terça-feira, 20 de setembro de 2022

TEM QUE OUVIR: Frankie Goes To Hollywood - Welcome To The Pleasuredome (1984)

Não me pergunte quem são os integrantes do Frankie Goes To Hollywood, pois não faço ideia. Mas eu sei quem está por trás do sucesso do grupo: Trevor Horn, o lendário produtor que liderou o The Buggles e arquitetou os maiores hits do Yes, ABC e Seal. Lançado pelo seu próprio selo, a ZTT, Welcome To The Pleasuredome (1984) é uma pérola da música POP (com letras garrafais). 

Além do fator mercadológico, o que sustenta a audição deste disco ainda hoje é singularidade do Trevor Horn enquanto produtor/arranjador. Tudo aqui soa imenso, meticuloso, cristalino, tecnológico, futurista e sonoramente rico.

Para um disco de pretensão pop, os 13 minutos de "Welcome To The Pleasuredome" são não menos que ambiciosos. É basicamente uma faixa de rock progressivo inserida na new wave e com programações eletrônicas (vide o baixo sintetizado ao fundo) à la Giorgio Moroder. Não bastasse essa rica construção, a canção não perde a força, evoluindo através dos refrões, climas e detalhes de arranjo/produção. Tem gancho, carisma, dinâmica e ótima performance vocal do Holly Johnson. Uma aula de criação.

O que então poderia vir na sequência? Que tal "Relax", canção que fez sucesso estrondoso, mesmo (e talvez por isso) sendo explicitamente sobre sexo oral. Sensacional. Ainda originou um clipe que foi censurado e uma camiseta que virou moda. A Inglaterra se rendeu ao grupo.

Também "apelativa", mais desta vez alimentando os instintos políticos/sociais, havia "Two Tribes", que também fez muito sucesso, inclusive com o videoclipe. A canção de tom épico tem uma batida pulsante, baixo musculoso e ótimo arranjo de guitarras. Tudo isso coberto por uma cama de sintetizadores que, de certa forma, soa como o que seria a fusão da eurodance com um ainda inexistente Living Colour. 

Outro hit é "The Power Of Love", uma balada sentimental de bonito (e cafona) arranjo. Melhor são as curiosas e sarcásticas versões para "Born To Run" (Bruce Springsteen) e "San Jose" (Burt Bacharach & Hal David). 

O balanço vitaminado (que baixão!) de "Wish The Lads Were Here", a voraz "Krisco Kisses", a ótima balada "Black Night White Light" e o cruzamento da new wave com o synthpop em "The Only Star In Heaven" ajudam a dar sentido ao álbum. São faixas que passaram praticamente despercebidas na época, mas que soam muito bem numa revisão.

Vale ainda se atentar as vinhetas "Tag", "Fury" e mesmo "War", que embora muito mais longa, parece servir para interligar as faixas. Isso via sons estrondosos e eletrônicos de percussão, além de forma bastante singular.

O estrondoso sucesso não foi garantia de longevidade. Logo o fator surpresa desapareceu e a chama do grupo se apagou. Trevor Horn, por sua vez, foi desenvolver outros trabalhos. Todavia, são poucos álbuns de música POP daquele período que, ao buscar novas sonoridades, manteve equivalente frescor.

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