segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bons instrumentistas, bandas ruins

Para muita gente, músico bom é sinônimo de boa música, o que é um engano. No entanto, essa afirmação leva sempre as velhas questões: "O que é ser um bom músico?". "O que é música boa?".

O que abordarei aqui não é gosto musical, mas sim um critério estético. Acredito que "o bom" não está ligado a percepções, e sim, a um fato. Eu não sou dos maiores fãs de Tom Jobim e Johann Sebastian Bach, mas daí a não reconhecer as belas harmonias do compositor brasileiro o menosprezar as evoluções técnicas contrapontísticas do compositor barroco, é assinar o atestado de ignorância.

O "bom músico" deste post está relacionado a ter um bom domínio técnico de seu instrumento e apresentar soluções criativas para suas músicas, mas que nem sempre são suficientes para salvar uma canção mal estruturada e composta.

Apresento aqui três bandas com excelentes instrumentistas, com enfoque em diferentes instrumentos, mas que infelizmente, não fazem canções tão boas assim.

Travis Barker
A qualidade técnica do baterista Travis Barker é facilmente perceptível, mas o que chama realmente a atenção é sua originalidade na hora de bolar grooves desconcertantes. Em "Adam's Song" isso fica bastante evidente. Uma música simples, que poderia receber um levada punk "quadrada", ganhou de presente um arsenal de ideias interessantes. Ele parece um pintor, com pincel e paleta na mão, escolhendo suas melhores cores e distribuindo em sua tela. Uma pena que esse quadro foi pintado em uma tela tão suja.

Wes Borland
Vou direto ao ponto: Wes Borland é um guitarrista sensacional. Tem uma ótima técnica, excelentes ideias para riffs e um timbre bastante encorpado. Todavia, o Limp Bizkit tem na liderança o mala do Fred Durst, um péssimo letrista, de timbre vocal irritante e "flow" risível. Ou seja, a banda tem um punhado de riffs legais desperdiçados músicas chatissimas.

Champignon
O Brasil também tem seus podres e não poderia ficar de fora dessa. O Charlie Brown Jr. é uma das bandas brasileiras de maior sucesso dos últimos 15 anos, sucesso esse alcançado por mérito dos músicos que sempre apresentaram boas performances, principalmente o ex-baixista da banda Champignon (substituído pelo também ótimo Heitor Gomes).  No entanto, o Chorão é realmente o dono do grupo, sendo suas letras tão fracas que deixam redação de 4ª série parecendo tese científica. Confira a qualidade instrumental da música a seguir e a mediocridade do Chorão enquanto compositor.

Letras horríveis (Treta HC), foco excessivo na música comercial (Asia), "bundamolice" (John Mayer) e até exagero técnico (Liquid Tension Experiment). São muitos os aspectos que podem derrubar uma banda. Cabe ao ouvinte filtrar o que há de bom em cada som.

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