rock e mais noise. Uma barulheira desesperadora, com microfonias, berros e algo próximo a lataria sendo jogada do 27º andar. Isso com uma captação volumosa e aniquilante. Eu gosto, mas entendo não ser para muitos). The Wreck


- Wiki: Half God (Eu estaria mentindo se dissesse que embarquei neste disco de imediato. Isso porque o flow tão veloz quanto tranquilo do rapper, nunca amparado de distrações de produção, podem erroneamente soarem monótonos, quando na realidade é um passeio vertiginoso por delírios reflexivos e abstratas paisagens musicais assinadas pelo Navy Blue). Roof


- Yasmin Williams: Urban Driftwood (É inevitável ao ouvir se perguntar quantos canais de violão há em cada passagem. Isso porque essa jovem violonista constrói um rico e belo emaranhado através de dedilhados e tappings complexos. São virtuosas notas em cascata, sem perder um sentimentalismo quase rural nas composições). Throught The Woods


- Yola: Stand For Myself (Eu nunca tinha pensado no cruzamento da soul music com o country de maneira tão espontânea e carismática quanto encontrei aqui. Tanto que, embora seja bastante “vintage” nos timbres (beirando o pastiche), funciona lindamente como uma música pop americana contemporânea. Bons arranjos, gravação soberba e interpretação emotiva da cantora. Bem legal). Diamond Studded Shoes

- YUKIKA: timeabout, (O k-pop tem seus achados, vide o EP dessa jovem artista, que traz referências da disco music (tem cada linha de baixo!), sintetizadores luminosos, arranjos muito bem amarrados e boas melodias. É o pop perfeito). Insomnia


- Yves Tumor: The Asymptotical World (Com elementos de britpop noventista, pop punk e shoegaze dentro de uma estética contemporânea, o artista lançou um dos grandes EP de rock alternativo do ano. É também um de seus momentos mais acessíveis, apesar de algumas estranhezas. Produção saturadíssima). Jackie


- Xiu Xiu: OH NO (Selando novas parcerias a cada faixa (com nomes como Sharon Van Etten, Liars e Chelsea Wolf) o grupo construiu um repertório de aconchego dark. Tem estranhezas comuns ao grupo, mas envolto há uma beleza que poucas vezes foi explorada por eles). I Cannot Resist


- Zelooperz: Van Goghs Left Ear (Um trap bastante eufórico, criativo, cheio de personalidade e esquisitice, a começar pelo nome do trabalho. Embarquei nos seus 40 minutos? Claro que não, mas ainda assim ele tem pontos altos que acho que merecem destaque). VanGogh’sLeftEar


MEDIANOS

Cotação subjetiva: 4-6

- Aesop Rock / Blockhead: Garbology (O produtivo rapper em mais um bom trabalho, mas desta vez sem apresentar nada tão memorável. Fora que senti falta de timbres melhores desenvolvidos nos beats. É bom, e só).


- Arca: KICK iiiii (Embora não tenha morrido de amores, comparado ao KICK iiii, esse ao menos traz um clima de introspecção alcançável. Tem boas composições na praia ambient/minimal. Funciona no momento certo. Vale dizer que o Ryuichi Sakamoto participa de uma faixa).

- Bleachers: Take The Sadness Out Of Saturday Night (Em seu projeto particular, o prestigiado Jack Antonoff tenta dar uma de Bruce Springsteen (com direito a aval/participação do próprio) e dá com os burros na água ao não produzir canções memoráveis. É um pop rock bem-feito, mas que não vai pra nenhum lugar).


- Boldy James / The Alchemist: Bo Jackson (Há uma certa dureza sombria neste álbum que não me cativou. Os beats parecem retos demais e flow meio entorpecido. Não é tecnicamente ruim, mas não me cativou. Prefiro muito mais o álbum anterior da parceria).

- Caroline Shaw: Narrow Sea (Deve existir inúmeras qualidades estéticas no álbum desta premiada compositora. Todavia, eu achei que a experiência auditiva pendeu para o desagradável. Não por ser ruim, mas por ter melodias e intepretações tão ousadas que me soou chato. Ainda assim vale dar uma chance. O problema talvez esteja em mim).


- Caterina Barbieri: Fantas Variations (Tem alguns momentos de nuvem ambiente que até me agradam, mas no geral me pareceu esquecível. Sequer despertou boa vontade da minha parte).


- CHAI: WINK (Tem faixas divertidas (vide “END”), mas o som que essas quatro gurias propõem (bumblegum/dance music/j-pop) tem que ser irreparável pra fazer a minha cabeça, sendo que aqui o repertório e mesmo algumas interpretações vocais puxam para baixo). 


