1978, o punk mal havia se estruturado e o Throbbing Gristle já surgia propondo uma música ainda mais pesada e subversiva. Nada de agressividade rockeira ou niilismo juvenil. O grupo inglês estava mais próximo dos ruídos das fábricas. D.o.A: The Third and Final Report of Throbbing Gristle, segundo álbum da banda, é um retrato claro de tais experimentações.
Na formação, Chris Carter, Peter Christopherson, Genesis P-Orridge e Cosey Fanni Tutti. Todos manipulando fitas e aparatos eletrônicos para chegar num resultado incomum. Essa experimentação com tapes fica evidente na aceleração de "United".
Logo de cara, a pouco convidativa "I.B.M." já remete ao que viria ser o harsh noise. O clima de terror se instaura na perturbadora "Hamburger Lady", na angustiante "Hometime" e na tenebrosa "E-Coli".
Há também pérolas que transitam entre o garage rock, o pós-punk e grunhidos de manicômio, vide "Hit By A Rock", "Blood On The Floor" e a pesadíssima "Walls Of Sounds", que mais parece um trem desgovernado.
O mais perto que chegamos do formato "canção" é a melancólica "Weeping", onde uma letra resmungada é atropelada por colagens delirantes. Todavia, é talvez "AB/7A" a faixa mais palatável, emulando a estética do Kraftwerk num formato mais abstrato. Alicerce inegável da música eletrônica.
Agora, espetacular mesmo são os timbres, beat e o desenvolvimento da "Dead Or Arrival, que faz do space rock algo mais mecânico, criando assim a música industrial. Sua sonoridade é não menos que corrosiva.
Embora soando muito mais cru do que a banda viria a fazer posteriormente, é exatamente essa não lapidação que consagrou o grupo. Sua absorção não é das mais fáceis, mas vale a persistência. Trent Reznor recomenda.

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