domingo, 17 de junho de 2012

TEM QUE OUVIR: Radiohead - OK Computer (1997)

OK Computer (1997) do Radiohead é provavelmente o último grande clássico do rock. Isso se faz valer ao observarmos o status de adoração - exagerado, segundo a própria banda -, que o trabalho adquiriu, tanto do público - ficou em primeiro lugar em países como EUA e Inglaterra -, quanto da crítica.


O álbum é o terceiro lançamento do grupo. Ele trafega por sonoridades mais experimentais que o passado da banda, sendo sustentado por timbres modernos e produção rebuscada - equilibrando sons eletrônicos e orgânicos -, além de uma interessante abordagem poética que trata da alienação urbana.

"Airbag" abre o disco com guitarras distorcidas, loop de bateria contagiante, linha de baixo cheia de pausas, teclados futuristas e um texto sobre as vantagens de sobreviver a um acidente de carro.

"Paranoid Android" é delirante em sua letra e bela em sua harmonia, intercalando vários climas, mas tendo como seu ápice o solo furioso do criativo Jonny Greenwood. Destacável também a linha de baixo, os falsetes vocais, a letra surreal e um "rain down" vagaroso, fúnebre, onírico, cósmico... definitivamente uma composição espetacular.

"Subterranean Homesick Alien" traz timbres cristalinos e a voz amargurada de Thom Yorke. Já na 50% acústica "Exit Music (For A Film)", a delicadeza tristonha da composição e o arranjo crescente são tão intensos que chegam a remeter ao Pink Floyd. Atenção para seu tão belo quanto estranhíssimo coro de vozes sintetizadas, soando como uma emulação de um coral barroco.

As músicas do disco que ganharam maior destaque - muito por conta dos videoclipes -, foram "Karma Police" (com mais uma bela harmonia, desta vez com presença de violões e piano no arranjo) e "No Surprises" (com sua letra extremamente depressiva acompanhada por uma melodia à la "Wouldn't It Be Nice" que parece sair de um caixinha de música).

Enquanto os sons sobrepostos em "Fitter Happier" são uma homenagem aos compositores de vanguarda, além de trazer reflexões pertinentes sobre a vivência cotidiana na “modernidade”; a crueza de "Electioneering" remete ao passado rockeiro da banda. Por sua vez, a beleza de "Let Down" transparece a eficiência pop da banda.

As outras faixas deste disco também merecem ser ouvidas com atenção. Destaque para o krautrock atmosférico de "Climbing Up The Walls", a apoteótica "Lucky" e a linda "The Tourist".

A audição desse disco é de extrema importância para entendermos a influência da banda, que continua a reverberar entre os grupos alternativos e compositores/produtores interessados em timbres e arranjos peculiares. Um clássico do nosso tempo. A revolução digital e o século XXI se revelam sombrios aos olhos do Radiohead.

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