- Claud: Super Monster (Nova promessa do bedroom pop num trabalho bonitinho e esquecível. Mesmo que de proposta delicada, falta acidez e energia. Todavia, não chega a ser ruim, já que a voz dela é bonita, as programações apresentam certo amadorismo encantador e há beleza melódica). - Courtney Barnett: Things Take Time, Take Time (Até tem boas composições, mas achei a performance meio sorumbática. A exaustão psicológica gerada pela pandemia parece representada neste disco. O trabalho mais fraco de uma talentosa artista).


- Dave: We’re All Alone In This Together (Esse disco tem um início espetacular, com o rapper distribuindo um flow criativo em cima de beats incisivos (vide “We’re All Alone”). Entretanto, ele vai perdendo força, chegando em momentos que beiram o cafona (vide “Law Of Attraction”). Tristemente irregular. Mas escutem por conta dos bons momentos).


- Dean Blunt: BLACK METAL 2 (Entendo a profundidade emotiva das composições, mas sonoramente pouco me agrada. Me soa até mesmo confuso (tudo: os timbres, as melodias, a interpretação, as produções). Intrigante como tem uma galera que pira. Não é minha praia).


- Death From Above 1979: Is 4 Lovers (Ok, os timbres nervosos (principalmente de baixo) estão lá, assim como uma energia rockeira em formato acessível. Mas as composições não são grande coisa e mesmo a execução já esbanjou mais atitude. Eu acredito na maldição do quarto disco. Todos os anteriores são muito melhores).


- dltzk: Teen Week (Não sei nem se entendi. Seria um trap hyperpop lo-fi confessional? Na dúvida, fico com as incertezas do estranhamento. Composições irregulares, ora instigantes, ora esquecíveis).

- dltzk: Frailty (A estreia em disco do jovem artista. Continuo sem entender, embora aqui tenha ficado mais nítido que não me agrada suas vocalizações emo/pop punk. Mas não posso negar que há inventividade em suas produções caseiras eletrônicas com elementos de trap, noise, grunge e sei lá mais o que. Sempre muito lo-fi (o que me interessa). Flerta com o “horrível”, mas tem seu carisma).


- Doja Cat: Planet Her (Uma das grandes personagens do pop em 2021 num álbum altamente irregular. É 1 hora de faixas intercalando entre o marasmo e canções com cara de hit. Como disco, tende a não funcionar). 


- Doss: 4 New Hit Songs (4 faixas de dance music que, apesar da ótima produção, não me marcaram. Senti falta de ganchos).


- Duda Beat: Te Amo Lá Fora (Tecnicamente não há problema. Inclusive, acho que ela evoluiu muito enquanto intérprete. Já a produção beira o exemplar, contendo timbres robustos sem soar artificial. Há muito calor. Unir o que há de mais popular na música brasileira atual (forró, bregafunk) em arranjos/produções meticulosas é de grande consciência musical. Dito tudo isso, o álbum não “me pegou”. Simplesmente não é minha onda. Mas vale conferir).


- Fatima Al Qadiri: Medieval Femme (Não sei descrever o gênero. Certamente tem muito de música ambient e minimalista. Mas o grande elemento é resgatar melodias de ancestralidade medieval. O resultado é belo e até mesmo obscuro. Ainda assim, não posso dizer que me envolvi com a obra).


- Feu! Chatterton - Palais d'Argile (Grupo francês que investe num pop rock alternativo e arrojado, com direito a arranjos cuidadosos e ótima escolha de timbres. Entretanto, não embarquei nas composições. Nos melhores momentos me pareceu um LCD Soundsystem pouco inspirado (vide a ok "Écran Total"). Fora que não fui com a cara do vocalista. Longe de ser ruim, mas não bateu, com exceção da progressiva "Libre").


- For Those I Love: For Those I Love (É difícil um trabalho de spoken word me pegar de jeito. Muito por conta do meu limitado inglês. Mas aqui ao menos há uma interessante proposta eletrônica (apontando pro techno, pop, industrial, jazz… pro abstrato) servindo de cama para o texto. Gosto do sotaque irlandês. Ainda assim, não me anima reouvir).


- Frank Jorge / Kassin: Nunca Fomos Tão Lindos (Numa tarde de domingo, estava brincando com minha filha de 8 meses quando acabou a luz. Por acaso só tinha esse disco salvo no Spotify. Achei oportuno ouvir, mesmo que sem um som e situação adequada. Me pareceu um encontro esquisito (no bom sentido) de um compositor talentoso (intérprete nem tanto) e um produtor/músico ultra criativo. É um pop “lúdico cósmico e radioativo” (seja lá o que eu quero dizer com isso). Talvez deveria escutar mais, mas não escutei e, mesmo assim, não quis deixar de mencionar aqui nessa lista, mesmo correndo o risco de ser injusto. É curioso).


