Como já havia dito aqui no blog, esse ano não me dediquei a assistir tantos shows do Rock In Rio. Meu interesse é menor, meu cansaço maior. Mas gosto de dar pitacos em cima do que vi. Reunirei todos neste post.
02/09
Dia do metal, único que assisti com maior atenção. Mas já comentei aqui (clique e leia), então pouparei a repetição.
03/09
Dia do Tributo ao Taylor Hawkins. Não vi nada e nem acho que perdi muita coisa. Escalação impressionantemente ruim. Mesmo o Post Malone que acho bacaninha, já não tá mais na crista da onda e nem faz um grande show.
Ah, na real vi a metade final dos Racionais fechando o Palco Sunset. Uma boa apresentação, meio no piloto automático, mas consistente. Pro perfil careta do Rock In Rio é muita coisa.
04/09
Sem saco pro Gilberto Gil. Amo ele, mas essa tentativa de torná-lo um Orixá que capitaneia sua família em reality show tá me fazendo ter antipatia, não pelo artista ou pessoa, mas pelo entorno. Pra não enfileirar ódio injusto, preferi nem ver.
Vi que a Luísa Sonza fez um solo de guitarra péssimo. Não é o primeiro nem o último na história da música, de modo que não tem nem o que comentar.
Sintonizei no show da Demi Lovato pra ver como funcionaria essa sua fase "rocker" em cima do palco. Não achei ruim, mas também não achei bom. Repertório é fraco, independente da estética e dos arranjos. Fora que ela grita muito, tornando a experiência auditiva complicada. Mas gostei da performance e do destaque dado a Nita Strauss, que embora seja um tanto superestimada, não fez feio.
Após dobrarem o cachê do Justin Bieber ele topou subir ao palco (tô zuando, sei lá qual foi a negociação para que ele não desistisse desse show, assim como fez com todos os outros na América Latina). Por todo o clima criado, esperei para ver a apresentação. Aguentei umas 5 músicas, todas uma fusão de worship com pop insosso e r&b de branco. Ele cantou mal (normal) e estava com acnes (isso chamou minha atenção). A banda é boa, provavelmente formada por músicos de igreja, tendo em vista o abuso de gospel chops do batera. Acho muito fraco, mas também não sou o público-alvo deste produto.
08/09
Comecei minha programação com a Jessie J mandando o público cantar baixinho para não gravarem vídeos com a cara dela e a voz desafinada de outra pessoa. Pouco carisma, mas muita atitude, que eu queria que viesse acompanhada de uma performance vocal de uma Ella Fitzgerald. Não é nem uma Christina Aguilera. Gostei de ver o Mateus Asato na banda dela, embora na mixagem da transmissão sua guitarra estivesse muito baixa, dando até a sensação (talvez injusta) de que ele toca com pouco pegada e timbre borocoxô. Esquecível.
CPM 22 se mostrou competente (dentro do que se espera de uma performance competente do CPM 22).
Depois teve o The Offspring, banda que nunca entendi como chegou a fazer sucesso. Mesmo dentro do pop punk me soa muito chato. Nem o ótimo e requisitado baterista Josh Freese conseguiu trazer energia para o show. Aquele vocalista é péssimo. Não dá.
Sobre o Maneskin vou postar meus twittes que fiz no momento da apresentação:
- Vou ser sincero: é ruim mesmo, MAS se mudar de vocalista, abandonar 2/3 do repertório e pararem de se vestir/portar igual idiotas, até pode render algo. Já vi show do Green Day e RHCP pior que isso. Mesmo o Guns N' Roses na sequência pode se sair pior. Pra quem tem 15 anos tá bom.
- Pontos positivos: bom guitarrista, baixista bonitona, baixo danelectro, quando cantam em italiano, ser uma farsa (rock é sobre mentira).
- Pontos negativos: homens feios, roupas horríveis, tão tomando água, apesar da pose ninguém ali tá transando, a voz, as músicas.
- Positivo: tocam Stooges.
- Negativo: quebrar pedestal de microfone.
- Negativo: não acaba.
Aí veio o Guns N' Roses. Se a voz destruída do Axl não me surpreende (ao contrário do pedido de desculpa que ele fez posteriormente no twitter, que achei de enorme honestidade e "simpatia"), a excelente performance do Slash beirou o espantoso. Não teve as comuns bolas na trave. Ele tocou com pegada, destreza, fluidez, timbrão... coisa linda! Daí para ler que ele e o Duff deveriam montar uma banda com um vocalista melhor foi o suficiente para me tirar gargalhadas. E o tão criticado Velvet Revolver era o quê? Mas ninguém gostava daquilo né. Claro, não tinha magia/surpresa de um Axl e, principalmente, as composições de um hoje pouco lembrado Izzy Stradlin. Deixe assim, tá ruim, mas tá bom.
