Oriundos de New Jersey, o Yo La Tengo é dos principais nomes do rock alternativo. Noise rock, shoegaze, experimentalismo, psicodelia, dream pop... tudo faz parte do caldeirão sonoro do trio. I Can Hear The Heart Beating As One (1997), lançado pela Matador Records, é o mais versátil, inspirados e memorável trabalho da banda.
Na ativada desde 1984, o grupo soube dosar maturidade com criatividade. Isso fica nítido em "Moby Octopad", onde um groove em looping forma a cama para guitarras buzinarem e vozes etéreas abraçarem o ouvinte. Uma construção difícil de harmonizar.
O tipico rock alternativo noventista - com suas guitarras barulhentas, produção lo-fi, interpretação acanhada e clima jovem -, salta aos ouvidos em "Sugarcube". Sua linha de baixo deixaria Lou Barlow orgulhoso. O mesmo vale para a singelamente voraz "Deeper Into Movies".
A combinação de "fragilidade + ruído" em "Damage" é de beleza perturbadora. Ainda mais introspectiva é a acústica "Shadows", dona de melodia dolorosa.
O solo de guitarra indomável da balada "Stockholm Syndrome" traz uma aura Neil Young para a canção. Já o beat eletrônico "Autumn Sweater" aperfeiçoa o que havia sido iniciado pelo Primal Scream. Ambas remetem ao passado sem perder a contemporaneidade. Ainda hoje guardam frescor.
Muito lembrados por suas versões, há de se destacar "Little Honda" (que embora seja do Beach Boys, soa como se fosse do Jesus And Mary Chains) e "My Little Corner Of The World" (Anita Bryant).
Vale ainda se atentar para a caipirice etérea de "The Lie And How We Told It", a "brasilidade" (pois é!) de "Center Of Gravity", a repetição krautrock/espacial de "Spec Bebop" e a imundice delirante de "We're An American Band".
Discão que une como poucos beleza e intensidade dentro do rock alternativo.

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