- Frank Solari: Multiversal (Tenho para mim que o Acqua (2003) é o melhor disco da guitarra shred instrumental brasileira. 18 anos depois, Frank Solari volta com esse álbum em que ele demonstra ainda tocar muito, mas que não conseguiu criar um repertório cativante e criativo. Achei um tanto quanto burocrático. Vale dizer que o Mateus Asato, Kiko Freitas e Andre Nieri dão as caras).


- Fucked Up: Year Of The Horse (Tive dificuldade de entender. As faixas são tão curtinhas que nem dá tempo de se desenvolverem. Me pareceu musicalmente mal resolvido. Mas não deixa de ser uma proposta peculiar unir hardcore e ópera rock numa única obra. Infelizmente irregular).


- Genghis Tron: Dream Weapon (Conheci a banda por conta desse lançamento. Ouvi primeiramente os trabalhos anteriores e fiquei entusiasmado. Só que após mais de uma década sem material novo, a banda perdeu muito da urgência sônica. Virou um “progressivo alternativo” moderno. E embora tenha sua qualidade, me incomodou a sonoridade artificial da bateria (é programada?), ainda mais em canções praticamente construídas em cima do ritmo (algumas vezes virtuosamente hipnóticos, com ecos de krautrock). Fora que muitas canções se arrastam, despertando aquela vontade de passar pra próxima. Decepcionou).


- Girls In Synthesis: Shift In State (Embora seja um rock alternativo/pós-punk/noise rock vigoroso, com direito a bastante saturação e produção encorpada, achei as canções em si esquecíveis. Mas vale dar uma escutada, vai que você embarca no álbum).


- Godspeed You! Black Emperor: G_d’s Pee AT STATE’S END (Tem seus momentos de catarse, mas até chegar lá, o disco se arrasta em climas vagarosos que a banda já explorou melhor no passado. Ainda assim tem um achado, a progressiva e maravilhosa “GOVERNMENT CAME”. Irregular).


- Greta Van Fleet: The Battle At Garden’s Gate (Deixando as paixões e ódios de lado (no meu caso esse último falaria mais alto), conclui que a banda evoluiu. Tem composições bem melhor desenvolvidas (“Age Of Machine”) e o guitarrista Jake Kiszka chega a brilhar em alguns momentos (“My Way, Soon”). Todavia, ainda é irregular. O grupo peca principalmente nas baladas (“Tears Of Rain”). E o principal, o vocalista continua horroroso. Chega a não dar para levar a sério o timbre e a interpretação. A produção também não ajuda. Ainda assim, já é uma melhora).


- Guilherme Arantes: A Desordem dos Templários (Li sobre esse disco ser uma “volta ao rock progressivo” do Guilherme Arantes. Fiquei entusiasmado, ainda mais se pensarmos a sempre ótima banda que o acompanha ao vivo. Todavia, infelizmente, o resultado não me agradou. Claro, ele é muito talentoso, grande melodista e cuidadoso nos arranjos, mas a real é que as canções soam cafonas. Fora que achei o álbum mais “folk” do que progressivo. Muito respeito, carinho e admiração pelo Guilherme Arantes, mas não foi dessa vez).


- Hannah Peel: Fir Wave (Nenhum grande problema, mas em meio a suas versáteis produções com nuances de techno, ambiente, minimal e krautrock, nada parece sobressair na lembrança. Esquecível). 


- Hayley Williams: FLOWERS for VASES / dencansos (A eterna vocalista do Paramore em seu segundo trabalho solo, muito mais bucólico, navegando na tendência de cantoras-compositoras de indie folk confessional. Neste segmento, tem quem se saia melhor (vide até mesmo a Taylor Swift). Mas tem seus bons momentos. Bela voz, bons arranjos e repertório irregular).


- Indigo de Souza: Any Shape You Take (Nova sensação entre a galera indie. A moça é talentosa, mas honestamente acho sonoramente irregular. Tem momentos de indie pop rock que não me cativam em nada. Por outro lado, as canções mais barulhentas, com um pé no grunge, acho bacanas (vide “Real Pain” e “Bad Dream”). Vá por sua conta em risco). 


- Irena and Vojtěch Havlovi: Melodies in the Sand (Esse duo trabalha com violoncelos, violas e vozes num álbum ora bonito, ora honestamente entediante. É um folk ambiente bastante atmosférico que não necessariamente prendeu minha atenção. Talvez o culpado seja eu).