09/09
Nossa senhora, como a Avril Lavigne canta mal. Ao contrário do Axl, não é um mal com esforço, voz detonada, não parecendo chegar na nota que quer. No caso dela parece que ela nunca cantou. Timbre, desafinações e interpretações sofríveis. Isso acompanhada de uma presença de palco que, como bem lembrou o Chico Barney, é uma mistura de Sandy com Dolly Parton. Coloco uma pitada de Paula Toller neste inferno. Banda comum, repertório péssimo (aí normal, não surpreende). Mas teve um momento que rolou uma introdução "brega funk" que achei curioso. O público lotou o Palco Sunset (que não conseguir sonoramente dar vazão ao alcance da plateia), esvaziando a apresentação do Billy Idol minutos antes no Palco Mundo. Um erro de avaliação estúpido da organização. Era óbvio que no dia do Green Day teria mais gente interessada na Avril Lavigne que no velho Billy Idol.
Falando no "Supla americano", ficou a sensação que se tirar o Steve Stevens da banda dele não sobra nada. É o guitarrista que rouba cena, tanto na raiz das composições, quanto na execução. Toca demais! Já o Billy Idol teve uma performance cheia de deslizes, não sei o quão por culpa dele ou por problemas técnicos, fato é que "Eyes Without a Face" beirou o constrangedor, com direito a reiniciar a música duas vezes. Acontece, mas chato né.
Aí vi o Green Day (na verdade metade da apresentação). De cara me chamou atenção o agitador de plateia vestido de coelho que entrou no palco ao som de Ramones pra levantar o público minuto antes de começar o show. Uma tática interessante, visto os longos minutos a espera da montagem do palco e o tardar do horário que, inevitavelmente, dão uma esfriada até no maior fã. O resultado foi o esperado, quando a banda subiu ao palco a plateia estava atenta a performance energética da banda. Inclusive, todos ali tocam muito bem (com pegada, clareza e entusiasmo), o repertório tem muitos hits, mas me cansa a proposta do Billie Joe de ser um animador de plateia. Entendo sua vontade de fazer as pessoas mais felizes do que musicalmente satisfeitas, mas não me agrada as inúmeras interações milimetricamente programadas. Vale ainda dizer que, para mim, que passou dos 30 anos e cresceu assistindo MTV, só consigo verdadeiramente gostar das músicas do Dookie. Sendo assim, é batata, quando Billie Joe abandona as Les Paul Jr. e pega a Stratocaster, a coisa sobe de patamar. Embora com tantos poréns, é um bom show, para se ver de corpo presente e não pela TV (como se deve ser, claro).
10/09
Vi 10 minutos da Maria Rita e fui dormir. Entenda como quiser.
11/09
Espiei a Macy Gray. Gosto da voz dela. É só o que posso dizer.
Aí veio a Ludmilla, que fez um tremendo show. Pop, versátil, representativo (socialmente e musicalmente), brasileiro, com atitude, boa banda, carisma... mais uma vez colocando o funk no centro do entretenimento musical brasileiro. E digo isso sem ser grande apreciador do gênero. Feliz por ela. O público respondeu lotando o Palco Sunset. Vale ainda dizer que, ao vestir a camiseta da seleção brasileira, ela novamente ressignificou o manto, dissociando do bolsonarismo. Só não precisava daquela péssima (e sem propósito) performance na bateria e dos momentos de playback né (um padrão atual da indústria). Ainda assim beirou o histórico.
A apresentação da Megan Thee Stallion foi... ok. Melhor seria num palco menor, já que ela não trouxe produção alguma. Lá deve ter sido tedioso. Foi musicalmente repetitiva, mas legal (mesma coisa em disco). Acho bacana a personalidade dela, tão carismática quanto afrontosa. Fora o bom flow e escolha interessante de beats, fatos que nem sempre estão presentes no pop rap. Já é alguma coisa.
E neste exato momento aguardo a Dua Lipa... ou não, já que ela mandou atrasar a transmissão. Nem a mulher mais linda e carismática da música pop atual me fará ficar acordado.
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