quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TEM QUE OUVIR: Nirvana - In Utero (1993)

Falar sobre a importância do Nirvana para a história do rock é chover no molhado. Mas acho que vale ressaltar que, assim como o grupo abriu portas para o rock alternativo com o álbum Nevermind (1991), com o In Utero (1993) a banda fechou todas. Eis o trabalho definitivo da cena grunge.


Já completamente viciado em heroína, depressivo, desmotivado com a banda e apaixonado pela Courtney Love, Kurt Cobain escreveu um punhado de canções doentias em suas letras ausentes de simbolismo ("Rape Me") e insanas em suas dinâmicas ruidosas inspiradas pelo Pixies ("Very Ape"). Aliás, é preciso lembrar que o produtor do disco foi o lendário Steve Albini, o mesmo a trabalhar com o Pixies anos antes. A ideia era que o álbum se distanciasse da sonoridade "comercial" do Nevermind. Com isso, foi gerado timbres fantasmagóricos, vide a bateria enorme, as guitarras dissonantes/abrasivas e os berros saturados de "Scentless Apprentice".

Mas é "Serve The Servants" que abre o disco, trazendo de cara um tom áspero, tanto pelas guitarras cortantes quanto pela letra desiludida. Sua frase inicial resume os sentimentos do Kurt (“A angústia adolescente rendeu bons frutos, agora estou velho e entediado”).

A bateria de Dave Grohl é musicalmente o ponto alto do disco, proporcionando dinâmica emotiva para as composições do Kurt Cobain. Isso pode ser notado na dramática "Pennyroyal Tea". 

Em meio a um turbilhão de guitarras pesadas, temos as sombrias "Dumb" e "All Apologies" (linda melodia e refrão emocionante). Já no auge da porralouquice está a insana "Milk It".

O álbum ainda guarda nas mangas a barulhenta "Radio Friendly Unit Shifter" e a punk "Tourette's" (com a voz brutalmente arranhada de Kurt). Mas o grande hit do disco é "Heart Shaped Box", faixa que recebeu um peculiar videoclipe que rodou incansavelmente na programação da MTV. Dizem que a canção é sobre a vagina de Courtney. Deixo a lenda no ar. Seja qual for o tema, é chocantemente bem escrita.

Gravado sem supervisão dos executivos, a gravadora Geffen achou In Utero inacessível, chegando a afirmar que era uma piada da banda. Contudo, o disco foi lançado e atingiu em cheio um público que tinha as mesmas angústias de Kurt (e neste momento, já não eram poucos). Eis aqui o último suspiro de um dos mais talentosos compositores do rock. 

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