- Iron Maiden: Senjutsu (Eu nem ia ouvir, já que honestamente não tenho interesse em material novo da banda. Mas li tantos elogios que fui conferir. Não é ruim, mas também não é nada memorável. Em alguns momentos sinto que eles tentaram soar menos repetitivo e mais versátil, mas ainda assim nada que acertasse em cheio. Tem momentos bastante progressivos, o que para mim não seria um problema (como no passado da banda não foi) se ao menos fosse menos arrastado. Fora que achei a produção sem vida. Não é ruim, mas é esquecível, como tudo que a banda fez neste milênio, embora provoque bastante barulho quando saí).


- Iza Sabino: Trono de Vidro (Embora não seja exatamente minha onda, essa rapper mineira tem um trabalho bastante consistente na arte de fazer o pop, trap, rap e funk uma coisa só. Gostei dos beats e do seu flow. Todavia, as duas últimas faixas (num total de seis) são tão fraquinhas que fiquei com um gosto de “quem sabe na próxima”. Pra ficar de olho). 


- Jim O’Rourke / Elliott Sharp: Sakuraza (Fui na expectativa por guitarras ousadas e estranhas. O que encontrei foi experimentos eletrônicos complexos, que lembram música concreta. Não é necessariamente ruim, na verdade tem até texturas bem avançadas, mas fique honestamente decepcionado).


- Jorja Smith: Be Right Back (Ela tem uma voz maravilhosa e é tudo muito bem arranjado e produzido. Ou seja, redondíssimo. Mas as composições me lembram loja de departamento. É um pop orgânico pasteurizado. Uma pena).


- Julien Baker: Little Oblivions (Um álbum onde mesmo as qualidades (bela voz, letras pessoais honestas, bons arranjos) são tão lineares que não saltam aos ouvidos. Mas se sua onda for o indie folk rock, é uma boa pedida)


- JPEGMAFIA: EP2! (Um dos rappers mais criativos desta geração dá um tiro no escuro em direção ao lado mais comercial do gênero, flertando diretamente com o trap. O resultado é irregular até mesmo para um EP, mas tem seus bons momentos no miolo. Valeria ter corrido mais riscos na produção).


- Ka: A Martyr’s Reward (Ele até é um rapper com alto nível lírico, mas já que meu inglês é limitado, seu canto não transmite dramaticidade (apesar do timbre característico) e os beats são ultra minimalistas, a audição do álbum torna-se para mim tediosa. Por culpa minha ou dele, é uma pena).


- Kacey Musgraves: star-crossed (Devo ter sido a única pessoa no sistema solar que preferiu esse disco ao aclamado álbum anterior. E não que eu tenha amado, vide que as composições em si acho bem fraquinhas. Mas há uma proposta rica em cor, nuances e texturas dentro do pop country. Gostei da produção. Tem seu valor).


- Kalouv: A Medida da Distância (Fico honestamente envergonhado de não elogiar o trabalho de uma banda brasileira que decide apostar no post-rock. Entretanto, sendo sincero, achei um disco burocrático. As faixas não apresentam timbres, dinâmica ou qualquer outro elemento que as torne convidativas. Longe de ser ruim, só não é nada de empolgante). 


- KBrum / Brasil Grime Show: Sabe Quem Tá De Volta? (EP) (Por mais que as canções e performances sejam irregulares, vale dar uma conferida por ser uma amostra da ascensão do grime brasileiro).


- Kero Kero Bonito: Civilisation II (Três faixas, sendo as duas primeiras esquecíveis (apesar da “luminosidade” na produção tão característica do grupo) e a última uma das grandes canções do ano, sendo um quase épico moderno do technopop. Infelizmente irregular (mas escutem “Well Rested”, hein!)).


- King Buffalo: The Burden Of Restlessness (Ficando na linha tênue de duas estéticas problemáticas (o “dad rock” e o “rock modernoso”), as composições tendem a patinar na lama, não evoluindo para lugar algum. Lembra os momentos menos inspirados do Tool. Fora que achei as timbragens sem brilho. Apesar dos méritos, ousadias e bons momentos, não fez minha cabeça).


- King Gizzard & The Lizard Wizard: Butterfly 3000 (Ao se debruçar em sintetizadores analógicos e flertar com o synthpop, o grupo deu uma “tameimpalada”. Até mesmo as linhas vocais mais agudas lembram as do Kevin Parker. Diante disso, há boas canções e outras nem tanto. Dado o fato da banda lançar muito material, esse acabará ficando de lado. Mas gostei do risco que eles aceitaram correr). 


- Kiwi Jr.: Cooler Returns (A Sub Pop e seus novos frutos. Banda de indie rock bacaninha. As composições são esquecíveis, mas há guitarrinhas legais. Como pano de fundo funciona bem. Nada mais que isso).


- Kìzis: Tidibàbide / Turn (Eu tava achando bacana o disco, até o momento que eu percebi que ele era interminável. 3 horas e meia de duração é embaçado. Mas até onde ouvi (umas duas horas) tinham experimentos vocais interessantes (segundo a Pitchfork, inspirado num povo nativo da América do Norte) e um instrumental sem amarras com gênero algum. Para curiosos e desocupados de plantão).


- Lil Nas X: Montero (Já repeti algumas vezes que simpatizo e vejo talento no Lil Nas X. Entretanto, acho que sua estreia em disco não se sustenta. Nem tanto pela performance ou produção, mas pelo repertório mesmo. Muitas faixas esquecíveis e poucos momentos ganchudos (nesse sentido, exitosamente o hit “Industry Baby” é mesmo um destaque). Uma pena).


- Lil Ugly Mane: Volcanic Bird Enemy And The Voiced Concern (Ah, ele é malucão, né? É difícil saber onde ele quer chegar. É um álbum sem gênero definido, onde muitas vezes nem me parece “musical”, se assemelhando na realidade a uma viagem tão hilária quanto depressiva. Não deixa de ser curioso na primeira ouvida, mas não é algo pra levar pra frente).

- Lorde: Solar Power (Sempre achei os álbuns da Lorde irregulares, mas esse beira o ruim. Isso porque, apesar da sua voz soar bem e ter alguns arranjos e produções agradáveis, as composições em si quando não são insossas são presunçosas (o que é muito pior). Artisticamente, dinheiro e fama não fizeram bem para Lorde e não sei se verdadeiramente ela se importa com isso. Muitíssimo irregular).


- Luísa Sonza: Doce 22 (Indo com boa vontade, as canções mais agitadas, sexys e confiantes soam até que bem dentro de uma estética pop, principalmente devido a produção encorpada. Todavia, há muitas faixas em que ela se coloca numa posição de “sofrimento” que, embora deva realmente afetá-la, soam liricamente muito ruins. São composições que não comovem sequer seus admiradores. Isso sem falar em alguns exageros vocais e beats cansados. Bastante irregular, mas não completamente descartável).


- Luna Li: jams EP (Uma jovem talentosa numa produção caseira que mais parece um portfólio de vinhetas do que propriamente um material artístico. Dito isso, ela toca muito bem vários instrumentos e há boas ideias (inclusive de arranjo numa estética quase "chamber indie pop", vide a boa "mirror"), mas nada mais que isso).


- Lupe de Lupe: Lula (Não deixa de ser negativamente surpreendente um grupo com tantos compositores e intérpretes soar tão monótono. Ainda que tenha seus bons momentos, a sensação de tédio por vezes ocorre. Mesmo o estilo provocativo das letras perdeu um pouco da força (com exceção da explosiva “Goiânia”). E tá certo que ninguém ali nunca cantou bem, mas ao menos havia mais paixão interpretativa. Como grande qualidade estão as guitarras imundas em produção lo-fi que tanto adoramos. Irregular).


- Maneskin: Teatro d’ira – Vol. I (Esse grupo viralizou este ano por conta da péssima “Beggin’”, uma faixa gravada anos atrás. Ainda assim, fiquei curioso por esse hype, de modo que fui atrás deste trabalho recente. Fui temendo o pior, de modo que a audição superou minhas expectativas com muito pouco. É que por mais caricato, pastiche e brega que seja, há uma unidade sonora que funciona. Fora que quando cantam em italiano há um diferencial bacana. Não é mal feito, só é besta, entende?). 


- Michael Schenker Group: Immortal (Vai por mim: esse álbum beira o vergonhoso! Entretanto, eu já imaginava isso, então consegui curtir essa comemoração dos 50 anos de carreira deste brilhante guitarrista apreciando cada riff e solo. Aliás, que vibrato que ele tem, não? Já as performances vocais são um martírio. Isso para não mencionar os diversos clichês na linha speed metal/hard rock. Vá por sua conta em risco. É cafona).


- Mogwai: As the Love Continues (Claro, a banda é ótima, todo mundo sabe disso. Sabe inclusive que esse repertório pode funcionar muito bem ao vivo. Entretanto, em disco, parece algo acomodado. Tem seus momentos que beiram a catarse, mas que desaguam em lugar algum. Uma pena). 


- Nana Yamato: Before Sunrise (Diretamente do Japão, uma jovem artista de indie pop. O álbum é delicado, carismático e tão regular que chega a ser linear. Falta certa "explosão" interpretativa. E olha que há momentos timbristicamente criativos. Apenas ok).


- Nill: BLU (Mais uma vez o Nill conseguiu soar mais inquieto do que bem-sucedido na sua proposta. É legal ele experimentar beats de música eletrônica dentro do seu rap, mas o resultado não me agrada. Questão de texto e flow, nada também que chame muita atenção).


- Parquet Courts: Sympathy For Life (Embora em termos de sonoridade a banda continue a arriscar numa estranha fronteira de garage rock, indie rock, britpop, new wave e synthpop, sinto que na célula tronco composicional, faltou inspiração. É mais “interessante” que “cativante”, entende?).


- Pink Siifu: GUMBO’! (Embora o rapper tenha chamado muita gente talentosa para colaborar neste disco, honestamente não acho que os 57 minutos descem bem. É irregular. Mas tem momentos bem bonitos (vide “Living Proof (Family)” e “Scurrrrd”). Talvez fosse melhor caminhar somente por essa praia “quase soul”. A versatilidade, que chega a nadar pelo trap, não necessariamente deu jogo).


- Portal: Avow (O grupo construiu um cenário ainda mais caótico, denso e extremo com o seu som. Alguns momentos são até mesmo infernalmente herméticos. Com isso, a audição ficou arrastada e menos interessante como um todo. Fora que acho que há problemas na mixagem (bumbo horrível). Mas tem seus momentos de euforia perturbadora).


- Prince: Welcome 2 America (Mais um dos discos póstumos do arquivo do Prince que estão sendo lançados. Só que esse, ao contrário dos outros, me pareceu um material pouco inspirado, o que justifica o não lançamento pelo criterioso e genial artista. Claro, é muito bem tocado e mostra seu groove funk preciso, mas as composições em si são esquecíveis). 


- Project Null: Invisible Threads (Cheguei neste projeto através da página do sujeito no Instagram, onde ele produz peças através de synths baratos e manipulação de tapes. Aqui tal proposta soou um pouco vazia. É um lo-fi hip hop que flerta com o glitch, mas não caminha pra nenhum grande lugar. Eu até gosto de ouvir esse tipo de sonoridade antes de dormir, mas aqui é pouco instigante). 


- Recayd Mob: Calzone Tapes 3 (Esse coletivo tem elevado o nível do trap nacional com suas produções sombrias e variedade de flow. Dito isso, consigo embarcar nas 22 faixas ao longo de quase 1h30 de disco? Claro que não. Mas tem boas faixas (vide "Toolio"), principalmente se você tiver 16 anos).


- Rico Dalasam: Dolores Dala Guardião do Alívio (Embora o pop rap nacional não faça a minha cabeça, neste álbum de breves 26 minutos há uma amostra da delicadeza, angústias e raiva deste bom rapper. Imperfeito, mas tem seus achados líricos).


- Romulo Fróes: Aquele Nenhum (Tem boas composições, mas o formato voz e violão me soou monótono. Ainda mais por ter ouvido logo após escutar o Guinga (ingrata posição). Até dei uma passada por cima na versão ruidosa e cheia de colagens das mesmas composições, batizada de O Nóis, mas também não me surpreendeu. Dessa vez não rasgarei elogios a esse grande artista brasileiro).


- Rural Internet: BREAKING UP (Embora com algumas faixas verdadeiramente estrondosas (vide "Government"), não consegui embarcar nos mais de 50 minutos do disco. Ainda assim, vale conferir por conta da produção e de alguns beats corrosivos, ruidosos, metálicos e intoxicantes. É um álbum de rap bastante fora da curva).


- Ryan Sambol: Gestalt (Álbum curtinho, de simplicidade instrumental (basicamente voz e guitarra) e sentimentalismo quase ingênuo. O cantor-compositor constrói um repertório pouco memorável, ainda que convidativo. Achei legal como ele usa slide na guitarra (meio desafinado, bastante espontâneo, vide a boa "Round The House"). Há uma crueza honesta. Ainda assim, apenas ok).


- Sematary: Rainbow Bridge 3 (Não entendi isso aqui não! Um cruzamento voraz e bagunçado de trap com black metal. Tudo extremamente comprimido e saturado. Chega a dar ruim na cabeça. Diante do tamanho caos que provoca, não consigo dizer que é ruim, já que é impossível passar ileso). 


- Smith/Kotzen: Smith/Kotzen (O tal encontro do Adrian Smith com o Richie Kotzen. Nem ia ouvir, já que não é mais minha praia, mas o adolescente dentro de mim falou mais alto. As composições não me agradam. É um hard blues pastiche apenas ok. Mas se sua onda for guitarras, vale conferir. Os dois entregam ótimas performances e ideias nos solos. Não mais que isso).


- Snail Mail: Valentine (Embora apresente manter a regularidade em suas composições (e até um certo amadurecimento estético), novamente as canções desta nova queiridinha do indie pop pouco me pegaram. Até acho cuidadoso em termos de arranjo e gravação, mas não é para mim).


- Spectral Wound: A Diabolic Thirst (A estética do black metal norueguês é aplicada numa produção contemporânea. Execução positivamente desgraçada. Todavia, as composições não são grande coisa, chegando a se perder em melodias chatas. Indicado somente para fãs do gênero).


- Steven Wilson: THE FUTURE BITES (Eu não tenho problema com essa linguagem mais pop dentro do rock progressivo. Até acho que o Steven Wilson se saiu muito bem apostando nessa abordagem no To The Bone (2017). Mas aqui o repertório é morno. A mixagem é perfeita, mas a escolha de alguns timbres me parece equivocada. Não é péssimo, mas é fraquinho).


- The War On Drugs: I Don’t Live Here Anymore (Um álbum menor deste excelente grupo. Claro, tem seus momentos bonitos e até mesmo viajantes (naquela fórmula “o que aconteceria se o Bruce Springsteen fizesse krautrock”), mas o repertório em si achei um pouco cansado). 


- Tkay Maidza: Last Year Was Weird, Vol. 3 (Completamente decepcionante se comparado ao colorido e versátil EP anterior. Não que esse seja propriamente ruim, mas um trabalho pop de 22 minutos que não consegue fazer chacoalhar o esqueleto ou apresentar melodias memoráveis, também não pode ser considerado bom).


- Tuyo: Chegamos Sozinhos em Casa (Apesar de ser tecnicamente muito bem pensado (arranjos e produção) e se comunicar bem com o pop internacional alternativo contemporâneo (alguns momentos me lembraram a FKA Twigs como referência), eu não consegui embarcar nas canções. Os climas não me instigam, não senti paixão nas interpretações, as letras não se comunicam comigo... simplesmente não é para mim).


RUINS
Cotação subjetiva: 0-4

- ABBA: Voyage (De imediato eu confesso que fiquei empolgado com um lançamento de inéditas do lendário grupo sueco após 40 anos parados. Todavia, logo percebi que era furada. Mais parece uma volta das Shaggs num álbum natalino com o Blackmore’s Night de banda de apoio. É ultra cafona. Fora que a produção parece de “plástico” (se bobear não tem um único instrumento orgânico, é tudo emulado). Entretanto, de tão ruim, cai no pacote de “discos vergonhosos que beiram o engraçado”. Fora que ao menos a “Just A Notion” é legal. Deprimente).


- Arca: KICK iiii (Uma queda vertiginosa quando se comparado aos antecessores. Ela se debruçou em peças de música ambient abstratas e sintéticas que não levam a lugar algum (no máximo ao tédio). Até reconheço algumas boas texturas timbristicas, mas é muito pouco. Chato e presunçoso).


- Architects: For Those That Wish to Exist (Estava na expectativa por esse disco, mas com poucos minutos já vi que era furada. Peso genérico/artificial (ultra comprimido) e uma estética de composições que soa como se o Thirty Second To Mars fosse uma banda de djent. O resultado é presunçoso e besta).


- Camisa de Vênus: Agulha no Palheiro (Das bandas do rock nacional oitentista, o Camisa é das minhas prediletas, de modo que acho lamentável o rumo que eles tomaram nesta volta desconfigurada. É um rock pasteurizado pseudo transgressor que tem tudo pra agradar pai de família conservador. Instrumental cansado e letras bestas. Fora a interpretação nada musical do Marcelo Nova, com direito a aquele vibrato chatissimo. Uma pena).


- Costa Gold: Auge (Nem se eu fosse adolescente eu ouviria um troço desses. Beats pasteurizados e letras idiotas que não evoluem para lugar algum. Fora que as interpretações são chatíssimas. Juro que fui com a cabeça aberta, mas não dá não).


- Ethel Cain: Inbred EP (Apesar de abordar temas interessantes como religião e sexualidade dentro de uma estética pop, achei as canções um porre. A voz processada faz o texto perder a força. Até mesmo o elemento gótico se perde. Tristemente ruim).


- Foo Fighters: Medicine At Midnight (Como a banda é entrosada, todos tocam muito bem e há um líder carismático, a gente pode até se enganar, mas a real é que esse repertório é uma porcaria. Canções nada inspiradas e com um certo "balanço funky" que deu muito errado. Uma pena o rumo que a banda tem tomado).


- girl in red: if i could make it go quiet (Jovem artista promessa no indie pop. Não gostei de nada que ouvi aqui. Achei o tom confessional das letras bem besta (além de ser uma fórmula que tá ficando desgastada). Melodias nada inspiradas, interpretação ruim, produção qualquer coisa... Um hype nada justificável).


- Helloween: Helloween (Acho que minha opinião nem deve ser considerada. Não somente por não curtir a banda e sequer o estilo, mas porque eu não passei da terceira faixa. E juro que fui com boa vontade, afinal, é o primeiro álbum com o Michael Kiske e o Kai Hansen sei lá desde quando e muitos fãs elogiaram. Todavia, não dá pra aguentar a voz do Kiske. É insuportável).


- Lana Del Rey: Blue Banisters (Pô, ela tava indo tão bem, mas essas canções são não menos que horríveis. Que performance vocal é aquela em “Dealer”? Faixas chatas, arrastadas, produção qualquer coisa. Sua crescente sofre grande golpe com esse que é, provavelmente, seu pior trabalho. Ao menos serviu para eu perder a paixão por ela).


- Marina Sena: De Primeira (Me revelo um velho ranzinza com este tipo de música que não é nem mpb, nem pop, nem sexy, nem carismática… embora tentando ser tudo isso. Composições embasbacantemente bestas, interpretação bocejantes (ela sequer parece abrir a boca pra cantar) e melodias paupérrimas. Isso tudo com um carimbo de “brasilidade” que chega a me enfurecer. Isso quando não tratam como “pop” algo que de popular não tem nada (exceto na bolha classe média, onde incrivelmente fez a cabeça de muita gente). Toda sorte do mundo para a artista (que sofreu ataques pessoais desnecessários), mas seu trabalho não é para mim).


- Vince Staples: Vince Staples (Embora não esteja entre meus rappers prediletos, sempre me interesso por seus discos por conta das produções pouco usuais dentro do trap. Mas aqui, via as mãos do Kenny Beats, o resultado é não só decepcionante, mas incrivelmente monótono e ruim. Inesperadamente chatíssimo). 


- Wolf Alice: Blue Weekend (A banda faz a ponte entre o rock alternativo “modernoso/palatável/palha” e o dream pop neste disco de composições nada inspiradas, repletas de clichês, interpretações esquecíveis e produção ultra comprimida no pior exemplo que isso possa representar. Chega a incomodar a audição).


FILMES/DOC/DVD/SHOWS

Summer Of Soul
Com direção e financiamento do Questlove, esse filme joga o holofote sob o historicamente negligenciado Harlem Cultural Festival, realizado em 1969 e que mapeou boa parte da cultura musical negra norte-americana do período. Há cenas emocionantes de nomes como Nina Simone, Stevie Wonder, B.B. King, Mahalia Jackson, The Staple Singers, Sly And The Family Stone, Max Roach, The 5th Dimension, Ray Barretto, dentre outros. Impressionante.

The Beatles: Get Back
Pensei em fazer uma postagem só para falar deste espetacular filme. Entretanto, tanta gente escreveu sobre que vou me limitar a dizer que fiquei emocionado. É sem dúvida um dos maiores documentários da história! Não somente entre os musicais, mas em geral. É fantástica a forma com que as cenas foram captadas, tornando a relação entre banda e telespectador como algo próximo de um voyeur criativo. Fora que ver os Beatles compondo canções não menos que emblemáticas (Paul cantarolando o que viria a ser “Get Back”; George mostrando “Something”, só para citar dois exemplos) era até então inimaginável por mim. Fora outros momentos impagáveis, vide a emoção do Paul ao perceber uma possível debandada do George e do John, a liderança musical do Paul exercida ao longo de todo o processo criativo, o John em momentos completamente desinteressados e sem brilho, o Ringo tocando bateria de maneira esplendorosa, o George apontando para onde iria sua carreira solo... Isso entre tantos outros momentos em quase 9 horas de material. De chorar. Assistam. Obrigatório.

The Velvet Underground
Uma banda esteticamente tão sofisticada só poderia merecer um documentário visualmente digno de sua força. Imagens espetaculares que narram um capítulo fundamental da história do rock. Muito legal ver o Jonathan Richman demonstrando sua devoção pelo Velvet. Fora que serviu para eu relembrar músicas que há muito tempo não ouvia. Especial.

Woodstock 99: Peace, Love and Rage
Nem fui com tanta expectativa para ver esse documentário. Isso porquê até que conhecia bem o fiasco (pra dizer o mínimo) que foi essa tentativa de reedição do Woodstock original. Entretanto, as imagens e histórias são impressionante. Fora a análise muito bem feita, demonstrando como uma América do Norte no auge de sua economia conseguiu gerar uma sociedade extremamente doentia (principalmente no que se refere aos homens brancos). Nunca tinha me dado conta do salto veloz e discrepante que o rock do país teve, indo do sentimentalismo reflexivo do R.E.M. e até mesmo Nirvana, para o sexismo juvenil do Kid Rock e Limp Bizkit.

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